terça-feira, 4 de novembro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ideias daninhas

Por onde ando é fácil sentir,
na sola do pé, o solo fértil
que brota uma ideia a repetir:
uma erva daninha a crescer,
beleza dessa natureza
que insistimos remover.

Mas ao removê-la,
tudo desequilibramos
removemo-nos
de algo naturalmente
fora de ordem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Escrever é sentir...


Sentir é se doer,
morrer para daí viver
e não se perder.


Para me esquecer
laço preso desfaço
do dedo a mover.


Vou-me assim perder;
vivo e morto, revivo
confuso ao nascer.



Se estou aqui a morrer
penso na vida, tenso,
sem nada entender.

--

Este é um quarteto haikai simbólico.

Moda verbal

A palavra da moda,
hoje em dia,
é a dita hipocrisia,
mas julgar é foda...
Pois ao mu lado
dizem "hipócrita"
e, ao serem julgados,
respondem "déspota"
com indicador em riste.
A verdade persiste:
outros quatro dedos
apontam os medos.
Quem, um dia, diria
que o corpo revelaria,
súbito, as palavras
fora de contexto
que vão às favas?
Então atesto:
"Perdem suas significâncias
devido tamanha ignorância."

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Marcas do tempo

Acorda cedo para cumprir seu papel,
mas o medo lhe molha como chuva
quando algo olha e faz com que suba,
sem perigo, pelo elevador até o céu.

As nuvens carregadas de seu humor
não sentem seus próprios trovões,
soltam raios; o exército dispara canhões
e o cavalo baio carrega a sorte onde for.

Uma alegoria dessas descreve o tempo
que, na alegria ou tristeza, morre e revive
enquanto dele ainda não estamos livres,
pois até beleza ele leva com o vento.

Não adianta correr para se adiantar
enquanto anda contra sua curta vida,
suicídio é o sacrifício que gera ferida
aberta que lhe mente ao se cicatrizar.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

ApoColapso [SIC]

Sinto um apocalipse
se aproximar...
Não é mais um eclipse
lunar,
muito menos o anticristo
com o dedo médio em riste.
Sim, insisto!
O colapso existe,
só o relapso que não vê.

Não é o "bug" do milênio
ou outro problema digital;
não é roubo de um prêmio
ou time vendido na final;
também não é imposto da receita
no seu mais novo telefone;
muito menos um povo egoísta
que não entende a fome.

É o fruto da ignorância
ao gerar um filho com a ganância;
é alienação
e manipulação.
Me pergunto, nessa frustração,
até quando nos controlarão?
E não falo de estado e corrupção
ou de maquiavélica corporação,
pois algo maior é a preocupação
que aflige meu coração.

Então pergunto,
ao morto,
em seu conforto:
"até quando aguenta
se deixar parar?"
"Pois só é vivo
quem se movimenta",
ao seu silêncio, argumento.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Seara Saara

Acabou o choro
quandos as lágrimas
se secaram
e as vozes
se calaram.

Não há mais ouro,
ou qualquer milagre.
Acabaram,
seus próprios algozes,
e se mataram.

É muito engraçado
como as lástimas
se provaram
tão verdadeiras
e fatídicas:

Um Samsara desaguado,
sem sequer bagres
que nadam
longe das beiras...
...Longe das bocas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Paz na faixa

Eu pedalei
para bem longe,
me arrisquei
até onde pude
e valeu a pena
tal emoção extrema
de um ônibus
ao meu lado passar
e o motorista
sorrir e acenar
como se o mundo
pode ainda ser bom
com o ar poluído
e tanto ruído
disfarçado de som...

...E lá se vai
mais um busão;
outros passam
e sorrindo
me acenam...

...Eles vêm vindo
e sempre estou vendo...

Assim vou indo,
acenando de volta
e sorrindo.

:)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Juras...

Juramento de Hipócrates
feito em juízo por hipócritas;

Juramento do Engenheiro
feito em função de dinheiro;

Juramento do Advogado
feito pensando no povo como gado;

Juramento do Economista
virou juras de "segregalista";

Juramento da bandeira
é, do militar, mais uma asneira;

Juras de amor
ainda causam muita dor.

Jurar é fácil,
tornando o fazer,
e ser bom,
difícil.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A Malandragem

Samba em bando
dentro da caçamba?
Caramba!

Continua sendo
um samba
sem banda.

Aqui ou em Ruanda,
só malandro
o samba
é bamba.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

EnContra

Contra todas as revoltosas ondas e seus ventos;
contra todas as regras e prévios conhecimentos;
contra tudo que é sagrado, sacramentado e ilibado.
Somos contra tudo
e contra todos.
Pois quando um encontra o outro,
há muito mais que um encontro,
há somente a verdade.
E como todo fato
dessa vida,
somos muito mais
que um casal numa foto.

De quatro

Assim fico de quatro
andando igual cachorro atrás de ti
engatinhando depois que nasci
e renasci ao ver no quadro
uma fotografia da vida
infinita e linda
que com você vivi.
Assim, num quarto
como no dia em que te despi
e, pasmo, ali contigo me vi,
como animais de quatro
se amando noite e dia
sem pudor, só rebeldia,
nesse presente que já vi
no passado,
quando o futuro previ.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Todo racismo é ignorante

Há muito que não escrevo prosa por aqui, mas não tem como ser passivo com uma das maiores mazelas do mundo: O racismo, a falha teoria de raça pura e raça amaldiçoada, de que cor é parâmetro para avaliação de caráter e honestidade.

Em pleno ano de 2014, ser racista é simplesmente assinar um atestado de ignorância.
Se um racista estudou matemática, geografia e história, ele deve ser uma pessoa muita burra.

Estas são matérias básicas em qualquer sistema de ensino no mundo, ou seja, um erro crasso cometido em qualquer uma delas comprova que a pessoa necessita estudar novamente no ensino básico (“primário” na época em que cursei).
Pense comigo, não importando a instituição e/ou sistema de ensino, a probabilidade matemática nos mostra que não há, REPITO, NÃO HÁ POSSIBILIDADE de você ser “puro”, filho de apenas uma raça, e que esta não se misturou em muito mais de 2000 anos de história humana. Se você pensa que sua família, por ser branca, é pura, você é um burro em matéria de matemática.

Geograficamente falando (e abrangendo para um estudo quase biológico), comete-se um erro crasso ao ver que no crescimento demográfico do mundo as pessoas não se misturam, as culturas se misturam, a expansão territorial promove misturas, tem que ser excepcionalmente ignorante para reconhecer um fato tão antigo.

Historicamente falando, como poderia uma raça não se misturar em tanto tempo de história humana? Ainda mais com invasões territoriais, bastardos de guerras, filhos de condenáveis estupros. Ou você pensa mesmo que seu sobrenome (necessidade patriarcal estúpida para garantir sua linhagem, coisa estatisticamente impossível de acontecer) é o sinal mais claro de raça pura?
Sério, nessas alturas do campeonato, até a biologia mostra que a mistura é saudável. A espécie humana para evoluir necessita de integração. Se você é contra a sua própria evolução, PARE JÁ de admirar o sexo que lhe é atraente segregando por cor.

Sinceramente, estamos absurdamente atrasados, ainda mais se pensarmos que estamos em 2014. Só falta chegarmos ao ano 3000 e essa babaquice propagada pela estupidez humana ainda estiver incrustada na sociedade mundial.
 
Pense bem, e se lembre: nem VOCÊ, nem seus ancestrais, nem seus filhos são puros. Nunca serão. Nunca foram.

A natureza (força indeterminada que movimenta existência universal) não permite isto.

Duvida de mim? Então, que tal estudar um pouco?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lágrima

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal...
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem
Mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre


-
de Monique Amaral

-

Segue minha resposta (na verdade um complemento, julgo):


Uma lágrima
rola
como gota
e cai a toa,
faz um grito
suicida,
pois toda
tristeza
é morte de si;
milagre
é resistir
ao ego,
cego,
e, nas lágrimas,
se deixar cair.


Uma lágrima
é milagre
para a alma,
um choro
é seu sossego.

Parabéns em 2014

Parabéns para você
que sabe como viver
sem se esquecer da vida,
pois essa, se esquecida,
se torna inércia
e perde da existência
o seu mais querido
e apreciado sentido.
Congratulações para ti
que, à luz do sol, ri
e sabe tornar outro feliz
com sua "forçamortriz",
seja aniversário ou qualquer dia;
felicitações por fugir da monotonia
e encontra beleza em ajudar
o próximo e a natureza
não importando lugar.
Parabéns por trazer paz
num mundo de guerras
e não julgar sem olha,
atrás e à frente,
que o homem erra
ao deixar de ser humano
para satisfazer o ego insano.
Parabéns por fazer o bem
sem esperar algo em troca, também.
Parabéns por mais um ano de idade
e por prezar por qualidade
sem se importar com quantidade
e sem fazer disse motivo de alarde.
Parabéns para você,
pelo seu aniversário,
pela sua vida,
por ser quem você é,
em qualquer idade,
qualquer cidade,
qualquer dia
de sua eterna vida.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Metazoa medíocre

Entre istas e ismos,
o mundo sofre sismos
e não sabe onde parar;
gira e faz onda no mar
sem sequer entender
que vive junto com você
que não acredita em E.T.,
mas no entanto é raro
e também comum.

Ao faro do universo, é só mais um.
Complexo?

--
Terra Rara e Comum num universo de complexidades e simplicidades.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LIXÃO

Às vezes
meu luxo
é seu lixo:
as fezes
ou refluxo
do prolixo.
Então reflito
e depois refuto;
às vezes
me frito
ou por meses,
de fruto
escrito,
escuto,
resoluto,
o que foi dito:
meu lixo
será um luxo,
mas, até aqui,
não estou nem aí
com seu fluxo.
Nem me lixo.

Se represente

Assim fica
a "pornopolítica",
fazendo masturbação
mental em cima do povão
que deve resolver em quem votar,
como se houvesse candidato exemplar.
Como se houvesse quem fosse lhe representar...
Por que ficar gozando com pau dos outros
quando sabe que todos são escrotos
que apenas querem lhe mandar,
lhe exigir e lhe escravizar?
Pare com a masturbação,
tome alguma ação
não indiferente
na mente.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Subvertecelancião

Subversivo é o verso
no qual fico imerso
no bom e no perverso
pesar de cada terço
de pescoço ou de berço...

Não sei se me esqueço
ou se, enfim, pereço;
apenas sei que mereço,
pois viver cobra preço
e a vida tem meu apreço.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um canto

Ouço um canto
ali, que me espanta.

Enquanto
me encanta
cobre minha mente
como um manto
e não deixa
o frio entrar.

Meu coração
quente, sente
o que só a canção
consegue falar.

Portanto,
não entendo
como tanta gente
daquele canto
não se deixa
emocionar
quando o canto
começa a soar.

Dignidade não garantida

As suas vozes
soando ao fundo
fazem as vezes
daquele imundo,
daquele mendigo,
daquele esfomeado,
que, sem amigo,
está abandonado.

Será que o pobre
é vagabundo
ou será que esse podre
e vil mundo
não deu chance
para que lutasse
uma revanche?

Impediram que trabalhasse.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A lua vaga nua

Todo dia vejo a lua
logo cedo, na madrugada.
A rua fica toda iluminada
por ela que paira nua
no céu.

Percebo, então, que sou
do universo, que não é meu;
não é nosso... O verso ficou
na folha lisa, a lua ao léu
poetiza.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Aliteração²"

Corro,
mas morro
na masmorra.

Esporro,
todo tórrido,
essa porra.

Que sarro,
rimo barro
até com borra.