terça-feira, 6 de maio de 2014

Hoje em dia...

Vemos o dinheiro ter mais valor que a vida,
a palavra ser mais forte que a pura natureza,
mas no mundo real em que deixam feridas
são a parte artificial que gera falsa beleza.

Pois o mundo, por si próprio, já se sabe belo,
o resto foi inventado para alimentar nosso ego.

--

Enfim, o culto midiático à violência chega ao ápice contra-evolutivo, quando numa briga de times rivais (no caso, políticos), uma incitação nos jogue novamente 2000 atrás, para a barbárie da Antiguidade. É muito interessante ver como uma pessoa com um discurso inflamado pode mover uma nação para ações irracionais.
Em pleno ano de 2014, no nosso calendário vigente (nomeie como quiser, o chamo assim mesmo: "vigente"), pessoas ainda acreditam nas mesmas mentiras: dinheiro, cidade, consumo, política, violência... Tudo que deturpa a evolução do raciocínio humano é levado à idolatria. Aí lhe pergunto, cidadão de bem ou mal, será que você precisa disso tudo ou de comida, paz e um teto para morar?
Resumo alguns termos clássicos que não são explicados amplamente:
-política = interesse (seriamos interesseiros e aproveitadores?);
-dinheiro = manipulação (quando você produziu sua própria comida ao invés de comprar?);
-consumo = exagero (afinal você é humano ou consumidor?);
-cidade = FEUDO (e seus moradores continuam alegres em serem escravos e plebeus?);
-violência = inveja (quando deixaste de realizar sua vida para cobiçar destruir a de outro?).

Não são definições absolutas, mas sim mutáveis, e em pleno ano de 2014, parece que voltamos ao comportamento pré-medieval, quando jornalistas atuam como fomentadores de inquisição e apedrejamento popular.

Mas o mundo natural pratica sua própria justiça, pessoas que não domam suas palavras, serão vítimas de si mesmas de seus pensamentos e pesadelos; e antes que seus egos se tornem grandes o suficiente para ofuscar o Sol e iluminar todo um planeta, morrerão como qualquer ser humano, e terão que se contentar que a humildade é a única característica que lhe sobra na morte, pois essa batalha nenhum ego poderá vencer.

Que o mundo aprenda com mais uma lição dada da mais triste maneira, porque do jeito que a carruagem anda, está cada vez mais difícil aprender com felicidade...


Obs.: Se seu ego é tão grande ao ponto de desejar ser lembrado, pense bem em que tipo de lembrança quer deixar. ;)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

Para a desenhista

Só digo parabéns, porque não sei desenhar,
mas, tão bem sei que vou te poetizar,
nem sinto a necessidade de num papel pintar,
deixo isso para quem sabe me encantar.

Parabéns, menina de traço e cor,
que rouba todo dia para si o meu amor.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A lua que não vi

Como é engraçado ver o paulista reclamar
adoidado que perdeu uma vista a admirar,
que não pôde enxergar nada anunciado
por ver o céu acima muito poluído.

Vi nuvens vermelhas, mas nada de lua,
apenas massas de poluição iluminando a rua
e pensei:

“Amanhã o mundo se acabará em hipocrisia,
pois o ser suja, não cuida, e daí fala heresias,
mas em momento algum mudou sua atitude,
nem em pensamento surge algo que a mude...

Então não reclame sobre a culpa dos outros,
nem se inflame, pois os defeitos estão expostos
para todos verem, ao contrário dessa lua
rubra que, talvez, poucos verão linda e nua,
pois hoje o ser humano mal cuida de si,
quiçá do planeta, que também sofre.

O tempo passa, tudo morre
e ninguém ri.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Essa desenhista...

Traça solene e
fina linha; imagina
seres, vidas perenes...

--

Perenes como ela.

Non Dvco Dvcor (se tiver açúcar, senão...)

Olho para baixo:
vejo o formigueiro SP,
que acorda cedo,
vive sempre a correr
como quem tem medo,
mas faz o seu dever,
naquele velho enredo:
“Não vou seguir,
sou seguido.
Vou conduzir,
não sou conduzido.”

Mas se ganha açúcar...
...Se finge de otário,
esquece o que falar
e faz o contrário.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Crosby, Stills, Nash & Young - Déja Vù

Peço atenção E DESCULPAS, pois o texto de hoje é longo, mas é super-válido. ;)

A querida companheira estava dirigindo hoje cedo a caminho do trabalho e eu, no banco do passageiro, sintonizei a Rádio Eldorado (tinha propaganda nas outras emissoras e fiquei caçando algo para ouvir...) e, de repente, ouço “Woodstock” de Crosby, Stills, Nash & Young e sinto uma nostalgia, vai lá saber se isso é porque a década de 60 é a época que mais gosto da música popular mundial – vide a música brasileira dessa época, cada composição linda – ou uma questão sentimental por conta de alguns discos que ouvi sentado ao lado de meu pai, um apreciador de música, mas a questão é que este disco, especificamente, este pequeno e curto álbum chamado “Déja Vù” desse quarteto, acompanhado de Dallas Taylor (bateria) e Greg Reeves (baixo), devidamente creditados e fotografados NA CAPA, tem sido parte da trilha sonora de minha vida, mesmo não tendo vivido naquela época. Não sei dizer o que raio de sentimento aflora quando ouço esse disco, só sei que é um daqueles poucos que posso dizer algo do tipo “me sinto em casa”. Meu pai não tinha esse disco, mas falava dele como se fosse algo fenomenal, de outro mundo, mas nunca achou para comprar fácil e num preço bom – a classe média na década de 80 e 90 não era abastada, com tanta inflação, comprava-se o pão da semana, pois no dia seguinte a subida de preço era vertiginosa. Recentemente o ouvi conversando com um amigo, lembrando como era difícil para eles até fazer compras, pois tinham que sair correndo antes que o etiquetador de preços do supermercado aumentasse o valor de cada produto, eram os bons tempos de ditadura, economia fantástica, importação PROIBÍDA, tecnologia defasada e mal se podia ouvir Chico Buarque, Geraldo Vandré, Titãs, etc, sem a avaliação da censura sobre o que deve ou não ser absorvido culturalmente: TUDO MIL MARAVILHAS. Vou parar JÁ com o discurso político (foi só para estabelecer um cenário real) e vou retomar a história. Enfim, meu pai não tinha esse disco e eu, já com 12 anos e viciado em música (doses cavalares diárias) em 1996, comecei a fuçar nas locadoras de CDs por discos novos, bandas novas; o MP3 apareceu na minha frente só no ano seguinte, e demorava no mínimo uma hora para baixar um arquivo de música com péssima qualidade de áudio. Conheci muita coisa, pegava CDs emprestado, copiava em fitas, emprestava CDs, trocava fitas com amigos (tínhamos o costume de pegar um CD novinho e ouvi-lo seguidas vezes, copiando uma fita por vez para cada um), mas alguns discos ficavam na minha mente como pulga atrás da orelha... Na verdade, muitos discos ficaram como pulga, coçando minha curiosidade, eu via as capas (a internet tinha acabado de chegar à casa dos meus tios) quando buscava por nomes no “Yahoo!” ou no “Cadê?”, e ficava besta tentando adivinhar como seria cada disco, de acordo com as referências que tinha até então. Só quando fiz 15 anos fui ouvir tal disco, já ouvia heavy metal e tentava, como qualquer “aborrescente”, renegar qualquer autoridade familiar e suas culturas, mas não conseguia NÃO GOSTAR das músicas que meus pais ouviam, nunca consegui DESGOSTAR (diferente de “enjoar”) do que gostei até então, então o Sr. Headbanger Babaca que vos fala ouvia Marisa Monte, Toquinho e Vinicius, Pink Floyd, Genesis, Yes, Fleetwood Mac, Elton John, Tim Maia, Alcione, Jethro Tull, UB40, Simone, Cidade Negra, Fagner, Chico Buarque, Djavan e outras coisas, tudo misturado com o metal e a música atual da época, Planet Hemp, Nação Zumbi (com o Chico), Raimundos, Skank, a cena Grunge, mas tudo escondido no mundinho do meu quarto. Falar para os amigos que eu gostava de Commodores? Não... Que eu cantava com os discos do Zé Ramalho??? Nem pensar!!! Que besta eu era... Achava que isso importava muito. Fiz amizades na escola, algumas dessas duram até hoje, e o pai de um deles tinha (e ainda tem) uma coleção, invejável, a maior que tinha visto naquela época. E PASMÉM, ele tinha o disco que meu pai me falou e despertou minha curiosidade por tantos anos. Eu não tinha ideia do que ouviria, já conhecia Neil Young e gostava muito, conhecia o David Crosby, mas ainda como guitarrista do Byrds, também já ouvira Hollies do Graham Nash e o Buffalo Springfield do Stephen Stills (e Neil Young), mas nunca tinha ouvido na vida esse timaço junto. Quando apertei play, dei de cara com um folk rock psicodélico diferente, quatro vozes fazendo um coro que ressoa até hoje na memória, músicas passando por diversos climas, do blues ao jazz ao experimental, mas sempre com uma linguagem popular e de fácil assimilação, mas não pense que é um disco bunda, é diferente de tudo. Quando meu pai chegou do trabalho e viu o CD que peguei emprestado, ficou feliz, lembro disso até hoje, deu um jeito de ouvir bastante antes de eu devolver (ele não tinha mais toca-fitas no carro, mas também não tinha como copiar o CD). Para você entender a alegria do meu velho, a minha alegria e a alegria do festival de Woodstock, você tem que saber que esse supergrupo foi o único na história que conseguiu rivalizar em popularidade com os Beatles no hemisfério norte, em sua curta duração. Esse disco é tão influente que ouço nuances dele em vários artistas folk, mas a obra inteira é uma viagem completa. Difícil você não se sentir numa fazenda enquanto ouve “Our House”, muito mais difícil você não sentir nostalgia de um lugar onde você nunca botou os pés ao ouvir “Helpless”. Difícil não sentir a angústia de “Almost Cut My Hair”, difícil não se deixar levar com “Carry On” (trocadalho do carilho?)...

Difícil ouvir apenas uma vez.

Depois que ouvi, larguei a mão, mostrei para todo mundo, a maioria torceu o nariz por não ter um solo na velocidade da luz, por não ter guitarras com distorções no talo, um baixo reto e pulsante ou uma bateria que mais parece metralhadora, mas eu não consegui desgostar desse disco, nunca consegui, é um dos poucos discos que é um porto seguro, sempre volto para ele, e nem é o meu favorito, nem de meu pai, mas tem um lugar guardado no meu coração. Foi por causa desse disco, especificamente, que admiti que gosto de música, acima de qualquer definição de estilo ou gênero. Dali para frente, não sentia que precisava esconder que gosto de samba, bossa nova, funk, reggae, ska, soul, r&b, rock, heavy metal, brega, música erudita, jazz, etc...

Não sei se você vai gostar desse álbum, mas fica aqui o link para vossa apreciação, talvez você tenha um choque, mas não se preocupe, apenas feche os olhos e dê toda atenção que puder apenas à música. Esse pequeno grande álbum não pode ser esquecido, nunca!

Se puder, quiser e não for atrapalhar, comente falando o que achou do disco. J

www.youtube.com/watch?v=RnOXkedBmRs
--

Texto: Ernesto Gennari Neto.

terça-feira, 25 de março de 2014

Tempo seco no formigueiro com ar condicionado (...ou Mandinga de Formiga)

Olha, formiga,
sei que também derrete
e já faz até figa,
liberou até o cacoete
e faz mandinga
para que a chuva desperte,

pois, pessoa, formiga
árvore, seja o que for,
nesse tempo louco periga
passar frio e calor
simultaneamente,
desesperadamente.

Com AC, o formigueiro
está chamando
a chuva, dançando.

É certeiro:
O céu estava limpo,
e agora, cheio de nuvens.
Essa dança, que muda o tempo,
faz chover, e todos fogem.

Então formiga,
por favor, pare com mandinga,
se visse as coisas daqui de cima
pensaria melhor em suas cismas
com o clima.

Não adianta reclamar,
muito menos vociferar
ou bater o pé:

aceite a natureza como ela é.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Oração de Refeição de Pessoa Formiga (Ou... “Haikão de Dois”)

Formigão abençoa,
meu formigueiro e, onde for,
não nos falte a broa.

Não quero isopor,
não. Pois bem, um baião de dois.
Amém, com amor.

-Formiga-

-
Poema: Ernesto Gennari Neto

terça-feira, 18 de março de 2014

Uma pessoa formiga resolveu pensar...

"Pessoas formigas andando
nos seus dia-a-dias
mais do que normais...

Será que andam pensando
No que haveria
Depois da vida ou algo mais?

Pés após pés, atravessando
ruas e grandes galerias
atrás de mudanças reais

que por aí estão buscando,
mas este formigueiro-ilha
não muda, jamais.

Há pessoas acreditando
que alguém lhes faria
a vida melhorar demais,

como um formigão falando
que um livro que lia
separa legais e ilegais.

Mas que formiga humilde,
como eu, entende de leis
ou de vida?

Melhor trabalhar amiúde
e não ser fora-da-lei
por qualquer coisa lida...

Afinal, formiga que pensa, incomoda.
Formiga que cutuca, é esmagada.
E não estou afim de chinelada."

--
Poema: Ernesto Gennari Neto

terça-feira, 11 de março de 2014

Daqui de cima, todos são formigas

Todos os dias, vejo
pessoas formigas
em seus ensejos
por algo que liga

do ponto B ao A
ao invés de brigar,
o que a levará
a nenhum lugar.

Prédios formigueiros,
onde as servis
trabalham dias inteiros

obedecendo a rainha
e líderes vis
que as mantém na linha.

terça-feira, 4 de março de 2014

Desculpa de Carnaval

Numa terça-feira de carnaval,
pensei, toquei e cantei rimas,
eu ainda não via nada mal
nem na quarta-feira de cinzas.

Mas o fim do feriado chega
como quem diz "sai de cima",
acorda cedo na quinta-feira,
mas não se esquece da rima.

"Porque viver para trabalhar
não é trabalhar para viver.
O mundo girou quando parei

e isso prova que descansar
não é ruim como dizem ser.
Por que trabalhar? Não sei..."

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vida absurda

Seria tudo um absurdo?
A vida, a morte,
o azar e a sorte
frutos de mero acaso?

Me perdoe se perturbo
sua mente, sua paz,
mas a vida se desfaz,
por aí, em cada passo.

Talvez já se perguntou
da vida qual é o sentido,
mas será que sentiu
que há algo a ser vivido?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Pornopolítica"

A "pornopolítica"
e um tanto mística,
pode virar vício,
ocupando seu ócio
e até sua memória,
nisso você esquece
sua vida e história
enquanto faz prece
para quem governa,
para quem te interna.

Este antigo fenômeno
poderia, pelo menos,
fazer algo de útil,
não passar o fútil
adiante às gerações
futuras e presentes
ao longo de verões
e invernos de mentes

por brigas sem estribeiras,
tal qual Corinthians e Palmeiras.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Soneto do tempo incontrolável

Escorrega entre meus dedos,
entre tantos outros medos,
aquele de te perder,
mas não consigo te segurar.

Quando penso nisso, percebo
que já passou, e agora bebo
tentando entender
o que não posso remediar.

Cada segundo me dói,
cada minuto me corrói
e não tem como voltar,

porque é algo inventado
e nada será poupado
quando você se acabar.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EXTRA: Fodas chuvosas

Arma a chuva

e uma vulva
encharcada
está roxa
como uva
colhida
madura.
A boceta muda
não fala
mas se expressa
ao falo
e à língua,
e não gosta
de pressa,
sem calma
a alma
não se interessa
por sexo,
versos sem nexo
nada complexos,
eu e você:
côncavo e convexo;
e a chuva
cai lá fora,
céu roxo
escuro,
sem muros,
escrevo nosso furo:
fodas
nas noites chuvosas
afora.

Cobras

Sem sombras,
fico com sobras
de minhas obras
sem brio,
e, sobriom,
sinto as cobras
que me cobram,
me esmagam,
me dobram
em dois,
três,
depois
desfez.
Apaguei.
Cansei.
Me neguei.
Acabei
envenenando
este poema:
o matei.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ventos Virão (em 3 partes)

I:

O vento a soprou
para longe
pois não aguentou
segurar onde
sempre segurou;
num farfalhar
o caule a soltou,
uma folha a voar;
um galho quebrou
e caiu de seu lar.
Os ventos vem e vão
sem sequer pensar
em quem afetarão
e podem quebrar
tronco e espigão...
...Sem distinção.

--

II:

Se você é vento,
não seja um tufão,
sem dó ou direção,
seja como brisa,
que passa lisa
aliviando a contento.

--

III:

Sim, ventos virão,
comuns, e alguns são bons,
outros, talvez não.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"Miragem (sem terra à vista)"

Imagem passando ao largo
da margem do copo amargo,
silhueta sua,
tua carne nua.

O sal de seu suor na língua
desfaz o mal que já míngua
no seu gemido
bemol e sustenido...

Todo dia desenho e apago
na sua pele, com afagos
e carinhos,
seus caminhos

cheio de curvas sinuosas
nessa paisagem tortuosa
de seu corpo,
dos mares, porto

que está no meu mapa.
Escrevo sem as papas
sobre o X
que ali fiz

para marcar o tesouro,
que tenho num estouro,
de tão precioso
e tão gostoso

quanto fazer essa analogia
ao mar e à cartografia,
apologia ao sexo
e amor sem preço.

Vendo o copo de bebida
miro seu corpo de tulipa,
mas estou sozinho
e bêbado de vinho.

Penso, então:

Tem tanto mar além de você,
mas só sua miragem me vê.
E nela nos vejo,
lhe desejo...

--

Mais um poema para o projeto Curare.
Dessa vez explorando mais o imaginário e usando formas não estruturadas de versos e métricas, mas organizado em estrofes similares.

--

Para a miragem.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Contagem regressiva para 30: 9 [Parte 2]

Gritou me cedo: "NOVE! NOVE!"
Me confundi, era muito mais suave,
dizia algo como "Vê se move.",
cedo no escuro, mas com voz leve.

Seria sonho ou pesadelo? Não sei.
Devaneio não tem modelo.

No banho o chuveiro chove
deixo que a água me lave
e deixo que a voz trove
uma música que comove.

Seria apenas um banho, mas sei
que ainda estou estranho.

Será que, como nove vira noventa,
eu passo inteiro pelos sessenta?
Mas estou prestes a fazer trinta,
e peço, lhe imploro, que minta.

Data-me dezenove. Já sei
que tenho vinte e nove.

Dias? Faltam apenas nove.
Então lhe peço que prove
minha alma e carne. Me leve
antes que alguém me desove.

Pois quero que me sinta. Só sei
disso agora, prestes aos trinta.

E às dezenove, antes das nove
na noite de hoje, estarei leve
mas depois me soque, me sove
e se puder, me escove.

Que os trinta tragam novas tintas,
pois as velhas, a velhice remove.

Senão me faça esquecer de trinta,
nove ou vinte e nove.

--

My love.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Contagem regressiva para 30: 10 [Parte 1]

De dez em dez
tanto fez que fez
chegou aos trinta.
Olha que drama...
melhor, sinta.
Não há dama
que não teme
e não treme
quando vê a data.
Parece trama,
de um homem
que não se mata
mas ali também
percebe, se sente
mais perto da morte.
"Mas é só trinta",
não me minta,
sei que mais novo
não ficarei.
Meu cabelo cai,
cabeça vira ovo
careca serei
e a vida vai...
sem me perguntar...
sem sequer chamar...

Nesses trinta
risquei tanto giz
nesse caminho que fiz,
que de dez em dez,
já perdi a conta;
já perdi a ponta;
já fiquei do contra;
já aguentei afronta;
já xinguei de "lontra";
já vi quem monta;
quem desmonta;
montes, morros
e ventos cortantes,
mortes, serras,
instantes inebriantes.
E no entanto
me pego sem pranto,
um tanto enxuto,
surpreso: num canto
vejo, debaixo dos panos
do monte que se fez,
que estou à dez
dias dos trinta anos.

--

Estou tentando entender meu lugar nesse mundo, na vida dos outros, na minha própria.
2013 foi um ano importante, no entanto, não gostaria que se repetisse. Muito sofrimento para um ano só.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Verwirrung

o ciclo da confusão chegou
assim me arrebatou
sem bater na porta
sem sequer pedir licença
uma balbúrdia um tanto torta
me traz sua presença
tanto que, se você ler estes versos
de forma reta ou alternada
verá sentidos dispersos
que dizem tudo ou nada



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Independência Nadadora

Observo gritar

nesse mar
os náufragos
com água e sal
lhes fazendo mal
até o esôfago.

Uns disputando
a tapas um pau
outros afogando
sem ver uma nau
sequer...

Pelo menos nado
não sinto medo,
nem da morte
pois ela é
a minha sorte.

Quem aprende
a ser independente
não depende
que alguém
o lamente.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Livro e Circo", me livre!

Pretendo um dia
lançar minha poesia
em livro,
aí dessa frustração
já me livro,
porque num país onde
Lobão
é um dos
mais vendidos
da lista,
'ex-comunista'
e agora atira
de colunista,¹
no país de onde
Sarney
é romancista
e um 'eterno'
na academia
(está lá, confira)²,
já não sei
se meu céu-inferno,
minha poesia,
não seria uma melhoria
porque, como já dizia
o palhaço Tiririca,
"pior do que tá não fica".³

QUE CIRCO!
¬¬

--

¹ - Lobão, antigo esquerdista, agora "neocon", tem seu livro na lista dos mais vendidos e é colunista da VEJA, argumentando da maneira que sabe, com ofensas, falácias e pouco conteúdo relevante; além de proporcionar um desserviço à classe artística, também presta um desserviço à sociedade, mente em rede pública falando que é o primeiro artista independente do Brasil, quando de fato ele está mais de 10 anos atrasado em sua colocação, mente em rede pública quando emite sua opinião política, apenas causa polêmica para fazer sua auto-promoção enquanto, como artista, é medíocre: os fatos não mentem.

² - O termo correto na Academia Brasileira de Letras é "imortal", termo que condiz com sua carreira política no governo, pois é eterno senador, coronel do estado do Maranhão e presta um desserviço à classe literária do país, já foi criticado de maneira contundente por Paulo Francis (que se tornou conservador mais tarde) e Millôr Fernandes que destituiram de qualquer moral este distinto corrupto aproveitador.

³ - Lema da campanha política deste artista circense/deputado federal nas eleições de 2010, onde foi o deputado mais votado da história do país, que por "increça que parível" [SIC], foi um dos nove deputados com 100% de presença no congresso, sofreu preconceito por ser analfabeto, contribuiu para causa de sua classe artística, pisou no tomate ao votar errado algumas pautas por "confundir-se com o painel", dizem por aí que também votou contra o 13° salário (não posso confirmar), e ainda foi realista ao dizer sobre o congresso que "Você passa o dia inteiro fazendo nada, só esperando para votar alguma coisa enquanto as pessoas discutem e discutem...", é, "pior que tá não fica" mesmo.

--

Minha opinião:

Não apoio político algum, acredito que um mundo melhor é um mundo de consciência, ética, respeito, sem distinção de poder entre pares e sem qualquer espécie de governo. Um mundo melhor onde dinheiro, ostentação e ganância não são pautas de vida.

Se você vota, você escolhe ser escravo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Um papel e um celular

Um simples papel
aceita do doce mel
ao amargo do fel;
rima do inferno
até prosa do céu;
não é eterno,
mas vive
enquanto durar
e também cuidar.
Nele se escreve,
porém, hoje estive,
sem problemas,
a dedilhar
meus poemas
no celular.