quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Rascunhos

Quantos rascunhos...
...muitos...Muitos, MUITOS!!!!
Mas saem muitos mesmo
enquanto movo meu punho
escrevendo minhas ideias a esmo.
Quem sabe sai um poema fortuito...

Que demora...

Eu quero mudar de carreira
quero cheirar novas flores
voar no vento como poeira,
desorientada onde fores,
se espalhando em partículas
e deixando parte da essência
em ideias e estórias lúdicas
que retratam as experiências
de uma vida presa ao tédio
do cotidiano mundano banal
para o qual não tem remédio
senão pela raiz cortar o mal:

Parar de fazer tudo igual.

Lupina

Nas vésperas do carnaval
foi quando avistei, animal,
teu olhar lupino me fitando,
como fera mirando a presa
a ser abatida,
em plena avenida
no meio do samba da escola
para matar a fome
que lhe assola.

Loba que do nada me come,
me rói e me cospe, daí some
para andar com sua matilha,
longe de onde me feria.
Minha fantasia de pássaro
cantor se foi com a música
que silenciou nos pedaços
meus entre seus dentes.

O carnaval nem tinha começado
e do jeito que estava fantasiado
só poderia ser despedaçado
pelo seu instinto impulsivo
que tem me destroçado.

Você mastigou cada pena, pluma,
e engoliu meu canto,
sem dó nenhuma,
Não foi boba,
mas esqueceu um detalhe:
agora o canto ressoa dentro de ti,
loba.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Parreiras do seu quintal

Te ver é estar entre as parreiras
que crescem as uvas verdes
dos seus olhos,
entre as videiras mais delicadas
das moscatéis mais doces
dos seus cabelos.
Teu lábio de uva rubi
me enfeitiça, e me vi
perdido, querendo o sabor
das frutas do seu pomar,
em especial o doce amargor
das uvas negras com semente
que ali vem a dar.
Com sua pele, cor de uva branca
e maçãs do rosto em niágara rosa,
tu és vinho caseiro e me inebria;
em altas doses, me espanca,
me atropela como carga pesada, mas vagarosa
e me faz gostar de sua ressaca
no outro dia.

Cegueira existencial

A vida acontece
enquanto não enxergo
o tempo passar;
e o fato se repete:
percebo aqui, eu cego
e o mundo a girar.

E a vida, nada de parar.

Fantasia em veias

Me assusto quando me vejo
lidando com sua inexistência,
vagando, como se num brejo
estivesse perdido, paciência...

Paciência para toda ausência
que venha me deixar triste;
sei que a vontade, em essência,
é tudo no que aqui persiste,

cada pedaço de emoção e poesia
deste ser, que desata uma sangria
por não conseguir se justificar,

sangra paciente numa folha vazia
o sangue rubro de uma fantasia
de querer existir e desfrutar.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Fim de Domingo

É na tarde de domingo
que percebo o fim:
fim do carnaval;
fim da viagem;
fim dessas férias sem fim;
um final assim
triste, de passagem;
mas sempre há no final
alguém sorrindo...

...pena não sermos nós...

Que destino atroz
para um fim de domingo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Maldito

Assim tinge de ódio
o pódio
dos poetas malditos,
com seus escritos
dignos de fúria,
ondas de luxúria
rúbia,
a doce selvageria
de um poeta
falando putaria
em língua oculta,
sem pagar multa
ou sair da forma
culta.

Punhal Amigo

Entre as escápulas
há uma nascente
de um rio corrente
e vermelho,
cheirando a ferro,
por onde jorra,
pelas costas,
o líquido que o olho
furado mareja, também.

Sangue que me escorre
por uma apunhalada
de alguém que era amigo;
assim o coração morre
de ferida não cicatrizada,
sem abrigo
ou mãos especializadas
para curar a tempo,
antes de se esvaziar
da vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sobre a estética

O julgamento estético sobre a arte
me mostra um certo disparate,
pois a crítica estética é inútil.

Estéticas mudam e, queiram ou não,
não são unânimes, nunca serão,
então discuti-las me parece fútil.

Filosóficas

Gosto de pessoas
um tanto filosóficas,
mas as filosofas
já tem ideias formadas...
Gosto mais do frescor
de quem se forma
por comportamento
questionador
sem deixar de fora
o bom senso
de propagar o amor.
Uma filosófica pessoa
me ressoa
mais inteligente
que a mais decente
acadêmica,
que se amarra em tradição,
mal sabendo que isso já é traição,
a pior traição que existe,
é a traição de si que persiste.

Máscaras Sociais

Das importâncias
que damos aos papéis
sociais, ainda menestréis
somos de nossas vidas
e cada sabe com o que lidas
nessas inconstâncias
de nossa breve existência,
e mesmo sabendo
que de manhã, vendo
sua gaveta de máscaras,
é difícil escolher qual escara
será sua penitência.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Janelas Abertas

O desejo
se comunica no olhar,
quando as janelas
estão abertas
naquele andar
onde ela
dança em retas
e linhas tortas...

De repente
o vislumbre mútuo
e indecente,
no tempo dum susto,
os olhos enxergam
e entregam
a sensação do desejo.

Num ensejo,
os corpos voam
de suas distâncias
para fazer a dança
que tanto desejam.

Voam pelas
janelas abertas
dos olhos,
onde corpos passam
inteiros
e se recostam
nos parapeitos,
sem arreios.

Tantas sensações ficam soltas...
Tudo por conta
de janelas abertas...

...que comunicam desejos.

Ser e Viver

Uma vida sobre
vidas em sobras
veio como obra
que se faz pobre,
pois se fizer mau
jamais será bom,
para ser rico é mal
não ser um bem.

Ser bem, não é ser,
se for assim viver,
rico ou pobre, o ser,
de si, há de esquecer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Idioma da Alma

Queria dizer mais do que a música
diz quando é instrumental e pudica:

Pura e direto ao sentimento,
sem a necessidade
de qualquer alarde
com palavras ao vento

jogadas, com força, em lufadas
onde letras voariam
sem destino ou razão,
precisando serem ouvidas...

mas, estas, não tão puras quanto o idioma
universal das vibrações em sonoras ondas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Soneto de um Vazio Bienal

Olhei a agenda,
online e escrita
e tal pendenga
revelou à vista:

Tal como 2014,
2015: "c'est fini".
Igual, sem "quase",
passou e nem vi.

As duas agendas,
cheias de afazeres
e vazias de vida

provam a passada
que em doze meses
seguiu a vida...não vivida.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Versos perdidos

Não me sinto
escrevendo algo digno
de ser lido,
não é um vívido
poema ou mapa de signo,
é  do recinto

mais interno e íntimo
que admito: é ínfimo
o que tenho para dizer...

...nem sei porquê fui escrever...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Salada Mista

O tato não revela sabor
até que papilas se toquem
no ato que causa furor,
naquela gula dos que comem
uns aos outros,
com os olhos,
com as mãos,
um tanto absortos
com esse molho
de gente com tesão.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Leoninas

Entre as irmãs Leão,
eu gosto só da Nara,
mulher da voz "mara".
Para Danuza digo "não".

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Tragicomédia

Acordar antes de despertar,
correr ao invés de andar,
para chegar cedo
onde não se quer mais ir,
para ter a ilusão
de que o resto do tempo
poderá dedicar a si
sendo que isso não ocorrerá...
...pois não dá para comprar tempo,
ele voa com o vento...

...E ainda lhe pedem para sorrir,
mas numa vida assim, só resta chorar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Lembranças

Lembranças
são pequenas
esperanças

de querer
sentir e ver,
ouvir e ser

parte daquilo
que já foi-se
com o tempo,

desde júbilo
à afiada foice
do frio vento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Se despedir e prosseguir

Eu odeio despedidas!
Eu não quero sentir
uma saudade despida
que um dia há de vir,

e virá, nua, me seduzir
à agridoce melancolia,
que é saber do partir
de um amor, um dia.

Pois a falta é a sobra
do apego a me assolar,
que sempre vem e cobra,
não para de atormentar,

enquanto respiro o ar
que, rarefeito, acalma
todo esse grande pesar
que me afunda a alma.

Essa saudade é egoísta
pois só quem fica, sente,
no rol não mais se alista
quando é o fim da gente.

Não estou lhe vetando
tal triste sentimento,
só que, vez em quando,
penso, enquanto sinto:

"tudo tem seu momento,
e até o pesar
tem que passar..."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

À sua LINDA opinião

Sim, é muito triste
perder esperanças
no punho em riste
de gordas panças
de um povo cativo
do couro obsessivo

de um facínora
e seus cães
sem focinheiras.

Que me critique
pela minha posição
política, mas explique
a todos sua versão,
seu apoio com ardor,
a dar jovens a dor,

por um facínora
e seus cães
sem focinheiras,

que levantam tonfas
e atiram mais e mais bombas
fora das trincheiras urbanas,
em plena via pública.


Então faço o desafio:

Explique sem soar ridículo
ou fascista de outro século,
como apoia atitudes insanas
de uma guarda nada pudica.

Defenda o seu facínora favorito
e, na conversa, estará frito,
ao tentar argumentar
com todos e comigo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Espaço

Meu espaço
é só um espaço
onde faço,
refaço,
desfaço e,
num passo,
fuço
sem recurso
ou curso
os recônditos
que permeiam
e, aqui, ceiam
e ceifam
sentimentos
escondidos
dentro do ser
a se esquecer.