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domingo, 14 de junho de 2020

Pele-Perfume

Você viaja e sinto falta
do perfume da tua pele
me invadindo o olfato
como algo que impele
êxtase, dando o barato
em uma mente incauta.

Meu amor, meu vício
minha droga, suplício,
mal espero a sua volta.
A nossa vida conjunta
é dessas sem artifícios,
apenas reais resquícios

que ficam
quando nos afastamos
e não nos deixam
quando nos encontramos.

domingo, 26 de abril de 2020

Num Sonho Sensual...

...Entrelaçado,
entre meios
e os meados
desses veios,

fui tragado
pelos seios
já ensejados,
sem arreios

que segurem
essa fome
que vem de ti,

num abdômen
que me come.
É... assim me vi...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Mal de Nin(fa)

Ao contrário de muitos males e doenças,
Parkinson, Lou Gehrig, Alzheimer,
o mal de Nin vem de nascença
nos acompanhando durante todo o viver.

Anaïs dizia que era uma febre,
mas a ninfa esquece que é tesão
sua verdadeira doença, seu vício,
e atinge todas as camadas sociais
do rico ao assalariado, até a plebe;
sabe que é tal estímulo, tensão,
que nos leva ao fundo do precipício
do que seguimos como regras morais.

Essa doença é a mais normal,
nem sei se podemos chamá-la de "mal"
ao mesmo passo que nos faz felizes
enquanto a moral fica com cicatrizes
de algo que nos foi ensinado;
posse não é natural, é só medo.

Se sentir atração, se envolver,
se deixar levar é considerado ruim
então nossos animais estão doentes
e nem por isso fazemos sacrifícios,
nem por isso estamos aos suplícios,
rogando por perdão, evitando o fim
da prisão que não deixa contente
nem deixa triste a maioria a correr
de um lado para o outro sem pensar
se vivemos mesmo.
Pessoas devem se perguntar
se não é apenas tesão, a esmo.

Então batizo o tesão como "Mal de Nin"
e tenho plena convicção que, enfim,
o tesão existe e persiste sem amor
e, se não houver cuidado, pode causar dor,
pois já passamos séculos, milênios a fio,
e ainda estamos a aprender segurar o cio.

E é difícil, pois é um mal que nos faz tão bem...
...é o mal que um dia nos fez "alguém".

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pirofagia

O fogo dança
e me chama
para ficar perto,
para sentir calor
tão enlouquecedor;
então desperto
de seu transe,
de seu enlace,
dessa piromania
doce que afaga
com mão larga
numa tarde fria,
e me enfeitiça;
e me faz caça.
Que agonia!
Nessa fogueira
sinto sua maneira
de fazer pirofagia.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sexoesia

Me encanta o corpo feminino
e me encanta o corpo masculino.

Quando ambos se encaixam,
se movem como um mecanismo
que gera calor e nos deixam
um tanto cheios de um cinismo...

...Que na verdade é inveja.
E você sabe que é, pois veja:

Você está lendo esse poema,
mas pensa que queria, mesmo,
é estar num grande problema
mecânico, assim, até o orgasmo.

...E funciona para pares iguais:
afinal todos querem felizes finais.

Instinto livre

Meus seios arfam
quando o ouço
recitar palavras...
como elas tomam
a água do poço
e das lavras
de meu corpo.

Ouvir, umedece
meus lábios,
treme os dedos
e algo acontece,
nem os sábios
sabem dos medos
do meu corpo.

Então a vejo ali,
também arfando,
ouvindo, salivando;
enquanto ouço aqui,
fico pensando:
me ter com ambos
seria demais?

Ele e ela e eu.
Seria algo ruim
fazer uso da vida
que alguém me deu,
para qualquer fim?
Essa vida vívida...
Não, jamais!

E se mais um vier?
Oras, livre é o amor
que é feito com ardor.

Que eu, ali, os tenha
e que a vida prenha
faça de si o que quiser.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ciclo infinito da vida

Ao mergulhar minha cabeça
na nascente do rio da vida,
sinto a água, um tanto fria,
fazer com que ideias esqueça.

Tudo parece um tanto animal
quando sorvo desse líquido
misturado à terra, mas límpido,
então sinto o instinto irracional

ao qual todo humano retorna:
este seu estado mais natural
em meio à tanta beleza.

Este é o ciclo da vida eterna:
é nascer e morrer; é trivial.
Assim funciona a natureza.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Aquaplanagem (la petit mort)

A sensação de adrenalina
vira uma qualquer-ína
em alta velocidade
por trás do volante
na chuva, de repente
o freio na tempestade
o espaço e o tempo
param a respiração
por um momento
a aderência some
os sulcos escorregam
o grito, tudo não resume
a pequena morte.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

De quatro

Assim fico de quatro
andando igual cachorro atrás de ti
engatinhando depois que nasci
e renasci ao ver no quadro
uma fotografia da vida
infinita e linda
que com você vivi.
Assim, num quarto
como no dia em que te despi
e, pasmo, ali contigo me vi,
como animais de quatro
se amando noite e dia
sem pudor, só rebeldia,
nesse presente que já vi
no passado,
quando o futuro previ.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Aliteração²"

Corro,
mas morro
na masmorra.

Esporro,
todo tórrido,
essa porra.

Que sarro,
rimo barro
até com borra.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EXTRA: Fodas chuvosas

Arma a chuva

e uma vulva
encharcada
está roxa
como uva
colhida
madura.
A boceta muda
não fala
mas se expressa
ao falo
e à língua,
e não gosta
de pressa,
sem calma
a alma
não se interessa
por sexo,
versos sem nexo
nada complexos,
eu e você:
côncavo e convexo;
e a chuva
cai lá fora,
céu roxo
escuro,
sem muros,
escrevo nosso furo:
fodas
nas noites chuvosas
afora.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"Miragem (sem terra à vista)"

Imagem passando ao largo
da margem do copo amargo,
silhueta sua,
tua carne nua.

O sal de seu suor na língua
desfaz o mal que já míngua
no seu gemido
bemol e sustenido...

Todo dia desenho e apago
na sua pele, com afagos
e carinhos,
seus caminhos

cheio de curvas sinuosas
nessa paisagem tortuosa
de seu corpo,
dos mares, porto

que está no meu mapa.
Escrevo sem as papas
sobre o X
que ali fiz

para marcar o tesouro,
que tenho num estouro,
de tão precioso
e tão gostoso

quanto fazer essa analogia
ao mar e à cartografia,
apologia ao sexo
e amor sem preço.

Vendo o copo de bebida
miro seu corpo de tulipa,
mas estou sozinho
e bêbado de vinho.

Penso, então:

Tem tanto mar além de você,
mas só sua miragem me vê.
E nela nos vejo,
lhe desejo...

--

Mais um poema para o projeto Curare.
Dessa vez explorando mais o imaginário e usando formas não estruturadas de versos e métricas, mas organizado em estrofes similares.

--

Para a miragem.