Urge essa sua reminiscência
de mim, te trazendo um carinho
que não posso lhe dar,
pois pedes que eu não o dê;
te traz uma esperança
- que não sei se posso viver,
nem sequer um pouquinho -
de que o futuro o tempo conte,
sendo que deste não faço contas.
Me pergunto se de carinho
ou carência é esse espinho
que colocas entre nós
de cordas trançadas,
entre tecidos de peles
não mais tocadas,
na sua recusa atroz
de ser a ti
e de que eu possa sumir,
enquanto tu me desassumes
ao passo que me assumi.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
terça-feira, 5 de julho de 2016
Exercício
Antigamente, inspiração
me era tão necessária
como abrigo a um pária
ou, ao faminto, um pão.
Hoje, o ato é necessário;
letras soltas são escritas,
sequer importa horário,
apenas a ideia expressa,
crua ou até em metáfora;
uma ideia que traz visco.
Se fico sem escrever,
não vivo. É diário risco.
me era tão necessária
como abrigo a um pária
ou, ao faminto, um pão.
Hoje, o ato é necessário;
letras soltas são escritas,
sequer importa horário,
apenas a ideia expressa,
crua ou até em metáfora;
uma ideia que traz visco.
Se fico sem escrever,
não vivo. É diário risco.
Sobre-viver
Os anos estão nos escorrendo
pelos dedos das mãos e dos pés...
...ou seriamos nós que descemos
no escorregador da vida?
Eu vejo a minha pele envelhecer
e entradas novas sugerirem
na testa, diretamente, portas
para os meus pensamentos.
Observo você também mudar
junto comigo e separada de mim,
e percebo que sua existência
é efêmera como a minha.
Tenho esse apego por ti,
algo que me acomete,
como nunca senti, nunca vi.
Não preciso de intérprete
nem de algo que me diz
sobre a vida que se repete.
Sinto que preciso apenas
cuidar de ti, para que vivas,
ao máximo, todo o potencial
desse tempo curto que temos aqui,
para que sejas, toda, eternidade.
pelos dedos das mãos e dos pés...
...ou seriamos nós que descemos
no escorregador da vida?
Eu vejo a minha pele envelhecer
e entradas novas sugerirem
na testa, diretamente, portas
para os meus pensamentos.
Observo você também mudar
junto comigo e separada de mim,
e percebo que sua existência
é efêmera como a minha.
Tenho esse apego por ti,
algo que me acomete,
como nunca senti, nunca vi.
Não preciso de intérprete
nem de algo que me diz
sobre a vida que se repete.
Sinto que preciso apenas
cuidar de ti, para que vivas,
ao máximo, todo o potencial
desse tempo curto que temos aqui,
para que sejas, toda, eternidade.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Prosa Imagética
Os olhares proseiam,
antes mesmo das vozes,
uma prosa daquelas
de uma tarde na varanda,
bebendo chá;
numa cadeira que balança,
nessa prosa que se mistura
de risos a sorrisos
com bocas de poemas
que sorvem liso
líquido das xícaras
e fazem do paladar
algo um tanto singular,
tal o sabor da palavra
perdida na língua
e calada na garganta,
mas sonora no toque
de um pensamento
que os olhares proseiam.
Agrura
Cansei de meus dedos
que digitam fúrias,
amores, sons e medos,
essas minhas agruras
que enfeitam de letras
um espaço por arremedo,
zombaria de mim mesmo.
Cansei da minha poesia
que se dá nessa hora
de sentimento e nostalgia
mistos num "quê" de agora
tal qual uma urgência
mental, caso de ambulância.
Embora cansado,
uma ânsia me impele
a escrever, derramar sangue;
me rasgar a vista e a pele
para deixar registrado
um pedaço que arranque
da hemorragia, a emoção
coagulada numa canção.
que digitam fúrias,
amores, sons e medos,
essas minhas agruras
que enfeitam de letras
um espaço por arremedo,
zombaria de mim mesmo.
Cansei da minha poesia
que se dá nessa hora
de sentimento e nostalgia
mistos num "quê" de agora
tal qual uma urgência
mental, caso de ambulância.
Embora cansado,
uma ânsia me impele
a escrever, derramar sangue;
me rasgar a vista e a pele
para deixar registrado
um pedaço que arranque
da hemorragia, a emoção
coagulada numa canção.
domingo, 3 de julho de 2016
Tinta-íris-ela
A chuva da bondade
é uma tempestade
de água num ar seco
d'um deserto aéreo,
num clima sério
que se desmancha
em lágrimas celestes,
formando arco-íris
com a luz que mancha
o céu de aquarela.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Terapia?
Mais de meio milhar de poemas aqui, nenhum livro publicado
e ainda estou me afogando nas pilhas de rascunhos e emoções,
na interminável tentativa de ser o infinito neste meu finito ser.
na interminável tentativa de ser o infinito neste meu finito ser.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Objetivo Poético
Buscam-se métricas, estilos, pés...
...eu não busco nada disso.
Busco música nas palavras,
melodia nos sentimentos,
harmonia no conteúdo.
Meu fazer poético se concretiza
não pelas letras conjuntas,
frases separadas,
estrofes
e versos,
mas pelo quanto consigo tocar -
seja lá o que for tocado -
e por conseguir
no toque, a marca, o amor
e, na poesia, até a dor.
...eu não busco nada disso.
Busco música nas palavras,
melodia nos sentimentos,
harmonia no conteúdo.
Meu fazer poético se concretiza
não pelas letras conjuntas,
frases separadas,
estrofes
e versos,
mas pelo quanto consigo tocar -
seja lá o que for tocado -
e por conseguir
no toque, a marca, o amor
e, na poesia, até a dor.
(Des)Universo
Nesse vácuo cósmico
que não se preenche
dentro de mim,
sabe-se que Nin
diria-me para abrir
o que tenho
para um dia atingir
uma certa plenitude,
experimentando
os desejos de euforia
imortalidade e panacéia.
Descobri-me não pleno.
Vi que estão errados,
ao olhar para o céu
e perceber
buracos negros
sedentos, famintos,
como o humano
vivendo em mim.
Se o universo não
está satisfeito em si,
por que eu estaria?
o que tenho
para um dia atingir
uma certa plenitude,
experimentando
os desejos de euforia
imortalidade e panacéia.
Descobri-me não pleno.
Vi que estão errados,
ao olhar para o céu
e perceber
buracos negros
sedentos, famintos,
como o humano
vivendo em mim.
Se o universo não
está satisfeito em si,
por que eu estaria?
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Sobre lobos
Prefiro eu derramar rios
caudalosos vermelhos
na terra marrom
do que ouvir notícias
de um fim dum início.
Não me cabe o desvario
dum lunático enfermo
cantando fora do tom
todas suas súplicas
até o profundo precipício.
De uma orelha a outra
não me faz desejar o mal,
preferindo sofrer
ao causar qualquer dor,
mas quando esse torpor
vem me sorver,
sinto que, sendo animal,
tu achas sempre minha rota.
A rota perto dos rubros
rios que escorrem chorosos
que, mesmo mudando
ao passar das correntes,
continuam me ecoando
o brilho dos dentes,
desembocando no azul
do seu globo e regando
nas margens os girassóis
- como nós, solitários,
fora de nossas alcatéias,
mas sempre esperando a luz,
sendo para eles, a do sol,
e nossa, a da a lua.
caudalosos vermelhos
na terra marrom
do que ouvir notícias
de um fim dum início.
Não me cabe o desvario
dum lunático enfermo
cantando fora do tom
todas suas súplicas
até o profundo precipício.
De uma orelha a outra
não me faz desejar o mal,
preferindo sofrer
ao causar qualquer dor,
mas quando esse torpor
vem me sorver,
sinto que, sendo animal,
tu achas sempre minha rota.
A rota perto dos rubros
rios que escorrem chorosos
que, mesmo mudando
ao passar das correntes,
continuam me ecoando
o brilho dos dentes,
desembocando no azul
do seu globo e regando
nas margens os girassóis
- como nós, solitários,
fora de nossas alcatéias,
mas sempre esperando a luz,
sendo para eles, a do sol,
e nossa, a da a lua.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Intromissão
Seria o mundo
uma intromissão
à toda vida?
Me parece, segundo
o que vejo com atenção,
que há quem palpita,
há quem pergunte
há quem assunte
e assiste a guerra
de uma simples intriga
que ocorre,
por intromissão
deste mesmo.
Que porre
deve ser a vida
de quem não se lida,
mas resolve lidar
com a vida
dos outros,
sem ser chamado...
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Duplo
Meu outro corpo
- esse que ninguém vê -
é tão vivo e morto
na existência em dois eus,
duas mentes, duas palavras,
que num mesmo corpo
seria mais fácil viver,
mas não nos(me) comportaria
nem seria útil
para me ser.
- esse que ninguém vê -
é tão vivo e morto
na existência em dois eus,
duas mentes, duas palavras,
que num mesmo corpo
seria mais fácil viver,
mas não nos(me) comportaria
nem seria útil
para me ser.
terça-feira, 21 de junho de 2016
Duas semanas atrás, no fim do outono
Que inesperado esse sol!
Num meio-dia de outono
com clima quase inverno,
por um breve tempo
aparece chuva de verão;
da primavera, o vento,
e de janeiro, o calorão.
Num meio-dia de outono
com clima quase inverno,
por um breve tempo
aparece chuva de verão;
da primavera, o vento,
e de janeiro, o calorão.
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Monera
Eu viver em mim
é um ato que não se explica;
não é a vida rica
de eventos abastada -
como se fosse ouro
cada hora
por fora de outro
mundo de prata -
nem vida de emoções,
como correr aos filões
desse atemporal couro
humano de cicatrizes.
É só e apenas, nada mais
que parte daquelas normais
vidas que assim, simplesmente,
acontecem sem mais
nem menos
por-/+quê.(?)
é um ato que não se explica;
não é a vida rica
de eventos abastada -
como se fosse ouro
cada hora
por fora de outro
mundo de prata -
nem vida de emoções,
como correr aos filões
desse atemporal couro
humano de cicatrizes.
É só e apenas, nada mais
que parte daquelas normais
vidas que assim, simplesmente,
acontecem sem mais
nem menos
por-/+quê.(?)
sábado, 18 de junho de 2016
Percepção apurada
A visão deste vulto
faz etérea qualquer palavra
que tente explicar ideias
de percepções individuais
que formam cultos
que louvam o que abafa...
...a realidade de um fato
de que palavras não servem
suficientes quando descrevem
a sensação do tato,
nem apagam a falta,
mas iludem este momento exato.
Palavras são tortura e prazer.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Da pré-meia-idade
Afirmo que continuo,
ainda me insinuo
um tanto jovem,
como se no início adulto
da fase que passa
da, sem fim, juventude.
Mas meu rio negro
diminui o volume,
e agora ostento portas
de entradas ao salão
ainda sem sabedorias,
também, poderia
eu, avaliado novo
tal carne de açougue,
já um velho peso morto?
Eu, que conheço muito,
ainda há o que me negue
valor no pensamento.
Meu que não é o tempo;
só me resta correr atrás
do futuro à minha frente.
É aí que me faço
soar um canto
de sala secreta
no filme que passo
contracanto.
ainda me insinuo
um tanto jovem,
como se no início adulto
da fase que passa
da, sem fim, juventude.
Mas meu rio negro
diminui o volume,
e agora ostento portas
de entradas ao salão
ainda sem sabedorias,
também, poderia
eu, avaliado novo
tal carne de açougue,
já um velho peso morto?
Eu, que conheço muito,
ainda há o que me negue
valor no pensamento.
Meu que não é o tempo;
só me resta correr atrás
do futuro à minha frente.
É aí que me faço
soar um canto
de sala secreta
no filme que passo
contracanto.
domingo, 5 de junho de 2016
Pandora
Toda vez que abrem a tampa,
mesmo que só para bisbilhotar
por um breve momento,
algo vaza para fora,
meio que fora de hora,
e dessa caixinha de males
que não possui bom intento,
qualquer coisa que sai é tormento,
algo que, no mundo, se lança
e se mostra todo odioso.
Essa minha caixinha interna
dá um puta trabalho para tampar,
quem bisbilhota não sabe
como é difícil fechá-la.
Imagine como é difícil viver
com algo assim aqui dentro.
Já bem difícil só saber
da existência desse invólucro,
sem lacre, que vive dentro de mim.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Tentação
Devo ter sido suicida
numa hipotética
- ou mais -
outra patética
- tentativa de - vida.
De repente me invadem
pensamentos, visões
da pele e veias
se abrindo aos cortes;
do meu corpo
se espatifando no chão
após uma queda
de altura imensurável.
Até à forca
tenho visões
de ser levado a força
e vejo com meus olhos
e dos outros
o momento crucial.
Me vejo tentado
a atravessar a avenida,
me jogar da ponte,
a abrir uma ferida
na jugular, na testa...
São tantas alternativas,
todas tão criativas,
que tenho quase
certeza que minha alma
é especialista,
morre de fase em fase
e agora, pensa nisso com calma.
numa hipotética
- ou mais -
outra patética
- tentativa de - vida.
De repente me invadem
pensamentos, visões
da pele e veias
se abrindo aos cortes;
do meu corpo
se espatifando no chão
após uma queda
de altura imensurável.
Até à forca
tenho visões
de ser levado a força
e vejo com meus olhos
e dos outros
o momento crucial.
Me vejo tentado
a atravessar a avenida,
me jogar da ponte,
a abrir uma ferida
na jugular, na testa...
São tantas alternativas,
todas tão criativas,
que tenho quase
certeza que minha alma
é especialista,
morre de fase em fase
e agora, pensa nisso com calma.
Suposição
Deve ser um dilema
- maior de todos os problemas -,
para alguém imortal,
perceber que a vida
não tem qualquer sentido real.
Validade
Essas novas,
já vem velhas
e se anunciam
tão modernas
à contemporânea
que mudam eras
momentâneas
de um curto
longínquo
passado.
já vem velhas
e se anunciam
tão modernas
à contemporânea
que mudam eras
momentâneas
de um curto
longínquo
passado.
Confuso...
...Em meio ao todo,
vejo um grande nada
e sou preenchido
de um imenso vazio
que deixa sentido
de tanta insignificância
alguém de importância
já um tanto duvidosa.
Já não me importo
comigo, amigo ou inimigo,
sendo um fato
que nada disso mais importa.
Inicio e apenas sigo,
esperando que isso acabe.
vejo um grande nada
e sou preenchido
de um imenso vazio
que deixa sentido
de tanta insignificância
alguém de importância
já um tanto duvidosa.
Já não me importo
comigo, amigo ou inimigo,
sendo um fato
que nada disso mais importa.
Inicio e apenas sigo,
esperando que isso acabe.
Deprimido
Às vezes canso de me mentir,
dizendo que tudo está bem, e de ir
de encontro com a mentira
tão dolorosa que se torna, um dia, ira
e desespero por não expressar
o que de fato me ocorre.
É um pesar que me cobre
por inteiro: nada estou sentindo
e cada vez mais estou sem sentido.
E a pior parte é fingir o sorriso
de lua - como a vida - minguante,
aos que esperam uma verdade,
que confesso, há muito, sem alarde,
a esqueci e nessa vida mentirosa
me perdi. Não há felicidade duvidosa,
pois nem dúvida há da realeza
de uma "vida-rinha" que me é tristeza.
Dizer que estou bem,
apenas me faz mal.
dizendo que tudo está bem, e de ir
de encontro com a mentira
tão dolorosa que se torna, um dia, ira
e desespero por não expressar
o que de fato me ocorre.
É um pesar que me cobre
por inteiro: nada estou sentindo
e cada vez mais estou sem sentido.
E a pior parte é fingir o sorriso
de lua - como a vida - minguante,
aos que esperam uma verdade,
que confesso, há muito, sem alarde,
a esqueci e nessa vida mentirosa
me perdi. Não há felicidade duvidosa,
pois nem dúvida há da realeza
de uma "vida-rinha" que me é tristeza.
Dizer que estou bem,
apenas me faz mal.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
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