segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vida decepcionante

Você, que passa fome
embaixo da ponte
nunca pensou
que lhe sobrou
mais liberdade
que alguém que come,
preso num emprego
(vivendo sem sossego)
que, na verdade,
é decepcionante?
Talvez, da ponte,
este escravo
salte para morrer.
Um ato bravo:
deixar de viver.
E você verá,
que a fome o matará
mas o escravo moderno
já se sente morto,
com sintoma eterno
de ter o corpo torto,
analisando o suicídio
após o ofício.
Não se importam
com prós e contras.
Vão e não voltam,
sequer olham para trás.

Eu preferiria passar fome
do que ser mais um corpo que some.

--

Uma imagem legal que vi nesse blog: http://anarkrevolution.blogspot.com.br/:

Authority, violence, control and slavery

When someone wants to control another,
mercy doesn't exists anymore,
because the power of the will is an order
to make one suffer a lot more,
this is just pure cruelty.
For the aggressor is just another novelty
and the victim shall never be free.

While someone wears fur,
an animal is in his bare skin
if alive. That's a mad dream
to protect some of winter.
That's how we should feel,
exploited and then neglected,
a scenario so surreal
becomes our reality.

Any kind of authority
shows us the face of cruelty,
and the only way it can control
is by putting up a wicked show
where few have lots of power
and many have to fight this "order".

Any kind of violence
is generated by anger,
motivated by hunger,
hate and injustice.

If you don't fight authority
your destiny is to live
poorly and hungry under
a masked slavery.

Uma casa para morar

Procuro uma casa para morar.
Procuro, por aí, só um lugar,
que seja, para comprar,
ou um lugar para alugar
e poder chamar
meus amigos para jantar,
beber, fumar,
rir, ouvir um disco e viajar.
De verdade, procuro um lar.
Onde vivo, não consigo amar,
então me sobra odiar
e reclamar, gritar e brigar,
quando mais quero parar
e conversar algo salutar
num ambiente até familiar.
Já sei que esse lar
eu mesmo vou formar
em qualquer lugar
seja céu, terra ou mar.
Basta eu chegar
e minha mente estar
no lugar,
e terei uma casa para morar.
Afinal, eu sou meu lar.

Reiniciar

Quero apertar o "RESET",
recomeçar essa minha vida,
recuperar o tempo perdido,
pois já acabei com este
em que estou preso ainda
e apenas me deixou fodido.

Mas eu sei que não seria
diferente, pois sou o que sou
e não mudaria isso, nunca.
Dói viver com a hipocrisia
de ser alguém onde estou
e não fazer uma pergunta

quando quero perguntar,
não falar quando sinto
que devo falar algo
e não poder sequer gritar
quando a dor que sinto
pedir que grite logo.

Não posso voltar no tempo
mas como eu gostaria...
Eu seria leve como o vento
e outras vidas eu viveria.

Crianças

Como crianças são sublimes
e ao mesmo tempo assustam
o adulto, sempre certo e firme.
E com sua astúcia, nos mudam.

E crianças que somos, enfim,
rimos da risada desses bebês
que são o começo, meio e fim
de algo novo que não se prevê.

Minhas crianças nascerão nuas
e viverão livres como vierem
ao mundo, soltas como a lua,

e se tentarem um dia, molda-las,
tenham cuidado, se preparem,
pois estarei lá para defende-las.

--

Minhas crianças serão educadas com responsabilidade e liberdade, que são lados de uma mesma moeda. Vou fazer diferente do que fizeram comigo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sentimento irracional

Por números tentaram provar
que tal sentimento era integral,
coisa acadêmica, calcular,
derivar algo que soa normal.
Mas podemos calcular o amor?

Gênios deixam o ego se expor
e o sentimento mais humilde
desses cálculos, se esconde.
Engolem na análise final
e concluem: "o amor é irracional."

--

Para todos que tentam explicar que o amor segue uma ordem lógica e racional, diferente desse pequeno e velho poema com métrica quadrada em 9 pés.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Que pátria?

Não amo pátria alguma, nem esse grande Brasil.
Já dizia uma canção: "nenhuma pátria me pariu".
Amo a mim mesmo e a quem eu quiser amar.
Sigo livre de líderes e não nasci para liderar.
Não sou representado e nem gostaria de ser,
prefiro pensar por mim mesmo e, por fim, viver.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um poema só

Vivo sólido,
e assim, só, lido
com a solidão,
ouvindo soul, vindo
ao cais ver pôr do sol, indo
embora;
depois lá fora
é a hora
em que a lua cheia está vindo
toda brilhante e nua, rindo
por ser a única no céu
e fazer inveja com fel
ao humano cruel.
Mas eu me rio, enfim sou lido
falando de que é vivido,
dos males, das coisas boas,
até da libido.
Pois fazer isso ter sentido
mesmo sem ter alguém ferido
dá um trabalho, etéreo, e sólido.
É um tanto quanto mórbido
escrever algo do que tem sido,
até então para ser só lido,
pois quando não sou lido,
me vejo um poema muito só.
E só.

--

É soda.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Hoje só se fala com a mão...

A população cresce enquanto passam os anos
e você já não sabe mais quem anda ao lado...
Seria mais um estranho caminhando desavisado
de que solidão parece maior conforme andamos
sozinhos nesse mundo grande e tão atrasado?

Quem seria culpado desta sensação senão nós?
Afinal, com tanta gente diferente no mundo,
pronta para se comunicar, ainda estamos a sós
e mal acompanhados no vazio profundo
de nosso cotidiano imundo e um tanto atroz,

onde um telefone,
outro celular,
um eletrônico
traz mais acalanto
do que um olhar,
o segundo pronome,
ditado sônico,
por uma verdadeira voz.

É... que solidão... que podridão...
Meu irmão, pare de falar com sua mão.




segunda-feira, 18 de março de 2013

Um pouco mais humano

Eu não sei seu nome, homem
mas sei, por outros motivos
a dor da sua fome
e, enquanto muitos ainda
dormem,
esperando a segunda vinda
de um deus vivo,
estamos nesse cruzamento
antigo...
Tentei ficar vazio
para você me temer
enquanto, humilde,
me mostrava seu RG.
Partiu para outro carro,
depois voltou para me ver
e, num instante, não me senti
sozinho
e já tinha sacado, da carteira,
"dezinho".
Fiz sinal para que viesse ao meu lado
e lhe dei a nota
que recebeu com sorriso
e no meu coração ouvi um riso
enquanto você me disse
na madrugada, metrô Marechal,
perto da parada,
"Deus abençoe você e eu"
e isso mostrou-me mais
irmandade
e solidariedade
que qualquer deus.
Lhe sou grato por me ensinar
tal lição que caridade nenhuma
ensina.
E caso nos encontremos outro
dia, irmão, num semáforo da
região ou outro lugar dessa
cidade cuja sina é sem amor,
sem paixão,
será minha vez de agradecê-lo
por me provar que defendo
algo que existe:
"A irmandade
pela solidariedade."
A fraternidade
em meio a adversidade
ainda persiste.
Aprendi muito mais sobre a
vida em um minuto
do que em quase 30 anos
em que só escuto.
E você, amigo, me ensinou
a ser mais humano
no mundo feio onde estamos.
Que os deuses abençoem
você e eu,
querido amigo meu.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Saudosismo amaldiçado


Saudosismo é sim um sentimento muito complicado:
faz me sentir velho embora esteja longe de ser idoso.
Acho, por puro "achismo", no entanto, que, passado
o tempo, até o espelho me deixa, da vida, desgostoso.

Comparando ontem, hoje e as andanças do mundo,
me vejo em êxtase, mas perto de um coma profundo
da alma em apóstase, ao ver que os diversos lados
tanto nos dividem quanto nos matam, sacrificados.

Vejo que, sem mar, sol e terra, sou frio e concreto;
passa outra fase da vida e, então, do torpor desperto:
Tal maldição fala à outra parte que me mate - "é certo" -
a razão ao revisitar o inconsciente que me é secreto.

Saudosismo maldito que me atravessa o coração,
me cega, me emudece e me tira a grande emoção
de viver no infinito onde não há ninguém como eu:
"Pelo que lembro, esse sentimento já me esqueceu."

Saudosismo que solta meus demônios, me deixe.
Sonho em lhe esquecer e não quero mais o feixe
de sua luz, pois relembrar quase uma vida inteira
é tortura e atrapalha qualquer futuro que eu queira.

--

Parece confuso, mas não é.

terça-feira, 12 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

A humanidade de um pequeno cão

Nem parece que passou duas semanas desde que meus pais resolveram que sou um filho problema, pelo contrário, ainda quando chego em casa, me sinto um extraterrestre invadindo um espaço que não é meu, o que é verdade, afinal, é a casa de meus pais.
Duas semanas atrás tive uma discussão onde fui estigmatizado e classificado como se fosse mais um delinquente de um jornal qualquer. Pura incompreensão. E o que um filho incompreendido faz? Discute, grita, fica nervoso diante de tanta injustiça. É muito fácil classificar um filho de acordo com as palavras que os psicólogos e médicos televisivos adoram usar para categorizar o que é diferente e não aceito por qualquer ser conservador e resistente à mudanças. Como sei disso? Eu sou resistente às mudanças da vida, embora saiba que elas são inevitáveis e ainda tento mudar esse comportamento em mim (confesso, sem falsa modéstia, que mudei muito nos últimos anos e cada vez mais entendo que, fora da política, Trotsky estava correto, a revolução é permanente; digo mais, a revolução acontece de dentro para fora). Meus pais não entendem tanto as mudanças, muito menos gostam de baques quebrando a imagem de que seu filho é perfeito, trabalha, estuda e não faz besteiras. Mas a individualidade de cada um sobrepõe qualquer imagem e foi isso que aconteceu, individualmente sou muito diferente de meu pai e de minha mãe, tenho gostos muito diferentes deles, muito diferentes de meu irmão também e por isso, nessa crise, a primeira reação que tiveram foi me expulsar de casa. Fiquei chateado, pois sei que ia sentir muitas saudades deles se por ventura não voltasse, mas um ser ficou impassível diante de toda essa situação: meu cão. O Polo foi o único que, ao longo dos anos, após diversas brigas, vinha me consolar ao contrário de me julgar; mostrava compaixão ao invés de perder a razão e não via maldade em nada. Alguns diriam que ele é só um animal, mas meu cão sempre se mostrou mais humano e solidário do que todos os seres humanos que conheci ao longo da vida, inclusive mais humano e solidário que meus pais que, num surto animalesco selvagem em meio a gritaria (não estou salvo, fui animal também), resolveram que tudo que eu havia feito na vida não prestava, que jogaram todas minhas qualidades pela janela perante um pequeno detalhe tão demonizado pela hipocrisia mundial. Que meus pais me desculpem, mas o único ser que foi humano de verdade naquela noite quando eu precisava conversar honestamente, o único ser que teve compaixão e me aceitou exatamente como sou sem querer que eu fosse diferente do que sou foi o Polo. Não estou falando isso para magoar ninguém pois amo meus pais, mas aprendi mais sobre humanidade e solidariedade com um simples e alegre cãozinho do que com minha família. Se me falarem que não sei cuidar de criança, que não sei limpar sujeira, que não sei alimentar um bebê, que não sei dar carinho e amor, sóbrio ou ébrio, direi-lhes que estão errados, faço isso com o Polo e tudo que ele me dá em troca é uma companhia sincera. Ele não fica ao lado de ninguém forçado, ele fica porque quer. Não há livro libertário, humanista ou anarquista, que diga isso. Não há música, pintura ou filme que passe essa experiência concreta. Não há escola, religião ou doutrina que ensine essa pequena lição. Não existem valores ou virtudes maiores que o amor. Valores mudam de geração para geração, virtudes viram vícios e vice-e-versa, enquanto o amor é uma coisa sua, sui generis, claro. Meu pequeno cachorro me ensinou muito sobre amor. Em grande parte das mudanças da minha vida ele estava me esperando chegar em casa.
Não escrevo isso para magoar meus pais, eles não sabiam o que fazer comigo, não posso culpá-los, não existe um manual de instruções para cada filho que nasce no mundo. Mas o cão dá o exemplo. Amo muito meu cão, pois ele sabe que sou em essência, mesmo com tantas mudanças, ainda o mesmo de sempre.
Sei que ele nunca poderá ler isto, mas enquanto ele viver vou retribuir cada momento que tive unicamente junto com esse cão que, mesmo fazendo sujeira fora do jornal, roendo coisas, sumindo com algum pé de meia, comendo o manjericão direto do pé, desobedecendo ordens expressas ensinadas pelo meu irmão, mostrou mais compaixão e amor que qualquer ser que conheci no mundo.
Me dói o coração só de pensar que não há quem vá me compreender como essa bola de pelo que quando chego em casa não exita em lamber meu rosto e fica pedindo para eu coçar-lhe as costas e depois jogar algo para ele pegar diversas vezes até se cansar e dormir enquanto eu fico fazendo música no violão (não toco flauta e gaita perto dele por causa de seus ouvidos sensíveis). Ontem ele ficou comigo sentado no quintal enquanto eu via estrelas no céu, coisa meio difícil de acontecer na metrópole com o céu poluído. Só ele veio; minha mãe, que amo tanto, nem se deu ao trabalho de dar uma olhada no céu quando a chamei.
Eu voltei para casa e ainda me sinto um extraterrestre por ser do jeito que sou e não ser aceito tão bem pelos meus pais e pelo meu irmão, mas o Polo, sempre está lá sacudindo o rabo de um lado para o outro.
Para falar a verdade, não sei o que será da minha vida quando ele se for, não sei se vou conseguir tão cedo arrumar uma companhia como ele, nem sei se vou querer substituí-lo, não quero nem imaginar, mas sei que isso acontecerá um dia.

O meu cão é o ser mais humano que conheci nesse mundo cheio de animais selvagens que se dizem humanos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Exílio em solidão

Assim começa meu exílio,
expulso de sua casa por preconceito.

Se o mundo é minha casa, meu lugar,
onde ninguém pode me mandar
porque devo viver sob um conceito?

Viver assim é um martírio.

Não nasci para agradar, mas para viver
minha vida e somente isso posso fazer.

Viver da maneira que eu queira
e não como você espera.

Mas de repente estou só
nesse mundo imensamente povoado.

Sou uma antítese ambulante
e o mundo ideal parece distante
enquanto ando desorientado.

É isso mesmo, ando sozinho.

De repente a paz de espírito me invade,
não acabando com a dor, mas acalmando
um pouco meu coração machucado
e impedindo que ele se mate,
se espalhando como pó.

É como me sinto. E o vento não ajuda
pois fico cada vez mais espalhado
e um tanto quanto perdido.

E andando acho, quieta e muda,
a solidão no meu caminho,
e a sofridão de cada um que perdeu
qualquer chance de compreensão
e um mínimo de compaixão,
e agora pensam na vida, como eu.

Não tenho nada que é meu,
e não quero nada de outras pessoas,
exceto que aceitem quem sou.

Se não funcionar, me vou
para onde minha mente ressoa.

O que me sobrou senão eu?

A solidão, que nunca me abandonou.

Poderia dizer que, juntos, somos dois,
mas estaria mentindo pois
entendo que a solidão sou eu.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sangro na ribalta

Eu vejo que a vida vale muito pouco,
mas esse pouco me vale bastante
e é tudo que tenho nesse vil sufoco
que lacera qualquer esperança

trazendo a certeza de que muito falta
para completar este curto instante
em que sangro em plena ribalta
enquanto, à frente, o medo me lança.

Não importa se escorrego pelo talco
debaixo das solas de meus sapatos
que pisoteiam os tacos deste palco
tão grande quanto todo o universo

que me oprime com tamanha solidão
ao me ver só perante a tais fatos:
sou apenas um nessa escuridão
e tenho que me despir do avesso

para me tornar quem nunca serei
e mentir para todos nessa tragédia
enquanto sofro pelo que esperei
tanto tempo nessa louca comédia.

Aqui todo meu sangue escorreu
enquanto cuidava de ser outro
quando deveria ser apenas eu.
A arte demanda sérios sacrifícios,

inclusive destituir de sua identidade,
para emocionar e brilhar como ouro,
morrendo brevemente com vivacidade,
para nos outros deixar seus suplícios.

O suicídio rende aplausos e homenagens
que consagram eu e o personagem
suicida. Mas ao matá-lo por alguém,
me matei mais um pouco também.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Inspiração

Percebo em 5 minutos tudo que se passa,
a chuva na noite lava toda a desgraça
dessa cidade nesses dias confusos.

Enquanto você dorme e, linda, ultrapassa
o sétimo sono quente que te abraça
numa cama cheia com seus sonhos

e eu aqui, sentado, olhando essa cena
enquanto uma música me emociona
e faz com que eu veja que pessoa
mais linda eu conheci e como ressoa
nos poemas que fiz,

percebo essa inspiração vir de você
e nada eu posso fazer
se é ela quem me diz,
só me resta escrever
e fazer alguém feliz.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Soneto sobre a vida, simplesmente.

Uma loucura que me atinge e me alucina,
onde tenho que falar a todos os vivos
sobre essa dolorosa e estranha sina
que acomete a civilização, meus amigos.

Você deve ter ouvido seu "eu interior"
lhe dizendo sobre este grande vazio
que temos e apenas nos está traz dor
e nos deixa sem calor durante o frio.

Lembre-se da vida quando era cheia
e você nada tinha senão natureza
para preencher essa existência vazia.

Lembre-se, no almoço ou na ceia,
que a vida tem uma simples beleza
que não depende do seu dia-a-dia.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Caos é ordem - A anarquia em processo

Ontem de noite eu discutia com três amigos como poderíamos modelar novamente a sociedade desse molde capitalista em que vivemos. Um se pôs a ouvir nossas opiniões. Outro deles defendia a eliminação do dinheiro, para voltarmos aos antigos valores e associá-los aos novos e criarmos uma sociedade colaborativa, pois o caos é desordem e devemos evitá-lo. Outro defendia a reeducação e uma revolução caótica para limparmos a corja, separarmos o joio do trigo, pois do caos vem a ordem. Eu defendo o processo lento, o processo de que caos É ordem, a sua maneira natural. Eu defendo uma ideia de sair e juntar o povo nas ruas e exigir o que é nosso. Eu acredito apenas na democracia direta, sem representantes, sem estado, sem governo, apenas ética, justiça e igualdade humana, eu acredito no processo mais lento e natural. E a anarquia em todas suas formas resolveu atacar num misto desses três. Dados dos políticos foram expostos e você vai ficar parado? Não vai fazer nem um telefonema para conferir? Que tal vários telefonemas? Que tal mandar alguns emails... Que tal o pais inteiro resolver telefonar, mandar email, solte um tweet, colocar posts no facebook, no google+, em seus seus blogs. Em todos os lugares da rede. Você está cansado de votar e nada acontecer ano após ano? Mande um email! Você está cansado de votar em alguém para mandar em você? Faça um tweet! Você quer decidir sobre sua vida, sem ter um representante decidindo por você? Lance um post no facebook, no google+ ou na sua rede social favorita! Você é livre, você não tem mestres, você não tem donos, você não tem líder, você é livre, nasceu livre e vai morrer livre, então por que fica se aprisionando por livre e espontânea vontade? Está com medo de quê? Escreva no seu blog tudo que puder! Agradeça que alguém é mais esperto do que quatro pessoas teorizando a esquerda anarquista e tentando bolar um plano para melhorar o mundo. Não precisa mais de plano, alguém fez antes de nós e tem o mesmo objetivo, um mundo melhor. Só você pode saber o que é melhor para você. Unidos e livres podemos ter um mundo melhor, mais justo, mais respeitoso, mais educado e mais feliz.

Uma vez que você entende a anarquia, você entende a anomia, e entende que são coisas bem diferentes. É cíclico!

Como Raul já dizia: "Só há amor quando não existe nenhuma autoridade."
Como John já dizia: "One thing I can tell you is you got to be free"

COMUNIQUE PASSE PARA FRENTE!!!

Os links do caos estão aí, faça-os correr o mundo!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Meia dúzia

Se eu me perguntasse, meia dúzia de anos atrás, onde estava entrando, a resposta seria algo como "Não faço a mínima ideia". Realmente, eu não fazia ideia, não tinha noção, sequer vislumbrava como seria esse trabalho que, exatamente seis anos atrás, eu começaria no mundo corporativo.

Não vou ficar malhando mais do que já malhei, nem ficar destacando pontos negativos do ambiente e outras coisas que não merecem mérito. Embora tenha muitos aspectos positivos, também tem aspectos negativos, só que em proporções maiores, que em seis anos se tornam cada vez mais intoleráveis dentro de mim.

De onde veio o "meia dúzia"? Está gravado na minha cabeça. É fácil: passo por uma feira, na esquina, cinco casas abaixo da minha, toda quinta-feira. É uma coisa que não escapa de mim, me lembra momentos muito mais felizes que eu teria se tivesse carregando uma caixa de frutas ao invés de estar sentado na frente de um computador durante seis anos fazendo cálculos para alguém ganhar muito dinheiro enquanto ano após ano a empresa enxuga tudo que conquistamos por direito, a inflação enxuga toda nossa estabilidade e o governo se diverte conosco como se as pessoas fossem marionetes.

E em todo esse tempo a vida tem me parecido muito falsa. Sem sentido. Dinheiro tem me parecido sem sentido. Governantes, chefes, líderes e ganância se tornaram elementos repulsivos a mim. Acho interessante como muitos outros tomaram uma grande dimensão na minha vida. Não adotei bandeiras de ninguém, pelo contrário, questionei, ouvi argumentos novos e aprendi muito nestes anos que passaram. Mas não aprendi a amar o que paga meu salário, embora tenha ouvido conselhos para tal; meu coração não consegue, a revolta me cresce todo dia, o sentimento de que ninguém pode mandar em mim cresce, e a decepção com o mundo corporativo é frequente. A hierarquia me enoja, a burocracia me atormenta, a vida aqui de repente perdeu o pouco sentido que tinha: dinheiro na conta. Seis anos sem satisfação verdadeira, sem ajudar o mundo, sem fazer algo significativo de verdade, sem criar algo que realmente vá de encontro com minhas convicções.

Meia-dúzia que eu não quero que vire uma dúzia inteira, estou trilhando e me desenvolvendo para nunca mais depender de você, essa vidinha medíocre de ar-condicionado, posses materiais supérfluas e ostentação sem qualquer profundidade e significado realmente útil. Ornamentos do que é fútil.

Sabe qual é o problema, é que muitos gostariam de estar aqui, muitos mesmo, mas garanto que depois de meia-dúzia de meses estariam como eu, meia-dúzia de anos depois, frustrados, cansados, sem motivação, sem vontade, cada vez mais desiludidos.

Se você deseja ficar meia-dúzia, uma dúzia inteira ou mais trabalhando, meu conselho, que o trabalho seja o que você goste, não ouça pai, não ouça mãe, nem tio, nem tia, nem ninguém, VIVA a SUA vida, pois ninguém poderá vivê-la por você.

Se está infeliz, arrume um meio para atingir a felicidade plena e real, pois falsas felicidades são vendidas como qualquer outra coisa, enquanto a verdadeira é conquistada.

Livre-se do miasma, faça sua própria catarse. Use o cérebro antes que atrofie.
Cuide da saúde e do corpo. Mens sana in corpore sano.

Isso não é manual de auto-ajuda, eu não acredito em "manuais de auto-ajuda", acredito em conhecimento e evolução, que todo mundo consegue se trabalhar um pouco mais o cerebelo e enxergar tudo de maneira mais ampla e diversificada. Tenho lido muito, estudado muito. Acho que nunca estudei tanto na minha vida como agora, é o que tenho pensado muito ultimamente.

Portanto pense e faça algo em 2013 (nada mudou, não se esqueça que ano, mês e dia constituem a contagem lógica para que possamos identificar e indexar períodos de nossa história e possamos usar como ferramentas para outras ferramentas que gerarão outras ferramentas), pois eu pretendo mudar algumas coisas, chacoalhar a minha vida um pouco e mudar, fazer algo diferente.

Ótimo 2013, feliz pseudo-ano-novo!
E que suas dúzias sejam ótimas, sempre! Sejam frutas, anos ou qualquer outra coisa!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Volta a revolta


I:

Grande folha branca,
enfim voltei a ti.
Então direi o que vi,
me perdoe pelo que escrevi...

Vi um homem virar rato
e num dia comer mato,
e agora quer roer perna
nessa hora vil e eterna.

O tempo me passa lento
e o homem me dá veneno;
rato que ignora o fato
de ser bicho nojento.

Me apunhalou com palavras
mais afiadas que gumes
de facas que ceifam favas
e cortam suas lavouras.

Tomara que um dia reveja,
enquanto come suas larvas,
que tudo que agora almeja
virou comigo uma peleja.


II:

E lhe digo mais, ficarei
não sei onde, mas estarei,
e bem, e você me verá
e saberá que sou melhor
mesmo sem me vingar.

Pois, quem perdeu, é você.
Perdeu a mim, perdeu
meu respeito, que antes
recebeu, num instante.

Você não é digno de nada.
Não merece seu crédito,
não merece uma palavra.
Você é um moleque e mais nada.

Sua idade e posição não são
o que você realmente é,
pois até um qualquer, zé-mané,
vale de mais admiração.


III:

Tenho dó de ti, portanto,
não me vingo do que me fez
sem uma razão, duas ou três.
Minha vingança é sua vida.

Essa sua vidinha de merda.
Espero que aproveite também,
porque qualquer perda
agora é sua, para o seu bem.

E quando precisar,
sinto muito,
mas não vou te ajudar.

Tenho mais o fazer
e, no entanto,
vou sentir dó de você.

Pois você é um merda,
sempre foi e sempre será.
E, junto com qualquer merda,
a privada, é o seu lugar.


IV:

Me desculpe, branca folha,
mas eu precisava desabafar.
Algo me atormenta, um pulha
que acha que pode me mandar.

Encontrou a pessoa errada
para ofender e maltratar.
Acha que sou só um nada,
mas nesse mar só eu sei nadar.

Em ti, folha branca, passo tinta preta,
a minha cor, a cor de quem enfrenta.
É a cor de quem não tem medo.

E dessa cor eu bem entendo,
pois não existe hierarquia para mim.
Isso é uma ideia que precisa de um fim.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hoje trabalho é prisão

Engraçado como pessoas fogem do sol
se escondendo atrás de longas cortinas
em salas iluminadas por luzes brancas
mais danosas que a luz do grande astro.

Contentam-se com paredes e ar viciado
mentindo à si mesmos que é mais limpo
que o ar de fora e que melhora o local
onde perdem cerca de 9 horas de vida

a cada 5 dias da semana, achando que
é pura liberdade estar preso num prédio
em que sem identificação não se entra
nem sai, assim como feito em uma prisão.

Somos escravos de um ambiente gerado
por uma filosofia que gera prisioneiros
do dinheiro.

Trabalho não é mais habilidade,
é um mal necessário.

Trabalho deixou de ser sua capacidade
feita com amor.

Trabalho hoje em dia é serviço.

Servir alguém.

Servir.

Ser servo.

Ser subordinado.

E servir,
ao vil ser.

E viver sob suas malditas condições.

Eu ODEIO luz branca, artificial, como
o ar condicionado, manipulado, como
o prédio, prisão, como o dinheiro,
que limita a nossa vida e serve apenas
aos que mandam em nós.

Eu não suporto mais tanta burrocracia.
Eu não aguento mais falta de atitude.

Quebrei minha corrente, quebrei a estrutura
deste poema, versos atrás.

Eu apertei o foda-se.

Não gostou?
FODA-SE.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Conto do rei Canuto - Alegoria para incitar Anarquia

Sentado em seu trono, ao mar,
rei Canuto tentou ordenar
a ascensão da maré parar,

mas viu que mesmo um rei
não tem poder, sequer de lei,
para nas ondas do mar mandar.

"As revoluções das Idéias -
pensou - arrebentam suas teias
e fazem a sociedade mudar."

Viu que o reino não era seu
e, então, logo compreendeu
que não faz sentido governar,

pois qualquer autoridade
é fruto da pura maldade
que está fadada a falhar,

haja visto por essas ondas
que, do destino, são as pontas
de flechas prontas para matar.

Pois qualquer insurreição
deriva da simples situação
do "mais fraco" se revoltar

ao ver que, acima, tem alguém
que, também ao outrem,
consegue, sempre, controlar.

Ao tentar controlar a maré,
percebeu que nem a sua fé
iria protegê-lo de se molhar.

"Se nascemos todos iguais,
somos livres e, nunca, jamais
devemos nos ajoelhar."

Mas como só ele entendia,
aos perigosos nada falaria
e continuaria, por fim, a reinar...

E assim continuou a história,
revirando na nossa memória,
com coceira para revolucionar...

...Talvez um singelo e lindo dia
o povo entenderá essa hipocrisia
e verá que dela deve se libertar.

--

Sim, todas as rimas foram intencionais, até no título.

Segue a charge de John Power abaixo para risos posteriores:
Retirada do site www.cartoonstock.com

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Love and art

Love isn't countable
or measurable.
We can't qualify it
nor explain it.
Love is to feel;
don't try analyse it,
is impossible when it's real.

You can't say what's wrong
or what's right in a song,
since art is like love,
has no rules from up above.

Is a free form of expression
and it needs only freedom
so you can experience it
without regrets
and make it fit
in your life at last.

If you don't make room
for love and art
in your heart,
you'll live in gloom
right from the start.

--

I can only say what I like or dislike, but I can't make universal rules over things beyond transcendental.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como viver sem medo?

I - Incerteza:

Disse que "é tempo de viver sem medo",
frase que ecoou como um raro segredo,
profundamente dentro de mim.

Mas como poderei, se bravura é mágoa
aos outros, cujos olhos enchem de água
que rolará como rio sem fim?

Sou sincero, mas sabendo que machuco
quem amo, me sinto triste e, como louco,
me torturo e sinto tal medo.

Esse medo que vira coragem desregrada
para fazer alguma coisa que os desagrada
e terminar com a dor, cedo.

Medo que acaba com o amor incontável,
imensurável, indecifrável e até indomável.
Se tenho medo de admitir,

qual é o sentido em poder sentir tal amor
que me traz em meio a alegria, tanta dor?
Será que o medo vai sumir?

--

II - Tristeza:

Será que o devo sentir?
Será que o amor que penso existir
é o amor que faz me reprimir?
Será que o medo me impede de realmente existir e sentir?

Não sei mais nada e, às vezes, tenho medo de saber.
E cada vez mais tenho muito medo de sonhar.
E cada vez mais é doloroso viver.

Como seria bom se a sociedade me aceitasse
como sou e minha sinceridade não magoasse.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Soneto da Infantil Vingança

Ontem eu obtive
mais uma falação
que me deprime,
dói meu coração,

ao ver tal ódio
virar um plano
ao invés do ócio
tornar ameno

tal sentimento
que apenas fere
nosso contento

numa vingança
que não se espere
nem de criança.