Passaram mil anos
e ainda reconheço
o que é se perder,
se jogar no espaço
estrelado ao ver
dum olhar humano.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Armistício
Pois sei que assinei
um armistício unilateral.
Assim, me assassinei,
ao deitar as armas.
Mas prefiro essa morte
do que ser o algoz,
prefiro receber toda sorte
de tiros da sua voz.
Negaram ao moribundo
um copo de água,
deixaram verter ao mundo
rios rubros dos furos.
Se negro é o presente
e o futuro pálido,
foi por decisão conjunta
de um par ávido
por liberdade e vida,
mas preso na realidade
dessas quatro paredes,
e uma janela ao sol...
Enquanto o mundo
acontece entre sol e lua,
amiga, fico esperando,
com furos na pele nua.
Mesmo quase morto
vivo ao máximo,
com marcas de tiros,
e passos meio tortos,
ao passo que, sem culpa,
vives o mínimo,
reduzindo o mundo
ao pouco que exulta...
...mesmo estando viva.
um armistício unilateral.
Assim, me assassinei,
ao deitar as armas.
Mas prefiro essa morte
do que ser o algoz,
prefiro receber toda sorte
de tiros da sua voz.
Negaram ao moribundo
um copo de água,
deixaram verter ao mundo
rios rubros dos furos.
Se negro é o presente
e o futuro pálido,
foi por decisão conjunta
de um par ávido
por liberdade e vida,
mas preso na realidade
dessas quatro paredes,
e uma janela ao sol...
Enquanto o mundo
acontece entre sol e lua,
amiga, fico esperando,
com furos na pele nua.
Mesmo quase morto
vivo ao máximo,
com marcas de tiros,
e passos meio tortos,
ao passo que, sem culpa,
vives o mínimo,
reduzindo o mundo
ao pouco que exulta...
...mesmo estando viva.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Voe, Passarinho
A maior declaração de amor
que posso lhe fazer
é que quero, aonde você for,
que não finja, seja você.
Não aceito que deixe de sentir
o que lhe brotar no peito
- isto seria como te assassinar,
por algo que não tem jeito.
Sim, você é livre para se viver.
Não pode ser diferente.
Não é "simples" ser eu, ser você;
e, mesmo que se tente,
um não sente o que há dentro,
o que inquieta o coração,
o que mexe com tudo do outro,
o que é mais que emoção.
E, nessa vida, já vi muito por aí,
já falei, cantei e escrevi,
mas ainda há muito por vir;
até o que duvidava, senti.
Nisso não te dou presente algum,
senão a certeza incondicional
do meu amor tão incomum
e, pasmem, tão natural.
O que você faz da sua vida
é apenas o seu destino,
e se quer minha companhia,
saiba que lhe confirmo.
Só perdura se ambos quiserem,
só funciona com amor,
puro e genuíno, e sem temerem
qualquer motivo de dor.
E não há dor com amor puro,
há apenas o lindo zelo
de quem cuida e ama, te juro.
Por amor, não faço apelo.
Bata asas e voe, não há gaiola
para te segurar, prender
ou aquietar seu cântico lá fora,
há apenas a porta aberta
da casa desse meu coração,
onde você, passarinho,
tem seu lugar - não abro mão -
arrumado com carinho.
Você tem a chave e lá é tudo seu,
não precisa pedir para entrar.
Tudo que um dia ali já foi meu,
é seu, não importa quando voltar.
Quero teu aconchego garantido
aqui em casa - não é uma toca.
Me doo sem lhe fazer pedido,
não quero fazer uma troca.
Voe, não por mim. Voe por si mesmo.
Bata as asas da sua vida
e, se me quiser, carregará, não a esmo,
mas como uma querida
parte de sua vida, um belo lugar
para que eu, também,
sempre tenha onde possa voltar
e lhe fazer só o bem.
Eu te amo além do meu fim,
nada pode me tirar o que sinto.
Nada é maior que esse infinito.
E é o que me basta, te amar livre assim.
que posso lhe fazer
é que quero, aonde você for,
que não finja, seja você.
Não aceito que deixe de sentir
o que lhe brotar no peito
- isto seria como te assassinar,
por algo que não tem jeito.
Sim, você é livre para se viver.
Não pode ser diferente.
Não é "simples" ser eu, ser você;
e, mesmo que se tente,
um não sente o que há dentro,
o que inquieta o coração,
o que mexe com tudo do outro,
o que é mais que emoção.
E, nessa vida, já vi muito por aí,
já falei, cantei e escrevi,
mas ainda há muito por vir;
até o que duvidava, senti.
Nisso não te dou presente algum,
senão a certeza incondicional
do meu amor tão incomum
e, pasmem, tão natural.
O que você faz da sua vida
é apenas o seu destino,
e se quer minha companhia,
saiba que lhe confirmo.
Só perdura se ambos quiserem,
só funciona com amor,
puro e genuíno, e sem temerem
qualquer motivo de dor.
E não há dor com amor puro,
há apenas o lindo zelo
de quem cuida e ama, te juro.
Por amor, não faço apelo.
Bata asas e voe, não há gaiola
para te segurar, prender
ou aquietar seu cântico lá fora,
há apenas a porta aberta
da casa desse meu coração,
onde você, passarinho,
tem seu lugar - não abro mão -
arrumado com carinho.
Você tem a chave e lá é tudo seu,
não precisa pedir para entrar.
Tudo que um dia ali já foi meu,
é seu, não importa quando voltar.
Quero teu aconchego garantido
aqui em casa - não é uma toca.
Me doo sem lhe fazer pedido,
não quero fazer uma troca.
Voe, não por mim. Voe por si mesmo.
Bata as asas da sua vida
e, se me quiser, carregará, não a esmo,
mas como uma querida
parte de sua vida, um belo lugar
para que eu, também,
sempre tenha onde possa voltar
e lhe fazer só o bem.
Eu te amo além do meu fim,
nada pode me tirar o que sinto.
Nada é maior que esse infinito.
E é o que me basta, te amar livre assim.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Causa (e)feito
Quando o capo di tutti i capi
e os sottocapi
dessa máfia
instituírem ao povo
a sua omertà,
nos restará
apenas brigar
com seus soldatos,
numa vendetta
autêntica e popular.
e os sottocapi
dessa máfia
instituírem ao povo
a sua omertà,
nos restará
apenas brigar
com seus soldatos,
numa vendetta
autêntica e popular.
Poema Gastropolítico
Patos da FIESP!!!
Vocês caíram no conto do Skaf!
O imposto vai subir
e vai tremer com jambu
no molho teu-cu-pi!!!
Vocês caíram no conto do Skaf!
O imposto vai subir
e vai tremer com jambu
no molho teu-cu-pi!!!
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Numa praça, lendo Lorca...
...Os vermes vêm para me devorar
e nos bolsos vêem bichos da seda,
mas nada de plantas e folhas floridas
para que destruam no seu mastigar.
Nada importa mais ao cigano
exceto que os vermes da lua cheia
passeiam sobre o sangue latino
açoitado pelo chicote que meneia
ao movimento da asa de uma lagarta
desperta de seu sono profundo.
O que era uma larva é borboleta,
quer chamar atenção via insultos.
Mas ao cigano, nada tem a dizer.
Gitano, que só espera a lua descer
para a morte se ir e raiar a vida,
mantém-se firme, feição "cojonuda".
Se for com a lua, fica sangue na terra,
se ficar ao sol, fica o suor no solo;
não importa à boca de verme se cerra,
o cigano pertence à terra, é seu colo.
É o solo fértil de uma nação célebre
e, por sua cultura injustiçada, lembrada.
Não é possível ser quem não se é.
e nos bolsos vêem bichos da seda,
mas nada de plantas e folhas floridas
para que destruam no seu mastigar.
Nada importa mais ao cigano
exceto que os vermes da lua cheia
passeiam sobre o sangue latino
açoitado pelo chicote que meneia
ao movimento da asa de uma lagarta
desperta de seu sono profundo.
O que era uma larva é borboleta,
quer chamar atenção via insultos.
Mas ao cigano, nada tem a dizer.
Gitano, que só espera a lua descer
para a morte se ir e raiar a vida,
mantém-se firme, feição "cojonuda".
Se for com a lua, fica sangue na terra,
se ficar ao sol, fica o suor no solo;
não importa à boca de verme se cerra,
o cigano pertence à terra, é seu colo.
É o solo fértil de uma nação célebre
e, por sua cultura injustiçada, lembrada.
Não é possível ser quem não se é.
Depressão pós-livro
Estive passando os últimos dias
como páginas de um livro fácil
- um livro sem desafio ao leitor,
daqueles que lemos sem raciocinar.
Confesso, fui, sim, alvo fácil;
uma presa um tanto quanto dócil
daqueles livros fáceis de amar,
difíceis de esquecer e que, no fim,
deixam dor e uma saudade do enredo,
uma nostalgia da narrativa
e uma paixão pelas personagens.
Só que acabou-se o livro,
chegastes ao fim dessas vidas
para adentrar em outras
e novos seres se revelam, lidos...
...de dentro para fora do livro
e de fora para dentro da vida...
Mas crio coragem para abrir um novo
e, de repente, um novo romance (re)começa.
como páginas de um livro fácil
- um livro sem desafio ao leitor,
daqueles que lemos sem raciocinar.
Confesso, fui, sim, alvo fácil;
uma presa um tanto quanto dócil
daqueles livros fáceis de amar,
difíceis de esquecer e que, no fim,
deixam dor e uma saudade do enredo,
uma nostalgia da narrativa
e uma paixão pelas personagens.
Só que acabou-se o livro,
chegastes ao fim dessas vidas
para adentrar em outras
e novos seres se revelam, lidos...
...de dentro para fora do livro
e de fora para dentro da vida...
Mas crio coragem para abrir um novo
e, de repente, um novo romance (re)começa.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Jardim do Fastio
Em meio às guerras de nações,
brigas de adultos,
discussões de casais
e conflitos de adolescentes,
sempre sofre a criança,
aguentando insultos
e se escondendo dos animais
como uma presa inocente.
brigas de adultos,
discussões de casais
e conflitos de adolescentes,
sempre sofre a criança,
aguentando insultos
e se escondendo dos animais
como uma presa inocente.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Atual
Para escrever este verso
e agora este outro
e o próximo
também,
escrevi 1, 2, 3, quatro rascunhos
e poesia...mas sem poema.
E agora brinco de problema
e faço poema, sem primazia...
...TALVEZ,
com poesia.
e agora este outro
e o próximo
também,
escrevi 1, 2, 3, quatro rascunhos
e poesia...mas sem poema.
E agora brinco de problema
e faço poema, sem primazia...
...TALVEZ,
com poesia.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Poescrita
Poetizar sobre a escrita
não é algo que me vem
quando quero ir além
da imaginação descrita -
um ato singular, de fato -
me mato sem inalar ar
para pode me inspirar,
pois não há ar no vácuo,
e me sobra apenas falar
sobre a pequena poesia
que se diz em demasia.
O que mais mencionar?
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Montanha
I:
Subi a montanha
II:
III:
IV:
Subi a montanha
procurando algo
que não sei o que era;
procurando algo
que não sei o que seria;
procurando algo...
II:
Sobre encontrar?
Sim, encontrei algumas coisas
e encontrei um alguém.
Um eu que encontrei só
ali, em pé com ninguém.
Somente rosas
ali em cima vislumbrei.
III:
A montanha estática
assistiu meu movimento.
A montanha inanimada
me sentiu em cada pisada.
A montanha, torre
que rasga o firmamento,
me viu costurá-lo aos pés
do solo em que se equilibra.
IV:
As flores que plantei,
a flora que ali surgiu
não mais precisam de mim,
não precisam mais de ninguém
nem se necessita a montanha,
que já fora condenada à morte
e agora se encontra viva e florida.
V:
A montanha, como ser humano,
pode viver independente;
um auxílio no início da subida
é o mesmo do plantar da semente,
uma ajuda, um esforço inicial
para que possamos andar
com nossas próprias fés
e a montanha florescer
com seu cume, a mil pés.
que já fora condenada à morte
e agora se encontra viva e florida.
V:
A montanha, como ser humano,
pode viver independente;
um auxílio no início da subida
é o mesmo do plantar da semente,
uma ajuda, um esforço inicial
para que possamos andar
com nossas próprias fés
e a montanha florescer
com seu cume, a mil pés.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Efige
Sei que parece idiota
acabar escrevendo
por conta e sobre
esse bloqueio
que me veio
em estátua de cobre,
dura em eterno momento
cuja palavra não se solta...
Sua boca não se abre.
acabar escrevendo
por conta e sobre
esse bloqueio
que me veio
em estátua de cobre,
dura em eterno momento
cuja palavra não se solta...
Sua boca não se abre.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Esquiva
Dei uma resposta capciosa
para uma pergunta similar,
-Quem é o Ernesto?
-Não posso resumir se não me acabar.
para uma pergunta similar,
-Quem é o Ernesto?
-Não posso resumir se não me acabar.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Pierrô
Nessa arte de amar,
em meio aos artistas,
sou o palhaço de circo:
não garanto glamour,
nem beleza eterna,
mas de ti
retiro um riso.
em meio aos artistas,
sou o palhaço de circo:
não garanto glamour,
nem beleza eterna,
mas de ti
retiro um riso.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Pontuação
VIVO,
NÃO REVIVO!
NÃO PERGUNTO,
EXCLAMO!
SIM!!!
EXCLAMO!
Por que a vida não é grande o suficiente para se viver de hipóteses em interrogações?
Porque ela é imediata e acontece, implacável como uma exclamação!
NÃO REVIVO!
NÃO PERGUNTO,
EXCLAMO!
SIM!!!
EXCLAMO!
Por que a vida não é grande o suficiente para se viver de hipóteses em interrogações?
Porque ela é imediata e acontece, implacável como uma exclamação!
terça-feira, 26 de julho de 2016
Pesadelo
Me lembrei porque me entorpeço...
O faço para não sonhar
e para ter noites escuras
em que possa descansar
o corpo e a mente das agruras
do cotidiano humano,
insensato e inexplicável.
Pois o pesadelo da vida
não pode se tornar sonho,
e o que viria na noite
não pode me afetar no dia,
exceto quando esqueço
e, antes de dormir,
não me entorpeço...
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Fim de recesso
Findo o período sabático
com o raiar do dia,
ao acordar para cuspir
o sono que era estático
e agora se torna um tormento
perante ao corrido tempo.
No sétimo dia, descansou
aquele que alguém diria
ter nos criado, talvez para rir
em sua vida tediosa;
no décimo-quarto, acordei
para justificar o trabalho
do escritor desse roteiro
de divina comédia humana,
onde muitos sabem de tudo
sobre esse grande nada.
Acabou meu recesso,
mas, enquanto estou aqui,
uma fictícia divindade,
lá em cima, se mija a rir,
dessa graça sem-graça
dos nossos excessos,
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Recesso
Estou sabático:
descansando, de alguma forma,
dos compromissos,
da sociedade,
da amabilidade.
Estou descansando minha voz
calando a garganta
úmida de significados
e seca de palavras,
enquanto falo
pelo pensamento
e canto pelos dedos.
Estou de férias,
de tudo que eu puder evitar;
o que for inevitável,
feriado nunca terá.
Descansado?
Não me lembro da última vez
que pude descansar
do exercício humano de ser.
descansando, de alguma forma,
dos compromissos,
da sociedade,
da amabilidade.
Estou descansando minha voz
calando a garganta
úmida de significados
e seca de palavras,
enquanto falo
pelo pensamento
e canto pelos dedos.
Estou de férias,
de tudo que eu puder evitar;
o que for inevitável,
feriado nunca terá.
Descansado?
Não me lembro da última vez
que pude descansar
do exercício humano de ser.
Névoas de café
Uma leitura poética
me viaja no tempo
direto ao café quente,
onde via formar,
na fumaça espessa,
o contorno de sua boca
- no nosso entorno
de atitude louca -
a brancura de seu sorriso
e os faróis azulados
dos olhos que tentavam
me ofuscar a visão
em meio a neblina.
Era para não falarmos,
evitar contato,
mas nada dito
foi levado a sério,
nem o café expresso
que se tornou
demasiado longo,
assim como todo o impasse
- léxico, realista ou complexo -
que passamos por cima.
Ainda fitamos
com nossos desejos,
vontade de você,
vontade de mim.
Ainda sinto vontade de ser
o homem do con(s)(c)erto
do poeminha
que guardo na carteira.
E, tal qual uma boa sina,
ainda o lerei por eras inteiras
e a vontade, talvez nunca passe...
...assim espero...
...assim me acontece,
toda vez que leio
poemas numa xícara de café.
me viaja no tempo
direto ao café quente,
onde via formar,
na fumaça espessa,
o contorno de sua boca
- no nosso entorno
de atitude louca -
a brancura de seu sorriso
e os faróis azulados
dos olhos que tentavam
me ofuscar a visão
em meio a neblina.
Era para não falarmos,
evitar contato,
mas nada dito
foi levado a sério,
nem o café expresso
que se tornou
demasiado longo,
assim como todo o impasse
- léxico, realista ou complexo -
que passamos por cima.
Ainda fitamos
com nossos desejos,
vontade de você,
vontade de mim.
Ainda sinto vontade de ser
o homem do con(s)(c)erto
do poeminha
que guardo na carteira.
E, tal qual uma boa sina,
ainda o lerei por eras inteiras
e a vontade, talvez nunca passe...
...assim espero...
...assim me acontece,
toda vez que leio
poemas numa xícara de café.
Meia-noite...
...e eu, contemplando
o céu estrelado
- dum escuro azulado -,
me pego pensando
sobre seus poemas...
...e sinto a cena
como se ouvisse
a voz de sua garganta
declamando, ao meio-dia,
uma dose santa
de sua poesia.
Será só delírio à meia-noite?
o céu estrelado
- dum escuro azulado -,
me pego pensando
sobre seus poemas...
...e sinto a cena
como se ouvisse
a voz de sua garganta
declamando, ao meio-dia,
uma dose santa
de sua poesia.
Será só delírio à meia-noite?
sábado, 9 de julho de 2016
Uma Ironia
Saiba que por dias
o vento acariciou meu rosto
para lembrar de que é pai,
e que a terra onde piso
é mãe da vida que ali se via,
junto da morte no fruto -
do posto pé de abacate - que cai
e se quebra no solo não liso...
...e, assim, o ciclo me ria.
o vento acariciou meu rosto
para lembrar de que é pai,
e que a terra onde piso
é mãe da vida que ali se via,
junto da morte no fruto -
do posto pé de abacate - que cai
e se quebra no solo não liso...
...e, assim, o ciclo me ria.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Falsa Posse
Deveríamos tornar nossos
cada trecho lido aleatório
de poema de veia e ossos
e de textos sanguíneos.
Logo, não pode ser meu
o poema que aqui se deu.
Leia-o seu.
cada trecho lido aleatório
de poema de veia e ossos
e de textos sanguíneos.
Logo, não pode ser meu
o poema que aqui se deu.
Leia-o seu.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
JeoVá
Hoje me senti um deus cristão,
onipotente,
onisciente,
talvez até onipresente.
Julguei, sem pensar, com meu dedão
a vida de duas formigas
que passeavam no prato
em direção ao meu pão.
O fiz sem pensar, sem cogitar
que as formigas são como nós;
que deuses humanos
fazem humanos enganos;
que as condenei a um destino atroz;
que, como num velho/novo testamento,
fui, como toda divindade, um tirano
aos mais frágeis que eu.
onipotente,
onisciente,
talvez até onipresente.
Julguei, sem pensar, com meu dedão
a vida de duas formigas
que passeavam no prato
em direção ao meu pão.
O fiz sem pensar, sem cogitar
que as formigas são como nós;
que deuses humanos
fazem humanos enganos;
que as condenei a um destino atroz;
que, como num velho/novo testamento,
fui, como toda divindade, um tirano
aos mais frágeis que eu.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Torpe
Entorpecido por essa vida,
há muito não sei sonhar.
Parece que esqueci como
o h
s o
s
n
fazem viajar a imaginação,
pois a minha viaja a todo momento...
...para
beeemmmmm
l o n g e .
há muito não sei sonhar.
Parece que esqueci como
o h
s o
s
n
fazem viajar a imaginação,
pois a minha viaja a todo momento...
...para
beeemmmmm
l o n g e .
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