Esse dia fatídico, 5 de Maio de 2010, dia em que eu acordei para terminar algumas
atividades. Dia em que o
Timão acordou do sonho de, no seu centenário, ganhar a taça Libertadores.
Eu não costumo ser
supersticioso, mas fico pensando no que me ocorreu durante o dia, e tudo de alguma forma tem algo relacionado com fim de uma fase, e começo de outra, transições... Acordei em jejum, pois tinha que fazer uma
coleta de sangue, coisa trivial, mas é a ÚLTIMA de uma série de
coletas de sangue. Após isto, ACABEI com o meu jejum, ou melhor dizendo comecei um
desjejum, foi uma transição. E mais tarde fui no ortopedista, para começar uma série de consultas. Contando tudo isso, parece até que sou uma pessoa muito doente e
hipocondríaca, mas longe disso, são só exames de praxe, e quanto a consulta
ortopédica, bem, é fruto de uma partida de futebol com os amigos no último sábado. O meu único mal, realmente, neste momento, é ser o que escolhi desde pequeno, ser
Corinthiano, ser sofredor, ser "
LÔCO", e nunca abandonar, nunca deixar de torcer.
Sei que muitos nem ligam tanto para futebol assim, muito menos para superstições, mas será que fiz certo em finalizar algumas coisas logo hoje? Por exemplo, terminei de ler "Laranja Mecânica", livro do
Anthony Burgess, mas será que deveria ter esperar até amanhã para terminar a leitura? O fim do livro, é uma transição(olha ela aí de novo) da '
jizna' '
nadsat' de
Alex, cheia de '
ultraviolência', '
veshkas voni graznis', '
molokos' entupidos de drogas, Nonas de Ludwig
van, '
druguis' traiçoeiros e diversões, para a vida adulta, responsável e familiar. Este último capítulo foi excluído das cópias americanas, de onde foi tirado o roteiro do filme de Stanley
Kubrick, então é algo novo, e vou parar por aqui, pois não quero estragar a leitura de ninguém. Posso relacionar ao ciclo que o
Timão encerrou(Copa Libertadores 2010), como
Alex, e irá iniciar, no Campeonato Brasileiro deste ano, e amanhã eu começo um novo livro, "
Clarissa", de
Erico Veríssimo, pois preciso ler algo mais humano e menos caótico.
Está acompanhando a superstição toda?
Então tem mais uma, cheguei em casa e assisti "
The Last Waltz"(juro, não sei como essa
mídia ainda não derreteu de tanto que já assisti o
dvd!), o último concerto da
The Band em sua formação completa e original, e para mim, o melhor
show de rock já gravado em vídeo com diversos convidados de alto calibre(
Bob Dylan, Neil
Young, Van
Morrison,
Eric Clapton,
Muddy Waters,
Ron Wood,
Ringo Starr,
Joni Mitchell,
Emmylou Harris, e mais alguns...), a
direção impecável de Martin
Scorsese uma celebração completa, e mesmo que bonita, triste em sua essência.
Robbie Robertson(guitarra e vocais) não
agüentava mais sair em
turnês(hoje em dia ele compõe e produz trilhas sonoras para filmes, sendo requisitado pelo já mencionado
Scorsese) e queria sossegar em casa; Richard Manuel(piano e vocais) não
agüentou muito, foi o primeiro a sucumbir e se despedir do mundo, vítima de uma vida desregrada de bebedeira, resolveu se suicidar, se entupindo de cocaína, tomando uma garrafa de
Grand Marnier, e se enforcando logo após; outros já estavam começando a vislumbrar carreiras solo,
Rick Danko(baixo e vocais) foi o primeiro a seguir em frente, lançou um disco solo e nunca mais parou, continuou fazendo
turnês até falecer em 1999, devido a problemas no coração;
Garth Hudson(teclados e metais), o mais
introspectivo, também seguiu solo, mas de um jeito mais
intimista, e se tornou um músico de estúdio bem requisitado, até hoje é o mesmo
barbudão, mago nos teclados; e para finalizar,
Levon Helm(bateria e vocais), assim como
Danko, nunca parou, e ainda não dá sinais de desgaste, e hoje em dia já conta com um estúdio onde bandas disputam a agenda para fazerem
shows especiais(tem espaço para audiências de até 200 pessoas) e gravarem discos, e já até
atuou em filmes e não para de lançar discos e fazer
turnês. Enfim, a
The Band começou como banda de apoio de
Ronnie Hawkins e foi ao sucesso quando virou banda de apoio de
Bob Dylan, que estava procurando uma banda para sua primeira
turnê "
elétrica"(olha só a transição de novo!) , e seguiu lançando com eles o famoso disco "
The Basement Tapes"(OUÇA! É OBRIGATÓRIO!), e a banda acabou por ficar grande por si própria e seguiu separada de Dylan, até o seu término na sua última valsa. E assim finaliza mais um ciclo.
E aí, temos os cem anos do
Coringão. Um ciclo se encerra, um século se conclui, e uma transição se passa neste momento, não tão alegre como eu desejava, mas faz parte. Essas coisas que só acontecem no futebol, afinal tudo é resolvido em detalhes entre quatro linhas. Nem adianta ficar discutindo o que deu errado, já passou. Mas gostei do jogo que vi, da força de vontade, da garra e da entrega, para jogar no
Corinthians, ao meu ver, o jogador tem que mostrar 'raça', força de vontade, e paixão pela camisa(o que é raro hoje em dia), e eu vi tudo isso(pela TV, infelizmente) e mais, vi uma torcida, mesmo chateada com a
desclassificação, cantar e exaltar o desempenho do
time em campo, e fico feliz, pois em meio a tanta violência(o
Alex '
nadsat' iria adorar morar num Brasil cheio de '
ultraviolência' entre torcidas, trocando '
toltchoks' e vendo '
krovi' escorrer...) que temos hoje no futebol, é raro ver uma torcida comportada e mesmo na derrota, ter orgulho da camisa que veste.
Será que a minha superstição tem fundamento? Talvez não, não saberia explicar, nem um milhão de anos como eu posso relacionar tudo isso com a
desclassificação do
Timão na Libertadores, apenas foi um pensamento que passou pela minha cabeça, aquele velho e bom "e se..." que sempre volta a atormentar.
Não adianta, a única explicação decente é a velha máxima:
Futebol é uma caixinha de surpresas.Hoje começa um novo ciclo, e lá vou eu seguir em frente com algo novo, mas para sempre
corinthiano, torcedor, sofredor, "
LÔCO" e que nunca vai abandonar a camisa.
VAI CORINTHIANS!