sexta-feira, 26 de julho de 2013

Era para ser outra coisa...

"Eu me anuvio,
então me alivio",
escorre um rio
no fio da navalha.

Sequer mais viu,
sentiu só frio
não mais sentiu,
virou uma mortalha.

Se fosse fácil
morrer tão dócil
nesse mundo vil
que te estraçalha

não pensaria mil
antes do ardil,
com que cobriu
a morte e a batalha.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Patriota = Idiota

Afirmo que todo patriota
é, no fundo, um idiota
que serve ao pior agiota:
esse estado, que te enxota
de casa e te conta lorota
de que é bom ser patriota
e que cada um tem sua cota
se cumprir na vida sua rota,
definida por quem vota,
e explorando quem labuta,
vendendo até a xoxota
para não ir a bancarrota,
e privando da última gota
de água, causando revolta
no povo que não suporta
ficar com a veia exposta
sangrando por quem corta
cada vida como colheita
de uma natureza morta.

O estado é um déspota
que agride, com sua frota
de agentes feitos de bosta,
o povo que o sustenta
e o torna digno de nota
numa sociedade remota,
e com ego inflado, se dota
dum poderio e afronta
quem o confronta
numa guerra torta.

Não seja mais um patriota,
senão será mais um idiota.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Levante

A história do conhecimento humano
foi passada via telefone sem fio,
navegando como um grande navio
no tortuoso rio da nossa existência.

Vimos passar do desumano ao vi,
do que é burro ao babaca e imbecil,
mas também gente honesta e gentil
com todo e qualquer tipo de crença.

E não entendemos nossa presença,

nesse mundo de terceiras intenções;
nesse universo de grandes dimensões;
nessa vida sem grandes emoções;
nesses nossos trabalhos-prisões.

Quem nunca quis fazer um levante?
Por favor, não se acanhe e cante
sobre o que lhe é mais importante.

Você, enquanto vivo, tem que fazer
o seu momento de vida aqui valer
e mais que sobreviver, você deve viver.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Gritar!

Um dever cívico
deve ser vívido
e vivido!

Gritar, protestar,
enfim, manifestar
a insatisfação!

Se não se move,
então morre
sem ter vivido.

Se não grita,
se cala
em sua escravidão.

Faça diferente,
seja independente
de líder!

Seja dono de si,
ninguém manda em ti,
nem se quiser.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um poema e um tema

Eu queria,
mais que gostaria
e até escrevia,
um livro sem fim
sobre você,
mas o dia
não duraria
e nem veria
um capítulo
até anoitecer.
E o livro sem fim
ficaria inacabado.
Que ironia.
E quanto a mim?
Só e chateado,
nesse dia.
Mas logo passa
ao te encontrar.
Com você
o tempo passa
devagar
e o amor
nos dá calor
e assim ficamos
a namorar,
até depois de casar.
Então me desculpe
por não te dar
tal livro
que não saiu livre.
Mas esse poema,
eu posso te dar
enquanto longe.
E estou sempre
a te amar,
não importa
quando ou onde,
E com um poema
e um tema
me entrego
a você
para fazer
o que quiser
comigo.

--

Porque apenas um dia não resume o sentimento de um amor.
Feliz dia dos namorados, minha amada! ;*

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Pessoas (simulacros) em coma profundo

I

Como se esquecem, essas pessoas,
da dor alheia e o gemido que soa
como o grito da turba que povoa
a praça pública em manifestação?

Perdidos nas suas simples vidas
que passam tão desapercebidas
e são totalmente desperdiçadas
sem sequer formular uma questão,

essas "pessoas na sala de jantar"
não querem saber o que melhorar
e como podemos mudar o mundo...

E enquanto você finge que não vê,
existe alguém que morre por você
e seu direito ao coma profundo.

--

II

Pessoas não são mais,
apenas simulacros;
humanos fracos.

Nem parecem reais
de tão loucos.
Humanos são poucos.

Seres e mentes artificiais
que se alienam
e disso gostam.

Seus destinos fatais
são os mesmos;
e andam a esmo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Louco

Sábio era quem ouvia
a música no rádio
e cantava a melodia
sem errar as notas
e as letras.

E ainda variava:
assobiava
e batucava
no volante
por um instante.

Era assim agora,
mas sempre fora,
e quem via de fora
o tachava de louco,
mas quem não é um pouco?



terça-feira, 7 de maio de 2013

Trauermarsch (5ª de Mahler)

Som fúnebre desse movimento,
rodando solto, neste momento,
pelos meus tímpanos abençoados

que identificam o sentimento
de estar ao gélido relento
num funeral com quem foi deixado

para uma vida cheia de nostalgia.
Deveria ser forte a cacofonia,
mas esta música me emociona

de forma cortante e dramática
que deixa minha alma estática.
Nada mais no corpo me funciona,

exceto o castigado coração
que a cada detalhe dessa audição
funesta e linda que me faz sofrer.

Me sinto incapaz até de segurar
esse choro e quero só me soltar
em lágrimas ao invés de me conter.

Um grito que entala na garganta
me machuca e, também, espanta
pela força com que faz apertar

dum pobre ser, tomado pela dor
de Mahler, que sangrou para compor,
o coração com sangue a jorrar.

--

Poema com métrica em 10 pés na tentativa de passar a sensação de ouvir o 1º movimento (Trauermarsch) da 5ª sinfonia de Gustav Mahler repetidas vezes.
Me sinto emocionalmente destruído por ouvir uma música tão linda e angustiante. Aliás, a sinfonia inteira é de uma beleza ímpar.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Saudade de dois gumes

A saudade que me ataca
é a mesma que me alegra.
Alegria que mistura
com tristeza pura,
sendo dois gumes de faca
que fogem à regra.

Poema em crise


Agora parece-me um momento perdido em vão,
pois me falta a tão falada inspiração.
Eu só coloco a caneta no papel
e movimento para sair letras ao léu.

Vai entender esse bloqueio mental
o que penso não surte efeito para tal
atividade de escrever um poema
e se torna uma frustração, um problema.

Recorri aos livros para ter ajuda,
mas tudo virou um "Deus nos acuda!";
minha cabeça entrou em parafuso
e agora estou com medo do desuso.

Afinal, nem lendo aqueles meus caros
amigos poetas, senhores Vinícius e Carlos.
consegui transformar uma ideia em verso;
me sinto defasado, um completo retrocesso
no que gosto de fazer de verdade...
mas que peça safada, que maldade.

Um poeta sem inspiração é um nada;
a poesia fica presa, bem amarrada,
parece um nó apertado na garganta
de uma boca suja e nada santa
que grita, canta, xinga e fala
toda essa porcaria do mundo, essa tralha.

Já tentei de tudo para imaginar
rimas, versos e estrofes para cantar,
mas realmente estou perdido
e um tanto arrependido
de tentar escrever de cabeça quente
algo assim, súbito, de repente.

Mas a caneta continua a se mover
e dessa escuridão continuo a temer
a maldita falta de inspiração,
esse bloqueio mental que me assola, frustração.

Vou parar de tentar essa porcaria,
quem sabe sai algo em outro dia...

--

Escrito em Março de 2011. Achei no meio de uma bagunça de uma gaveta. Já tinha até dado como perdido.
Esse poema relata um período em que eu não conseguia ter ideias (que me agradassem) para escrever, então parti do princípio de que teria que relatar esse momento frustrante pelo qual estava passando para esvaziar a mente.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sentido: Mistério

Falta ar limpo no que respiro,
sobra poluição, outros detritos
de origem industrial. Eu suspiro:
"Até quando seremos malditos?"

Mas ainda não tenho repostas,
sobram-me perguntas diversas
e de tudo que nos é proposto
fica a fuligem que suja o rosto.

Será a poluição
a nossa eterna maldição?

Será a vida na cidade
banal e sem piedade?

Até quando aguentar
isso será "prosperar"?

Ar condicionado ou ventilador?
Injeção ou o velho carburador?
Notebook ou micro computador?
Urbano torpor ou bucólico furor?

8 horas trabalhadas ou a sua vida?
2 dias de folga ou uma era vivida?
Salas cinzas ou, do céu, outra cor?
Alegria ou uma vida de pura dor?

Tristes realidades em que me inspiro
para escrever coisas que eu piro.
E, diante do que o mundo se tornou,
será que alguém já se perguntou
se está realmente satisfeito?
Ou será que lhe é melhor um leito?

Pode ser da UTI,
do SUS,
do necrotério.

"Pode ser aqui",
supus,
mas fica o mistério...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ocaso do acaso

Os acasos da vida
vivida em descaso
ocasionam coisas
que me impressionam,
como da existência
o ocaso indecifrável
sem uma experiência,
um caso irremediável.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Noiva atrasada

Mas que atraso...
Até parece descaso.

Por acaso,
que caso
normal,
velho e atual,
se repete
(mas promete...)
no dia de se casar.

"Dá sorte! Xô, azar!"

Sem respostas

Será que a vida
deve ser sofrida
enquanto vivida?

Será que o prazer
de poder viver
também é sofrer?

Seria noite e dia,
uma monotonia
duma tarde fria?

Perguntas simples e tristes
que estão sem respostas...

A sorte de morrer

Morreu? Que sorte!
Não vive mais no açoite;
que bela é a morte!

Sentir

Sentiu a vida se esvair
enquanto, sentado,
procurava sentido
em sentir.

Pôs-se em sentido,
sem ter tido
ordem sentida
sem sentido.

Sentou-se quieto
pois estava certo
de sentar
e o fim sentir.

Sentimento sólido,
até sórdido
lhe sentiria
seu ouvido,

mas ouviu-se nada.
silêncio faria
a alma sentada,
e o corpo, sentindo,
parava de sentir
e parava de viver.

Sente nada, só vê,
um fim sem sentido,
sentindo-se
deixando de sentir.
E por fim não falou,
mas a alma gritou:

"Morri ao sentir
que estou indo sem ti."

Soneto de abolição e libertação

Meu sobrenome não traduz o que sou.
Sua longa história não me diz onde vou.
Meu nome não mostra o que viverei,
não simboliza nem diz por onde passei.

Minha história é minha, eu que criei.
Cada mágoa e cada sina que vivi
e cada alegria viva que experimentei
não são da família em que nasci.

Então vou abolir essa escravidão
e me libertar desse amargo grilhão
que insiste em me prender.

Ninguém, senão eu, me conhece.
Nada dessa servidão me apetece.
Eu não nasci para obedecer.

Vida decepcionante

Você, que passa fome
embaixo da ponte
nunca pensou
que lhe sobrou
mais liberdade
que alguém que come,
preso num emprego
(vivendo sem sossego)
que, na verdade,
é decepcionante?
Talvez, da ponte,
este escravo
salte para morrer.
Um ato bravo:
deixar de viver.
E você verá,
que a fome o matará
mas o escravo moderno
já se sente morto,
com sintoma eterno
de ter o corpo torto,
analisando o suicídio
após o ofício.
Não se importam
com prós e contras.
Vão e não voltam,
sequer olham para trás.

Eu preferiria passar fome
do que ser mais um corpo que some.

--

Uma imagem legal que vi nesse blog: http://anarkrevolution.blogspot.com.br/:

Authority, violence, control and slavery

When someone wants to control another,
mercy doesn't exists anymore,
because the power of the will is an order
to make one suffer a lot more,
this is just pure cruelty.
For the aggressor is just another novelty
and the victim shall never be free.

While someone wears fur,
an animal is in his bare skin
if alive. That's a mad dream
to protect some of winter.
That's how we should feel,
exploited and then neglected,
a scenario so surreal
becomes our reality.

Any kind of authority
shows us the face of cruelty,
and the only way it can control
is by putting up a wicked show
where few have lots of power
and many have to fight this "order".

Any kind of violence
is generated by anger,
motivated by hunger,
hate and injustice.

If you don't fight authority
your destiny is to live
poorly and hungry under
a masked slavery.

Uma casa para morar

Procuro uma casa para morar.
Procuro, por aí, só um lugar,
que seja, para comprar,
ou um lugar para alugar
e poder chamar
meus amigos para jantar,
beber, fumar,
rir, ouvir um disco e viajar.
De verdade, procuro um lar.
Onde vivo, não consigo amar,
então me sobra odiar
e reclamar, gritar e brigar,
quando mais quero parar
e conversar algo salutar
num ambiente até familiar.
Já sei que esse lar
eu mesmo vou formar
em qualquer lugar
seja céu, terra ou mar.
Basta eu chegar
e minha mente estar
no lugar,
e terei uma casa para morar.
Afinal, eu sou meu lar.

Reiniciar

Quero apertar o "RESET",
recomeçar essa minha vida,
recuperar o tempo perdido,
pois já acabei com este
em que estou preso ainda
e apenas me deixou fodido.

Mas eu sei que não seria
diferente, pois sou o que sou
e não mudaria isso, nunca.
Dói viver com a hipocrisia
de ser alguém onde estou
e não fazer uma pergunta

quando quero perguntar,
não falar quando sinto
que devo falar algo
e não poder sequer gritar
quando a dor que sinto
pedir que grite logo.

Não posso voltar no tempo
mas como eu gostaria...
Eu seria leve como o vento
e outras vidas eu viveria.

Crianças

Como crianças são sublimes
e ao mesmo tempo assustam
o adulto, sempre certo e firme.
E com sua astúcia, nos mudam.

E crianças que somos, enfim,
rimos da risada desses bebês
que são o começo, meio e fim
de algo novo que não se prevê.

Minhas crianças nascerão nuas
e viverão livres como vierem
ao mundo, soltas como a lua,

e se tentarem um dia, molda-las,
tenham cuidado, se preparem,
pois estarei lá para defende-las.

--

Minhas crianças serão educadas com responsabilidade e liberdade, que são lados de uma mesma moeda. Vou fazer diferente do que fizeram comigo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sentimento irracional

Por números tentaram provar
que tal sentimento era integral,
coisa acadêmica, calcular,
derivar algo que soa normal.
Mas podemos calcular o amor?

Gênios deixam o ego se expor
e o sentimento mais humilde
desses cálculos, se esconde.
Engolem na análise final
e concluem: "o amor é irracional."

--

Para todos que tentam explicar que o amor segue uma ordem lógica e racional, diferente desse pequeno e velho poema com métrica quadrada em 9 pés.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Que pátria?

Não amo pátria alguma, nem esse grande Brasil.
Já dizia uma canção: "nenhuma pátria me pariu".
Amo a mim mesmo e a quem eu quiser amar.
Sigo livre de líderes e não nasci para liderar.
Não sou representado e nem gostaria de ser,
prefiro pensar por mim mesmo e, por fim, viver.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um poema só

Vivo sólido,
e assim, só, lido
com a solidão,
ouvindo soul, vindo
ao cais ver pôr do sol, indo
embora;
depois lá fora
é a hora
em que a lua cheia está vindo
toda brilhante e nua, rindo
por ser a única no céu
e fazer inveja com fel
ao humano cruel.
Mas eu me rio, enfim sou lido
falando de que é vivido,
dos males, das coisas boas,
até da libido.
Pois fazer isso ter sentido
mesmo sem ter alguém ferido
dá um trabalho, etéreo, e sólido.
É um tanto quanto mórbido
escrever algo do que tem sido,
até então para ser só lido,
pois quando não sou lido,
me vejo um poema muito só.
E só.

--

É soda.