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terça-feira, 7 de julho de 2020

Espero o degelo

O sol ilumina lá fora,
e eu, aqui dentro,
a sombra enfrento -
meus demônios, o frio,
a ausência do calor
que me aquecia outrora.

E por que não saio?

Porque lá fora caio
de joelhos esperando
a sua temperatura -
mais quente que o sol -
que sempre degela
o meu frio coração.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Dantesco

Parece que chegou o inverno
no meio do outono.
O clima esfriou
e parece que tudo ficou gélido
como no nono círculo do inferno.
"Exagero!", é o que me dizem...
Sem problemas, eu aceito,
sou friorento mesmo.
E não estamos
no nono círculo
mas já sabemos
que lá é onde pertence
o atual presidente,
lá no gélido nono círculo,
onde são mastigados
os traidores.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Isolamento dos Astros

Como é difícil
este isolamento,
esse momento
sem o sensível
contato social.

Não impossível,
causa espanto
e no entanto
é como o lancil,
tão essencial

para bordar
a calçada da rua,
que é como, ao eclipsar,
borda de sol na lua.

Estes últimos,
astros em isolamento,
são como nós todos
neste isolado momento.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Beca Nova de um Mundo Velho

A história se repete?
Talvez não...

Há de se ter muito capricho
para replicar cada detalhe,
não pode deixar que falhe
nem o saco na lata de lixo.

A dita "escória" não é a mesma,
seu algoz também não...

Mas o que se repete são situações
nisso, a história se faz real farsa,
nessa antítese um tanto esparsa
que beneficia apenas os barões.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Julgo meu umbigo, do 8º andar

Daqui de cima,
mesmo fechado
à vácuo,
ouço de fora
o desafinado
que cisma,
inócuo,
em cantar fora
do tom.

Depois de horas,
me irrito,
mas lembro
de meu grito
enquanto membro
de banda outrora.

Por favor, continue
Desafine, colega,
até altas horas...

Assim se aprende,
me entende?
Fazendo música,
sem ligar para acústica,
até a hora
de ir embora.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Passo a passo...

O pensamento passeia
como quem permeia
em cada passo,
no passeio,
uma tranquilidade
típica de um doce mar.

terça-feira, 28 de julho de 2015

À sociedade

Me desculpe sociedade,
mas não discuto,
na minha atual idade,
certos assuntos.

Minha opinião formada
ao longo dessa estada
é que não quero mais,
de ti, correr atrás.

Você não gosta de redução
nas grandes marginais
e eu nas maioridades penais
que você aceita de supetão.

Você reclama de ciclovia
e eu da sua grande hipocrisia
em valorizar seu "carrumbigo".
Portanto, assim, lhe digo:

Enquanto você pensa merda
e defeca pela fétida boca,
mantenho minha mente aberta
e sã, para você ficar louca.

Sociedade, me desculpe
pela sinceridade,
mas enquanto você fala, bocejo...
É... tem hora que você me dá nojo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Algodão doce celeste

Olhei para o céu
e vi apenas o chão
feito de nuvens,
agora imaginem
estas, de algodão,
com sabor de mel.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

E²(legia)(pifania)

Eu já quis morrer
e hoje quero viver...

Minha sede de morte
virou fome de vida
e então o meu norte
mudou-se de vila,
pois agora a agonia
não é mais torcer
para que uma fila
ande sem calmaria,
mas sim para viver
e aproveitar minutos
que não são infinitos.

Tchau, céu cinza

Toda vez que o céu
está nublado, todo cinza,
como vestido de véu,
um lado meu, ranzinza,
se desperta
e me aperta
o coração
com sua mão,
me fazendo lembrar
que embaixo da nuvem
ainda respiro o ar
e vivo;
é daí o sorriso que vêem.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Papo de nuvens

E assim se viram,
enquanto respiram
teus aguaceiros
que inundam de ideias
e pensamentos:
a mente ociosa,
sentada jocosa
no banco da praça,
percebeu a chuva
apagando a chama
e se viu comparsa
da vizinha de banco,
num solavanco
saltaram dos assentos
e assentaram-se ao vento,
embaixo da árvore
que tem a copa gigante,
verificou no instante
se há algo que piore
a situação,
mas acharam
as ferramentas certas
para fazerem, espertas,
nuvens de fumaça,
num canto seco da praça,
enquanto a chuva não passa.

sábado, 27 de junho de 2015

Colorido

No dia em que o amor
for monocromático,
será aceito
em automático,
o pensamento
matemático
de que sentimentos
são binários,

mas isso me assusta
pois nessa busca
pelo que nos é necessário,
sei que amo muitas cores,
amigos, parentes e genitores,
e não penso em sexo
ao lembrar deles...

Se sexo e amor fossem
um só, como outros pregam,
por que eles não estão
transando entre si?
Por que não estão numa suruba?

Palavras que medem sentimento
nada sentem, são só palavras.
Amor está no ato de amar,
e o amor sempre será colorido,
transgressor
e transformador.

Quando tudo estiver colorido
e, por aqui, não houver doloridos
talvez o amor esteja conosco.

Mas sei que ele sempre esteve comigo.

--
Muito amor, para todos.
A vitória vem, passo-a-passo,
em busca do amor,
que já chegou num beijo e num abraço.
<3 p="">

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Memento Mori do dia

Estava andando
e divagando
quando
percebi que viver
é um ato suicida
e, às vezes,
até masoquista,
pois a morte
pode acontecer
lentamente,
disfarçada de "vida".

Paz e amor

Me traga paz
e também amor;
ódio ou dor
não quero mais.

Paz e amor são
sempre um só,
se desatar o nó,
ambos sumirão.

Ambos precisam
um do outro;
sem confronto
eles se realizam.

Se um estiver
no outro ausente,
o que se sente
paz e amor não é.

Paz é amor
e amor é paz.

Qualquer dia nos serve

Já nos disseram
que não somos românticos...
Mas, após tantos anos,
sabemos que amor não é físico,
aos outros isso parece racional,
mas é puramente sentimental.
Então não precisamos de arroubos
em uma data comercial
que se mostra sempre banal
e é apenas, no romance, um roubo
que estimula o corpo a fazer sexo
como se isso tivesse algum nexo
com o ato de amar.

O amor que sinto por ti
está além de tudo que vi
nessa vida.
Não o vejo, apenas sinto
e, chorando ou rindo,
sei que o amor mais lindo
não é físico,
mas sim algo que salva
a vida da banalidade,
algo que traz realidade,
algo muito além da matéria.

Não importa o dia,
o amor é nossa alma.

terça-feira, 9 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pergunta poética

Meu tempo
é curto
e voa
com o vento.

Abro asas,
num surto
que ecoa
uma pergunta:

"Seria minha mente alada
como um pégaso mítico
ou serei eu, num ser físico,
uma persona imaginada?"

sexta-feira, 5 de junho de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

(Quase 60 anos de) Amor selado numa agulha

A carta me rasgou,
irrompeu cada pingo
de lágrima que chorei,
pensei que parou
meu coração: é lindo
e triste o ato que admirei.

O amor de vocês, eterno,
me matou um pouco mais
vocês passaram pelo inferno
sem se abalarem, jamais.
E com a morte, essa injeção
letal de realidade dura,
puderam deixar juntos e sãos
essa vida de loucuras.

Se há vida após a morte,
não importa pois, com sorte,
ainda vivem na história,
não serão apagados da memória.
Se suicídio é condenável,
não serei eu o acusador,
pois este ato mútuo, (diriam) "execrável",
a mim é obra de mais puro amor.

--
Homenagem a Gerhart Hirsche e Doreen Keir, conhecidos mundialmente como André e Dorine Gorz.
"Carta a D." é um dos livros mais lindos que li sobre amor.