sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Experiência humana

Já parou e olhou dentro de si que de tão profundo
pensou como nada do que você faz afeta o mundo?
O planeta não deixará de girar em seu próprio eixo,
por mais que cuidemos dele com grande desleixo.

Então que tal embarcar nessa nova viagem diferente,
onde eu e você somos parte de um grande ambiente
e todos os semelhantes sabem do seu novo papel
nas ondas cósmicas que nos invadem pela luz do céu.

Sentimentalismo e opiniões se tornam coisas banais,
então individualismo acaba por terra e seca em sais.
Portanto quem quer que sinta qualquer coisa de dor
eu simpatizo e por mais que não queira, sinto dó.

Mas já fui longe e voltei, e sei que se perder em si
é uma das coisas mais perigosas pela qual vivi.
Melhor perder-se no mundo grande em que vivo
do que deixar dominar-me por cada coisa que sinto.

Então nessa viagem me livro de opiniões e besteiras,
apenas vivo bem o que me resta à minha maneira.
Se não gosta e diz que não presta como ando e falo,
me desculpe, mas suas ideias vão direto para o ralo.

O que não importa nesse universo não me interessa.
Vou de acordo com o movimento estelar, sem pressa.
Se você quer ficar na sua pequena vidinha mundana,
boa sorte! Eu vou experimentar mais a vida humana.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fim da nostalgia

Sentiu-se um tanto nostálgico
com os pensamentos voando
em vários momentos passados,
uns alegres e outros trágicos.

Na nostalgia que lhe acometeu,
pensou em diversas hipóteses,
que no presente são antíteses,
o passado passou, já morreu,

mas gostaria de poder reviver,
poder novamente ver acontecer
aquele dia perfeito com alguém,
aquela noite de verão também.

A nostalgia o deixou emotivo,
até brevemente insatisfeito,
mas o ser humano é suspeito,
é assim de tempos primitivos,

não está completamente feliz,
e a nostalgia vêm e lhe diz
que já foi melhor e contente,
bom, é hora de seguir em frente.

Sim, recordações são tocantes,
mas elas servem só em instantes
para termos alegria em lembrar,
nostalgia tem hora para acabar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Temperatura Inconstante

Onde o sol ilumina,
a sombra não fica.

O frescor da sombra
alivia o calor da luz
e o sol quente
alivia a sombra fria.

Pula de um a outro
numa inconstante
alegria.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dilema resolvido

Não crio dilemas,
eles já existem,
implicitamente.
Sei exatamente
que eles vivem
para os problemas,

e faço minha parte,
decido minhas ações
sem sequer comunicar
a quem interessar,
pois as emoções
são doces disparates.

Então quando pensa
que a mágoa é só sua,
tem toda razão.
Só que o perdão,
que passa pela rua,
é meu em presença.

Minha decisão é única:
não quero ver mais
nenhuma dessas pessoas.
Enquanto você voa
com o bando é demais,
mas o voo solo os machuca.

E quem amo se importa
com quem me fere,
se quer assim, paciência,
não quero essa penitência.
De mim não espere
nenhuma palavra torta.

Não estimo quem odeia
a pessoa que mais amo.
Meu dilema acabou.
Assim com eles ficou
o desprezo. E chamo
comigo quem e mim creia.

Se nem a pessoa que amo
levar isso em consideração,
alguém há de levar,
e se eu não achar
outra que leia meu coração,
irei só, em paz comigo mesmo.

--

O que realmente me importa nessa vida é estar em paz comigo mesmo, pois sei que só eu posso entender o que se passa comigo. Amores vêm e vão, amizades vêm e vão, familiares vêm e vão, mas eu nunca poderei escapar de mim.

Isso vale para qualquer pessoa.

Um soneto só, a pé e sem destino (solidão voluntária)

Quero andar por aí,
apenas andar e poder dizer
"Não estou nem aí!"
para quem perguntar o porquê.

Andar sem direção ou destino,
para ninguém me notar
e sequer me questionar
para onde diabos estou indo.

Onde todos querem se encontrar,
eu quero apenas me perder
e sair desse para outro caminho,

e se comigo alguém quiser andar,
não sentirei muito em lhe dizer
que prefiro caminhar sozinho.

Nada sobrevive

Estou emputecido,
decepcionado
e sem vontade de te olhar.
Como você se sentiria
se estivesse aqui,
no meu lugar?

Sempre fui de relevar,
mas só levei na cabeça.
Não vou ficar.
Talvez me esqueça
do que tive,
pois nada sobrevive.

Melhor assim.
Pelo menos nisso eu sei
que posso colocar um fim.

Adeus aos círculos viciosos

Não finjo apreço,
ou tenho, ou não tenho.

Se não gosto,
não me decepciono.

Se fere alguém que amo,
não me relaciono.

Há com quem eu faça as pazes,
há com quem eu tenha fases.
Mas quando não é nenhum caso
desses, simplesmente deixo ao acaso.
Não quero mais saber,
nem do mesmo círculo quero ser.
Círculos se tornam viciosos,
infectados, como quando um câncer atinge ossos.
É mortal, é fatal.

Nem quarentena resolve
quando a infecção não se dissolve.

Se é para manter laços que ferem,
prefiro desatar esses nós que nos prendem.

Cansado de tudo isso

Sentado,
esperando o tempo passar,
percebo que mais uma vez
me deixo levar
aonde só o ócio
consegue me arrastar,
aonde mora o ódio.

Qualquer coisa que sinto
traz a sensação de ser
apunhalado pelas costas
e dos infernos o quinto
me deixa esquecer
e não me dá respostas.

Eu não quero mais nada.
Apenas me isolar
por sei lá quanto tempo;
não quero pessoas nem ar,
nem histórias contadas.

Só meu ódio contemplo.

Não farei mais sala,
nem serei cordial.
Não serei amigo,
muito menos inimigo.
Serei só eu, e mais ninguém
poderá me roubar a fala.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Música à alma

Num sopro a essência da alma se esvai.
Sai o som do seu amor e diz algo, quieto,
o vento que leva a alma para o deserto
perdido onde está escondido um oásis.

Nem tudo está perdido no campo seco
onde a areia é quente. A alma nem sente
as tempestades; ouvindo este presente,
o som arquétipo e também pitoresco.

A alma sente-se tocada e cheia de vida
onde o som vibra sua forma de "imatéria",
que é nossa essência primitiva e etérea.

Dos sentidos, seria a audição favorecida
pelas experiências de uma vida até antiga?
Tal nostalgia é tão forte que à alma periga.

-

Soneto rápido para quem gosta de música. :)

Acessos de raiva

Estou prestes a ter acessos
por essa vida de excessos
que deixa outros possessos
quando lêem certos versos
que lhes são um tanto inversos
e lhes correm reversos.

Acessos que me enlouquecem
e me enraivecem.

Tantos abscessos sociais numa sala só,
com tantos sucessos banais rindo sem dó.

E isso me traz acessos
por todo dia que desejo regresso
do tempo que atravesso,
mas tudo que ganho são acessos.

Nem quando me despeço
tenho no sossego um sucesso.
Só sei que este processo
não me traz nenhum progresso.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ao 123° aniversário de Fernando Pessoa

Hoje é aniversário de uma pessoa
que por destino correndo à toa
há muito tempo não é uma pessoa.

Esse tal de Fernando que um dia fora
Alberto. Tornou-se Ricardo outrora.
E também Álvaro pelo mundo afora.

Mas como será que o mítico poeta
de "poliheteronímia" seguia a reta
de múltiplas vidas como uma seta?

Tão difícil saber isto quanto decifrar
cada verso de sua autoria a recitar
por personas diferentes na luz lunar.

Saindo debaixo da nuvem num dia rural

Sempre ando à sua sombra
até que a luz me ilumine,
até que o sol me aqueça,
até que a sombra desapareça,
então sento nesse banco de vime
e descanso os pés na alfombra.

Acendo um cigarro de palha
e ouço como a plantação farfalha.

E o sol alimenta o trigo
enquanto saboreio um figo.

Ah, os simples prazeres da vida.

Sofrimento prazeroso

"Onde estavam todos nessa cidade?"

Era a pergunta repetida profundamente
      em seus questionamentos
            mundanos.
Como foi dar-se solitário ao local
      sobre qual lhes falo
            agora.

Soube da dor e queria ir embora logo.
Soube do amor e queria a dor de volta.

Esse estado de torpor e vazio é seu fiel
      E SÁDICO companheiro, mas não pode ir contra,
            pois é masoquista.
O ser humano é masoquista emocional por natureza.
Há algo na solidão que nos faz apegar à tristeza.

A pergunta ecoa: "Onde estão todos nessa cidade?"
É uma tragédia pessoal, e está feliz por sentir
      ao fundo tal calamidade.

Está sozinho, não sabe sua procedência,
      nem seu destino.

Mas sabe que sozinho gosta de estar.

Dignidade? Moral? Razão?

Falas muito de dignidade ferida,
bradando suas palavras de ordem
para que os quatro ventos soprem
ao redor de todos pela sua vida,

mas de digno cai por ser infantil
ao forçar o ridículo de atitudes
banais, que provocam a quietude
de outrem, lhe dando glórias mil.

O que lhe é digno, falta em moral.
Mas é cego assumido como uma nau
navegando em mares com nevoeiros,
atirando sem ter um alvo certeiro,

perdido em voltas, perdendo o rumo
ao ser arrogante e até intolerante.
"Adeus moral", pois diga, é oportuno
e íntegro, pelo menos no instante,

mas o ego não lhe permite tal ato
e clamando por algo chamado razão,
diz que não esquecerá antigo fato,
e os ensinamentos passados, em vão,

ficarão guardados no âmago do ser
enquanto negar a voz dizendo "cresça".
É o seu declínio que não quero ver.
Pois de tudo, e até de mim, se esqueça.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A saudade

Essa grande dor
que atinge os amantes
é consequencia do amor,
em dias distantes
um do outro,
ficando apenas
aquela saudade
curada no reencontro
até as duras penas
em qualquer idade.

Para os seres amados
a falta não fere
nem que desespere
o coração namorado.

Para aqueles que amam
não há amor egoísta,
não importa a paixão,
muito menos ponto de vista
no amor há zelo e compreensão.

E a dor da saudade
é, de todas as dores
de diversos amores
na nossa realidade,
talvez a única
que não machuca,
mas na verdade
nos traz na lembrança
um sorriso e na esperança
um pouco de felicidade.

--

Será a saudade um sentimento tão ruim assim?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Casa minha

Se essa casa minha
é essa morada
onde minha namorada
se aninha,
então posso levar
onde eu quiser
e parar onde puder
para descansar.

Essa minha casa
não tem endereço
nem sequer preço,
mas é de uma beleza
simples e confortável
onde tudo é amável.

É como um trailer
rodando por aí...
Aqui está para abastecer
e te receber,
depois irá longe dali.

E você faz de meu lar
sua morada também.
É sempre bom receber alguém
que gosto muito de amar.

Porco truculento e covarde!

É muito fácil ser o fodão,
vestindo uma farda
e com cassetete na mão.

Quero ver gambé de merda
ser corajoso, desarmado
como um verdadeiro cidadão!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Não passo meu número de telefone. Entendeu?

Esses malditos telefones
sempre me irritam.
Toda vez que atendo
tem alguém dizendo
diversos pronomes
que não me denominam.

Penso com certo ódio
“como prefiro cartas,
emails e folhas escritas.”
O povo parece ter ócio
quando vê uma caneta,
e com folha até se espanta

Telefones me chateiam,
por isso que não passo.
Não quero que me liguem,
deixe que isso eu faço,
apenas quando preciso,
rápido, coeso e conciso.

Abro algumas exceções
a quem não me estressa.
Você, por favor, esqueça.
O número? Nem me peça.
Não quero encheções
e tenho muita pressa.

--

Conselho de vida: Quando alguém do trabalho pedir o número de seu telefone pessoal, NÃO PASSE!
Respeite seu horário de trabalho e principalmente seu horário de viver. ;)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Perdendo

Você sempre está quase perdendo,
essa é verdade sobre tudo,
é a veracidade do nosso mundo
nos mastigando.
Dominando cada ser
desde o seu ânimo mais profundo
e não há como esquecer.
Apenas seguir vivendo.
Perdendo.

Na verdade estamos SEMPRE perdendo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bússola Ambulante

Há muito, muito tempo
que não via estrelas
no céu metropolitano,
onde o forte vento
leva espessas fumaças
num ritmo insano,
mas de repente vemos
cintilar pontos no céu
limpo e brilhante
e de onde estamos
não há nenhum véu
cobrindo este instante.

Aponto para o Cruzeiro
e então no céu, traço
com o dedo, as retas
desse símbolo inteiro
marcado por pintas
no meu antebraço.
E assim posso lhe dizer
que eu tendo ao Sul
em minha essência,
em toda minha vivência,
e nesse grande mundo azul,
meu Norte é você.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Howl for no moon

I howl for no moon
in anger against the madness
which manacled the ancestors
and, silencing their voices,
made this land become weak
and the aggressors meek.

For no moon I howl,
so I prowl alone.

Shall I hear this strong voices again?
Shall I start to bark and ravaging the mentors?
Shall I be punisher and apply justice?

I am just the wolf alone in the prairie,
I'm sure that if I gather the pack,
we can blow every door,
or else I'll be another sheep
wandering through peers
and will be the wolf no more.

The howl dies silent.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

História de vidas

Eu teria dito em qualquer dia bom:
"Na velocidade que o tempo me passa
fico ultrapassado pelo presente,
muito mais atrasado para o futuro
e totalmente parado no passado"

Engraçado, pois a culpa é só minha
e já virou aquele prazer
que muitos ainda buscam,
falando,
"relembrar é viver";
que clichê...

Mas é disso que vivemos: memórias;
sem elas, que sentido há na vida?
Viver sem objetivo é algo para imortais.

E você quer ser imortal para quê?
Prefiro ser mortal
e ter o que registrar.

Então o tempo continua me passando
e mesmo assim, olho para trás,
afinal, sou mortal e é de memórias que vivo,
é para memórias de um tempo que passei que morro.

O que eu diria em qualquer dia bom
é algo que posso dizer em qualquer dia ruim
e posso repetir, mas com um adendo:
"É assim que contamos uma história,
vivendo e morrendo a cada dia."

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Subversão

Prefiro ser subversivo
em cada pé de verso
a ser manipulado
por aqueles que querem
mandar no universo

Por isso eu escrevo
sobre tudo que observo
de longe e de perto,
sobre o que incomoda
e me mantém avesso

à "mediocracia" que só dá
lavagem como alimento
cerebral à fantasia
de quem aprova excremento
para toda a porcaria.

Cada crítica é reverso
dessa grande banalidade
em nossa sociedade.
Ser subversivo em protesto
é querer mudar a realidade.

quarta-feira, 30 de março de 2011

De meio até o infinito

Em meio a esse tempo
que é meio
de um inteiro
mas não é Maio
de um ano,
é de alguém que amo.

Sei que uma história
é contada sem receio,
sem paródia,
quase uma fábula,
mas de duas pessoas
cuja metade a cada
pertence à toa
leve e solta
nunca pesada.

Uma parábola
aonde meio tende
ao infinito
ninguém entende
além de quem cito.

Juntos somos um só
e quem não é assim
sobra a dó,
pois o amor de nós dois
é sem fim,
nunca fica para depois.

Amor que dói
na ausência
e se cura
na presença
quando o meio
resta ao seio.

Só nós escrevemos
tal destino
que percorremos,
sem preocupação
com qualquer hino
ou nação.

Pois em casa
nossos corações
estão aninhados
juntos e quentes.

Essa quase fábula
que vivemos
é tão bela
e sempre recente.

É nosso meio que
tende ao infinito
por uma parábola;
é esse amor
por nós vivido
pelo mundo afora.

-

Para você, para nós dois. ;*

segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma explicação sobre o perdão

Criança,
te ensino o que é perdão
de uma maneira fácil.
Com esperança,
nenhuma palavra será em vão
e a prática será hábil.

Perdoar
é, por qualquer coisa, não deixar
que ódio e rancor tomem
por assaltar
sua alma ao ponto de acabar
com o que por inteiro consomem.

Não é esquecer,
mas sim relevar que tal mal
foi-lhe feito e não há volta,
e compreender
que se vingar é tal qual
agir com o mal à solta.

Você suportaria este grande peso?
Carregar dentro de si algo ruim
pode te trazer um triste fim,
e sentir, por outros, desprezo
não te fará aparecer, nem crescer,
apenas fará sua vida apodrecer.

Por perdão,
entenda que é algo nobre,
deixar passar certas mágoas,
e talvez então,
uma gota de bondade lhe sobre,
e assim, o seu rio desagua.

E o ego
não pode ser exacerbado
neste processo de cura.
É um desapego
pelo orgulho exagerado
e assim torna a alma pura.

Num ensejo,
é poder, mesmo sem reconciliar,
seguindo cada um sua direção,
dizer sincero o desejo
de que o outro passe a vivenciar
uma boa vida, de coração.

Não é questão de mérito,
é apenas humanidade.
Quem ganha ou perde,
o que é justo ou injusto,
não tem vez no perdão;
apenas seja de bem no coração.

Entendeu?