terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Soneto de um Vazio Bienal

Olhei a agenda,
online e escrita
e tal pendenga
revelou à vista:

Tal como 2014,
2015: "c'est fini".
Igual, sem "quase",
passou e nem vi.

As duas agendas,
cheias de afazeres
e vazias de vida

provam a passada
que em doze meses
seguiu a vida...não vivida.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Versos perdidos

Não me sinto
escrevendo algo digno
de ser lido,
não é um vívido
poema ou mapa de signo,
é  do recinto

mais interno e íntimo
que admito: é ínfimo
o que tenho para dizer...

...nem sei porquê fui escrever...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Salada Mista

O tato não revela sabor
até que papilas se toquem
no ato que causa furor,
naquela gula dos que comem
uns aos outros,
com os olhos,
com as mãos,
um tanto absortos
com esse molho
de gente com tesão.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Leoninas

Entre as irmãs Leão,
eu gosto só da Nara,
mulher da voz "mara".
Para Danuza digo "não".

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Tragicomédia

Acordar antes de despertar,
correr ao invés de andar,
para chegar cedo
onde não se quer mais ir,
para ter a ilusão
de que o resto do tempo
poderá dedicar a si
sendo que isso não ocorrerá...
...pois não dá para comprar tempo,
ele voa com o vento...

...E ainda lhe pedem para sorrir,
mas numa vida assim, só resta chorar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Lembranças

Lembranças
são pequenas
esperanças

de querer
sentir e ver,
ouvir e ser

parte daquilo
que já foi-se
com o tempo,

desde júbilo
à afiada foice
do frio vento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Se despedir e prosseguir

Eu odeio despedidas!
Eu não quero sentir
uma saudade despida
que um dia há de vir,

e virá, nua, me seduzir
à agridoce melancolia,
que é saber do partir
de um amor, um dia.

Pois a falta é a sobra
do apego a me assolar,
que sempre vem e cobra,
não para de atormentar,

enquanto respiro o ar
que, rarefeito, acalma
todo esse grande pesar
que me afunda a alma.

Essa saudade é egoísta
pois só quem fica, sente,
no rol não mais se alista
quando é o fim da gente.

Não estou lhe vetando
tal triste sentimento,
só que, vez em quando,
penso, enquanto sinto:

"tudo tem seu momento,
e até o pesar
tem que passar..."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

À sua LINDA opinião

Sim, é muito triste
perder esperanças
no punho em riste
de gordas panças
de um povo cativo
do couro obsessivo

de um facínora
e seus cães
sem focinheiras.

Que me critique
pela minha posição
política, mas explique
a todos sua versão,
seu apoio com ardor,
a dar jovens a dor,

por um facínora
e seus cães
sem focinheiras,

que levantam tonfas
e atiram mais e mais bombas
fora das trincheiras urbanas,
em plena via pública.


Então faço o desafio:

Explique sem soar ridículo
ou fascista de outro século,
como apoia atitudes insanas
de uma guarda nada pudica.

Defenda o seu facínora favorito
e, na conversa, estará frito,
ao tentar argumentar
com todos e comigo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Espaço

Meu espaço
é só um espaço
onde faço,
refaço,
desfaço e,
num passo,
fuço
sem recurso
ou curso
os recônditos
que permeiam
e, aqui, ceiam
e ceifam
sentimentos
escondidos
dentro do ser
a se esquecer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Bagunceira

Como bagunça
minhas coisas,
a cama, a mesa
a casa e a vida
deste que afunda
numa arrumação
sem fim e nunca
consegue arrumar
sua bagunça
que está a habitar,
toda furdunça,
no meu coração.

Pelo amor,
me ajude!

Sob o signo Capricórnio

Há quem diga que é pura melancolia
e o materialismo o persegue
junto com a desconfiança e o desafio
que, por mais que os negue,
os sente, como se vive no afiado fio
dessa sua navalha emocional
onde queria apenas paz todos os dias,
mas só encontra inferno astral.

Eu diria que é apenas vertigem,
diária, eterna.
Se não houver um escapismo
fica maluco, à margem
da fantasia externa,
vivendo a realidade crua, sem sofismo.

Analisando o fator confiança,
que mais parece valor financeiro:
se perde, junto se esvai a esperança,
pois vai direto para o negativo,
com juros e correção; é assertivo,
pontual e frio quando lhe pedem
que essa mesma lhe conquistem
novamente, ainda mais por inteiro.

E capricorniano tem pé no chão,
não importa se tropica
atravessando qualquer trópico,
pois seus devaneios nunca serão
maiores que vida física
e o seu pensamento lógico.

E consegue ser muito chato,
que mal confia em si mesmo,
quer ajudar todos, mas a esmo
ajuda a si, e se dá no fato:
quer independência,
mas pena em sua existência.

Ser de capricórnio é uma sina.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Livro de Memórias

Viajar ao passado
pela sua memória
é ver sua história
num livro surrado,
onde capa é pele
e o conteúdo lido
é por ti absorvido,
qual filme revele
a emoção sentida
a cada coisa vista
e no índice a lista
só será acrescida
de novos capítulos
sobre seus amores,
sobre suas dores,
todos com títulos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O povo anda bem mal

Me abstive de opinar, apenas para assistir
e nada disso tudo que vi me deixou feliz,
pois ninguém quer observar o mundo ruir
diante de seus olhos, debaixo do seu nariz:

É haitiano assassinado em Santa Catarina...
Salário de mulher ser abaixo do homem
é justificado por um certo colunista...
Há pessoas defendendo fascista também...
Pessoas querem mais carros e poluição
e acham ruim respirar ar puro e pedalar...
Tem gente que quer os jovens na prisão
e não quer dar chance a eles, só azar.
Igrejas enriquecendo em nome de Jesus
sendo que este não ligava para dinheiro.
Jornais manipulando opinião como pus
de uma fístula na cabeça do hospedeiro...
Falsos artistas querendo só mais fama
sem sequer promover uma mudança...
Pior, falso representante que só inflama
a opinião pública para sua constância...
Ficar sem água cercado por grandes rios
enquanto alguém lucra nesse deserto...
Agora sem escolas, não se pode dar pio,
pois tenha certeza, irá apanhar, decerto.
2015 e ainda temos preconceito racial,
sexual e social num mundo pluralizado...
E os senhores desse lamaçal imoral
ainda tornam o cenário mais polarizado...
Perdemos amigos para essa ignorância,
pois eles se deixam levar por discursos...
Pensar, que sempre foi a nossa essência,
se tornou uma antiga arte em desuso...
De repente todos são "experts" em política
mas não se envolvem na atividade...
Essa deficiência não é só mental e física,
mas sim um problema de identidade...

Se eu continuar a listar, vou varar o mês
sem parar de escrever coisas horríveis.
Pensem e melhorem o mundo de vocês,
por favor, não tenham mentes perecíveis.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Soneto do Dia Cinza

Veja, o dia nublado
nunca estará nu,
mas sim vestido
de um clima de cu.

Se não fosse a blusa,
estaria tremendo
como quem usa
um qualquer veneno.

Então que chova
muito, uma sova
d'água na cidade,

para clarear o dia
que, sim, deveria
brilhar sem alarde.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Mar Errante

Como um marinheiro
atravessei tempestade
e no fim dessa viagem,
cheguei, aportei inteiro

e sei que um pescador
faria o mesmo da vida
nessa calma tempestiva
onde se sente um calor

de dança, batida
do coração, pulsante
sensação do sangue

nas veias e feridas
de uma canção triste
das ondas neste instante.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Professora

De todos os professores
que tive ao longo da vida
sempre recebi amores
pela matéria aprendida,
mas nunca me passou
alguém que ensinasse
algo como o que ficou
depois que te conheci,

portanto, nesse seu dia,
tenho que lhe agradecer
por me mostrar uma via
onde estou a aprender
que não tem fim a lição
do amor e o aprendizado
é no dia a dia da relação
onde se faz sentir amado.

Você é a doce professora
que me ensina a disciplina
que é te amar a toda hora,
sem posse nem adrenalina,
mas com toda a paciência
necessária aos amantes
para adquirir a sapiência
do amor sempre infante.

Te amar é a maior lição que aprendi.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Andamento

Rodando, esses ponteiros
indicam, dizem, horários,
mas tem horas que minutos
parecem dias e horas,
apenas segundos.

Essa noção de tempo
que perdemos constantemente
faz crer que a vida é música,

moldando o tempo vigente
enquanto acontece na mente,
no corpo, no mundo...

...carregada de emoções,
como diversas canções.

E você vai sentir a música passar,
mas o tempo, só se atenção prestar.

Melancolia

Assumo, sou viciado.
Esse meu vício, fardo,
que aprendi a admirar
e um dia passei gostar...

Ataca quase todo dia,
essa louca melancolia
que me tira e me dá
me inspira e se vai...

Pior boa companheira
que alguém queira
pois até no fundo da tristeza
ela te mostra profunda beleza.

Escrevo bem
estando mal.
Mal escrevo
estando bem.

Por isso me lanço em via
direta para a melancolia.

Memória deserta

Te deixei lá na memória
onde a vida virou história
e no sertão do pensamento
a seca matou sentimento,

matou muita vida ainda,
deixou a lembrança cinza
quando era filme à cores,
quando por ti tive amores.

Hoje em dia devo admitir
que para poder prosseguir
tive que te deixar ir,

e onde eu devia caminhar
me perdi, náufrago no mar
no ar, em qualquer lugar.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Haikai contra o Drácula do Tucanistão

Eu poderia sim chorar, mas quero é lutar contra o Alckmin.

Falta Algo

Queria voltar a escrever como estava fazendo,
com freqüência de um aluno assíduo na aula,
como se escrever voltasse, ao meu contento,
ser o suor dos poros, a música de uma pauta.

...mas tem vezes que não consigo mais versar
e muito menos rimar coisa com coisa por aí,
então me vejo naufragado sem bóia no mar
e a mente, preocupada, para de viajar no ar...
E é essa hora, estupidamente essa hora que deixo de poetizar, volto a prosear; saio das belezas e volto ao cotidiano...

Para aqueles que pensam ser difícil, na verdade é fácil escrever poema...
...muito difícil, mesmo, é fazer num poema, uma verdadeira poesia.

Por exemplo, aqui misturei, poema e prosa, mas não fiz o sentido poético que devia.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sina ou dádiva?

Não sei se é sorte
ou se é vil azar
o nascer se dar
de tantas mortes...
talvez seja sina
da vida universal,
por bem ou mal,
morrer pela vida.
Como uma flor
que desabrocha
e depois seca,
sem o amargor
do pensamento,
somos todos nós:
vive-se para, após
o breve momento,
dar a vida e sumir,
e vemos que vamos
morrer (que insano)
para a vida existir.