sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Que passe

Engraçado,
a razão diz "sim",
ao lado
da emoção
que grita "não".
Parece um bebê
que não quer crescer,
que grita e aperta
meu coração
perante a porta
aberta
que a razão,
crescida, deixou.

Dizem isso ser uma catarse:
largar da alma esse disfarce
e deixar que a vida passe;
jogar fora o miasma,
curar de vez a sua asma
e deixar a emoção pasma.

O choque é inevitável:
é como ver morrer
um querido ser
e seguir inabalável
na mente
enquanto
se sente
um tanto
ferido.
Seu sentimento
deve ser sentido
e a cura terá vindo
num futuro momento.

Amar você (uma carta)

Eu poderia lhe dizer muito mais, mas faltam palavras, pois não consigo traduzir em um grande livro ou num poema épico o que sinto por ti. Prefiro deixar meu coração falar em silêncio, num toque, num olhar, o amor que lhe dou.

Se uso minha voz, é para resumir um pouco isso.
Você me faz voar onde os outros apenas conseguem andar.
Você me faz viver num mundo onde outros apenas sobrevivem.
E só tenho que agradecer pelo amor recebido de ti.
É mútuo, sempre será.

Doce amada que me apareceu nesse movimento que chamamos de vida.
Não nos possuímos, apenas decidimos acompanhar um ao outro nessa. Isso sim é amor. Quero ser sempre o melhor companheiro que puder ser para ti. Isso me deixa muito feliz.

A vida não é minha, nem sua; a vida apenas acontece. É nesse acontecer que te acompanho. Acompanho porque quero, porque me importo, porque amo. Novamente, eu poderia lhe dizer tanta coisa, mas me faltam palavras, pois eu não consigo traduzir em texto ou poema o que sinto por ti. Prefiro deixar meu coração falar em silêncio, num toque, num olhar, o amor que lhe dou. Pois esse amor é tudo que sou. A única coisa que consigo escrever, abertamente ao público, é que te amo, de forma simples, sem ambição, sem possessão, sem idealização, sem conservas, com todas as metamorfoses do ser, pois espero que você seja você, sempre. Com você eu vivo...num mundo onde todos apenas sobrevivem.

Haikai sobre o fascista paulista

Fascista bundão,
Veja é o que tu bostejas...
...e Folha e Estadão...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Soneto de expurgo

Envelhecendo contigo
percebo quanto mal
fazemos, como casal,
quando no telefone ligo

para te dizer palavras
que lhe perdem sentido
e me falham ao ouvido
pois agora soam vazias

No silêncio do seu olhar
percebo que, ao te amar,
mato um pouco de mim,

pois numa vida ao redor
de alguém que me dá dor,
sei que chegou meu fim.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Passo a passo...

O pensamento passeia
como quem permeia
em cada passo,
no passeio,
uma tranquilidade
típica de um doce mar.

Nada contra ti

Às vezes,
de deus faço piadas,
mas não por maldade,
somente reciprocidade
por conta dessa vida
que lhe é engraçada.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Escravo Assalariado

Eu queria,
qualquer dia,
sair daqui
dessa monotonia
devassa
que me estupra,
aqui,
na cidade,
enquanto
me prostituo
na realidade
do santo
trabalhador,
cuja vida
é fogo fátuo
e sua ferida
cicatriza
lentamente,
com dor;
e o breve
momento
em que se realiza
é somente
o leve
fechamento
do corte
e, com sorte,
regozija
e, então
finalmente
pode trabalhar
para outros
e não
para si.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Tchau metal

Deixei de acreditar
na violência sonora
que me soca com ar
uma música de fora
que é só agressiva,
só isso e nada mais.
Entendo o motivo,
mas não acredito
que gritar tal raiva
de algo adianta.
Afinal, na existência,
qualquer violência
tenta ser justificada
mas é sempre vaga.
Portanto não ouço,
nem tenho no bolso,
músicas para berrar,
para gritar e brigar.
Não acredito mais,
ficou tudo lá atrás.

À sociedade

Me desculpe sociedade,
mas não discuto,
na minha atual idade,
certos assuntos.

Minha opinião formada
ao longo dessa estada
é que não quero mais,
de ti, correr atrás.

Você não gosta de redução
nas grandes marginais
e eu nas maioridades penais
que você aceita de supetão.

Você reclama de ciclovia
e eu da sua grande hipocrisia
em valorizar seu "carrumbigo".
Portanto, assim, lhe digo:

Enquanto você pensa merda
e defeca pela fétida boca,
mantenho minha mente aberta
e sã, para você ficar louca.

Sociedade, me desculpe
pela sinceridade,
mas enquanto você fala, bocejo...
É... tem hora que você me dá nojo.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Tempo Chuvoso

Depois de toda a tempestade,
vem uma estranha calmaria
que parece vida após a morte
onde um respira sem alarde
e o outro ainda se extasia,
passada uma tormenta forte.

Gostamos de morrer, meio que assim,
ofegantes num temporal sem fim,
que rega tudo que há de nascer
numa doce e perfumada primavera,
após a chuva de nosso suor ceder
ao esforço da vida uma nova aurora.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Teto preto

Essa manhã que parece noite
se escurece com a fria chuva
e a névoa, nesse atroz açoite;
a visão do horizonte se turva.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Algodão doce celeste

Olhei para o céu
e vi apenas o chão
feito de nuvens,
agora imaginem
estas, de algodão,
com sabor de mel.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

E²(legia)(pifania)

Eu já quis morrer
e hoje quero viver...

Minha sede de morte
virou fome de vida
e então o meu norte
mudou-se de vila,
pois agora a agonia
não é mais torcer
para que uma fila
ande sem calmaria,
mas sim para viver
e aproveitar minutos
que não são infinitos.

Tchau, céu cinza

Toda vez que o céu
está nublado, todo cinza,
como vestido de véu,
um lado meu, ranzinza,
se desperta
e me aperta
o coração
com sua mão,
me fazendo lembrar
que embaixo da nuvem
ainda respiro o ar
e vivo;
é daí o sorriso que vêem.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Papo de nuvens

E assim se viram,
enquanto respiram
teus aguaceiros
que inundam de ideias
e pensamentos:
a mente ociosa,
sentada jocosa
no banco da praça,
percebeu a chuva
apagando a chama
e se viu comparsa
da vizinha de banco,
num solavanco
saltaram dos assentos
e assentaram-se ao vento,
embaixo da árvore
que tem a copa gigante,
verificou no instante
se há algo que piore
a situação,
mas acharam
as ferramentas certas
para fazerem, espertas,
nuvens de fumaça,
num canto seco da praça,
enquanto a chuva não passa.

sábado, 27 de junho de 2015

Colorido

No dia em que o amor
for monocromático,
será aceito
em automático,
o pensamento
matemático
de que sentimentos
são binários,

mas isso me assusta
pois nessa busca
pelo que nos é necessário,
sei que amo muitas cores,
amigos, parentes e genitores,
e não penso em sexo
ao lembrar deles...

Se sexo e amor fossem
um só, como outros pregam,
por que eles não estão
transando entre si?
Por que não estão numa suruba?

Palavras que medem sentimento
nada sentem, são só palavras.
Amor está no ato de amar,
e o amor sempre será colorido,
transgressor
e transformador.

Quando tudo estiver colorido
e, por aqui, não houver doloridos
talvez o amor esteja conosco.

Mas sei que ele sempre esteve comigo.

--
Muito amor, para todos.
A vitória vem, passo-a-passo,
em busca do amor,
que já chegou num beijo e num abraço.
<3 p="">

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Memento Mori do dia

Estava andando
e divagando
quando
percebi que viver
é um ato suicida
e, às vezes,
até masoquista,
pois a morte
pode acontecer
lentamente,
disfarçada de "vida".

Paz e amor

Me traga paz
e também amor;
ódio ou dor
não quero mais.

Paz e amor são
sempre um só,
se desatar o nó,
ambos sumirão.

Ambos precisam
um do outro;
sem confronto
eles se realizam.

Se um estiver
no outro ausente,
o que se sente
paz e amor não é.

Paz é amor
e amor é paz.

Qualquer dia nos serve

Já nos disseram
que não somos românticos...
Mas, após tantos anos,
sabemos que amor não é físico,
aos outros isso parece racional,
mas é puramente sentimental.
Então não precisamos de arroubos
em uma data comercial
que se mostra sempre banal
e é apenas, no romance, um roubo
que estimula o corpo a fazer sexo
como se isso tivesse algum nexo
com o ato de amar.

O amor que sinto por ti
está além de tudo que vi
nessa vida.
Não o vejo, apenas sinto
e, chorando ou rindo,
sei que o amor mais lindo
não é físico,
mas sim algo que salva
a vida da banalidade,
algo que traz realidade,
algo muito além da matéria.

Não importa o dia,
o amor é nossa alma.

terça-feira, 9 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pergunta poética

Meu tempo
é curto
e voa
com o vento.

Abro asas,
num surto
que ecoa
uma pergunta:

"Seria minha mente alada
como um pégaso mítico
ou serei eu, num ser físico,
uma persona imaginada?"

sexta-feira, 5 de junho de 2015