quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Explicação sobre inspiração

Vou explicar um pouco, assim...
Quando escrevo há um pouco de tudo, há um pouco de mim.

Nem sempre sou eu falando,
às vezes é minha imaginação, às vezes é alguém sussurrando.

Não tenho um controle,
acontece mais rápido que eu possa dizer algo como "prole".

Palavras saltam na minha mente,
Me tomam de assalto, e me vejo escrevendo algo de repente.

Eu sou tudo que está na poesia
e também não sou mais. Sou uma inconstante, ambulante afasia.

São ensaios de meus alter-egos,
que nada tem de conteúdo e se mostram um tanto cegos.

Não sei nada deles, nem os nomes,
só sei que eles brotam, crescem, e talvez usem pronomes.

Sou atormentado pela criatividade?
Sou perturbado por espíritos? Tenho inspiração e vontade?

Não sei, só sei que funciono assim.
E por tristeza ou felicidade, sei que essa loucura não tem fim.

Estou feliz na penumbra

Estou feliz na penumbra,
no canto escuro,
com os olhos cerrados.

Onde nada vejo.
Onde há apenas desejo.
Onde ouço seu bocejo.
Onde recebo seu beijo.

A música me salva.
A poesia me salva.
O amor me salva.
Todos lavam minha alma.

Não quero ouvir problemas,
apenas o som dos discos,
o som dos instrumentos.

Estou feliz onde ninguém me vê.
Onde só eu estou presente,
além de você.

A sua voz é música.
O seu corpo é música.
Você é música.

E é tudo que quero ouvir.
Tudo que quero sentir.

Um pedido

Estou cheio de ter que agradar todo mundo,
prefiro estar enterrado em um buraco fundo.

Mas todo mundo quer arrancar algo de mim,
parece que as exigências nem sequer tem fim.

Ninguém percebe que eu peço coisa nenhuma.
Não exijo, não preciso de nada, coisa alguma.

A família não entende, os amigos muito menos.
Parece que é melhor me isolar, sem dar acenos.

É muito fácil falar de mim sem olhar seu umbigo,
é muito fácil tratar comigo como seu inimigo.

É muito fácil pedir, eu faço sem sequer reclamar,
e querem minha companhia, e sempre estou lá.

Mas me ouvir, me levar em consideração,
parece um martírio sem perdão.

Fazer algo que eu peço parece um esforço,
isso faz me sentir um completo estorvo.

Por favor, não me dirijam a palavra,
nunca mais.
Ficarei com minha música, minha safra
e nada mais.

Soneto da realização de porra nenhuma

Eu odeio me sentir forçado,
parece que tudo na minha vida
acontece contra minha vontade.
É o triste retrato da existência.

Gostaria de ter me realizado,
mas sou um fracasso em dívida
com a minha triste realidade.
Uma falha, eterna penitência.

Como pude deixar acontecer?
Tantas coisas me sufocam
nem preciso de suicídio para morrer.

Me deixem, em paz, desaparecer.
Quero que todos se fodam.
Me deixem sozinho, quero viver.

Viver é sofrer

Necessito da solidão,
como necessito do ar.

De tempos em tempos
penso em como acabar
                                   com tudo isso
                                   com minha vida
                                   com meu sufoco
                         na existência
                                   divina
                                   amaldiçoada
                                   indiferente.

Eu não entendo como posso gostar
de sofrer e de ficar sozinho,
mas gosto, sempre gostei da dor,
só um pouquinho.

Não sei como posso aturar
o mundo no meu caminho,
mas gosto de percorrê-lo só
e um tanto perdido.

Se eu não tivesse amor,
seria tudo mais fácil,
nunca seria dócil
nem mesmo teria dor.

Por que viver me traz mais dor?
Por que viver me faz sofrer?

Talvez sozinho eu encontrasse
                                             conforto
                                             felicidade
                                             paz
                                             tranquilidade.

Gosto de estar só, não sei bem porquê,
mas gosto de ser assim.
Isto é tudo, e só.

Soneto deprimido

Eu erro. E quando erro, me desespero.
Meu desespero é parte desse enterro.
Meu erro é acreditar no que é efêmero
enquanto espero viver sem meu erro.

Este aferro emotivo é o que mais quero,
é meu mísero desejo. Sólido como ferro.
Então emperro, gosto do sofrer, é fero,
mas sincero, então por aqui eu encerro.

Uma observação: quanto mais machuco,
mais me sinto machucado. Meio maluco,
mas é como funciona esse meu coração.

Conheço o perdão. Perdôo até a morte,
não guardo o ódio, mas sofro sem sorte.
Não entendo a minha maldita depressão.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O que você vai fazer essa noite?

Com essa chuva lá fora,
a preguiça me atiça
a ficar com você na cama.
Assistir filmes, comer doce
enquanto você me ama.

Com essa chuva lá fora,
a gente se enamora,
se beija e eu te amo.
Depois que você descança,
para outra te chamo.

Tchau 2011, Feliz 2012!!!

Acabou 2011 e começa 2012, e o futuro? É dose... Uma lordose também, é a metamorfose humana, velhice insana e fodidamente cruel, a cerva não é mais mel, mas sim um fel, ainda saboroso, mas ainda assim, perigoso. Enfim, acredita que fui muito cabeça dura esse ano? Falei palavras de cunho profano, foda... Mas é camelando que vamos sustentando nosso corpo nesse maldito inconforto. Nesse país mil, pátria amada Brasil, graças aos céus. Sabe como é, adoro o clima inferno tropical. Calma, calma, também temos inverno. É o calor, o amor, combinam, e até rimam bem, só sabe quem tem, é do só ser humano. E sempre tem essa chuva de fim de ano, é para lavar a alma e jogar fora tudo que é desaforo, daqueles completamente desnecessários, e perfeitamente fora de horário, mas relevamos, conversamos e errei, não sozinho, mas eu sei, mea culpa, peço desculpas, vou tocando a vida, essa bronca será resolvida, um dia, uma semana, um ano, um dia. Vou prezar com calma pelo (m)seu futuro. Tive coisas boas, tudo no ouvido ressoa e por fim, ainda ecoa na minha imaginação, doce relação (obrigado, por isso me considero abençoado, te amo). Vi vários concertos, a maioria, fodas. Teve um certo que não valeu uma soda. E teve um dos meus favoritos, dois dias seguidos. Teve paz interior, teve amor, teve música para todo lado, nesse ano que já é passado! E terá no ano que vem, é algo que me faz bem. Eu quero que ano que vem sejamos todos felizes, nada de atores e atrizes, lavemos, falemos e comemoremos. Meu time volta para a Libertadores, sei que vou sofrer horrores, como sofri no Brasileirão cheio de emoção, tinha até Vascão! Vai Timão! Que o mundo esteja mais atento ao que faz a si mesmo, Que nós estejamos mais atentos ao que fazemos à nós mesmos. Não tenho inimigos, tenho meus amigos (e toda a família) e estamos no mesmo barco, eu sei, a viagem vai ser um saco, mas a vida é só essa, então façamos dela uma festa!!!


Cya next year! :)

See you later alligator
After 'while crocodile

Cinza

Cinza é a cor que permeia em minha vida;
é a cor de uma camiseta meio que fudida,
é a cor do pó que se acumula no mundo
dando noção de que tudo está imundo;
é a cor que, abrilhantada, vira a bela prata,
que a nossa atarefada vida não dá de graça;
é o que me faz lembrar que preto e branco
é cegueira que nos atingem com um tranco;
é a cor que cobre inteiro este computador,
é a cor do céu que anuncia chuva e horror.
Cinza é o ponto certo entre "bem" e "mal".
É a cor do meu estado de espírito atual.
Se espera que eu vá mudar o meu estado
Aconselho que espere, ali, bem sentado.
Cinza não é apática é nostalgia fantástica.
De todas as cores, é a cor mais prática.
Eu sou um morto-vivo sem sequer emoção,
sem um pingo de noção e sequer orientação.
Desprovido de raciocínio é razão.
Cansei desse sermão.
Que o cinza da indiferença não atinja você.

Chuva, uva e curva² - Haikai experimental 1

Maldita Chuva,
ela não quer me deixar
fazer a Curva.

Caroço da uva,
tão azedo que língua
fica até curva.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Clima Tedioso

Frio é o vento,
quente é o vento,
e a indecisão
desse clima
vem de supetão,
pisando em cima.

Veste a blusa,
tira a blusa,
como no sexo,
no entra e sai,
de um nexo
primal, vem e vai.

Abre o céu,
fecha o céu,
e eu me fecho
para me abrir
no desfecho
que virá a seguir.

Chegam as nuvens,
passam as nuvens,
e o tempo voa
enquanto descrevo,
um tanto à toa,
o que observo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ego efêmero

Normalmente não me manifesto sobre tal assunto,
pois é apenas uma pequena parte de um conjunto,
chamado por aí, pelo povo, de curso da vida,
onde a maioria de nós gosta de cultivar feridas.

Tudo o que nos foi dito sobre moral e princípios
são, na mais pura essência, variadas informações
ditas por vários meios e baseadas em opiniões
infindáveis que preenchem qualquer precipício.

A maneira como nos ensinam é até que superficial,
pois deixam com que a vida nos mostre, afinal,
esse aprendizado, onde relacionamentos e ética
são, junto do ego, as raízes dessa problemática.

Mas o ego é um fator que complica a equação,
ele desequilibra qualquer parte da frágil relação
entre as pessoas envolvidas. Ele quer ter a razão.
Quer vencer toda e qualquer tipo de discussão.

É até um grande erro achar que estamos certos,
a todo momento; não é uma atitude de "espertos".
A concepção do que é certo e errado no mundo
vem da nossa criação, não tem nada de profundo.

A única parte que consideramos é a nossa ética,
pois esta é essencial para a nossa sobrevivência,
assim como é primordial para a nossa convivência.
Assim como um poema, a vida tem uma métrica.

Pode ser regular, irregular, mas de que vale pensar
apenas no próprio umbigo, sem sequer aceitar
que existem opiniões e valores diferentes por aí?
O meu ego não é inflado, se não gosta, e daí?

Eu sei que cometo erros, procuro corrigi-los
ao longo dessa caminhada longa e, também, curta.
O poema não é sobre você e os grandes giros
do mundo ao seu redor. Sábio é quem escuta.

De falar, todo mundo possui plena capacidade,
mas para escutar, parece que leva uma eternidade
para aprender. Que o egocentrismo seja ameno.
E que possamos viver, sem problemas, pelo menos.

--

É apenas um sentimento, se ajudar alguém, fico feliz. Pelo menos serve para mim.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A sorte dele é nossa também.

Ele não está morto, enterrado, sepultado.
Não está, por sorte. Dessa vez fugiu da morte.
Apenas os braços estão imobilizados,
e sofreu alguns arranhões, nenhum corte.

Tentei falar com ele, mas não atendia,
dava caixa-postal e eu sequer sabia
do que lhe aconteceu no dia anterior.

Nos falamos um pouco antes do ato,
e podia ter sido a última vez de fato.
Agora está  lá deitado sentindo dor.

Embora o receio de que vá se matar
naquela motocicleta ainda permeia
os pensamentos de quem o rodeia,
temos fé de que ele vai se recuperar.

O óleo na pista... Para nunca esquecer
que por um segundo, é tão fácil morrer.

A sua sorte, ainda bem, é nossa também.
E poderemos, de novo, ter você conosco,
estampando sorrisos nos nossos rostos.
Coisa que só você faz, e mais ninguém.

--

Se recupere logo meu amigo, um dos poucos irmãos que tenho fora da família.
Se um dia ler esse poema, espero que entenda que você é importante para todos nós.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sem medida

Como alguém pode medir
se o sentimento é imensurável?

Psicólogos podem até insistir
que a ciência é certa e estável,

mas para os que vão partir,
não há o que seja provável.

Talvez a função seja só existir
e esquecer o que é impossível.

Não vejo como medir
algo que não é palpável.

When I Die

What should I expect?
Will I go to the heavens above
or straight down
to the hell below?

I dunno if I should reject
this old belief and put
inside the drawer,
among with things unknown.

Of all the ideas I have, I think,
most have the depth of a sink.
None of them are really useful
and I don't have a single clue
if there's an afterlife...
I can't solve this strife.

But why should I care?
Death comes to everyone,
and will show her deadly stare.
So, the deed is done.

If there's hell or heaven,
a purgatory and grieving,
it really doesn't matter.
I will no more suffer,
because live is a lot harder
than die. Death is easier.

When I die, don't mourn me.
Don't ask where I'm going,
just let me rest in my passing.
Dead, that's how I should be.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nós

São pontas amarradas em forma de nós.
Mesmo quando desatadas não estão sós,
são pontas da mesma corda solta após
alguém querer tirar da sacola, uma noz.

São dois animais de uma natureza feroz,
correndo longe do ambiente sujo e atroz
para onde possam se juntarem numa voz
e nus de leis possam se lavarem na foz.

Porque o amor é irracional e para vós
é um sentimento animal; é um albatroz
que voa acima da terra de nossos avós,
nessa liberdade que cabe somente a nós.

--

Feliz aniversário! Te amo! ;*

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Despedida de um velho delirante

Não é a hora que a água sobe e me afoga,
muito menos algo que possa sentir agora,
é tudo e nada,
é a criança que na água nada.

Até me perguntaram se estava exilado,
mas o que é minha casa está aqui dentro
e estou fadado
a seguir em frente, ao meu contento,
sendo que não sou mais um rebento
já faz um bom tempo.

Não tenho mais a mão que afaga
e já nadei pela água que me afoga,
sabendo que a vida é muito mais que pedras
ao longo dessa estrada cheia de trevas.

Então peço-lhe que me jogue
no esquecimento, me afogue
até eu conseguir ver um firmamento.

Se existir tal coisa, te reservo um lugar,
afinal, de que adianta ficar sem você
e não poder te dizer como sempre vou te amar?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Experiência humana

Já parou e olhou dentro de si que de tão profundo
pensou como nada do que você faz afeta o mundo?
O planeta não deixará de girar em seu próprio eixo,
por mais que cuidemos dele com grande desleixo.

Então que tal embarcar nessa nova viagem diferente,
onde eu e você somos parte de um grande ambiente
e todos os semelhantes sabem do seu novo papel
nas ondas cósmicas que nos invadem pela luz do céu.

Sentimentalismo e opiniões se tornam coisas banais,
então individualismo acaba por terra e seca em sais.
Portanto quem quer que sinta qualquer coisa de dor
eu simpatizo e por mais que não queira, sinto dó.

Mas já fui longe e voltei, e sei que se perder em si
é uma das coisas mais perigosas pela qual vivi.
Melhor perder-se no mundo grande em que vivo
do que deixar dominar-me por cada coisa que sinto.

Então nessa viagem me livro de opiniões e besteiras,
apenas vivo bem o que me resta à minha maneira.
Se não gosta e diz que não presta como ando e falo,
me desculpe, mas suas ideias vão direto para o ralo.

O que não importa nesse universo não me interessa.
Vou de acordo com o movimento estelar, sem pressa.
Se você quer ficar na sua pequena vidinha mundana,
boa sorte! Eu vou experimentar mais a vida humana.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fim da nostalgia

Sentiu-se um tanto nostálgico
com os pensamentos voando
em vários momentos passados,
uns alegres e outros trágicos.

Na nostalgia que lhe acometeu,
pensou em diversas hipóteses,
que no presente são antíteses,
o passado passou, já morreu,

mas gostaria de poder reviver,
poder novamente ver acontecer
aquele dia perfeito com alguém,
aquela noite de verão também.

A nostalgia o deixou emotivo,
até brevemente insatisfeito,
mas o ser humano é suspeito,
é assim de tempos primitivos,

não está completamente feliz,
e a nostalgia vêm e lhe diz
que já foi melhor e contente,
bom, é hora de seguir em frente.

Sim, recordações são tocantes,
mas elas servem só em instantes
para termos alegria em lembrar,
nostalgia tem hora para acabar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Temperatura Inconstante

Onde o sol ilumina,
a sombra não fica.

O frescor da sombra
alivia o calor da luz
e o sol quente
alivia a sombra fria.

Pula de um a outro
numa inconstante
alegria.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dilema resolvido

Não crio dilemas,
eles já existem,
implicitamente.
Sei exatamente
que eles vivem
para os problemas,

e faço minha parte,
decido minhas ações
sem sequer comunicar
a quem interessar,
pois as emoções
são doces disparates.

Então quando pensa
que a mágoa é só sua,
tem toda razão.
Só que o perdão,
que passa pela rua,
é meu em presença.

Minha decisão é única:
não quero ver mais
nenhuma dessas pessoas.
Enquanto você voa
com o bando é demais,
mas o voo solo os machuca.

E quem amo se importa
com quem me fere,
se quer assim, paciência,
não quero essa penitência.
De mim não espere
nenhuma palavra torta.

Não estimo quem odeia
a pessoa que mais amo.
Meu dilema acabou.
Assim com eles ficou
o desprezo. E chamo
comigo quem e mim creia.

Se nem a pessoa que amo
levar isso em consideração,
alguém há de levar,
e se eu não achar
outra que leia meu coração,
irei só, em paz comigo mesmo.

--

O que realmente me importa nessa vida é estar em paz comigo mesmo, pois sei que só eu posso entender o que se passa comigo. Amores vêm e vão, amizades vêm e vão, familiares vêm e vão, mas eu nunca poderei escapar de mim.

Isso vale para qualquer pessoa.

Um soneto só, a pé e sem destino (solidão voluntária)

Quero andar por aí,
apenas andar e poder dizer
"Não estou nem aí!"
para quem perguntar o porquê.

Andar sem direção ou destino,
para ninguém me notar
e sequer me questionar
para onde diabos estou indo.

Onde todos querem se encontrar,
eu quero apenas me perder
e sair desse para outro caminho,

e se comigo alguém quiser andar,
não sentirei muito em lhe dizer
que prefiro caminhar sozinho.

Nada sobrevive

Estou emputecido,
decepcionado
e sem vontade de te olhar.
Como você se sentiria
se estivesse aqui,
no meu lugar?

Sempre fui de relevar,
mas só levei na cabeça.
Não vou ficar.
Talvez me esqueça
do que tive,
pois nada sobrevive.

Melhor assim.
Pelo menos nisso eu sei
que posso colocar um fim.

Adeus aos círculos viciosos

Não finjo apreço,
ou tenho, ou não tenho.

Se não gosto,
não me decepciono.

Se fere alguém que amo,
não me relaciono.

Há com quem eu faça as pazes,
há com quem eu tenha fases.
Mas quando não é nenhum caso
desses, simplesmente deixo ao acaso.
Não quero mais saber,
nem do mesmo círculo quero ser.
Círculos se tornam viciosos,
infectados, como quando um câncer atinge ossos.
É mortal, é fatal.

Nem quarentena resolve
quando a infecção não se dissolve.

Se é para manter laços que ferem,
prefiro desatar esses nós que nos prendem.

Cansado de tudo isso

Sentado,
esperando o tempo passar,
percebo que mais uma vez
me deixo levar
aonde só o ócio
consegue me arrastar,
aonde mora o ódio.

Qualquer coisa que sinto
traz a sensação de ser
apunhalado pelas costas
e dos infernos o quinto
me deixa esquecer
e não me dá respostas.

Eu não quero mais nada.
Apenas me isolar
por sei lá quanto tempo;
não quero pessoas nem ar,
nem histórias contadas.

Só meu ódio contemplo.

Não farei mais sala,
nem serei cordial.
Não serei amigo,
muito menos inimigo.
Serei só eu, e mais ninguém
poderá me roubar a fala.