Se deus é onipresente,
onisciente e onipotente,
por que nos faz tão
dementes?
Se a falta de deus
satisfaz o ateu
por que ele se mete
no que não é seu?
Se um deus não basta
o pagão ri e atesta
que os outros erram,
mas ainda se arrasta.
Acho muito engraçado o ateu
que critica quem crê em deus
e vice-e-versa...
não sei quem é mais religioso.
Se eu acredito em algo ou não,
não é da conta de ateu, pagão ou cristão,
já não basta vivermos juntos?
Tenho que compartilhar tudo,
o amor, o pensar, tudo em conjunto?
Oras!
Se sua religião, ateu, cristão ou pagão,
não te completa o suficiente,
não é me criticando ou convertendo
que você vai resolver seu problema.
Siga o que acredita, mas desista,
eu não quero te seguir,
já basta conviver comigo todo dia,
não preciso ficar a me mentir,
sei que não ligo para religiões
e que o tempo não me espera,
todos vocês me dão sermões
mas a vida passa como uma fera:
Rápida, selvagem e impiedosa,
como o tempo.
sexta-feira, 6 de março de 2015
quinta-feira, 5 de março de 2015
Cotidiano das pernas
Pernas correndo, em passos largos,
seus destinos corridos e amargos
de chegar num certo lugar e pensar
se é lá que realmente precisa estar...
seus destinos corridos e amargos
de chegar num certo lugar e pensar
se é lá que realmente precisa estar...
quarta-feira, 4 de março de 2015
Jornais banais
O que seria dos jornais
se não tivessem animais
que compram verdades
ditas com tanto alarde?
As verdadeiras opiniões
polarizam nossas ações
e esquecemos dos fatos
por um punhado de fotos
que manipulam o pensar
pela imagem, ao retratar
e deixar fora de contexto
até discurso de protesto.
Resta-me saber se ética
agora depende da ótica
e se o molde nos serve
enquanto o mundo ferve.
se não tivessem animais
que compram verdades
ditas com tanto alarde?
As verdadeiras opiniões
polarizam nossas ações
e esquecemos dos fatos
por um punhado de fotos
que manipulam o pensar
pela imagem, ao retratar
e deixar fora de contexto
até discurso de protesto.
Resta-me saber se ética
agora depende da ótica
e se o molde nos serve
enquanto o mundo ferve.
terça-feira, 3 de março de 2015
Chorar sem rir
Motivos para sorrir nos faltam
enquanto para chorar sobram:
-intolerância religiosa;
-ignorância copiosa;
-guerras e matanças;
-esporte com desavenças;
-fome mundial;
-morte animal;
-alienação diária;
-piadas nada hilárias;
-sexismo manipulado;
-racismo ignorado;
-natureza estuprada;
-nossa vida desregrada;
-consumo excessivo;
-pacifismo é subversivo;
-ninguém quer plantar;
-todos querem colher;
-ver o fútil prosperar;
-não tem água para beber;
-pobreza de espírito;
-riqueza escravista;
-parcela elitista;
-o pobre esquecido;
-saber-se só um grão;
-um mundo sem perdão;
-etc...
E ainda me dizem que devo agradecer,
por ter emprego, dinheiro, comida na mesa,
lugar para morar...
Sempre me lembro disso tudo,
e muito mais, e pergunto:
"COMO?"
enquanto para chorar sobram:
-intolerância religiosa;
-ignorância copiosa;
-guerras e matanças;
-esporte com desavenças;
-fome mundial;
-morte animal;
-alienação diária;
-piadas nada hilárias;
-sexismo manipulado;
-racismo ignorado;
-natureza estuprada;
-nossa vida desregrada;
-consumo excessivo;
-pacifismo é subversivo;
-ninguém quer plantar;
-todos querem colher;
-ver o fútil prosperar;
-não tem água para beber;
-pobreza de espírito;
-riqueza escravista;
-parcela elitista;
-o pobre esquecido;
-saber-se só um grão;
-um mundo sem perdão;
-etc...
E ainda me dizem que devo agradecer,
por ter emprego, dinheiro, comida na mesa,
lugar para morar...
Sempre me lembro disso tudo,
e muito mais, e pergunto:
"COMO?"
segunda-feira, 2 de março de 2015
Frágeis Para Sempre
Me reconhecer fraco
é ver-me, num abraço,
ocupar um espaço
e saber que, de fato,
é ali que pertenço.
Poderão me criticar,
mas quando soltas,
tais palavras no ar
ficam sem escoltas
do vento a soprar.
É assim que somos frágeis,
como frases numa ventania
se desmontando à revelia
da força que nos faz amáveis.
Frágeis seremos ao que é real,
pois nada aqui se conserva,
tudo muda e, se não observa,
sentirá dor até no que é natural.
é ver-me, num abraço,
ocupar um espaço
e saber que, de fato,
é ali que pertenço.
Poderão me criticar,
mas quando soltas,
tais palavras no ar
ficam sem escoltas
do vento a soprar.
É assim que somos frágeis,
como frases numa ventania
se desmontando à revelia
da força que nos faz amáveis.
Frágeis seremos ao que é real,
pois nada aqui se conserva,
tudo muda e, se não observa,
sentirá dor até no que é natural.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Luz no inverno
Um lugar ao sol, no frio,
é ainda um lugar ao sol;
onde cada raio é um fio
que ilumina o dia em prol
de encher, à luz, um vazio.
é ainda um lugar ao sol;
onde cada raio é um fio
que ilumina o dia em prol
de encher, à luz, um vazio.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Ciclo infinito da vida
Ao mergulhar minha cabeça
na nascente do rio da vida,
sinto a água, um tanto fria,
fazer com que ideias esqueça.
Tudo parece um tanto animal
quando sorvo desse líquido
misturado à terra, mas límpido,
então sinto o instinto irracional
ao qual todo humano retorna:
este seu estado mais natural
em meio à tanta beleza.
Este é o ciclo da vida eterna:
é nascer e morrer; é trivial.
Assim funciona a natureza.
na nascente do rio da vida,
sinto a água, um tanto fria,
fazer com que ideias esqueça.
Tudo parece um tanto animal
quando sorvo desse líquido
misturado à terra, mas límpido,
então sinto o instinto irracional
ao qual todo humano retorna:
este seu estado mais natural
em meio à tanta beleza.
Este é o ciclo da vida eterna:
é nascer e morrer; é trivial.
Assim funciona a natureza.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
À la Ivan Ilitch
No mundo moderno
todo ser é feio
e se sente meio
morto, meio eterno,
mas o choque real
de que é um animal
em auto detenção,
sem tomar uma ação
para deixar o vazio
de um viver tão frio
e banal, é uma doença
fatal que o atinge,
e não mais se finge,
apenas se reforça.
todo ser é feio
e se sente meio
morto, meio eterno,
mas o choque real
de que é um animal
em auto detenção,
sem tomar uma ação
para deixar o vazio
de um viver tão frio
e banal, é uma doença
fatal que o atinge,
e não mais se finge,
apenas se reforça.
Aprendizado
Nunca o silêncio
foi, em essência,
o que me agradou,
mas quando penso
nas experiências
do que me passou
me sobra o bom senso
que me repensa
o que me silenciou,
pois este silêncio
vem da vivência
do que me ensinou:
"a quem mais ouve,
menos dor houve"
então me calou.
foi, em essência,
o que me agradou,
mas quando penso
nas experiências
do que me passou
me sobra o bom senso
que me repensa
o que me silenciou,
pois este silêncio
vem da vivência
do que me ensinou:
"a quem mais ouve,
menos dor houve"
então me calou.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
(A)Travesso
Eu não sinto o movimento do universo
mas ele se move dentro de mim.
Sinto ligar algo que se move, enfim,
e num afã de progresso, vivo o reverso.
Seria uma reposta ou um processo inverso?
mas ele se move dentro de mim.
Sinto ligar algo que se move, enfim,
e num afã de progresso, vivo o reverso.
Seria uma reposta ou um processo inverso?
Um, não outro
Eu gostaria de dizer que a emoção
é uma putaria que de ti toma ação,
mas esta seria só uma perturbação,
senão haveria muito mais paixão.
é uma putaria que de ti toma ação,
mas esta seria só uma perturbação,
senão haveria muito mais paixão.
Gente que se mente
Saber ser é diferente
pois ser é inerente,
do rico ao indigente,
só ver é ser...
...Indiferente.
pois ser é inerente,
do rico ao indigente,
só ver é ser...
...Indiferente.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Flauta Faceira (haiku trio)
Rouca madeira
mostra-se tanto destra,
louca e faceira
na quente feira
antiga; entre suas amigas,
faz brincadeira:
Frullato, sopra
fundo e vibra profundo
quem ouve a obra.
Numa nuvem de sonho
Daqui do alto
sinto o vento no rosto
enquanto vejo o horizonte;
por um momento, com gosto,
o barulho de baixo
o sopro de ar esconde.
Sinto o sabor da paz
no silêncio que o ar traz;
sento numa nuvem
de sonho,
e, me aconchegando,
a ouço dizer
que "o mundo é estranho
a tudo que é sereno,
de fronte ao azul
celeste, de norte a sul,
o infinito parece pequeno..."
...e o devaneio
se vai com o vento,
mas estou calmo.
O sonho que veio
se foi com o tempo.
Mas marcou a alma,
daqui do alto
à sete palmos
sinto o vento no rosto
enquanto vejo o horizonte;
por um momento, com gosto,
o barulho de baixo
o sopro de ar esconde.
Sinto o sabor da paz
no silêncio que o ar traz;
sento numa nuvem
de sonho,
e, me aconchegando,
a ouço dizer
que "o mundo é estranho
a tudo que é sereno,
de fronte ao azul
celeste, de norte a sul,
o infinito parece pequeno..."
...e o devaneio
se vai com o vento,
mas estou calmo.
O sonho que veio
se foi com o tempo.
Mas marcou a alma,
daqui do alto
à sete palmos
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Poetizar...
Para poetizar
não é necessário
rimar,
nem o contrário,
mas é na rima
que, azul, céu
vira mar acima
e, num tropel,
inunda a mente
de quem sente
a alegria
de escrever
e se entreter
na poesia.
não é necessário
rimar,
nem o contrário,
mas é na rima
que, azul, céu
vira mar acima
e, num tropel,
inunda a mente
de quem sente
a alegria
de escrever
e se entreter
na poesia.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Soneto de condenação
Se tem inferno abaixo
é para lá que todos irão
porque se a humanidade
tentar salvar sua dignidade
cometerá um ato baixo,
pois sua compensação
de equilíbrio é uma farsa,
e no egoísmo se dispersa.
E assim assistiremos
um espetáculo tão vil
quanto a agressão fabril
enquanto esquecemos
que tal horrível ardil,
cego, nada de alma viu.
é para lá que todos irão
porque se a humanidade
tentar salvar sua dignidade
cometerá um ato baixo,
pois sua compensação
de equilíbrio é uma farsa,
e no egoísmo se dispersa.
E assim assistiremos
um espetáculo tão vil
quanto a agressão fabril
enquanto esquecemos
que tal horrível ardil,
cego, nada de alma viu.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Nuvens pesadas
As nuvens correm
como se tragadas
por correntezas...
...mas tão carregadas,
com estranha leveza,
no céu se movem.
como se tragadas
por correntezas...
...mas tão carregadas,
com estranha leveza,
no céu se movem.
Cotidiano humano atual
Acordar cedo,
sempre com medo
de perder o conforto,
não é viver, é fingir
ser vivo quando morto.
Você corre trabalhar
para produzir inutilidades
que vendem facilidades
enquanto criam dificuldades,
até quando vai agüentar?
E o dia vira mês,
mês se torna ano,
e sua esperada vez
ficou debaixo do pano
para alimentar a ilusão
de que a vida é isso:
só mais uma escravidão...
...e se finge um sorriso.
--
Distorci a forma do soneto. Foi proposital.
sempre com medo
de perder o conforto,
não é viver, é fingir
ser vivo quando morto.
Você corre trabalhar
para produzir inutilidades
que vendem facilidades
enquanto criam dificuldades,
até quando vai agüentar?
E o dia vira mês,
mês se torna ano,
e sua esperada vez
ficou debaixo do pano
para alimentar a ilusão
de que a vida é isso:
só mais uma escravidão...
...e se finge um sorriso.
--
Distorci a forma do soneto. Foi proposital.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Fúrias
Férias são piadas de mal gosto,
poderia dizer justo o oposto
mas não consigo por desgosto,
pois mentindo para si está exposto
ao julgamento auto imposto
ao ver, no espelho, seu rosto
com cara de que saiu do esgoto
no primeiro dia depois do mosto.
poderia dizer justo o oposto
mas não consigo por desgosto,
pois mentindo para si está exposto
ao julgamento auto imposto
ao ver, no espelho, seu rosto
com cara de que saiu do esgoto
no primeiro dia depois do mosto.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Feria
Estava me dando férias
e misérias produzia,
o liso papel feria
sem contento,
sem alegria;
eu ensejaria
um fermento
para a alvenaria,
seu cimento: poesia,
massa corrida em artérias.
e misérias produzia,
o liso papel feria
sem contento,
sem alegria;
eu ensejaria
um fermento
para a alvenaria,
seu cimento: poesia,
massa corrida em artérias.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Queria ver a vida
Queria ver a vida
como se fosse ar,
invisível aos olhos,
mas sensível
ao soprar
na face
sua brisa
leve.
Isto já serve.
como se fosse ar,
invisível aos olhos,
mas sensível
ao soprar
na face
sua brisa
leve.
Isto já serve.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Aquaplanagem (la petit mort)
A sensação de adrenalina
vira uma qualquer-ína
em alta velocidade
por trás do volante
na chuva, de repente
o freio na tempestade
o espaço e o tempo
param a respiração
por um momento
a aderência some
os sulcos escorregam
o grito, tudo não resume
a pequena morte.
vira uma qualquer-ína
em alta velocidade
por trás do volante
na chuva, de repente
o freio na tempestade
o espaço e o tempo
param a respiração
por um momento
a aderência some
os sulcos escorregam
o grito, tudo não resume
a pequena morte.
Harmonia
Por que será que negamos
à vida a sua razão de ser
sem sequer se arrepender
da crueldade que fazemos?
É mais fácil deixar se cegar
e viver o mundo de sonhos
que fazer o que proponho:
abrir os olhos para acordar
e ver que o mundo é um só
dele você também faz parte
ainda não dá para ir à Marte
então não deixe tudo virar pó
da natureza não mais se afaste
viver em harmonia que é a arte.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Para pensar
Pássaro é seu pensamento
que voa livre sem te deixar,
na cabeça tem seu leito,
mas vida de pássaro é voar.
Não importa como ele voou,
voou para longe da gaiola...
O pássaro te abandonou,
cansou de contar as horas:
Quando você abriu o portão,
ele bateu asas
e lhe deixou penas.
É letra de canção
à pena e nanquim,
bate asas um poema.
que voa livre sem te deixar,
na cabeça tem seu leito,
mas vida de pássaro é voar.
Não importa como ele voou,
voou para longe da gaiola...
O pássaro te abandonou,
cansou de contar as horas:
Quando você abriu o portão,
ele bateu asas
e lhe deixou penas.
É letra de canção
à pena e nanquim,
bate asas um poema.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Sofrer + prazer = viver
Tem horas que é o desespero
que sinto nesse louco mundo
de seguir nas ideias a fundo
e nas vontades que eu quero;
tem hora que é só uma sede
de poder viver e não morrer
e o fim disso tudo não ver
e assim a tal vida se mede;
sei que o desejo não tem fim
e também não atinge só a mim
mas também a todos vocês,
sei que a dor sempre virá
e só quem viver aqui verá
a dicotomia que nos fez.
que sinto nesse louco mundo
de seguir nas ideias a fundo
e nas vontades que eu quero;
tem hora que é só uma sede
de poder viver e não morrer
e o fim disso tudo não ver
e assim a tal vida se mede;
sei que o desejo não tem fim
e também não atinge só a mim
mas também a todos vocês,
sei que a dor sempre virá
e só quem viver aqui verá
a dicotomia que nos fez.
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