sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A Malandragem

Samba em bando
dentro da caçamba?
Caramba!

Continua sendo
um samba
sem banda.

Aqui ou em Ruanda,
só malandro
o samba
é bamba.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

EnContra

Contra todas as revoltosas ondas e seus ventos;
contra todas as regras e prévios conhecimentos;
contra tudo que é sagrado, sacramentado e ilibado.
Somos contra tudo
e contra todos.
Pois quando um encontra o outro,
há muito mais que um encontro,
há somente a verdade.
E como todo fato
dessa vida,
somos muito mais
que um casal numa foto.

De quatro

Assim fico de quatro
andando igual cachorro atrás de ti
engatinhando depois que nasci
e renasci ao ver no quadro
uma fotografia da vida
infinita e linda
que com você vivi.
Assim, num quarto
como no dia em que te despi
e, pasmo, ali contigo me vi,
como animais de quatro
se amando noite e dia
sem pudor, só rebeldia,
nesse presente que já vi
no passado,
quando o futuro previ.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Todo racismo é ignorante

Há muito que não escrevo prosa por aqui, mas não tem como ser passivo com uma das maiores mazelas do mundo: O racismo, a falha teoria de raça pura e raça amaldiçoada, de que cor é parâmetro para avaliação de caráter e honestidade.

Em pleno ano de 2014, ser racista é simplesmente assinar um atestado de ignorância.
Se um racista estudou matemática, geografia e história, ele deve ser uma pessoa muita burra.

Estas são matérias básicas em qualquer sistema de ensino no mundo, ou seja, um erro crasso cometido em qualquer uma delas comprova que a pessoa necessita estudar novamente no ensino básico (“primário” na época em que cursei).
Pense comigo, não importando a instituição e/ou sistema de ensino, a probabilidade matemática nos mostra que não há, REPITO, NÃO HÁ POSSIBILIDADE de você ser “puro”, filho de apenas uma raça, e que esta não se misturou em muito mais de 2000 anos de história humana. Se você pensa que sua família, por ser branca, é pura, você é um burro em matéria de matemática.

Geograficamente falando (e abrangendo para um estudo quase biológico), comete-se um erro crasso ao ver que no crescimento demográfico do mundo as pessoas não se misturam, as culturas se misturam, a expansão territorial promove misturas, tem que ser excepcionalmente ignorante para reconhecer um fato tão antigo.

Historicamente falando, como poderia uma raça não se misturar em tanto tempo de história humana? Ainda mais com invasões territoriais, bastardos de guerras, filhos de condenáveis estupros. Ou você pensa mesmo que seu sobrenome (necessidade patriarcal estúpida para garantir sua linhagem, coisa estatisticamente impossível de acontecer) é o sinal mais claro de raça pura?
Sério, nessas alturas do campeonato, até a biologia mostra que a mistura é saudável. A espécie humana para evoluir necessita de integração. Se você é contra a sua própria evolução, PARE JÁ de admirar o sexo que lhe é atraente segregando por cor.

Sinceramente, estamos absurdamente atrasados, ainda mais se pensarmos que estamos em 2014. Só falta chegarmos ao ano 3000 e essa babaquice propagada pela estupidez humana ainda estiver incrustada na sociedade mundial.
 
Pense bem, e se lembre: nem VOCÊ, nem seus ancestrais, nem seus filhos são puros. Nunca serão. Nunca foram.

A natureza (força indeterminada que movimenta existência universal) não permite isto.

Duvida de mim? Então, que tal estudar um pouco?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lágrima

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal...
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem
Mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre


-
de Monique Amaral

-

Segue minha resposta (na verdade um complemento, julgo):


Uma lágrima
rola
como gota
e cai a toa,
faz um grito
suicida,
pois toda
tristeza
é morte de si;
milagre
é resistir
ao ego,
cego,
e, nas lágrimas,
se deixar cair.


Uma lágrima
é milagre
para a alma,
um choro
é seu sossego.

Parabéns em 2014

Parabéns para você
que sabe como viver
sem se esquecer da vida,
pois essa, se esquecida,
se torna inércia
e perde da existência
o seu mais querido
e apreciado sentido.
Congratulações para ti
que, à luz do sol, ri
e sabe tornar outro feliz
com sua "forçamortriz",
seja aniversário ou qualquer dia;
felicitações por fugir da monotonia
e encontra beleza em ajudar
o próximo e a natureza
não importando lugar.
Parabéns por trazer paz
num mundo de guerras
e não julgar sem olha,
atrás e à frente,
que o homem erra
ao deixar de ser humano
para satisfazer o ego insano.
Parabéns por fazer o bem
sem esperar algo em troca, também.
Parabéns por mais um ano de idade
e por prezar por qualidade
sem se importar com quantidade
e sem fazer disse motivo de alarde.
Parabéns para você,
pelo seu aniversário,
pela sua vida,
por ser quem você é,
em qualquer idade,
qualquer cidade,
qualquer dia
de sua eterna vida.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Metazoa medíocre

Entre istas e ismos,
o mundo sofre sismos
e não sabe onde parar;
gira e faz onda no mar
sem sequer entender
que vive junto com você
que não acredita em E.T.,
mas no entanto é raro
e também comum.

Ao faro do universo, é só mais um.
Complexo?

--
Terra Rara e Comum num universo de complexidades e simplicidades.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LIXÃO

Às vezes
meu luxo
é seu lixo:
as fezes
ou refluxo
do prolixo.
Então reflito
e depois refuto;
às vezes
me frito
ou por meses,
de fruto
escrito,
escuto,
resoluto,
o que foi dito:
meu lixo
será um luxo,
mas, até aqui,
não estou nem aí
com seu fluxo.
Nem me lixo.

Se represente

Assim fica
a "pornopolítica",
fazendo masturbação
mental em cima do povão
que deve resolver em quem votar,
como se houvesse candidato exemplar.
Como se houvesse quem fosse lhe representar...
Por que ficar gozando com pau dos outros
quando sabe que todos são escrotos
que apenas querem lhe mandar,
lhe exigir e lhe escravizar?
Pare com a masturbação,
tome alguma ação
não indiferente
na mente.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Subvertecelancião

Subversivo é o verso
no qual fico imerso
no bom e no perverso
pesar de cada terço
de pescoço ou de berço...

Não sei se me esqueço
ou se, enfim, pereço;
apenas sei que mereço,
pois viver cobra preço
e a vida tem meu apreço.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um canto

Ouço um canto
ali, que me espanta.

Enquanto
me encanta
cobre minha mente
como um manto
e não deixa
o frio entrar.

Meu coração
quente, sente
o que só a canção
consegue falar.

Portanto,
não entendo
como tanta gente
daquele canto
não se deixa
emocionar
quando o canto
começa a soar.

Dignidade não garantida

As suas vozes
soando ao fundo
fazem as vezes
daquele imundo,
daquele mendigo,
daquele esfomeado,
que, sem amigo,
está abandonado.

Será que o pobre
é vagabundo
ou será que esse podre
e vil mundo
não deu chance
para que lutasse
uma revanche?

Impediram que trabalhasse.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A lua vaga nua

Todo dia vejo a lua
logo cedo, na madrugada.
A rua fica toda iluminada
por ela que paira nua
no céu.

Percebo, então, que sou
do universo, que não é meu;
não é nosso... O verso ficou
na folha lisa, a lua ao léu
poetiza.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Aliteração²"

Corro,
mas morro
na masmorra.

Esporro,
todo tórrido,
essa porra.

Que sarro,
rimo barro
até com borra.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sobre escrever poesia

Sei que ainda devo escrever poesia...
na escola o "dever" não me aprazia,
até o dia em que percebi: ainda escrevo
por querer, não o fiz porque devia.

--

Porque fazer as coisas forçado é o fim da picada. ;)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Hoje em dia...

Vemos o dinheiro ter mais valor que a vida,
a palavra ser mais forte que a pura natureza,
mas no mundo real em que deixam feridas
são a parte artificial que gera falsa beleza.

Pois o mundo, por si próprio, já se sabe belo,
o resto foi inventado para alimentar nosso ego.

--

Enfim, o culto midiático à violência chega ao ápice contra-evolutivo, quando numa briga de times rivais (no caso, políticos), uma incitação nos jogue novamente 2000 atrás, para a barbárie da Antiguidade. É muito interessante ver como uma pessoa com um discurso inflamado pode mover uma nação para ações irracionais.
Em pleno ano de 2014, no nosso calendário vigente (nomeie como quiser, o chamo assim mesmo: "vigente"), pessoas ainda acreditam nas mesmas mentiras: dinheiro, cidade, consumo, política, violência... Tudo que deturpa a evolução do raciocínio humano é levado à idolatria. Aí lhe pergunto, cidadão de bem ou mal, será que você precisa disso tudo ou de comida, paz e um teto para morar?
Resumo alguns termos clássicos que não são explicados amplamente:
-política = interesse (seriamos interesseiros e aproveitadores?);
-dinheiro = manipulação (quando você produziu sua própria comida ao invés de comprar?);
-consumo = exagero (afinal você é humano ou consumidor?);
-cidade = FEUDO (e seus moradores continuam alegres em serem escravos e plebeus?);
-violência = inveja (quando deixaste de realizar sua vida para cobiçar destruir a de outro?).

Não são definições absolutas, mas sim mutáveis, e em pleno ano de 2014, parece que voltamos ao comportamento pré-medieval, quando jornalistas atuam como fomentadores de inquisição e apedrejamento popular.

Mas o mundo natural pratica sua própria justiça, pessoas que não domam suas palavras, serão vítimas de si mesmas de seus pensamentos e pesadelos; e antes que seus egos se tornem grandes o suficiente para ofuscar o Sol e iluminar todo um planeta, morrerão como qualquer ser humano, e terão que se contentar que a humildade é a única característica que lhe sobra na morte, pois essa batalha nenhum ego poderá vencer.

Que o mundo aprenda com mais uma lição dada da mais triste maneira, porque do jeito que a carruagem anda, está cada vez mais difícil aprender com felicidade...


Obs.: Se seu ego é tão grande ao ponto de desejar ser lembrado, pense bem em que tipo de lembrança quer deixar. ;)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A lua que não vi

Como é engraçado ver o paulista reclamar
adoidado que perdeu uma vista a admirar,
que não pôde enxergar nada anunciado
por ver o céu acima muito poluído.

Vi nuvens vermelhas, mas nada de lua,
apenas massas de poluição iluminando a rua
e pensei:

“Amanhã o mundo se acabará em hipocrisia,
pois o ser suja, não cuida, e daí fala heresias,
mas em momento algum mudou sua atitude,
nem em pensamento surge algo que a mude...

Então não reclame sobre a culpa dos outros,
nem se inflame, pois os defeitos estão expostos
para todos verem, ao contrário dessa lua
rubra que, talvez, poucos verão linda e nua,
pois hoje o ser humano mal cuida de si,
quiçá do planeta, que também sofre.

O tempo passa, tudo morre
e ninguém ri.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Essa desenhista...

Traça solene e
fina linha; imagina
seres, vidas perenes...

--

Perenes como ela.

Non Dvco Dvcor (se tiver açúcar, senão...)

Olho para baixo:
vejo o formigueiro SP,
que acorda cedo,
vive sempre a correr
como quem tem medo,
mas faz o seu dever,
naquele velho enredo:
“Não vou seguir,
sou seguido.
Vou conduzir,
não sou conduzido.”

Mas se ganha açúcar...
...Se finge de otário,
esquece o que falar
e faz o contrário.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Crosby, Stills, Nash & Young - Déja Vù

Peço atenção E DESCULPAS, pois o texto de hoje é longo, mas é super-válido. ;)

A querida companheira estava dirigindo hoje cedo a caminho do trabalho e eu, no banco do passageiro, sintonizei a Rádio Eldorado (tinha propaganda nas outras emissoras e fiquei caçando algo para ouvir...) e, de repente, ouço “Woodstock” de Crosby, Stills, Nash & Young e sinto uma nostalgia, vai lá saber se isso é porque a década de 60 é a época que mais gosto da música popular mundial – vide a música brasileira dessa época, cada composição linda – ou uma questão sentimental por conta de alguns discos que ouvi sentado ao lado de meu pai, um apreciador de música, mas a questão é que este disco, especificamente, este pequeno e curto álbum chamado “Déja Vù” desse quarteto, acompanhado de Dallas Taylor (bateria) e Greg Reeves (baixo), devidamente creditados e fotografados NA CAPA, tem sido parte da trilha sonora de minha vida, mesmo não tendo vivido naquela época. Não sei dizer o que raio de sentimento aflora quando ouço esse disco, só sei que é um daqueles poucos que posso dizer algo do tipo “me sinto em casa”. Meu pai não tinha esse disco, mas falava dele como se fosse algo fenomenal, de outro mundo, mas nunca achou para comprar fácil e num preço bom – a classe média na década de 80 e 90 não era abastada, com tanta inflação, comprava-se o pão da semana, pois no dia seguinte a subida de preço era vertiginosa. Recentemente o ouvi conversando com um amigo, lembrando como era difícil para eles até fazer compras, pois tinham que sair correndo antes que o etiquetador de preços do supermercado aumentasse o valor de cada produto, eram os bons tempos de ditadura, economia fantástica, importação PROIBÍDA, tecnologia defasada e mal se podia ouvir Chico Buarque, Geraldo Vandré, Titãs, etc, sem a avaliação da censura sobre o que deve ou não ser absorvido culturalmente: TUDO MIL MARAVILHAS. Vou parar JÁ com o discurso político (foi só para estabelecer um cenário real) e vou retomar a história. Enfim, meu pai não tinha esse disco e eu, já com 12 anos e viciado em música (doses cavalares diárias) em 1996, comecei a fuçar nas locadoras de CDs por discos novos, bandas novas; o MP3 apareceu na minha frente só no ano seguinte, e demorava no mínimo uma hora para baixar um arquivo de música com péssima qualidade de áudio. Conheci muita coisa, pegava CDs emprestado, copiava em fitas, emprestava CDs, trocava fitas com amigos (tínhamos o costume de pegar um CD novinho e ouvi-lo seguidas vezes, copiando uma fita por vez para cada um), mas alguns discos ficavam na minha mente como pulga atrás da orelha... Na verdade, muitos discos ficaram como pulga, coçando minha curiosidade, eu via as capas (a internet tinha acabado de chegar à casa dos meus tios) quando buscava por nomes no “Yahoo!” ou no “Cadê?”, e ficava besta tentando adivinhar como seria cada disco, de acordo com as referências que tinha até então. Só quando fiz 15 anos fui ouvir tal disco, já ouvia heavy metal e tentava, como qualquer “aborrescente”, renegar qualquer autoridade familiar e suas culturas, mas não conseguia NÃO GOSTAR das músicas que meus pais ouviam, nunca consegui DESGOSTAR (diferente de “enjoar”) do que gostei até então, então o Sr. Headbanger Babaca que vos fala ouvia Marisa Monte, Toquinho e Vinicius, Pink Floyd, Genesis, Yes, Fleetwood Mac, Elton John, Tim Maia, Alcione, Jethro Tull, UB40, Simone, Cidade Negra, Fagner, Chico Buarque, Djavan e outras coisas, tudo misturado com o metal e a música atual da época, Planet Hemp, Nação Zumbi (com o Chico), Raimundos, Skank, a cena Grunge, mas tudo escondido no mundinho do meu quarto. Falar para os amigos que eu gostava de Commodores? Não... Que eu cantava com os discos do Zé Ramalho??? Nem pensar!!! Que besta eu era... Achava que isso importava muito. Fiz amizades na escola, algumas dessas duram até hoje, e o pai de um deles tinha (e ainda tem) uma coleção, invejável, a maior que tinha visto naquela época. E PASMÉM, ele tinha o disco que meu pai me falou e despertou minha curiosidade por tantos anos. Eu não tinha ideia do que ouviria, já conhecia Neil Young e gostava muito, conhecia o David Crosby, mas ainda como guitarrista do Byrds, também já ouvira Hollies do Graham Nash e o Buffalo Springfield do Stephen Stills (e Neil Young), mas nunca tinha ouvido na vida esse timaço junto. Quando apertei play, dei de cara com um folk rock psicodélico diferente, quatro vozes fazendo um coro que ressoa até hoje na memória, músicas passando por diversos climas, do blues ao jazz ao experimental, mas sempre com uma linguagem popular e de fácil assimilação, mas não pense que é um disco bunda, é diferente de tudo. Quando meu pai chegou do trabalho e viu o CD que peguei emprestado, ficou feliz, lembro disso até hoje, deu um jeito de ouvir bastante antes de eu devolver (ele não tinha mais toca-fitas no carro, mas também não tinha como copiar o CD). Para você entender a alegria do meu velho, a minha alegria e a alegria do festival de Woodstock, você tem que saber que esse supergrupo foi o único na história que conseguiu rivalizar em popularidade com os Beatles no hemisfério norte, em sua curta duração. Esse disco é tão influente que ouço nuances dele em vários artistas folk, mas a obra inteira é uma viagem completa. Difícil você não se sentir numa fazenda enquanto ouve “Our House”, muito mais difícil você não sentir nostalgia de um lugar onde você nunca botou os pés ao ouvir “Helpless”. Difícil não sentir a angústia de “Almost Cut My Hair”, difícil não se deixar levar com “Carry On” (trocadalho do carilho?)...

Difícil ouvir apenas uma vez.

Depois que ouvi, larguei a mão, mostrei para todo mundo, a maioria torceu o nariz por não ter um solo na velocidade da luz, por não ter guitarras com distorções no talo, um baixo reto e pulsante ou uma bateria que mais parece metralhadora, mas eu não consegui desgostar desse disco, nunca consegui, é um dos poucos discos que é um porto seguro, sempre volto para ele, e nem é o meu favorito, nem de meu pai, mas tem um lugar guardado no meu coração. Foi por causa desse disco, especificamente, que admiti que gosto de música, acima de qualquer definição de estilo ou gênero. Dali para frente, não sentia que precisava esconder que gosto de samba, bossa nova, funk, reggae, ska, soul, r&b, rock, heavy metal, brega, música erudita, jazz, etc...

Não sei se você vai gostar desse álbum, mas fica aqui o link para vossa apreciação, talvez você tenha um choque, mas não se preocupe, apenas feche os olhos e dê toda atenção que puder apenas à música. Esse pequeno grande álbum não pode ser esquecido, nunca!

Se puder, quiser e não for atrapalhar, comente falando o que achou do disco. J

www.youtube.com/watch?v=RnOXkedBmRs
--

Texto: Ernesto Gennari Neto.

terça-feira, 25 de março de 2014

Tempo seco no formigueiro com ar condicionado (...ou Mandinga de Formiga)

Olha, formiga,
sei que também derrete
e já faz até figa,
liberou até o cacoete
e faz mandinga
para que a chuva desperte,

pois, pessoa, formiga
árvore, seja o que for,
nesse tempo louco periga
passar frio e calor
simultaneamente,
desesperadamente.

Com AC, o formigueiro
está chamando
a chuva, dançando.

É certeiro:
O céu estava limpo,
e agora, cheio de nuvens.
Essa dança, que muda o tempo,
faz chover, e todos fogem.

Então formiga,
por favor, pare com mandinga,
se visse as coisas daqui de cima
pensaria melhor em suas cismas
com o clima.

Não adianta reclamar,
muito menos vociferar
ou bater o pé:

aceite a natureza como ela é.