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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Em meio à rega

Às vezes a gente se pega
vendo a luz do sol
que, também nos cega
quando ofusca
qualquer outra cor
até então vista.
De repente vem o torpor,
nada mais se pensa
em meio à rega
costumeira e matinal.
O sol não faz por ofensa,
nós é que insistimos
em olhar o que não
aguentamos ver.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Cristas e Vales

Duas coisas andam
uma na contramão
da outra:

O desespero
e o amor próprio.
Parece óbvio...

...,MAS NÃO É!

Esquecemos
quem somos
e perdemos a fé
que um dia tivemos.

Então quero te lembrar
que desesperos são gotas
perto do amor-próprio,
que é, de si mesmo, mar,

com todas as ondas
compostas de cristas
e também vales.

Altos e baixos
existem,
assim como as águas
puxam e empurram.

Não seja uma gota,
seja você seu próprio mar.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Inverno Chegando

A água gelou os ossos

e fiquei pensando
se também o limiar
entre vida e morte
é medida entre
frio e calor.
Seria um torpor
sem nada no ventre?
Nada a ver na frente?
Tudo ou nada no ar
que se inala, entretanto?

A água gelou os ossos

e ao meditar sobre
o impacto,
esqueci de aquecer
as mãos.
Talvez frio e calor
não indiquem nada
além do que são.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sobre o Pôr do Sol de Ontem

Vi o céu de fogo
num pôr-do-sol
que engolfa,
tal queima um véu,
o azul celeste.

Esse azul do céu,
mesmo se pudesse,
como água, apagar
o vermelho sufoco
deste céu de fogo
que nos tira o fôlego,
mar não seria,

porque beleza tamanha,
há tempos a natureza
não nos presenteava
com tal façanha,
assim o céu-mar compreenderia.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Silêncio

Agora,
quando mal ouço pessoas,
percebo o que soa
lá fora,

sem os ruídos
e vozes
atrozes
das máquinas
e suas fumaças.

Ouço os animais
e o vento
nas plantas -
o farfalhar
que tanto
era emudecido
pela vida
ensurdecedora
que não
queria conviver

com seu próprio


silêncio.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Sal da Terra

A tentativa de um feixe de sol diário
e a lufada de vento no rosto,
as nuvens se movendo no céu solto,
azul, mutante, inigualável no páreo

entre
o que é celestial
e o que é banal.

O céu não liga para o nosso horário,
apenas é, somente o exposto,
e ao vê-lo me sinto envolto
num conforto quase etéreo

entre
o céu celestial
e o eu banal.

Pode ser num dia de clima vário -
o clima é e não é imposto -
térreo sei que afronto
se mandar no que é aéreo,

sendo
o céu celestial
e eu apenas sal

da terra.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Algodão doce celeste

Olhei para o céu
e vi apenas o chão
feito de nuvens,
agora imaginem
estas, de algodão,
com sabor de mel.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Tchau, céu cinza

Toda vez que o céu
está nublado, todo cinza,
como vestido de véu,
um lado meu, ranzinza,
se desperta
e me aperta
o coração
com sua mão,
me fazendo lembrar
que embaixo da nuvem
ainda respiro o ar
e vivo;
é daí o sorriso que vêem.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Papo de nuvens

E assim se viram,
enquanto respiram
teus aguaceiros
que inundam de ideias
e pensamentos:
a mente ociosa,
sentada jocosa
no banco da praça,
percebeu a chuva
apagando a chama
e se viu comparsa
da vizinha de banco,
num solavanco
saltaram dos assentos
e assentaram-se ao vento,
embaixo da árvore
que tem a copa gigante,
verificou no instante
se há algo que piore
a situação,
mas acharam
as ferramentas certas
para fazerem, espertas,
nuvens de fumaça,
num canto seco da praça,
enquanto a chuva não passa.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Paz e amor

Me traga paz
e também amor;
ódio ou dor
não quero mais.

Paz e amor são
sempre um só,
se desatar o nó,
ambos sumirão.

Ambos precisam
um do outro;
sem confronto
eles se realizam.

Se um estiver
no outro ausente,
o que se sente
paz e amor não é.

Paz é amor
e amor é paz.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"AL-AU!" do Luka

Afinal,
qual mal
é mau?

--
Para Luka, o cachorro filosófico do Cao. ;)
http://cao-piratamental.blogspot.com.br/

segunda-feira, 30 de março de 2015

Filhos da Lua

Te vejo vestida de nuvem
mas quando bate o vento
sua saia levanta
e te vejo lua
cheia e nua.

Voa(!)
essa nuvem de fuligem;
você ilumina o céu
e eu invento
que caia, me espanta,
num sopro, o ar
no mar a me sufocar
deitado na praia.

Meu pensamento
que voa desconexo
e me deixa perplexo
se modifica enfim:

o seu rebento
é o dia ensolarado
num coração apertado
de sangue carmim.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Chagas no Chão

Quem reclama de ciclovia
talvez não tenha, um dia,
passado por risco na via.
Então, forço-lhe afasia:

Já fui derrubado,
já me tiraram fina,
já fui até jogado...
Já chega dessa sina!

Então quando for reclamar
da tinta vermelha, não se zangue,
faça um esforço em pensar
na cor de seu próprio sangue.

Ali, estirada, poderia ser sua paixão...
Não é "só uma indumentária";
a ciclovia, sim, se faz necessária
para não haver mais chagas no chão.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A beleza da natureza...

...é, que quando chove,
goteja vida no solo
fértil, que ovula sobre
placas de pedra.

A areia logo absorve
a água em seu colo
e o dito adubo podre
dá vida à ajedra.

O vento sopra semente,
pólen e vida na terra,
e faz florescer o mundo.

Raízes, impunemente,
crescem, entre forras,
chão limpo ou imundo.

terça-feira, 17 de março de 2015

Andorinharquia

Não levanto bandeira,
pois nenhuma bandeira é minha
e, de qualquer maneira,
bandeira não tremula sozinha.

Já ouvi na rua e feiras
que verão não é uma andorinha
sozinha no céu, pioneira,
mas esta é, de si mesma, rainha.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Questões sobre religiões

Se deus é onipresente,
onisciente e onipotente,
por que nos faz tão
dementes?

Se a falta de deus
satisfaz o ateu
por que ele se mete
no que não é seu?

Se um deus não basta
o pagão ri e atesta
que os outros erram,
mas ainda se arrasta.


Acho muito engraçado o ateu
que critica quem crê em deus
e vice-e-versa...

não sei quem é mais religioso.

Se eu acredito em algo ou não,
não é da conta de ateu, pagão ou cristão,
já não basta vivermos juntos?
Tenho que compartilhar tudo,
o amor, o pensar, tudo em conjunto?

Oras!

Se sua religião, ateu, cristão ou pagão,
não te completa o suficiente,
não é me criticando ou convertendo
que você vai resolver seu problema.

Siga o que acredita, mas desista,
eu não quero te seguir,
já basta conviver comigo todo dia,
não preciso ficar a me mentir,

sei que não ligo para religiões
e que o tempo não me espera,
todos vocês me dão sermões
mas a vida passa como uma fera:

Rápida, selvagem e impiedosa,
como o tempo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Frágeis Para Sempre

Me reconhecer fraco
é ver-me, num abraço,
ocupar um espaço
e saber que, de fato,
é ali que pertenço.

Poderão me criticar,
mas quando soltas,
tais palavras no ar
ficam sem escoltas
do vento a soprar.

É assim que somos frágeis,
como frases numa ventania
se desmontando à revelia
da força que nos faz amáveis.

Frágeis seremos ao que é real,
pois nada aqui se conserva,
tudo muda e, se não observa,
sentirá dor até no que é natural.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Luz no inverno

Um lugar ao sol, no frio,
é ainda um lugar ao sol;
onde cada raio é um fio
que ilumina o dia em prol
de encher, à luz, um vazio.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ciclo infinito da vida

Ao mergulhar minha cabeça
na nascente do rio da vida,
sinto a água, um tanto fria,
fazer com que ideias esqueça.

Tudo parece um tanto animal
quando sorvo desse líquido
misturado à terra, mas límpido,
então sinto o instinto irracional

ao qual todo humano retorna:
este seu estado mais natural
em meio à tanta beleza.

Este é o ciclo da vida eterna:
é nascer e morrer; é trivial.
Assim funciona a natureza.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

À la Ivan Ilitch

No mundo moderno
todo ser é feio
e se sente meio
morto, meio eterno,

mas o choque real
de que é um animal
em auto detenção,
sem tomar uma ação

para deixar o vazio
de um viver tão frio
e banal, é uma doença

fatal que o atinge,
e não mais se finge,
apenas se reforça.