sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Karma ruim

Passou o Carnaval, e agora, para a maioria, o ano de 2010 realmente começa. Os objetivos listados tem maior cobrança, as promessas, que teimam em ficar da boca para fora, tem maior significado e as mudanças ocorrem sem serem notadas de imediato, pequenas metamorfoses diárias, envelhecimento, amadurecimento, novas idéias, novos sonhos. Só que uma coisa não mudou, o problema que me arranca o sono, que me faz perder a respiração, que me machuca sem me fazer entender o seu significado, me faz suar de noite e acordar em desespero e com falta de ar, por que continuo sonhando com você? Por que você gosta de me atormentar e esmagar cada pedaço da minha memória só para ganhar mais espaço nas minhas lembranças? Por que me fala coisas nesses sonhos que nunca nem sequer conversamos?
Depois de dez anos voltamos a nos falar, mas por pouco tempo, depois sumiu, desapareceu para muitos, e eu continuei sem te entender, sem te conhecer direito.
Agora está ocupada com seu novo amor, o que é bom, mas porque diabos invade meus sonhos e me fala coisas que me remetem dez anos atrás, coisas que só estão na minha mente, coisas que são tão suas que eu não conseguiria sequer pensar, me critica, me cobra sem saber de certos fatos e mesmo assim ainda tem aquele olhar que me hipnotiza desde que a conheci. São só sonhos e eu não devia dar a mínima importância, mas a freqüência me perturba.
Acho que errei lá atrás quando tive a chance de ser uma pessoa melhor, e larguei isso para me tornar essa peça quebrada. E agora esse karma me persegue. Está na hora de resolver esse problema, seja na dor ou na alegria, preciso te falar algumas palavras.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Enquanto ainda escrevo

Enquanto escrevo, recebo o seu beijo,
Cada toque da sua mão no meu rosto,
Seu lábio entra-aberto e seu gosto,
Nossa respiração, seu olhar benfazejo.

Cada letra minha escrita na suas costas.
Cada caminho rodado e abraço dado.
Na estrada as suas curvas ao lado,
O seu par de pernas e coxas sobrepostas.

As voltas feitas a caneta e seus cabelos
Castanhos suspensos, perdidos em meios
Se molham ao suor quente de seus seios,
Revelam cada palavra dos nossos desejos.

O seu corpo contra o meu, o nosso trevo.
Mais noites de amor, da cama ao chão,
Dos pés à cabeça, às costas, minha mão.
No seu pescoço deixo marcas e ainda escrevo.

--

Escrevi fazem uns meses, mudei umas palavras para não ficar agressivo.

Lhe pergunto

Enfim, o que te move?
Inércia?
Emoções?
Realidade?
Intervenções?
Malícia?
Mutações?

Garota, o que ama?
Homens?
Família?
Namorado?
Animais?
Marido?
Trabalho?

Triste, por que chora?
Separação?
Morte?
Solidão?
Falta de sorte?
Paixão?
Corte?

Faço tantas perguntas,
Mas é só para disfarçar.
Pegue todas elas juntas,
É melhor descartar.
Me sinto envergonhado,
Mas agora palavras faltam.
Então sobre só a verdade,
Com você fico à vontade.

Vamos passear?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cold Apple Red

Cold apple red, so fresh,
I want to bite you
And savor your very flesh.
Spill seeds through
Every night and day
And make you feel astray.

Your juicy body tastes
Sweet and bitter,
Your royal red skin sweats
Sugar running river.
Peel smooth and body firm,
Perfect to grab and turn.

Once bitten you shake
A mix of pleasure and pain
Runs deep in your veins,
Before the day breaks
And make us feel good,
As it always should.

Too bad that you grow so far
And mature away.
When the sun shines it's first rays,
An apple sparks like a star,
Only in the north to be bound,
Rare in the south around.

I'll never forget your flavor
Because there's nothing alike.
I dream, in everyday of labour,
About finding you on my next hike.
I wish I could be your root tree,
Even though you're born to be free.

This fruit always had it's choice.
So with my old raspy voice
I'll sing this poem out loud
To everyone in the crowd,
And say, maybe out of tune,
That I still miss your perfume.


--

Em inglês desta vez, talvez tenha erros de concordância(correções?), ou não.
É a terceira versão desse poema, agora acho que ficou bom, espero que goste. :)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Na Cantina

Vejo você sentada a minha frente
Quer uma chance de se destacar
Conversa com ele constantemente
Esperança é o máximo que pode dar

Ele não vê o que eu vejo,
A chance de noites brancas
Só percebe o que percebo,
Que é mais uma entre tantas

É um almoço talvez frutífero,
Mas ainda não é uma porta aberta
Ele soa como um sonífero,
Você como de todas a mais bela

Talvez você não me entenda
Como um tolo permaneço na mesa
Com lápis, tenho certa destreza
Esboço para você nessa vivenda

Encantado por cada gesto
Enfeitiçado por cada palavra
Nunca mais verei seu rosto,
Mesmo assim a memória desbrava

Coragem me falta tal qual autor
E me mato, enlouqueço e escrevo
Não cogito, melhor o desprezo
Deixo o local, sem sentir dor.

--

Saiu de primeira, não é nada demais, escrevi rápido, depois faço algo mais elaborado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Melhorando devagar e sempre

Cá estava eu lembrando de coisas que acontecem, simples, daquelas que não costumamos prestar atenção, mas de uns tempos para cá eu tenho me atendado aos pequenos detalhes de muitas ocasiões, e justamente essas pequenas bobagens tem me influenciado de uma maneira positiva, tanto comportamental, quanto emocional. Pude ver que muitas pessoas cometem os mesmos erros que eu, e comecei a tomar cada acaso como uma pequena lição de como encarar a vida. Isso é algo meu, ninguém pode tirar de mim.
Esses últimos meses foram completamente estranhos, aliás, esse ano inteiro está sendo estranho para mim. Problemas de saúde, fim de relacionamento, indecisão, bloqueio mental, situações desregradas, acidentes de carro, brigas, uma maravilha de ano, e olha que ainda falta pouco mais de três meses para terminar.
Com tantos problemas, resolvi realmente a me apegar a certas situações, a deixar alguma coisa me influenciar, voltei a falar com pessoas que pensei que nunca mais veria na vida(foi muito bom, estava com saudades de muita gente), conheci novas pessoas(algumas legais, outras nem tanto, acho que pensam o mesmo de mim), comecei a me importar pouco com o que os outros pensam e resolvi tomar mais ações. Estou contente com esta evolução pessoal, e agora voltei a ler e escrever, isto é realmente um alívio! Ainda tenho uma chama de criatividade(que não nada à lá Shakespeare, Camões e Chico Buarque, mas dá para o gasto...) que me impulsiona, consegui ontem pegar algo que ocorreu no sábado e transformar em tercetos rimados, poesia pobre, eu sei, ainda não peguei o jeito da poesia rica, mas o que importa é que saiu algo, e de bom gosto, pelo menos para mim.
Tenho que agradecer muitas pessoas pelo estado em que me encontro agora, agradecer principalmente uma pessoa que me trouxe apenas bondade e alegria, só desejo coisas boas para você, onde você estiver.

--

Paz!

Limite do acaso

Na rua, dentro do carro branco
Brincou com um idiota pela noite
No banco traseiro, me olhando

Tentei falar, mas fechou a janela
Suas amigas ficaram te escondendo
Pensei: "Agora vou falar com ela!"

Sinal verde, tomei uma atitude
O que te fez continuar sorrindo?
Quase atropelado, fiz o que pude

Era algo que tinha que descobrir
Corri até as pernas cansarem
O táxi acelerou e a vi partir

Revendo tudo, não me arrependo
Ainda me lembro do seu aceno,
Do beijo lançado noite adentro.

--

Faz um tempo que não escrevo por aqui.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Alguns erros

Não há santos
Todos cometemos erros
Não há espanto
Apenas o desespero

Seja num copo cheio
Ou numa brasa
Talvez um grito
E a água vaza

Perde a noção
Se deixa embriagar
Prazer de hora
Não pensa ao falar

Traz arrependimento
Não tinha controle
Sem viagem no tempo
Se afoga em culpa

Talvez não tenha perdão
Não suporta tanta dor
Quer falar ao seu irmão
Que é dele o seu amor.

--

Paz.

Um caminho

Em meio a paralelepipedos,
um canal despido

Desprovido de proteção,
apenas educação

Não desagua em mar algum,
talvez canto nenhum

Percorre saindo da sombra,
ainda não tromba

Chega à quente claridade,
esquenta a cidade

Esse caminho sempre a fluir,
guia à quem partir.

--

Inspirado em uma foto que tirei em Curitiba.


Paz!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

GO!

Living gives me no pain
It's wonderful to feel like this

Remember times of no gain
Now it burned down, no more bliss

Have another ride around
Wait and it will be found

It's the way I see
Enjoy every minute.


--

A little peace & love for us!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Para João e Luciana

Sempre cresceu, não declaravam
Quando aconteceu, não esperavam
Crianças não são, adultos estão
E muitos anos já se passaram

Trajetória cheia de batalhas
Cotidiano de luta e conquista
Cheios de força, nada atrapalha
Futuro próspero sempre em vista

Não há metáfora ideal para usar
Juntos, vocês são perfeitos
Desnecessário tentar explicar
Inspiradores são seus feitos

O amor de vocês é fantástico
Quebra muros e barreiras
Deixa o incrédulo estático
Atravessa todas as fronteiras

Me sinto honrado pelo convite
Casal lindo, dois seres completos
Prova concreta de que existe
Paixão que torna corações repletos

Meus amigos, Luciana e João,
Por vocês tenho muita admiração
Continuem fazendo dessa vida
Juntos, uma grande celebração.

--

Para os primeiros casados da turma!!! =D
Tenho profunda admiração por vocês!
Deixo esse poema como homenagem. =D

Não é nada demais, mas é de coração. Felicidades plenas!

Paz!

Ernesto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sonho de ócio de feriado

Acordou tarde, por volta do meio-dia. A família saindo para passear longe, só voltam daqui uns três dias, mas não foi junto, decidiu pular o café da manhã, manhã que já havia passado em branco, ou em preto. "Pizza", lembrou que tinha pedaços na geladeira, e como sempre gostou, comeu dois pedaços de Marguerita gelados, coisa que só ele faz em casa, e tomou um copo de Coca-Cola Zero, o que parece um pouco hipócrita, mas só tinha esse refrigerante. E para completar, comeu uma banana e uma castanha do Pará, e bateu aquela vontade de comer o pacote inteiro de castanhas, mas se conteve. Nem banho tomou de imediato, tinha tomado banho as 7:30, quando chegou em casa, cansado, culpa uma noite agitada. A cabeça estava rodando, bebeu, dançou, beijou, mas sabe que nada concreto se realizou, foi apenas mais um escape para a mente, para o tédio do cotidiano, mas nada que realmente valha a pena, exceto o fato de ver os amigos, isso é sempre bom, sempre válido.

Toma um banho, faz a barba, até tira parte das costeletas que insistiram em ficar no seu rosto por mais de dois anos, e lógico que no processo houve um corte, mas uma pomada resolve tudo. Fez a rotina de sempre, só que nesse domingo decidiu até ouvir o segundo tempo do clássico enquanto dirigia, para poder aproveitar melhor, assistir os primeiros quarenta e cinco minutos foi meio que obrigatório, se tem uma coisa que aprendeu ao longo dos anos é conciliar as suas paixões. Intervalo e zero para os dois no placar, "hora de sair". Entrou no carro, e durante o intervalo ouviu umas músicas para desestressar, fora abastecer o carro. Sai do posto e começa o segundo tempo, quando está no meio do caminho sai o primeiro gol, que alívio! Não dá nem tempo de comemorar direito, o semáforo ainda não abriu e sai o segundo gol! Explosão de alegria! Abre os vidros, desliga o rádio, "que dia perfeito", mesmo sendo outono. Não ouve o resto do jogo, nem se preocupa.

Chega na cafeteria. Mas o que era uma conversa tranqüila entre dois adultos que já passaram da idade das intrigas e indecisões amorosas de adolescentes, acaba em discussão e percebe-se que até os adultos mais sensatos conseguem ser infantis. Ele não consegue encarar o fato de ser rejeitado depois de tantos motivos, beijos perdidos, noites mal dormidas e declarações ternas, e ela não quer arriscar algo que tem mesmo amando este que está sentado a sua frente muito mais do que aquele que volta só depois do feriado(desconfiança).

- Eu sei que você tem namorado, pode não dar certo isso, mas eu tenho que tentar.
- Coragem nunca te faltou ? Você sempre foi impulsivo...
- Já me faltou sim, para muitas coisas, mas não para te dizer certas coisas.
- Me desculpe, mas eu estou bem com ele...
- Se estivesse bem, você não estaria me olhando com essa cara, e não estaria sozinha de novo.
- Você sabe... eu não posso, mesmo que goste de você.
- Essa não cola, me desculpa, mas eu não vou ficar aqui plantado conversando com você. indo.
- Espera! Mas eu... você sabe como é, você namorou também.
- Mas eu não te conhecia, só era apaixonado pela minha ex.
- Me desculpa, eu gosto mesmo de você... mas o meu namorado é bom comigo.
- E você continua enganando uma pessoa, e magoando outra, e pior ainda enganando a si mesma. Eu não suporto ver e me sentir mal com isso. Vou indo. Outro dia conversamos.

Foi se despedir com um beijo no rosto, mas ela o puxa pela mão e o beija nos lábios. O que era para ser breve demora um pouco mais, ela pede para ele se sentar, e como de costume, para ela, ele cede até a própria razão. Pedem mais um café e um chocolate, deixam de discutir. Se abraçam e conversam sobre como vão aproveitar o feriado, e os planos para o futuro, individuais, sem compromisso um com o outro, mas talvez saibam que possam ficar juntos, então deixam as arestas abertas. Ele desfaz o sonho de morar no sul, longe de tudo e todos, e comenta que pretende ficar na região, apenas uns quarteirões de diferença, e as vezes quarteirões fazem toda a diferença num destino. Ela compreende, e também diz que gostaria de se mudar para perto do trabalho ou perto de uma estação do metrô, para ter mais comodidade. Ambos odeiam o trânsito, embora tenham prazer em dirigir, principalmente em dias que essa cidade absurdamente grande se revela maior ainda, nos feriados onde a maioria viaja. Parece que eles tem um mundo inteiro só para os dois.
O namorado dela só volta na quarta-feira. Até lá eles não precisam dessa discussão novamente.

Acordou sem muita preguiça, 12:30, domingo. A manhã passou, só que ela está deitada, descansando a cabeça no seu ombro. A convidada não pode começar o dia dela sem o café da manhã, mesmo fora do horário. Afasta o cabelo, castanho, e dá-lhe um beijo na testa, levanta sem acordá-la(dorme como pedra) e vai preparar o café da manhã para levar na cama. Não demora muito ela acorda. "Onde está o ombro dele? Tenho só um travesseiro...", levanta, veste a camisola de cetim e vai na ponta dos pés até a cozinha, ela sabe que ele deve estar fazendo algo, provavelmente, pega uma uva Itália do cacho em cima da mesa e coloca na boca. Vê a tábua cheia de frutas, pão, leite, suco, geléia de morango. Apenas um detalhe "Onde ele está?", ouve a porta da sala bater, então corre de volta para a cama, só para fazer charme.

-


É só um trecho de um dos meus esboços. Ainda não sei como vou concluir. Descubro depois.

Paz!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Chase Faster

Há segundos... minutos... horas... períodos... dias... meses... mas não anos, o meu amigo Chase Faster criou um blog dedicado à música, apenas com o objetivo de divulgar os estilos musicais que ele tanto gosta(são diversos).

Numa conversa com ele, falei que iria criar fazer coletânea de Stoner Rock, e ele gostou da idéia! Mas como sou relapso, e não paro quieto numa idéia fixa, acabei deixando de lado, mas retomei, e está quase pronta a bagaça. Enfim, propus de ajudar ele neste blog, assim ele não ficaria dependendo do meu tempo(já viu um relógio com 100 ponteiros? Esse é o que marca o meu tempo... é uma confusão só!), e hoje ele me convidou e já colocou minha lista de músicas da Last.FM por lá!

Espero que gostem dos meus posts por lá, mas o Chase já tá colocando vários sons legais por lá,(faz uma cara...) recomendo que visitem!

Farei minha estréia antes de dormir, espero que gostem de sons estranhos, pois essa é minha especialidade! :D


http://chasefaster.blogspot.com/


Enfim, obrigado Chase!

Peace bro!
Peace y'all!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Coisa de trouxa

Eu estava, não estarei mais
Bateu a porta, nela bati
Madeira, sorte, azar demais

Chega gritando, é discussão
Guardei, a raiva entendi
Sei que pode, levanta a mão

Esse motivo, ficou na mente
Cansei, está fora de si
Prometeu, nunca é diferente

Por outras, ainda mais essa
Abandonei, assim, eu saí
Ficam soltas gotas na testa

Num terceto, tenho resposta
Nervos, mas lembra de ti 
Que panaca, sim ainda gosta

Telefona e come alface roxa
Salada emocional vezes pi
Sei, amor é coisa de trouxa.

--

Uma brincadeira em tercetos.

A conclusão é algo que falo brincando para todos.

Paz!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cartas

Podemos jogar tudo para o alto,
Negar e amaldiçoar sem dó
Jogar fora do alto até o asfalto,
Somos tolos e ficamos sós

Mas sempre volta o sentimento,
Aquele que grita com razão
Toda a força daquele momento,
Percebemos que foi em vão

Outras rasgadas não estão dentro,
Não servem e já partirão
E das páginas escritas no tempo,
Sobraram só as do coração

Para essa dor que machuca todos,
A solução foi jogada fora
Sobra só procurar os antídotos,
As cartas onde a paz mora

Recuperamos o fôlego com alívio,
Razão bate e abre a porta
Escrevemos a paixão e convívio,
É apenas isso que importa.

--

Paz.

sábado, 21 de março de 2009

Tente

Sempre o mesmo,
mas sempre diferente

Sem desespero,
com planos em mente

Confuso e racional,
corpo resistente

Talvez passional,
pensamento persistente

Cansado a esmo,
um tanto indecente

Ainda o mesmo,
sempre sigo em frente.

--


Paz.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pensar e ajudar

Ontem eu vi uma pessoa triste, e por mais que as pessoas me diziam "Vai melhorar...", eu não consegui pensar da mesma maneira. Fiquei pensando o que eu poderia fazer para ajudar, altruísmo para alguns, vaidade e egocentrismo para outros, mas sem sono, mesmo com mil pensamentos na cabeça, resolvi colocar no papel um pouco do meu sentimento sobre a situação, sobre aquela pessoa, sobre o quanto não importa o que aconteceu, ela tem ao lado dela, mesmo sem querer se intrometer, pessoas que se preocupam.
Alguns diriam que escrevi um poema, outros diriam que foi um texto, e os mais entusiastas diriam que foi uma carta, então digo, foram os três, de maneira simples: sem divisão de estrofes, pois os sentimentos as vezes não se dividem; sem muitos parágrafos, pois os pensamentos sempre se atropelam pelo caminho e se revelam pequenos e resumidos; sem outras folhas, porque uma carta, contendo um pequeno poema e um texto menor ainda, não precisa mais que frente e verso.
Não tenho nada disso comigo, não é certo, não é algo feito para publicar em lugar algum, pelo menos não por mim. Mas fico contente que essa pessoa gostou, talvez eu tenha ajudado de alguma forma, não sei bem ao certo, acho que nunca vou saber, ainda fico na dúvida se fiz o correto, espero que sim.
Antes que me acusem de vaidoso, egocêntrico, ou algo do tipo, faço aqui uma confissão, não é fácil escrever diretamente para uma pessoa, é sempre mais difícil escolher as palavras corretas, fazer a linha agradável, definir uma métrica(ainda tenho dificuldade em versos isométricos, eles limitam muito, mas soam melhor), pensar na pessoa, nas características dela, do momento e da situação, então é muito mais trabalhoso.
Mas no fim, é tudo compensado de alguma maneira. O que me importa é que desse pedaço de papel, algo de bom saiu, e alguém fez bom proveito, e por um momento, me sinto contente, mesmo atolado em problemas da vida, como todo adulto, eu coloquei algo de bom nesse mundo, e talvez, por um segundo, foi bom para outra pessoa, fiz o bem, o que acho correto, e mesmo que a minha vida esteja uma bagunça, e está, não me importo, pois eu sei que de alguma maneira, um dia vou receber uma ajuda também, nem que seja uma boa conversa e um copo de café.
No fim, é bom contar com os amigos e as coisas boas que eles trazem.

Sozinhos, podemos até estar bem, mas acompanhados, vamos estar bem melhor.


Deixo aqui um refrão(só, senão muda tudo) que diz um pouco como eu penso:

“This life, this life aches
  And this life moans
  This life is great, this life is great
  And it's better when you're
  Not alone, not alone”

-Chris Robinson-

Paz!

quarta-feira, 11 de março de 2009

5:20

Pequenas revoluções
Sonho na madrugada
Acordar no susto
Loucuras e evoluções

Grandes verdades
Perdido na estrada
Apenas um impulso
Novas veem tarde

Tem tempo para
Mudar perspectivas
O destino separa
Todos, nada na vida

Revoluções diárias
Não ser um pária
Que rumo, correto?
Futuros secretos

Ajudou no esclarecer
Surgem as dúvidas
Certezas e partidas
Incerteza, o que fazer?

Armam-se piquetes
Greve no sentimento
Mas no sonho é doce
Doce sabor, eu tento

Viro, eu quero imergir
Recupera o ar, imagina
Revoluciona e termina
Pulsante, vai dormir.

--

Preciso sonhar menos... (ou mais)
Paz!

domingo, 8 de março de 2009

Mulher e flor

Em meio a noite
Forte vento corta
Árvore cata-vento
Voar as flores tentam
Lembro da mão
Daquele açoite

Andando no jardim
Casa do sarau
Música e versos cantam
Prenunciam romance
Começo, meio e fim
Não trazem nenhum mal

Rosas encantam
Na casa distante
Unhas cravam na pele
Corações que chamam
Grita um instante
Essa paixão que fere

Sonho do feminino
Atração pelos seus cabelos
Longos, negros da escuridão
Olhos claros, cheia de mimo
Balançam pelos ventos
Toque suave da tentação

Naquela noite do dia
Mulher dos sonhos
Na casa da vida
Essencial, eu previa
A flor, te proponho
Livre, corre divertida.

--

Para elas. Parabéns por esse dia.

Paz!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sozinha

Explode solitária,
brilha azul
forte, serena, sozinha
no céu paira
no escuro da noite
negra, nada minha
ponto de luz


De todos ela é
inspira todos
mesmo sem fé
sem um rosto
apenas reluz.

-

Meio na linha do Ferreira Gullar, mas bem curto.

Paz!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Blues Metropolitano

Massa espessa de ar poluído, entra e queima os meus pulmões
Não importa se é noite ou dia, das chaminés saem os tufões
As fábricas não param, sacrificam todos os trabalhadores
Sem dó esticam a produção, obedecendo os seus consumidores

Controle de espólio, relação de amor e ódio
Essa São Paulo canibal, 24 por 7 visceral

Grandes químicas e metalúrgicas, chibatam e sangram o peão
Porcos podres e dinheiro vivo, ditam as leis desse mundo cão
Capitalismo selvagem agride, machuca mas não quer nos matar
Comprei minha nova moto, de trêm e metrô não quero mais andar

Carros e caminhões, as vias em manutenção
Um sai e mil chegam, só cresce a população

De que adiantam os seus bancos, seus centros empresariais
Se esquecemos comos ser civilazados, somos meros animais
Por mais triste que seja, nem damos por falta do céu azul
Para essas loucas cidades, que escrevo e dedico esse blues

Cidades dormitórios, almoços em refeitórios
Eu vivo nesse caos, ABC paulista industrial.

-

Paz!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Oeste

Sem caminhos para o Oeste, ela não está mais lá
Mudaram os costumes e tudo passou
Pela praça os pombos voam, deserta nunca está
Lembranças só doem em quem ficou
Os amigos perguntam, não precisam se preocupar
Sozinho ganhou asas, está livre para voar

O tempo passa, as feridas somem do coração
Pensamentos voam alto, enquanto ouve a canção

Tudo parece tão vazio, se sente frio e só
Olha para o céu antes de levantar
Corre longe da Benedito, vai à Consolação
No copo o sentimento vai confortar
Mal se comunica, não ouve o que diz
Segue em frente, só quer ser feliz

A dor bate forte, luta contra a solidão
Vira outra folha, como muda de estação

Sem caminhos para o Oeste, não tem porque voltar
Lá onde o Sol vai se deitar
Bate as asas e se esquece, não há o que lembrar
Voa ao Leste apenas ao luar.

-

Paz.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A garota de vestido branco

Quente dia de verão, fervendo os cabelos
Mesmo com a aba do chapéu, está suada
De rabo de cavalo, a fita os revela negros
A face que era branca está rubra e molhada

As gotas escorrem devagar pelo seu pescoço
Tocam sua nuca enquanto procura a sombra
Sente o vento leve bater e refrescar o torso
Corre para um lugar onde do Sol se esconda

Vê um canto onde pode descansar as pernas
Nas costas semi-nuas, sente o toque dos cabelos
O vestido branco se apega às suas belas curvas
No decote sensual, seios acomodam os respingos

Ao sentar no banco, fica aliviada pela brisa
A árvore acima alivia o calor que a esquenta
Tira o chapéu, abana e desata o laço de fita
Deixa ao lado as sandálias, entre os pés venta

Deixa todos os meninos em volta ouriçados
Não sabe se comportar sem chamar atenção
Nem percebe que mesmo quente aos abafos
De alguma outra pessoa, ela rouba o coração

E naquela tarde, a menina de vestido branco
Assobia e confere as compras que fez na feira
Obras de artersões apaixonados em prantos
Pois dela só conseguem o dinheiro da carteira

Com fios longos soltos e franja, mal sabe o que faz
Feições de menina feliz, boca rosa que apaixona
Da cor do mar, os olhos hipnóticos passam paz
Está trazendo todos os sentimentos deles à tona

Diverte colocando seu novo colar, sente a corrente
Beleza jovial, eles querem cortejá-la, que tentem
Delicada ela responderá, doce, ambígua e inocente
Mesmo sem querer, consegue que todos a amem.


-
Simples, estrutura ABAB, é o que o poema pede, nada de complicações, apenas a beleza da simplicidade de alguns momentos, de uma pessoa e de um sonho(isso mesmo!) durante um cochilo. Se não gostarem, culpem ela!



Eu não consigo... :)

PAZ!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Boneco

Um vazio, incompleto
À força a fome o toma
Mesmo estando desperto
Parece estar em coma

Triste, sente o torpor
Talvez não tenha cura
Não é doença, apenas dor
Forte, maldita e pura

Sem face, irreconhecível
Sem nome, indefinível
Sem voz, incomunicável
Sem vida, inanimado

Uma marionete inefável
Um mistério indecifrável
Madeira oca impenetrável
Um boneco abandonado.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Não sou seu

Não consigo ser
Diz que mudei, mas sabe que não
Pode acontecer com todos, até com você

Sempre teve tudo
É fácil com todos aos seus pés
Agora não me possui, e nunca mais

Além da rejeição
Seria a sua primeira decepção
O amor é assim, sente falta se não tem

Não estávamos bem
Como acredita? Por que se enganar?
Peço desculpas por te fazer sofrer

Alguém muito melhor
Pode me substituir, não me importo
Que te traga alegrias e te faça feliz

Espero só o bem
Você merece, mas tem que aprender
Não sou nada de ninguém, não posso ser

Sinceridade apenas
Egoísmo não é, seria se eu ficasse com você
Vou conhecer outras, fazer novas amizades

Talvez não encontre
Vou arriscar, por que não tentar?
Sem laços, só a minha vida para cuidar.