quinta-feira, 2 de julho de 2015

Tchau, céu cinza

Toda vez que o céu
está nublado, todo cinza,
como vestido de véu,
um lado meu, ranzinza,
se desperta
e me aperta
o coração
com sua mão,
me fazendo lembrar
que embaixo da nuvem
ainda respiro o ar
e vivo;
é daí o sorriso que vêem.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Papo de nuvens

E assim se viram,
enquanto respiram
teus aguaceiros
que inundam de ideias
e pensamentos:
a mente ociosa,
sentada jocosa
no banco da praça,
percebeu a chuva
apagando a chama
e se viu comparsa
da vizinha de banco,
num solavanco
saltaram dos assentos
e assentaram-se ao vento,
embaixo da árvore
que tem a copa gigante,
verificou no instante
se há algo que piore
a situação,
mas acharam
as ferramentas certas
para fazerem, espertas,
nuvens de fumaça,
num canto seco da praça,
enquanto a chuva não passa.

sábado, 27 de junho de 2015

Colorido

No dia em que o amor
for monocromático,
será aceito
em automático,
o pensamento
matemático
de que sentimentos
são binários,

mas isso me assusta
pois nessa busca
pelo que nos é necessário,
sei que amo muitas cores,
amigos, parentes e genitores,
e não penso em sexo
ao lembrar deles...

Se sexo e amor fossem
um só, como outros pregam,
por que eles não estão
transando entre si?
Por que não estão numa suruba?

Palavras que medem sentimento
nada sentem, são só palavras.
Amor está no ato de amar,
e o amor sempre será colorido,
transgressor
e transformador.

Quando tudo estiver colorido
e, por aqui, não houver doloridos
talvez o amor esteja conosco.

Mas sei que ele sempre esteve comigo.

--
Muito amor, para todos.
A vitória vem, passo-a-passo,
em busca do amor,
que já chegou num beijo e num abraço.
<3 p="">

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Memento Mori do dia

Estava andando
e divagando
quando
percebi que viver
é um ato suicida
e, às vezes,
até masoquista,
pois a morte
pode acontecer
lentamente,
disfarçada de "vida".

Paz e amor

Me traga paz
e também amor;
ódio ou dor
não quero mais.

Paz e amor são
sempre um só,
se desatar o nó,
ambos sumirão.

Ambos precisam
um do outro;
sem confronto
eles se realizam.

Se um estiver
no outro ausente,
o que se sente
paz e amor não é.

Paz é amor
e amor é paz.

Qualquer dia nos serve

Já nos disseram
que não somos românticos...
Mas, após tantos anos,
sabemos que amor não é físico,
aos outros isso parece racional,
mas é puramente sentimental.
Então não precisamos de arroubos
em uma data comercial
que se mostra sempre banal
e é apenas, no romance, um roubo
que estimula o corpo a fazer sexo
como se isso tivesse algum nexo
com o ato de amar.

O amor que sinto por ti
está além de tudo que vi
nessa vida.
Não o vejo, apenas sinto
e, chorando ou rindo,
sei que o amor mais lindo
não é físico,
mas sim algo que salva
a vida da banalidade,
algo que traz realidade,
algo muito além da matéria.

Não importa o dia,
o amor é nossa alma.

terça-feira, 9 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pergunta poética

Meu tempo
é curto
e voa
com o vento.

Abro asas,
num surto
que ecoa
uma pergunta:

"Seria minha mente alada
como um pégaso mítico
ou serei eu, num ser físico,
uma persona imaginada?"

sexta-feira, 5 de junho de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

(Quase 60 anos de) Amor selado numa agulha

A carta me rasgou,
irrompeu cada pingo
de lágrima que chorei,
pensei que parou
meu coração: é lindo
e triste o ato que admirei.

O amor de vocês, eterno,
me matou um pouco mais
vocês passaram pelo inferno
sem se abalarem, jamais.
E com a morte, essa injeção
letal de realidade dura,
puderam deixar juntos e sãos
essa vida de loucuras.

Se há vida após a morte,
não importa pois, com sorte,
ainda vivem na história,
não serão apagados da memória.
Se suicídio é condenável,
não serei eu o acusador,
pois este ato mútuo, (diriam) "execrável",
a mim é obra de mais puro amor.

--
Homenagem a Gerhart Hirsche e Doreen Keir, conhecidos mundialmente como André e Dorine Gorz.
"Carta a D." é um dos livros mais lindos que li sobre amor.

Planet Hemp já questionava...

Atualmente...

...tem "MC" pra lá,
"MC" pra cá
mas não vejo,
repito,
NÃO VEJO
sequer um deles,
de fato,
revolucionar.

A fórmula
se repete
e a bula
de muitos destes
é quase nula.

MC de verdade,
sem aspas,
não faz vaidade,
nas feridas
enfia o dedo,
sem medo,
e expõe a realidade.

Mal de Nin(fa)

Ao contrário de muitos males e doenças,
Parkinson, Lou Gehrig, Alzheimer,
o mal de Nin vem de nascença
nos acompanhando durante todo o viver.

Anaïs dizia que era uma febre,
mas a ninfa esquece que é tesão
sua verdadeira doença, seu vício,
e atinge todas as camadas sociais
do rico ao assalariado, até a plebe;
sabe que é tal estímulo, tensão,
que nos leva ao fundo do precipício
do que seguimos como regras morais.

Essa doença é a mais normal,
nem sei se podemos chamá-la de "mal"
ao mesmo passo que nos faz felizes
enquanto a moral fica com cicatrizes
de algo que nos foi ensinado;
posse não é natural, é só medo.

Se sentir atração, se envolver,
se deixar levar é considerado ruim
então nossos animais estão doentes
e nem por isso fazemos sacrifícios,
nem por isso estamos aos suplícios,
rogando por perdão, evitando o fim
da prisão que não deixa contente
nem deixa triste a maioria a correr
de um lado para o outro sem pensar
se vivemos mesmo.
Pessoas devem se perguntar
se não é apenas tesão, a esmo.

Então batizo o tesão como "Mal de Nin"
e tenho plena convicção que, enfim,
o tesão existe e persiste sem amor
e, se não houver cuidado, pode causar dor,
pois já passamos séculos, milênios a fio,
e ainda estamos a aprender segurar o cio.

E é difícil, pois é um mal que nos faz tão bem...
...é o mal que um dia nos fez "alguém".

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lied do Compositor

O canto triste da ave
faz vibrarem luzes,
ar, tímpanos e peles.
Os cílios, num enxágue,
respingam emoção
e fecham as bocas dos olhos,
calando sua visão
e deixando à audição
o vislumbre dos textos
molhados de poesia
e vestidos de canção
entoada pelos ventos
que empurram a embarcação.
Não há sequer maresia
que afete o canto alado;
quem compôs é santo
em música
e, no amor, amaldiçoado.

Como na tristeza
pode haver beleza
e tanta calmaria?
Talvez só o compositor
lhe responderia...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

P(r)o(bl)ema

Escrever poesia é um problema
um tanto matemático
onde é citado um dilema
em pés de um verso métrico

pensado para conduzir
a leitura com rítmica;
é como se estivesse a ouvir
a letra de uma música

que nesse caso é um soneto
com oito pés, cheio de espetos
que vou aparando com meta:

chegar na tal chave-de-ouro
que do poema é o tal tesouro
buscado por qualquer poeta.

Herói?

Um amigo relatou
que já desejou
ser Jesus,
e me perguntou
se tive heróis...
Alguns, supus,
mas, logo depois,
pensei alto
e ele escutou:

"Eu só queria
fazer barulho
todo dia.
Herói? O caralho!
Quero alegria,
para o mundo
do topo ao fundo,
do baralho;
e o fim da amusia."

Pirofagia

O fogo dança
e me chama
para ficar perto,
para sentir calor
tão enlouquecedor;
então desperto
de seu transe,
de seu enlace,
dessa piromania
doce que afaga
com mão larga
numa tarde fria,
e me enfeitiça;
e me faz caça.
Que agonia!
Nessa fogueira
sinto sua maneira
de fazer pirofagia.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"AL-AU!" do Luka

Afinal,
qual mal
é mau?

--
Para Luka, o cachorro filosófico do Cao. ;)
http://cao-piratamental.blogspot.com.br/

Sobre Ausência

Questionemos isso...

Seria eu um cara omisso
por causa de um sumiço?

Não falto em compromisso,
mas há quem me acuse disso.

Para você que pensa nisso,
não dou banana, mas chouriço.

Faltas são furos em queijo suíço.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Suposto desejo de Ícaro

Queria ser alado

           ALTO
         //
e voar


para depois

d
  e
    s
      c
        e
           r
             .
               .
                 .
                 c
                 a
                 i
                 r
                 .
                 .
                 .
     |Mas|
   \abrindo/
--essas asas-- 

para p
           o
                 u
                        s
                                 a
                                            r
                                                         s . u . a . v . e . m . e . n . t . e
em _terra_firme_

ou nas

   n             d              r     
o ~ d ~ s ~ ~ o ~ ~ a ~ . ~  . ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
         a                m          .


--
Ernesto Gennari Neto

Somente

Só mente:
somente
som e ente,
só à mente.

Sou mente.