segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Poema Canhoto

Quem diria,
eu, destro de mão,
mas anarquista de mente e coração,
estou fazendo poema
canhoto,
um problema
canhestro.

Não que eu tenha algo com o tinhoso,
mas não ligo para a (falta de) ideologia liberal.
Acho que estamos destinados a nos esquerdar...
...ao invés de "se endireitar
na vida".

Afinal, todo mundo é um pouco legal
com o próximo, mesmo este sendo um liberal
cuzão, egoísta no nível social.

Cansei minha mão, canhota, canhestra, esquerda, tá até vermelha.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Nudez

Poderia ficar nu
- como tantas vezes fiz
e apareci para outros corpos -

torso, dorso, cu,
pele, membros, pênis,
pelos, nu sem muito esforço.

Talvez diria que me despi
de cada pedaço do meu ego
ao estar nu em corpo e pelo,
mas só me senti despido
- e despudorado -
nas vezes que aqui,
nesse papel escrito,
tenho a alma lavado.

Apenas no poema é que fico nu.

domingo, 17 de setembro de 2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Autodepreciação

Sendo grão-mestre
em autodepreciação,
posso dizer
que excedi a cota:

me senti, mais que mal,
pior que merda,
uma bosta

~f~é~t~i~d~a~.~

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Flautista Cansado

Daí pensei - exausto - depois
da quinquagésima repetição
duma mesma canção,
que preciso de férias
dessa mesma pauta.

Dizem que é fácil,
mas cansa levar a vida na flauta...

sábado, 12 de agosto de 2017

Feudalismo Pós Moderno

Vivemos um colapso no espaço-tempo.
É verdade, nada que aqui digo invento:

Neonazistas marchando em plena luz do dia;
O (f)(r)acismo comendo solto na Ucrânia;

O neoliberalismo entrando de sola na América Latina;
Indígenas perdendo suas terras e suas vidas;

Os direitos trabalhistas sumindo;
A direita elitista abocanhando o mundo;

Você tomando no cu virando escravo, moderno;
do seu senhor de engenho, também moderno.

E tem pão e circo: Amanhã tem Game of Thrones...

Tá tudo normal...
Nada velho, nem novo. Só atual.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Tristes ufanistas

No "diz
que me disse"
da pornopolítica
brazuca,

é bazuca
a língua bélica
que diz amavisse
um "país".

Mas e esse silêncio
de conformismo?

...ou será de vergonha?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Desejo e realidade

Gostaria de escrever
como se estivesse cheio
de sentimentos
e motivos;

não que tenha falta deles,
apenas me falta vontade...

...às vezes poesia depende de mais do que necessidade...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Divisor

Devo à vida
ou ela me deve?
Essa cobrança indevida,
ao que me parece,
padece de fundamento,
não importando
de quem é tal dívida.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Processual

Me senti Josef K.,
mais uma vez
entre umas tantas -
na verdade,
a vida toda.

Não pude mais ficar
sofrendo crises
de ansiedade
num cai e levanta,
um gira-roda.

A vida é um processo
e se dá em processos.
Parece um processo.

Processo?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Chiste

Queria estar debaixo das árvores dos meus pensamentos
colhendo os frutos, sem pesares, de seus conhecimentos.

Queria ser um ser independente de qualquer ser alheio
que em, zero, nenhum instante, me houvesse um arreio.

Mas ao observar essa natureza entendi que estava cego,
pois como homem que se preza, prioriza seu surdo ego.

Não posso continuar negando que o universo coexiste,
não quero religião me usando, já me basta esse chiste.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Virtude?

Uma quase crise de abstinência
fez com que voltasse à escrita
que um dia sonhei ser como lírica,
mas reconheço cáustica e aflita -
momento em que destilo a essência

de cada palavra sentida
de cada letra despida
em alma, em poesia.

Loucuras de uma crise de abstinência -
quase, como disse anteriormente -
nada que me mostrem sem lentes
de aumento para entender a gravidade

do meu vício de poesia,
dessa minha obsessão,
louca necessidade.

terça-feira, 21 de março de 2017

Apo(ca)lí(p)ticos

Vide
a hipocrisia
da burguesia:

perfume francês
não disfarça
chorume reaça
do burguês...

...ele ainda fede.

Embrute-sen-cimento

Silenciaram o cotidiano
ao ponto da apatia
duma avenida barulhenta
fazer ouvir o emudecimento
de nossas bocas.

Mas, quem diria?

Os olhares ainda falam,
gritam, choram e,
embrutecidos pelo mundo,
se mostram entre o insano
e o são: o limiar
derradeiro do equilíbrio

falso de um surto,
de corpo e mente,
onde se faz o cotidiano.

terça-feira, 14 de março de 2017

Ego-coleção

Há muito a coleção não se aumenta,
seja pelo materialismo,
que perdeu seu sentido;
seja pelo colecionismo
egoísta que, varrido,
perdeu sua essência.

Passa-se a contar com a memória
e com toda transmissão,
acima de qualquer apego
que impeça, aos que vão
e aos que vêm, o ensejo
à cultura que se reinventa.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Sobre um sonho

Sonhei contigo
e estou a pensar
se o meu sonhar
era vida ou ilusão,
onde os dois estão
num mesmo lugar.

Dissera escrever,
um fim de semana
inteiro, uma chama
queimando meu ser
para falso alívio.

Disse-me (e é mútuo)
que queria escrever comigo...

...Acordei e voltei ao meu castigo.

...mas ainda acho que me econtrei,
em sonho ou vida, contigo...

sexta-feira, 10 de março de 2017

Dolorida

A saúde parece ter se esquecido
que dela há a necessidade
para que se continue nesta vida,
pois há dor sem algo ocorrido
numa, até que jovem, idade
dessa existência aqui vivida.

Doem os ombros,
a cabeça,
os membros,
o coração,
a carapaça
e a emoção...

...mas a maior dor advém de simplesmente viver.

terça-feira, 7 de março de 2017

Poesia-Sangria

Me disseram que falto com técnica,
que não me comunico no que escrevo,
que não sei escrever.

Não me preocupei com dita estética,
muito menos com o leitor como servo
que venha a me ler.

Apenas pus para fora o que queria sair
andando com seus pés de poemas tortos.
Apenas escrevi o que senti, como vizir
de meu âmago ácrata que aqui exorto.

Quem me avaliou, o fez por ego,
enquanto sangro sentimentos cegos.

Avaliar um poema e não senti-lo
talvez seja a pior maneira de lê-lo.

Derrota

Tento passar borracha
sobre a vida recente,
por diversas vezes
apagando todo o grafite...

...mas ainda leio marcas
de pressão da escrita
com as letras dum nome
que me é indelével...

...e sinto seu oposto
de dentro para fora,
saindo à flor da pele.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Jekyll & Hyde

Respeite o monstro de si
e dê voz ao encontro
do som com as palavras
que, juntos do coração,
são frutos de sua lavra.

É melhor saber sim
do monstro de si,
pois bela e fera
são faces de moeda,
e se não te conheces,
como a outro conhecer?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Analgésico

Como agüentar tanta vida?

O que dizem ser leve
se prova ser um fardo
daqueles pesados: "Pegue!
Agarre-a para ser vivida!"

Quando meus braços
e meus ombros cansados
concordam com corpo
e tentam calar o pensamento.

Tudo dói, até a vida dói
tanto que o analgésico
tem que ser cada vez mais forte
até que o peso da vida
se alivie na morte.