Morre um poeta.
Morre um asceta
da música brasileira,
e não de outra maneira
mas vítima da pandemia,
aqui tanto propagada
pela visível ignorância
dessa doida manada.
Certeza que, vivo,
diria ao ouvir o silvo
de um companheiro
compositor maneiro
algo de pura sagacidade,
com metáforas lindas,
à seja lá quem for
(não importa a flor da idade)
que teria suas letras lidas.
Adeus poeta das visões
desse país maluco.
Adeus homem das anistias
em meio ao sufoco.
Que à Deus você chegue,
digo, mesmo não sendo crente
que hoje tenha algo acima
de um poema seu.
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segunda-feira, 4 de maio de 2020
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Qualquer dia nos serve
Já nos disseram
que não somos românticos...
Mas, após tantos anos,
sabemos que amor não é físico,
aos outros isso parece racional,
mas é puramente sentimental.
Então não precisamos de arroubos
em uma data comercial
que se mostra sempre banal
e é apenas, no romance, um roubo
que estimula o corpo a fazer sexo
como se isso tivesse algum nexo
com o ato de amar.
O amor que sinto por ti
está além de tudo que vi
nessa vida.
Não o vejo, apenas sinto
e, chorando ou rindo,
sei que o amor mais lindo
não é físico,
mas sim algo que salva
a vida da banalidade,
algo que traz realidade,
algo muito além da matéria.
Não importa o dia,
o amor é nossa alma.
que não somos românticos...
Mas, após tantos anos,
sabemos que amor não é físico,
aos outros isso parece racional,
mas é puramente sentimental.
Então não precisamos de arroubos
em uma data comercial
que se mostra sempre banal
e é apenas, no romance, um roubo
que estimula o corpo a fazer sexo
como se isso tivesse algum nexo
com o ato de amar.
O amor que sinto por ti
está além de tudo que vi
nessa vida.
Não o vejo, apenas sinto
e, chorando ou rindo,
sei que o amor mais lindo
não é físico,
mas sim algo que salva
a vida da banalidade,
algo que traz realidade,
algo muito além da matéria.
Não importa o dia,
o amor é nossa alma.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Lied do Compositor
O canto triste da ave
faz vibrarem luzes,
ar, tímpanos e peles.
Os cílios, num enxágue,
respingam emoção
e fecham as bocas dos olhos,
calando sua visão
e deixando à audição
o vislumbre dos textos
molhados de poesia
e vestidos de canção
entoada pelos ventos
que empurram a embarcação.
Não há sequer maresia
que afete o canto alado;
quem compôs é santo
em música
e, no amor, amaldiçoado.
Como na tristeza
pode haver beleza
e tanta calmaria?
Talvez só o compositor
lhe responderia...
faz vibrarem luzes,
ar, tímpanos e peles.
Os cílios, num enxágue,
respingam emoção
e fecham as bocas dos olhos,
calando sua visão
e deixando à audição
o vislumbre dos textos
molhados de poesia
e vestidos de canção
entoada pelos ventos
que empurram a embarcação.
Não há sequer maresia
que afete o canto alado;
quem compôs é santo
em música
e, no amor, amaldiçoado.
Como na tristeza
pode haver beleza
e tanta calmaria?
Talvez só o compositor
lhe responderia...
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Herói?
Um amigo relatou
que já desejou
ser Jesus,
e me perguntou
se tive heróis...
Alguns, supus,
mas, logo depois,
pensei alto
e ele escutou:
"Eu só queria
fazer barulho
todo dia.
Herói? O caralho!
Quero alegria,
para o mundo
do topo ao fundo,
do baralho;
e o fim da amusia."
que já desejou
ser Jesus,
e me perguntou
se tive heróis...
Alguns, supus,
mas, logo depois,
pensei alto
e ele escutou:
"Eu só queria
fazer barulho
todo dia.
Herói? O caralho!
Quero alegria,
para o mundo
do topo ao fundo,
do baralho;
e o fim da amusia."
terça-feira, 5 de maio de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Harmonia Funcional
De um maestro aprendi
que "a desigualdade nos une
ao mesmo passo
que a igualdade nos separa",
e daí, então, entendi
que a maldade é um perfume
no mesmo laço
que a bondade nos enforca.
Um não vive sem o outro,
pois a maldade de viver
nos é um fato tão neutro
quanto a bondade de morrer.
que "a desigualdade nos une
ao mesmo passo
que a igualdade nos separa",
e daí, então, entendi
que a maldade é um perfume
no mesmo laço
que a bondade nos enforca.
Um não vive sem o outro,
pois a maldade de viver
nos é um fato tão neutro
quanto a bondade de morrer.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Aprendizado
Nunca o silêncio
foi, em essência,
o que me agradou,
mas quando penso
nas experiências
do que me passou
me sobra o bom senso
que me repensa
o que me silenciou,
pois este silêncio
vem da vivência
do que me ensinou:
"a quem mais ouve,
menos dor houve"
então me calou.
foi, em essência,
o que me agradou,
mas quando penso
nas experiências
do que me passou
me sobra o bom senso
que me repensa
o que me silenciou,
pois este silêncio
vem da vivência
do que me ensinou:
"a quem mais ouve,
menos dor houve"
então me calou.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Flauta Faceira (haiku trio)
Rouca madeira
mostra-se tanto destra,
louca e faceira
na quente feira
antiga; entre suas amigas,
faz brincadeira:
Frullato, sopra
fundo e vibra profundo
quem ouve a obra.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
A Malandragem
Samba em bando
dentro da caçamba?
Caramba!
Continua sendo
um samba
sem banda.
Aqui ou em Ruanda,
só malandro
o samba
é bamba.
dentro da caçamba?
Caramba!
Continua sendo
um samba
sem banda.
Aqui ou em Ruanda,
só malandro
o samba
é bamba.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Um canto
Ouço um canto
ali, que me espanta.
Enquanto
me encanta
cobre minha mente
como um manto
e não deixa
o frio entrar.
Meu coração
quente, sente
o que só a canção
consegue falar.
Portanto,
não entendo
como tanta gente
daquele canto
não se deixa
emocionar
quando o canto
começa a soar.
ali, que me espanta.
Enquanto
me encanta
cobre minha mente
como um manto
e não deixa
o frio entrar.
Meu coração
quente, sente
o que só a canção
consegue falar.
Portanto,
não entendo
como tanta gente
daquele canto
não se deixa
emocionar
quando o canto
começa a soar.
terça-feira, 1 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Crosby, Stills, Nash & Young - Déja Vù
Peço atenção E DESCULPAS, pois o texto de hoje é longo, mas
é super-válido. ;)
A querida companheira estava dirigindo hoje cedo a caminho
do trabalho e eu, no banco do passageiro, sintonizei a Rádio Eldorado (tinha
propaganda nas outras emissoras e fiquei caçando algo para ouvir...) e, de
repente, ouço “Woodstock” de Crosby, Stills, Nash & Young e sinto uma
nostalgia, vai lá saber se isso é porque a década de 60 é a época que mais
gosto da música popular mundial – vide a música brasileira dessa época, cada
composição linda – ou uma questão sentimental por conta de alguns discos que
ouvi sentado ao lado de meu pai, um apreciador de música, mas a questão é que
este disco, especificamente, este pequeno e curto álbum chamado “Déja Vù” desse
quarteto, acompanhado de Dallas Taylor (bateria) e Greg Reeves (baixo),
devidamente creditados e fotografados NA CAPA, tem sido parte da trilha sonora
de minha vida, mesmo não tendo vivido naquela época. Não sei dizer o que raio
de sentimento aflora quando ouço esse disco, só sei que é um daqueles poucos
que posso dizer algo do tipo “me sinto em casa”. Meu pai não tinha esse disco,
mas falava dele como se fosse algo fenomenal, de outro mundo, mas nunca achou
para comprar fácil e num preço bom – a classe média na década de 80 e 90 não
era abastada, com tanta inflação, comprava-se o pão da semana, pois no dia
seguinte a subida de preço era vertiginosa. Recentemente o ouvi conversando com
um amigo, lembrando como era difícil para eles até fazer compras, pois tinham
que sair correndo antes que o etiquetador de preços do supermercado aumentasse
o valor de cada produto, eram os bons tempos de ditadura, economia fantástica, importação
PROIBÍDA, tecnologia defasada e mal se podia ouvir Chico Buarque, Geraldo
Vandré, Titãs, etc, sem a avaliação da censura sobre o que deve ou não ser
absorvido culturalmente: TUDO MIL MARAVILHAS. Vou parar JÁ com o discurso
político (foi só para estabelecer um cenário real) e vou retomar a história.
Enfim, meu pai não tinha esse disco e eu, já com 12 anos e viciado em música
(doses cavalares diárias) em 1996, comecei a fuçar nas locadoras de CDs por
discos novos, bandas novas; o MP3 apareceu na minha frente só no ano seguinte,
e demorava no mínimo uma hora para baixar um arquivo de música com péssima
qualidade de áudio. Conheci muita coisa, pegava CDs emprestado, copiava em
fitas, emprestava CDs, trocava fitas com amigos (tínhamos o costume de pegar um
CD novinho e ouvi-lo seguidas vezes, copiando uma fita por vez para cada um),
mas alguns discos ficavam na minha mente como pulga atrás da orelha... Na
verdade, muitos discos ficaram como pulga, coçando minha curiosidade, eu via as
capas (a internet tinha acabado de chegar à casa dos meus tios) quando buscava
por nomes no “Yahoo!” ou no “Cadê?”, e ficava besta tentando adivinhar como
seria cada disco, de acordo com as referências que tinha até então. Só quando
fiz 15 anos fui ouvir tal disco, já ouvia heavy metal e tentava, como qualquer “aborrescente”,
renegar qualquer autoridade familiar e suas culturas, mas não conseguia NÃO
GOSTAR das músicas que meus pais ouviam, nunca consegui DESGOSTAR (diferente de
“enjoar”) do que gostei até então, então o Sr. Headbanger Babaca que vos fala
ouvia Marisa Monte, Toquinho e Vinicius, Pink Floyd, Genesis, Yes, Fleetwood
Mac, Elton John, Tim Maia, Alcione, Jethro Tull, UB40, Simone, Cidade Negra, Fagner,
Chico Buarque, Djavan e outras coisas, tudo misturado com o metal e a música atual
da época, Planet Hemp, Nação Zumbi (com o Chico), Raimundos, Skank, a cena
Grunge, mas tudo escondido no mundinho do meu quarto. Falar para os amigos que
eu gostava de Commodores? Não... Que eu cantava com os discos do Zé Ramalho???
Nem pensar!!! Que besta eu era... Achava que isso importava muito. Fiz amizades
na escola, algumas dessas duram até hoje, e o pai de um deles tinha (e ainda
tem) uma coleção, invejável, a maior que tinha visto naquela época. E PASMÉM,
ele tinha o disco que meu pai me falou e despertou minha curiosidade por tantos
anos. Eu não tinha ideia do que ouviria, já conhecia Neil Young e gostava
muito, conhecia o David Crosby, mas ainda como guitarrista do Byrds, também já
ouvira Hollies do Graham Nash e o Buffalo Springfield do Stephen Stills (e Neil
Young), mas nunca tinha ouvido na vida esse timaço junto. Quando apertei play,
dei de cara com um folk rock psicodélico diferente, quatro vozes fazendo um
coro que ressoa até hoje na memória, músicas passando por diversos climas, do blues
ao jazz ao experimental, mas sempre com uma linguagem popular e de fácil
assimilação, mas não pense que é um disco bunda, é diferente de tudo. Quando
meu pai chegou do trabalho e viu o CD que peguei emprestado, ficou feliz,
lembro disso até hoje, deu um jeito de ouvir bastante antes de eu devolver (ele
não tinha mais toca-fitas no carro, mas também não tinha como copiar o CD).
Para você entender a alegria do meu velho, a minha alegria e a alegria do
festival de Woodstock, você tem que saber que esse supergrupo foi o único na
história que conseguiu rivalizar em popularidade com os Beatles no hemisfério
norte, em sua curta duração. Esse disco é tão influente que ouço nuances dele
em vários artistas folk, mas a obra inteira é uma viagem completa. Difícil você
não se sentir numa fazenda enquanto ouve “Our House”, muito mais difícil você
não sentir nostalgia de um lugar onde você nunca botou os pés ao ouvir “Helpless”.
Difícil não sentir a angústia de “Almost Cut My Hair”, difícil não se deixar
levar com “Carry On” (trocadalho do carilho?)...
Difícil ouvir apenas uma vez.
Depois que ouvi, larguei a mão, mostrei para todo mundo, a
maioria torceu o nariz por não ter um solo na velocidade da luz, por não ter
guitarras com distorções no talo, um baixo reto e pulsante ou uma bateria que
mais parece metralhadora, mas eu não consegui desgostar desse disco, nunca
consegui, é um dos poucos discos que é um porto seguro, sempre volto para ele,
e nem é o meu favorito, nem de meu pai, mas tem um lugar guardado no meu
coração. Foi por causa desse disco, especificamente, que admiti que gosto de
música, acima de qualquer definição de estilo ou gênero. Dali para frente, não
sentia que precisava esconder que gosto de samba, bossa nova, funk, reggae,
ska, soul, r&b, rock, heavy metal, brega, música erudita, jazz, etc...
Não sei se você vai gostar desse álbum, mas fica aqui o link
para vossa apreciação, talvez você tenha um choque, mas não se preocupe, apenas
feche os olhos e dê toda atenção que puder apenas à música. Esse pequeno grande
álbum não pode ser esquecido, nunca!
Se puder, quiser e não for atrapalhar, comente falando o que
achou do disco. J
www.youtube.com/watch?v=RnOXkedBmRs
--
--
Texto: Ernesto Gennari Neto.
terça-feira, 4 de março de 2014
Desculpa de Carnaval
Numa terça-feira de carnaval,
pensei, toquei e cantei rimas,
eu ainda não via nada mal
nem na quarta-feira de cinzas.
Mas o fim do feriado chega
como quem diz "sai de cima",
acorda cedo na quinta-feira,
mas não se esquece da rima.
"Porque viver para trabalhar
não é trabalhar para viver.
O mundo girou quando parei
e isso prova que descansar
não é ruim como dizem ser.
Por que trabalhar? Não sei..."
pensei, toquei e cantei rimas,
eu ainda não via nada mal
nem na quarta-feira de cinzas.
Mas o fim do feriado chega
como quem diz "sai de cima",
acorda cedo na quinta-feira,
mas não se esquece da rima.
"Porque viver para trabalhar
não é trabalhar para viver.
O mundo girou quando parei
e isso prova que descansar
não é ruim como dizem ser.
Por que trabalhar? Não sei..."
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Vida absurda
Seria tudo um absurdo?
A vida, a morte,
o azar e a sorte
frutos de mero acaso?
Me perdoe se perturbo
sua mente, sua paz,
mas a vida se desfaz,
por aí, em cada passo.
Talvez já se perguntou
da vida qual é o sentido,
mas será que sentiu
que há algo a ser vivido?
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Prantear
Não sinto
o recinto
tão lotado,
mas fatigado
e fustigado,
um tanto
mal tratado,
e sem espanto
não vejo santo
nem ser desalmado,
e mesmo quando
eu canto
no meu canto,
enquanto
me encanto
com um conto
já pronto,
me encontro,
no entanto,
rolando pranto.
Dá um desconto.
--
Estou feliz com esse poema, muito bom. Acho que o meu bloqueio se mostrou necessário, no fim das contas.
o recinto
tão lotado,
mas fatigado
e fustigado,
um tanto
mal tratado,
e sem espanto
não vejo santo
nem ser desalmado,
e mesmo quando
eu canto
no meu canto,
enquanto
me encanto
com um conto
já pronto,
me encontro,
no entanto,
rolando pranto.
Dá um desconto.
--
Estou feliz com esse poema, muito bom. Acho que o meu bloqueio se mostrou necessário, no fim das contas.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Levante
A história do conhecimento humano
foi passada via telefone sem fio,
navegando como um grande navio
no tortuoso rio da nossa existência.
Vimos passar do desumano ao vi,
do que é burro ao babaca e imbecil,
mas também gente honesta e gentil
com todo e qualquer tipo de crença.
E não entendemos nossa presença,
nesse mundo de terceiras intenções;
nesse universo de grandes dimensões;
nessa vida sem grandes emoções;
nesses nossos trabalhos-prisões.
Quem nunca quis fazer um levante?
Por favor, não se acanhe e cante
sobre o que lhe é mais importante.
Você, enquanto vivo, tem que fazer
o seu momento de vida aqui valer
e mais que sobreviver, você deve viver.
foi passada via telefone sem fio,
navegando como um grande navio
no tortuoso rio da nossa existência.
Vimos passar do desumano ao vi,
do que é burro ao babaca e imbecil,
mas também gente honesta e gentil
com todo e qualquer tipo de crença.
E não entendemos nossa presença,
nesse mundo de terceiras intenções;
nesse universo de grandes dimensões;
nessa vida sem grandes emoções;
nesses nossos trabalhos-prisões.
Quem nunca quis fazer um levante?
Por favor, não se acanhe e cante
sobre o que lhe é mais importante.
Você, enquanto vivo, tem que fazer
o seu momento de vida aqui valer
e mais que sobreviver, você deve viver.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Trauermarsch (5ª de Mahler)
Som fúnebre desse movimento,
rodando solto, neste momento,
pelos meus tímpanos abençoados
que identificam o sentimento
de estar ao gélido relento
num funeral com quem foi deixado
para uma vida cheia de nostalgia.
Deveria ser forte a cacofonia,
mas esta música me emociona
de forma cortante e dramática
que deixa minha alma estática.
Nada mais no corpo me funciona,
exceto o castigado coração
que a cada detalhe dessa audição
funesta e linda que me faz sofrer.
Me sinto incapaz até de segurar
esse choro e quero só me soltar
em lágrimas ao invés de me conter.
Um grito que entala na garganta
me machuca e, também, espanta
pela força com que faz apertar
dum pobre ser, tomado pela dor
de Mahler, que sangrou para compor,
o coração com sangue a jorrar.
--
Poema com métrica em 10 pés na tentativa de passar a sensação de ouvir o 1º movimento (Trauermarsch) da 5ª sinfonia de Gustav Mahler repetidas vezes.
Me sinto emocionalmente destruído por ouvir uma música tão linda e angustiante. Aliás, a sinfonia inteira é de uma beleza ímpar.
rodando solto, neste momento,
pelos meus tímpanos abençoados
que identificam o sentimento
de estar ao gélido relento
num funeral com quem foi deixado
para uma vida cheia de nostalgia.
Deveria ser forte a cacofonia,
mas esta música me emociona
de forma cortante e dramática
que deixa minha alma estática.
Nada mais no corpo me funciona,
exceto o castigado coração
que a cada detalhe dessa audição
funesta e linda que me faz sofrer.
Me sinto incapaz até de segurar
esse choro e quero só me soltar
em lágrimas ao invés de me conter.
Um grito que entala na garganta
me machuca e, também, espanta
pela força com que faz apertar
dum pobre ser, tomado pela dor
de Mahler, que sangrou para compor,
o coração com sangue a jorrar.
--
Poema com métrica em 10 pés na tentativa de passar a sensação de ouvir o 1º movimento (Trauermarsch) da 5ª sinfonia de Gustav Mahler repetidas vezes.
Me sinto emocionalmente destruído por ouvir uma música tão linda e angustiante. Aliás, a sinfonia inteira é de uma beleza ímpar.
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