Se eu te tenho por merecer,
se sou sincero ao te querer,
se sou honesto em palavras,
e com você eu sempre estava,
por que desconfia de mim?
Se não fiz algo de ruim,
deveria acreditar em mim
e não me investigar assim.
Não sou nenhum criminoso
e não te devo informação
do que faço quando ocioso.
Tenho vida própria também.
Você não é a única obrigação
que diariamente me convém.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Mas que inspiração doida
Ao ler hoje em diferentes jornais que uma certa empresa adquiriu da polícia informações sigilosas de seus empregados, tive uma certa inspiração, que alguma relação com a notícia e com um fato ocorrido recentemente na minha vida, estou fazendo um rascunho aqui de algo que pode ficar interessante para colocar nesse blog, ou não. Veremos...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Soneto do poema perdido
Já perdi poemas demais.
Joguei alguns fora,
outros o fogo devora,
mais alguns deixei lá atrás.
Mas agora guardo cada um
dos que escrevo, de rascunho
até os que tem fim, empunho
até os de significado nenhum.
Os guardo por me arrepender,
não sei como pude perder
o que escrevi para você.
Mas um dia vou reescrevê-lo
no seu corpo nu em pêlo
e meu poema será você.
Joguei alguns fora,
outros o fogo devora,
mais alguns deixei lá atrás.
Mas agora guardo cada um
dos que escrevo, de rascunho
até os que tem fim, empunho
até os de significado nenhum.
Os guardo por me arrepender,
não sei como pude perder
o que escrevi para você.
Mas um dia vou reescrevê-lo
no seu corpo nu em pêlo
e meu poema será você.
Megasena?
Ainda fico a esperar...
o dia em que eu ganhar a loteria;
muitos outros vou ajudar.
--
Isso me faz refletir sobre alguns assuntos... realmente, é necessário ter uma Ferrari em São Paulo?
o dia em que eu ganhar a loteria;
muitos outros vou ajudar.
--
Isso me faz refletir sobre alguns assuntos... realmente, é necessário ter uma Ferrari em São Paulo?
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Viola
Que arte faceira
essa brincadeira.
Criança arteira...
Seria melhor artista,
mas não dá na vista.
Adultos gostam de falar,
gostam de criticar.
Sobra ressentimento;
não tinha nada errado.
Falam de hipocrisia
e por isso, lamento.
É fácil ficar calado,
nos deixar a afasia.
Então falo para fora:
"Vocês adultos,
deixaram escapar?
O que foi embora?
Se tornaram vultos
e querem moralizar?
Que conformismo, ora!
Prefiro ser arteiro.
Fazer alguma arte,
da Lua à Marte.
E ainda vem Janeiro."
essa brincadeira.
Criança arteira...
Seria melhor artista,
mas não dá na vista.
Adultos gostam de falar,
gostam de criticar.
Sobra ressentimento;
não tinha nada errado.
Falam de hipocrisia
e por isso, lamento.
É fácil ficar calado,
nos deixar a afasia.
Então falo para fora:
"Vocês adultos,
deixaram escapar?
O que foi embora?
Se tornaram vultos
e querem moralizar?
Que conformismo, ora!
Prefiro ser arteiro.
Fazer alguma arte,
da Lua à Marte.
E ainda vem Janeiro."
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Além
Além de tudo isso
Onde possa te sentir
Em cada fagulha quente
que venha a me ferir
É algo muito além...
Deixo de ser omisso
Só para te falar
Apenas para te contar
que por você vou
Corro muito também
Me sobra tanto rebuliço
Tanta loucura se aninha
no meu peito quero
ter você minha
Serei seu e muito além...
Mais que um sumiço
com você vou-me embora
Moro mundo afora
e com a trilha sonora
que escolhemos tão bem
Me delicio com seu riso
Te paro e tiro fotos
mesmo com a sua timidez
é mais bela que flor de Lótus
Nas suas pétalas sou refém
Juntos perdemos o juízo
Voltamos a ser crianças
revivemos nossas lembranças
com todas as esperanças
de que o fim não nos tem
É assim que falo disso
do que gosto em nós
quando estamos sós
do que vêm após
Não consigo viver sem...
Sem você
Não consigo ir além
Além de tudo isso...
Onde possa te sentir
Em cada fagulha quente
que venha a me ferir
É algo muito além...
Deixo de ser omisso
Só para te falar
Apenas para te contar
que por você vou
Corro muito também
Me sobra tanto rebuliço
Tanta loucura se aninha
no meu peito quero
ter você minha
Serei seu e muito além...
Mais que um sumiço
com você vou-me embora
Moro mundo afora
e com a trilha sonora
que escolhemos tão bem
Me delicio com seu riso
Te paro e tiro fotos
mesmo com a sua timidez
é mais bela que flor de Lótus
Nas suas pétalas sou refém
Juntos perdemos o juízo
Voltamos a ser crianças
revivemos nossas lembranças
com todas as esperanças
de que o fim não nos tem
É assim que falo disso
do que gosto em nós
quando estamos sós
do que vêm após
Não consigo viver sem...
Sem você
Não consigo ir além
Além de tudo isso...
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Uma dorzinha nas costas, mas já achei um remédio!
De todos os compromisso e planos para ontem, depois do expediente de trabalho, consegui concretizar apenas um dos programados, fui ao ortopedista. Começou como um incômodo nas costas, e nas últimas duas semanas a o incômodo virou uma dor, difícil de agüentar, daquelas que atrapalha até o sono, pois demoro um tempo para achar uma posição confortável para dormir; não adianta, já virei o colchão, já tomei medicamento, até revi as palmilhas dos sapatos; ainda bem que me alongo, não sei como ficaria se não me esticasse um pouco pela manhã.
Peguei minha fiel magrela, coloquei o capacete e fui pedalando até o consultório, descendo em alta velocidade a íngrime Rua São Paulo, que fica na rua onde um amigo abriu um galpão. Tinha outros compromissos, mas a idéia me acometeu de súbito, "Desde Março você está prometendo visitar o galpão do cara, já está passando da hora, que tal fazer isso hoje?". Sim cérebro, você pensou certo, "Vou hoje, depois da consulta"; isso me ocorreu enquanto pedalava e recebia buzinas dos carros na hora do rush... aaaahhhh, esse respeito ao próximo que povo paulistano estressado coloca em prática... maridos correndo para chegar em casa em casa para pegar o Ricardão, esposas correndo para chegar em casa para esperar o marido que vem com marca de batom no colarinho da camisa. Enfim acorrentei minha bela magrela preta(está precisando de uns pequenos ajustes, mas não passa desse fim de semana, ok querida?) e entrei no consultório, o atendimento de sempre:
-Boa tarde. Documento e carteirinha do convênio, por favor.
-Boa tarde - abro a carteira, pego aquela carteirinha do convênio, aquele R.G., e é engraçado pois as fotos são bem diferentes, e meu cabelo está curto em uma e comprido na outra; nunca me questionaram, nem sequer olharam para a minha cara... parece assinatura em cartão de crédito, ninguém verifica.
-Siga o corredor até a sala dois, seu nome será chamado.
-Muito obrigado - impessoalidade é tudo, não?
Segui o corredor, sentei na cadeira e vi as revistas do consultório. Péssima idéia. Nada que me agrade, convenhamos, o único consultório médico que fui até hoje que tinha revistas legais, era de outro ortopedista, e eu tinha 10 anos de idade. As revistas, me lembro muito bem: Circo; Chiclete com Banana; Geraldão; Striptiras. O Dr. Evaristo era o único médico que conheci até hoje que tinha um gosto peculiar:
1- Revistas em quadrinhos com teores mais ácidos que nosso desentupidor de pia favorito, a Coca-cola;
2- Tinha elefantes indianos de porcelana AOS MONTES pelo consultório, todos virados de bunda para a porta, a explicação era que dava sorte e trazia pacientes(estranho modo de pensar, mas o cara se dá bem com o problema dos outros, e quanto mais gente com problemas, melhor para ele);
3- Ele tinha um piano de calda na sala principal, e de vez em quando ia me consultar(eu fui parar no gesso algumas vezes) chegava e ele estava tocando algo para a esposa, que figura.
Hoje me sobram algumas opções estranhas de leitura num consultório médico, então eu simplesmente dou aquela desmaiada, ou leio qualquer porcaria que estiver no bolso ou na carteira. "ERNESTO, SALA 2."
Fui me, expliquei a dor, não é muscular(antes fosse), martela joelho, pressiona a coluna(DÓI! Me desculpe o palavreado, mas PUTA QUE PARIU, como dói!), "sua postura continua boa, e seu alongamento também, mas temos que ver melhor isso...", recebi uma guia para fazer ressonância magnética e outra para comprar uns remédios. Vamos ver o que vai acontecer...
Saí do consultório pensando na ressonância magnética, "NUNCA FIZ, se for naqueles tubões, que todo mundo entra hoje em dia, vão ter que me dopar!", nesse pessamento, com cenas e tudo mais, já tinha pedalado por dois quarteirões e estava na frente do galpão do meu amigo. Bati na porta de ferro:
-Quem é?
-Helder, é o Ernesto - abriu na hora.
-Porra meu! Quanto tempo!
-Falei que vinha te visitar um dia!
Coloquei a bike para dentro e já me foi oferecida uma lata de cerveja, como negar? Ainda mais quando o cara está importando a marca que ninguém trouxe ainda? COMO NEGAR? Impossível! E vamos bebendo esse líquido sagrado, e de ótima qualidade!
-Como vão os negócios? Tô vendo que agora tá virando de vento em popa!
-Cara, sabe como é, dá trabalho, é o dia inteiro nessa correria aqui, mas agora faço o que gosto. Bebo o que gosto, só é complicado quando estou lá na empresa - ele trabalha na mesma companhia que eu, mas em local diferente.
-Bom, isso é só uma fase né! Eu acho que temos que tirar o melhor de lá, depois fazer algo melhor, crescer sempre!
-Pois é, crescer sempre, e para melhor!
-E como está a família, todos trabalhando?
-Sim, estão sim! Todos correndo!
-E a mulherada anda dando trabalho?
-Nem me fala, sempre tem umas doidas aí, mas você sabe né, depois que fica solteiro, o que vale é a variedade, né? Imagino que você esteja por aí também.
-Já estive, hoje estou mais sossegado, a gente conhece pessoas diferentes e as vezes acaba ficando bobão por uma.
-Ah... tá me zoando! Que história é essa?
-Nada não, não mudei nada, só estou ficando mais em casa, muita coisa para fazer por lá.
-Sei... e como está sua família?
-Estão todos bens, você devia aparecer lá para comer uma pizza!
Nesse meio tempo, histórias rolaram, cervejas também. Eu fico feliz em ver um amigo se dando bem na vida, ainda mais alguém esforçado como ele. Me mostrou os planos futuros, propaganda, eventos. Me abriu mais algumas latas, até chegar no que considero a cereja do bolo na experiência etílica de ontem: HIDROMEL lituano. Aquilo realmente encheu os olhos só de ver a garrafa. Fui servido, e que coisa boa, que mel. Amigos são assim, fazem questão da presença e da conversa, e no meio de tudo isso, soube como a vida dá voltas, pois você pode passar tempos sem ver um bom amigo, mas quando o encontra, sabe que ficará minutos ou horas conversando e o relacionamento não muda, e com álcool, tudo fica mais amigável.
A conversa se alongou mais um pouco, e chegada a hora de ir embora, brinquei:
-Cara, tinha uma dor nas costas me matando já faz um tempo, mas porra, essa breja e esse mel aí são remédios!
Ele ria.
-Meu, você vai subir pedalando? Você mora lá em cima!
-Bom, eu não tô sentindo dor, mas tô com uma preguiça filha da puta agora.
Entre risos nos despedimos, fizemos convites e vamos nos ver, como sempre, nas voltas que o mundo dá. Bravamente subi pedalando até minha casa.
Para dormir, foi tranqüilo.
Podia ter bebido mais, entre dor de cabeça e dor na coluna, certamente prefiro a primeira!
Peguei minha fiel magrela, coloquei o capacete e fui pedalando até o consultório, descendo em alta velocidade a íngrime Rua São Paulo, que fica na rua onde um amigo abriu um galpão. Tinha outros compromissos, mas a idéia me acometeu de súbito, "Desde Março você está prometendo visitar o galpão do cara, já está passando da hora, que tal fazer isso hoje?". Sim cérebro, você pensou certo, "Vou hoje, depois da consulta"; isso me ocorreu enquanto pedalava e recebia buzinas dos carros na hora do rush... aaaahhhh, esse respeito ao próximo que povo paulistano estressado coloca em prática... maridos correndo para chegar em casa em casa para pegar o Ricardão, esposas correndo para chegar em casa para esperar o marido que vem com marca de batom no colarinho da camisa. Enfim acorrentei minha bela magrela preta(está precisando de uns pequenos ajustes, mas não passa desse fim de semana, ok querida?) e entrei no consultório, o atendimento de sempre:
-Boa tarde. Documento e carteirinha do convênio, por favor.
-Boa tarde - abro a carteira, pego aquela carteirinha do convênio, aquele R.G., e é engraçado pois as fotos são bem diferentes, e meu cabelo está curto em uma e comprido na outra; nunca me questionaram, nem sequer olharam para a minha cara... parece assinatura em cartão de crédito, ninguém verifica.
-Siga o corredor até a sala dois, seu nome será chamado.
-Muito obrigado - impessoalidade é tudo, não?
Segui o corredor, sentei na cadeira e vi as revistas do consultório. Péssima idéia. Nada que me agrade, convenhamos, o único consultório médico que fui até hoje que tinha revistas legais, era de outro ortopedista, e eu tinha 10 anos de idade. As revistas, me lembro muito bem: Circo; Chiclete com Banana; Geraldão; Striptiras. O Dr. Evaristo era o único médico que conheci até hoje que tinha um gosto peculiar:
1- Revistas em quadrinhos com teores mais ácidos que nosso desentupidor de pia favorito, a Coca-cola;
2- Tinha elefantes indianos de porcelana AOS MONTES pelo consultório, todos virados de bunda para a porta, a explicação era que dava sorte e trazia pacientes(estranho modo de pensar, mas o cara se dá bem com o problema dos outros, e quanto mais gente com problemas, melhor para ele);
3- Ele tinha um piano de calda na sala principal, e de vez em quando ia me consultar(eu fui parar no gesso algumas vezes) chegava e ele estava tocando algo para a esposa, que figura.
Hoje me sobram algumas opções estranhas de leitura num consultório médico, então eu simplesmente dou aquela desmaiada, ou leio qualquer porcaria que estiver no bolso ou na carteira. "ERNESTO, SALA 2."
Fui me, expliquei a dor, não é muscular(antes fosse), martela joelho, pressiona a coluna(DÓI! Me desculpe o palavreado, mas PUTA QUE PARIU, como dói!), "sua postura continua boa, e seu alongamento também, mas temos que ver melhor isso...", recebi uma guia para fazer ressonância magnética e outra para comprar uns remédios. Vamos ver o que vai acontecer...
Saí do consultório pensando na ressonância magnética, "NUNCA FIZ, se for naqueles tubões, que todo mundo entra hoje em dia, vão ter que me dopar!", nesse pessamento, com cenas e tudo mais, já tinha pedalado por dois quarteirões e estava na frente do galpão do meu amigo. Bati na porta de ferro:
-Quem é?
-Helder, é o Ernesto - abriu na hora.
-Porra meu! Quanto tempo!
-Falei que vinha te visitar um dia!
Coloquei a bike para dentro e já me foi oferecida uma lata de cerveja, como negar? Ainda mais quando o cara está importando a marca que ninguém trouxe ainda? COMO NEGAR? Impossível! E vamos bebendo esse líquido sagrado, e de ótima qualidade!
-Como vão os negócios? Tô vendo que agora tá virando de vento em popa!
-Cara, sabe como é, dá trabalho, é o dia inteiro nessa correria aqui, mas agora faço o que gosto. Bebo o que gosto, só é complicado quando estou lá na empresa - ele trabalha na mesma companhia que eu, mas em local diferente.
-Bom, isso é só uma fase né! Eu acho que temos que tirar o melhor de lá, depois fazer algo melhor, crescer sempre!
-Pois é, crescer sempre, e para melhor!
-E como está a família, todos trabalhando?
-Sim, estão sim! Todos correndo!
-E a mulherada anda dando trabalho?
-Nem me fala, sempre tem umas doidas aí, mas você sabe né, depois que fica solteiro, o que vale é a variedade, né? Imagino que você esteja por aí também.
-Já estive, hoje estou mais sossegado, a gente conhece pessoas diferentes e as vezes acaba ficando bobão por uma.
-Ah... tá me zoando! Que história é essa?
-Nada não, não mudei nada, só estou ficando mais em casa, muita coisa para fazer por lá.
-Sei... e como está sua família?
-Estão todos bens, você devia aparecer lá para comer uma pizza!
Nesse meio tempo, histórias rolaram, cervejas também. Eu fico feliz em ver um amigo se dando bem na vida, ainda mais alguém esforçado como ele. Me mostrou os planos futuros, propaganda, eventos. Me abriu mais algumas latas, até chegar no que considero a cereja do bolo na experiência etílica de ontem: HIDROMEL lituano. Aquilo realmente encheu os olhos só de ver a garrafa. Fui servido, e que coisa boa, que mel. Amigos são assim, fazem questão da presença e da conversa, e no meio de tudo isso, soube como a vida dá voltas, pois você pode passar tempos sem ver um bom amigo, mas quando o encontra, sabe que ficará minutos ou horas conversando e o relacionamento não muda, e com álcool, tudo fica mais amigável.
A conversa se alongou mais um pouco, e chegada a hora de ir embora, brinquei:
-Cara, tinha uma dor nas costas me matando já faz um tempo, mas porra, essa breja e esse mel aí são remédios!
Ele ria.
-Meu, você vai subir pedalando? Você mora lá em cima!
-Bom, eu não tô sentindo dor, mas tô com uma preguiça filha da puta agora.
Entre risos nos despedimos, fizemos convites e vamos nos ver, como sempre, nas voltas que o mundo dá. Bravamente subi pedalando até minha casa.
Para dormir, foi tranqüilo.
Podia ter bebido mais, entre dor de cabeça e dor na coluna, certamente prefiro a primeira!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
No fim, o mar
Anunciado como fim do mundo,
profundo; mar azul escuro
sem furo, sem ar, só mar.
Joga ondas fortes na costa
exposta, ainda não afoga,
se joga; bate e rebate.
Na água o sal espuma;
fuma ao ver a violência,
a eloqüência da maré sem pé.
Não será hoje nem amanhã,
não é vã; para quem sabe,
o dia abre, sem se preocupar,
nada ao mar.
profundo; mar azul escuro
sem furo, sem ar, só mar.
Joga ondas fortes na costa
exposta, ainda não afoga,
se joga; bate e rebate.
Na água o sal espuma;
fuma ao ver a violência,
a eloqüência da maré sem pé.
Não será hoje nem amanhã,
não é vã; para quem sabe,
o dia abre, sem se preocupar,
nada ao mar.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Casual
Impessoal,
quando precisavamos de posição;
onde seria útil a personalidade;
onde tínhamos a necessidade;
quando nos faltava a emoção.
Impessoal...
Apenas animal.
quando precisavamos de posição;
onde seria útil a personalidade;
onde tínhamos a necessidade;
quando nos faltava a emoção.
Impessoal...
Apenas animal.
Violência em tudo que vejo
Ligo a televisão e tudo que vejo é sangue.
É desgraça em tudo que vejo,
e a mídia adora, explora, lucra,
manipula e aí vem o despejo,
passa o tempo, a notícia evapora.
Mas de quem é a culpa dessa violência?
Dizem que ela se gera sozinha;
acontece massacre na favela
nas estradas, semáforos e casas,
depois ninguém lembra dela.
Fico preocupado com o que vou deixar,
pois vale mais uma arma na mão
e um par de tênis Nike no pé
do que um pingo de educação,
não importe onde estiver.
Vamos nivelando por baixo do tapete,
escondendo a sujeira do dia-a-dia,
fazendo de conta que não existe,
mas o jeitinho é a velha mania
e nosso problema persiste.
Que será da próxima geração brasileira?
Será honra tomar o que é dos outros,
como se rouba uma fruta na feira?
Será que esforço é coisa para poucos,
e o resto ficará apenas na espreita?
É desgraça em tudo que vejo,
e a mídia adora, explora, lucra,
manipula e aí vem o despejo,
passa o tempo, a notícia evapora.
Mas de quem é a culpa dessa violência?
Dizem que ela se gera sozinha;
acontece massacre na favela
nas estradas, semáforos e casas,
depois ninguém lembra dela.
Fico preocupado com o que vou deixar,
pois vale mais uma arma na mão
e um par de tênis Nike no pé
do que um pingo de educação,
não importe onde estiver.
Vamos nivelando por baixo do tapete,
escondendo a sujeira do dia-a-dia,
fazendo de conta que não existe,
mas o jeitinho é a velha mania
e nosso problema persiste.
Que será da próxima geração brasileira?
Será honra tomar o que é dos outros,
como se rouba uma fruta na feira?
Será que esforço é coisa para poucos,
e o resto ficará apenas na espreita?
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
20%
20% de humidade no ar e a vontade de anunciar
o Apocalipse, fim dos dias. Mas não será assim,
nem mesmo queria esperar por horrível fim,
Ainda estamos em peixes, e solares feixes.
20% de nada para mim e para você, para todos.
80% desse vazio escuro que não se ilumina,
nem para mostrar a irrelevância de nossos votos
para com essa nossa Terra, pobre menina.
Coitado desse planeta raro que vive discutido
entre meios de idiotas parasitas inúteis
que não tem solução e vivem comedidos.
Essa metazoa vai chegar a falência múltipla
por meio de nossas personalidades fúteis,
sem observar qual gota será a última.
--
Na boa, não era para sair algo assim. Da próxima vez tento algo mais leve. Espero que chova logo.
o Apocalipse, fim dos dias. Mas não será assim,
nem mesmo queria esperar por horrível fim,
Ainda estamos em peixes, e solares feixes.
20% de nada para mim e para você, para todos.
80% desse vazio escuro que não se ilumina,
nem para mostrar a irrelevância de nossos votos
para com essa nossa Terra, pobre menina.
Coitado desse planeta raro que vive discutido
entre meios de idiotas parasitas inúteis
que não tem solução e vivem comedidos.
Essa metazoa vai chegar a falência múltipla
por meio de nossas personalidades fúteis,
sem observar qual gota será a última.
--
Na boa, não era para sair algo assim. Da próxima vez tento algo mais leve. Espero que chova logo.
domingo, 22 de agosto de 2010
Depois de algumas doses...
Me senti um tanto cosmopolita
e um tanto inspirado como Vinicius;
aproveitando cada detalhe da vista
e bebendo, o que não é um sacrifício.
Mas ao invés de passar a tarde em Itapuã,
estou comendo em Rosslyn, perto da capela;
até abri o guia, não sei onde vou amanhã,
mas será "por aí", na companhia dela.
Volto à Edimburgo meio embriagado
pensando já em clãs e seus tartans...
como me aconselhou, tenho aproveitado.
Sem ser em Itapuã acho novas tardes
e como outros lugares, guardo memórias
quando eu voltar à terra das felicidades.
e um tanto inspirado como Vinicius;
aproveitando cada detalhe da vista
e bebendo, o que não é um sacrifício.
Mas ao invés de passar a tarde em Itapuã,
estou comendo em Rosslyn, perto da capela;
até abri o guia, não sei onde vou amanhã,
mas será "por aí", na companhia dela.
Volto à Edimburgo meio embriagado
pensando já em clãs e seus tartans...
como me aconselhou, tenho aproveitado.
Sem ser em Itapuã acho novas tardes
e como outros lugares, guardo memórias
quando eu voltar à terra das felicidades.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Vital
Animal fatal,
tal qual
metal;
punhal letal.
Mal abismal,
brutal.
Viral!
Desleal.
Infernal banal, cal.
Sinal primordial;
sal umbral.
Fetal...
...rural, virginal.
Celestial fenomenal
diferencial;
local memorial.
Leal, divinal.
Imortal!
tal qual
metal;
punhal letal.
Mal abismal,
brutal.
Viral!
Desleal.
Infernal banal, cal.
Sinal primordial;
sal umbral.
Fetal...
...rural, virginal.
Celestial fenomenal
diferencial;
local memorial.
Leal, divinal.
Imortal!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
No more self-harm
While drinking, you speak to me
of failed relationships
and how brave you stand.
And while getting boozed, I see
that you need some sleep;
I try not to offend.
But you say about self-harm,
making cuts in your arm,
nailing yourself to feel
pain and smell the dew
I really don't support it;
maybe you should quit,
after all your altruism
you just wanna feel a spasm
Boy, I won't judge you,
but that's the easy way out;
maybe you'll regret it,
'Cause life has it's own curfew
and you can spend it without
this pain. Just forget it.
You waste now some precious time
and then tomorrow you're gone...
and of all things, what have you done
besides some bruises and mistime?
What about starting to care
more on what you can do apart?
To hurt your flesh isn't fair
with the effort of your art.
You've told me that depression
inspires you to paint
and gives you a true feeling.
But I disagree, without misconception,
happiness in life can't
be silliness, is too inspiring.
So please, give yourself a try;
you're even allowed to cry.
As a human being, you have emotions,
don't control them, just your motions.
As a son of something bigger,
you can be a lot better.
Have some peace in your heart,
make someone happy with your art.
of failed relationships
and how brave you stand.
And while getting boozed, I see
that you need some sleep;
I try not to offend.
But you say about self-harm,
making cuts in your arm,
nailing yourself to feel
pain and smell the dew
I really don't support it;
maybe you should quit,
after all your altruism
you just wanna feel a spasm
Boy, I won't judge you,
but that's the easy way out;
maybe you'll regret it,
'Cause life has it's own curfew
and you can spend it without
this pain. Just forget it.
You waste now some precious time
and then tomorrow you're gone...
and of all things, what have you done
besides some bruises and mistime?
What about starting to care
more on what you can do apart?
To hurt your flesh isn't fair
with the effort of your art.
You've told me that depression
inspires you to paint
and gives you a true feeling.
But I disagree, without misconception,
happiness in life can't
be silliness, is too inspiring.
So please, give yourself a try;
you're even allowed to cry.
As a human being, you have emotions,
don't control them, just your motions.
As a son of something bigger,
you can be a lot better.
Have some peace in your heart,
make someone happy with your art.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Frio
Hoje não quero trabalhar
Não quero fazer nada
estou assim já fazem 4 dias
e ontem só piorei
desanimado
que é uma porcaria
nem me mexi e já cansei
não agüento nem olhar
para aonde vou hoje
só quero ser um nada
para que não me falem hoje
machucado
por quem me usou
e por ser sincero
acabei por magoar
alguém que gosto
e agora, tonto, espero
tentar consertar
esse coração que quebrou
com o meu não me importo
e ainda faltam
horas para sair daqui
para ser livre
para ficar sozinho
nessa cidade de muitos
e poucos conhecidos
onde vislumbre
um lugar longe daqui
onde não me faltam
motivos e caminhos
que não são poucos
mas sim muitos
e talvez me levem
aonde devo ir
para desculpas pedir
aos seus pés
ao invés
de amargar aqui
nesses minutos
muitos
nessa cadeira
sentado a espreita
de inimigos dentro
desse local maldito
a longa espera da hora
de dizer tchau
de ir embora
esse tempo finito
com força enfrento
e com cara de pau
eu agüento
não quero trabalhar hoje
nem amanhã
só quero te ver
e me arrepender
mas a distância
me impede
e o cotidiano
me torna mais um mediano
trazendo
o que meu coração pede
não posso atender
nem de pronto
não sigo mais sonhos
nem adultos
nem de infância
estou me remoendo
por não poder
agora estar aí
deitado
ao seu lado
então lembro de nós,
os dois risonhos
caminhando na praia
ainda adultos
mas adolescentes
eu tirando sua roupa
nossas carícias indecentes
no corredor do hotel
o eco sensual da sua voz
os beijos que te dei
até na sua tatuagem
cheia de simbolismo
melhor que qualquer misticismo
esbanjando inteligência
não consigo pensar em outra
só você, com veemência
e o que sinto
é muito grande para
escrever nesse papel
cobre o céu
e agora não minto
assim como não menti
consenti
te falei sempre verdades
e também falei sacanagem
me sinto um lixo
e ainda falta tempo
não consigo trabalhar
não consigo parar
de pensar
e ainda falta tempo
até eu viajar
para te ver
e assim me espicho
suspiro e esse aperto
não some
nem o gosto doce
do seus beijos
tenho fome
desejo
sou imperfeito
mas não quero,
nunca vou te esquecer
e minha idade
corre avante
me deixa com saudade
é bastante
demorei tanto para sentir
aperto tão bom assim
e fui logo te ferir
sem início, meio e fim
tardei em ser romântico
nessa vida
perdi a prática do cântico
e esse dia não acaba
a hora não passa
eu trabalho para a vida
minha vida é trabalhar
e escrever
não fiz por merecer
ficou em segundo lugar
assim como no seu coração
nem ao menos devo estar.
Vontade de fazer nada.
Absolutamente, nada.
--
Já faz um tempo que escrevi este, dei uma olhada ontem e lá estava perdido, resolvi soltar antes que eu altere alguma coisa; é melhor assim.
Não quero fazer nada
estou assim já fazem 4 dias
e ontem só piorei
desanimado
que é uma porcaria
nem me mexi e já cansei
não agüento nem olhar
para aonde vou hoje
só quero ser um nada
para que não me falem hoje
machucado
por quem me usou
e por ser sincero
acabei por magoar
alguém que gosto
e agora, tonto, espero
tentar consertar
esse coração que quebrou
com o meu não me importo
e ainda faltam
horas para sair daqui
para ser livre
para ficar sozinho
nessa cidade de muitos
e poucos conhecidos
onde vislumbre
um lugar longe daqui
onde não me faltam
motivos e caminhos
que não são poucos
mas sim muitos
e talvez me levem
aonde devo ir
para desculpas pedir
aos seus pés
ao invés
de amargar aqui
nesses minutos
muitos
nessa cadeira
sentado a espreita
de inimigos dentro
desse local maldito
a longa espera da hora
de dizer tchau
de ir embora
esse tempo finito
com força enfrento
e com cara de pau
eu agüento
não quero trabalhar hoje
nem amanhã
só quero te ver
e me arrepender
mas a distância
me impede
e o cotidiano
me torna mais um mediano
trazendo
o que meu coração pede
não posso atender
nem de pronto
não sigo mais sonhos
nem adultos
nem de infância
estou me remoendo
por não poder
agora estar aí
deitado
ao seu lado
então lembro de nós,
os dois risonhos
caminhando na praia
ainda adultos
mas adolescentes
eu tirando sua roupa
nossas carícias indecentes
no corredor do hotel
o eco sensual da sua voz
os beijos que te dei
até na sua tatuagem
cheia de simbolismo
melhor que qualquer misticismo
esbanjando inteligência
não consigo pensar em outra
só você, com veemência
e o que sinto
é muito grande para
escrever nesse papel
cobre o céu
e agora não minto
assim como não menti
consenti
te falei sempre verdades
e também falei sacanagem
me sinto um lixo
e ainda falta tempo
não consigo trabalhar
não consigo parar
de pensar
e ainda falta tempo
até eu viajar
para te ver
e assim me espicho
suspiro e esse aperto
não some
nem o gosto doce
do seus beijos
tenho fome
desejo
sou imperfeito
mas não quero,
nunca vou te esquecer
e minha idade
corre avante
me deixa com saudade
é bastante
demorei tanto para sentir
aperto tão bom assim
e fui logo te ferir
sem início, meio e fim
tardei em ser romântico
nessa vida
perdi a prática do cântico
e esse dia não acaba
a hora não passa
eu trabalho para a vida
minha vida é trabalhar
e escrever
não fiz por merecer
ficou em segundo lugar
assim como no seu coração
nem ao menos devo estar.
Vontade de fazer nada.
Absolutamente, nada.
--
Já faz um tempo que escrevi este, dei uma olhada ontem e lá estava perdido, resolvi soltar antes que eu altere alguma coisa; é melhor assim.
domingo, 18 de julho de 2010
Moelleux
Esse Moelleux...
Rouge e doce.
Dionísio não me acompanha
nem no Tennessee,
muito menos na polonesa;
prefere um fermentado
sem trigo, sem cevada.
Esse Moelleux...
Doce e rouge.
Não amarrou com o morango;
no balanço até combinou
mas não como em I Modi;
no que me sinto Baco,
me falta minha Ariadne.
Com esse Moelleux...
Sinto falta de Chianti.
Anno 2006, me embriaga,
mas muito mais me agrada;
o connoiseur torce o nariz,
mas ninguém se importa;
no fim, é sempre festivo.
Como persiste
esse Moelleux...
Mas é fraco como Dionísio
cuspindo a bile de seu fígado.
Eterna criança risonha,
cheia de malícia e álcool.
Penso: nunca aprenderá...
--
Chega beber vinho por hoje, vou tomar um JD para balancear.
Rouge e doce.
Dionísio não me acompanha
nem no Tennessee,
muito menos na polonesa;
prefere um fermentado
sem trigo, sem cevada.
Esse Moelleux...
Doce e rouge.
Não amarrou com o morango;
no balanço até combinou
mas não como em I Modi;
no que me sinto Baco,
me falta minha Ariadne.
Com esse Moelleux...
Sinto falta de Chianti.
Anno 2006, me embriaga,
mas muito mais me agrada;
o connoiseur torce o nariz,
mas ninguém se importa;
no fim, é sempre festivo.
Como persiste
esse Moelleux...
Mas é fraco como Dionísio
cuspindo a bile de seu fígado.
Eterna criança risonha,
cheia de malícia e álcool.
Penso: nunca aprenderá...
--
Chega beber vinho por hoje, vou tomar um JD para balancear.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Insônia em Copa
Perdido nesse quarto de hotel
vendo a noite calma passar
tirei o relógio e até o anel
debruço na janela para olhar
Copacabana maravilhosa
e sua maré alta toda teimosa
eu ouço as ondas e nada mais
faz a mente voar lá para trás
Eu me deito sentindo a brisa
me sinto só na cama de casal
sua lembrança me aterroriza
nem essa solidão me faz tão mal
na televisão passa filme ruim
nem andar na areia põe um fim
no devaneio dessa insônia
lábio escarlate de begônia.
--
Tentando métricas diferentes, os resultados tem sido interessantes.
vendo a noite calma passar
tirei o relógio e até o anel
debruço na janela para olhar
Copacabana maravilhosa
e sua maré alta toda teimosa
eu ouço as ondas e nada mais
faz a mente voar lá para trás
Eu me deito sentindo a brisa
me sinto só na cama de casal
sua lembrança me aterroriza
nem essa solidão me faz tão mal
na televisão passa filme ruim
nem andar na areia põe um fim
no devaneio dessa insônia
lábio escarlate de begônia.
--
Tentando métricas diferentes, os resultados tem sido interessantes.
terça-feira, 6 de julho de 2010
"Aborrescente"
Adolescente adora fazer caso...
Prazo e uma boba paixonite,
soma-se as doenças e rinite.
Ah... o descaso efervescente.
Para que sofrer sem necessidade
nessa idade tão nova?
Ainda nem levou uma sova...
tem muito para se viver.
Não adianta sequer explicar,
teimoso não quer ouvir,
e ninguém pode decidir.
Até para reclamar ele canta.
Essa faixa etária enlouquece
pais, adultos e professores,
faltam-lhe paz e sabores.
E não esquece a pituitária!
Até tem estresse hormonal!
Vontade de esmurrar.
Necessidade de rebelar
contra o mal que lhe aquece.
Educadores colocam limites.
Pretende uma revolução,
ganhar uma nova emoção,
até que cogite novos amores.
A vida é um negócio chato,
todos querem lhe mandar,
é pior se não quiser acatar,
então, como "adulto", ele lida.
Não demora muito para passar.
Logo terá carro e independência.
Ninguém lhe tirará a paciência,
"É bom sonhar", então comemora.
--
Vida difícil, hein? hehehehehe
Prazo e uma boba paixonite,
soma-se as doenças e rinite.
Ah... o descaso efervescente.
Para que sofrer sem necessidade
nessa idade tão nova?
Ainda nem levou uma sova...
tem muito para se viver.
Não adianta sequer explicar,
teimoso não quer ouvir,
e ninguém pode decidir.
Até para reclamar ele canta.
Essa faixa etária enlouquece
pais, adultos e professores,
faltam-lhe paz e sabores.
E não esquece a pituitária!
Até tem estresse hormonal!
Vontade de esmurrar.
Necessidade de rebelar
contra o mal que lhe aquece.
Educadores colocam limites.
Pretende uma revolução,
ganhar uma nova emoção,
até que cogite novos amores.
A vida é um negócio chato,
todos querem lhe mandar,
é pior se não quiser acatar,
então, como "adulto", ele lida.
Não demora muito para passar.
Logo terá carro e independência.
Ninguém lhe tirará a paciência,
"É bom sonhar", então comemora.
--
Vida difícil, hein? hehehehehe
sábado, 3 de julho de 2010
Briga e carmesim
Tudo começa assim,
aos gritos,
aos berros,
xingando,
quebrando copos,
jogando pratos.
Essa não terá fim,
não será bom,
as malas,
abertas,
as roupas,
amassadas.
Pensamento ruim,
e segue fora
de hora e tom,
o tapa,
a marca,
a súplica.
Vira aquele motim,
sem perdão,
não merecia,
pensa
em execução,
pega a arma.
Aponta para ele enfim,
apavora,
grita e berra,
aperta,
esgana,
dá o clique.
Bala de festim!?
Revolta,
ele bate,
ela revida,
uma coronhada,
um beijo.
Escorre o carmesim,
roupas rasgadas,
amor quente,
na mesa,
no chão,
só paixão.
--
Casal estranho, não?
aos gritos,
aos berros,
xingando,
quebrando copos,
jogando pratos.
Essa não terá fim,
não será bom,
as malas,
abertas,
as roupas,
amassadas.
Pensamento ruim,
e segue fora
de hora e tom,
o tapa,
a marca,
a súplica.
Vira aquele motim,
sem perdão,
não merecia,
pensa
em execução,
pega a arma.
Aponta para ele enfim,
apavora,
grita e berra,
aperta,
esgana,
dá o clique.
Bala de festim!?
Revolta,
ele bate,
ela revida,
uma coronhada,
um beijo.
Escorre o carmesim,
roupas rasgadas,
amor quente,
na mesa,
no chão,
só paixão.
--
Casal estranho, não?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
2010...
É... repetéco de 2006...
Agora só me resta torcer para o Timão no brasileirão.
Essa vida de sofredor tá foda.
Agora só me resta torcer para o Timão no brasileirão.
Essa vida de sofredor tá foda.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ele sobreviveu
Gregório está na cama do hospital, nem parece que já se passaram três dias, ou seriam quatro? Ele já não tem certeza, nem de quanto tempo passou, nem de quanto tempo ficará ainda, mas o pior já passou. Na fila do transplante por mais de três anos, de repente esses três, ou quatro dias, deixam de parecer uma eternidade, comparados aos anos de espera, mas mesmo com livros, televisão, comida, pessoas cuidando de sua saúde, esses poucos dias ainda incomodam, parecem um longo tempo. Talvez o tempo não seja comparável, não seja realmente contabilizado da maneira correta, tão estranho, ele pensa. Sessenta e dois anos... meia-dúzia e depois o dois, que diabos! Passou tão rápido, era tão fácil quarenta anos atrás...
Na verdade ele sente melancolia, pois lembra do irmão. Sente saudades dos tempos áureos, como diria o Ricardo, “tempos malucos, Gório, maluquices sem fim...”
Nunca mais viu Ricardo, ele virou a cara para todos nós, pensou. Passou a mão pela cabeça, ainda sentia aquela tontura, talvez o sangue não estivesse irrigando a cabeça direito, talvez seja efeito dessa alimentação controlada, essas horas uma cervejinha iria bem, só para dar uma inebriada no sentimento, na verdade queria mesmo era uma garrafa de whiskey, serve até cachaça! NÃO! Está sóbrio já faz dez anos, e se não fosse por isso, estaria enterrado ao lado de Daniel. Quando tudo isso começou? Mal se lembra, realmente foram tempos muito loucos, ainda mais quando conheceu Geraldo, Felipe e o resto dos Mortos, nós da Ampulheta ainda éramos novos no meio e nem tínhamos idéia do que existia de doideira nesse mundo. Foi um pouco antes disso, foi quando Daniel me presenteou com aquele órgão... Hammond-B3... paixão de infância, eu ficava tentando tocar num desses que tinha no bar perto de casa. Uma lembrança muito engraçada surge desse dia, ele chegando na casa que Daniel dividia com Ricardo e o resto da trupe, Cláudio, Jaime e Bruno. Violão nas costas e uma pequena mala na mão.
“Gório! Você veio mesmo! Pessoal era justamente dele que eu estava falando ontem. Meu irmão, Gregório. Ele vai canta.” Daniel realmente botava fé, acreditava em mim, Jaime e Bruno olharam com aquela cara de que tudo estava bem, e lógico estavam sedentos para fazer um som. Apenas Cláudio e Ricardo questionaram “Ele sabe cantar mesmo?”, Daniel já foi mandando, “Gório, canta aquele blues do Son House aê, Grinnin’ In Your Face! Mostra pra eles o fazíamos lá na nossa cidade!”
Eu soltei a garganta, era o que eu sabia fazer de verdade, o violão só me ajudava a compor e fazer um andamento, quem tinha a prática era o Daniel, ele era o apaixonado pelas cordas, e eu pelas teclas. Abriu um sorriso para esta lembrança. Sentia-se feliz, e afortunado por ter participado de algo tão grande. Lembra daquele dia, com gosto, ainda mais pelo presente, Daniel o chamou para a sala de ensaio e falou “Para você entrar na banda, só tem uma condição a cumprir agora, aprende a tocar aquela porra ali!”, Daniel ria, quase ao ponto de se mijar, teve que ir ao banheiro, Gregório lembra da risada do irmão, em tom de desafio, mas ele estava rindo demais por ver o irmão mais novo chorando de alegria, parecia criança quando ganhava uma bicicleta, levando em conta que na década de 60, uma bicicleta era para poucos, assim como um Hammond-B3 de madeira, aliás, é para poucos até hoje. Daniel voltava do banheiro, Jaime e Bruno entraram na sala riram junto, e o último estendeu a mão “Júnior, levanta aê! O lance é o seguinte, pega esse livro aqui, e destrincha, você tem dois dias para aprender alguma coisa, esse fim de semana não terá ensaio, precisamos trabalhar, ok?”, Jaime batia nas costas do novo membro, gargalhando, e dizia que “Tudo vai ficar bem, você vai dar conta. Daniel disse que você tem umas composições, por que não passa para a tecladeira?”, “Vou tentar, dois dias né?”. Ricardo entra na sala, “Dois dias, e dois baseados, presentinho para você, seja bem vindo de volta ao sul! Mas estude antes hein!”, todos riam, até o Cláudio encostado na porta.
“Foi assim que começamos, foi assim que comecei.”
A doença veio a ele devido aos anos desregrados, mas ele não se arrepende disso, pode se arrepender de outras coisas, mas não dos momentos divertidos, do começo de tudo.
“Gório! Como está meu querido? Esse repouso está um saco né?”
A voz de Felipe, Deus, quanto tempo não o via, já fazia mais de um ano! Felipe é companheiro de longa data, daqueles tempos loucos de verdade. Oito anos mais velho, e passou pela mesma operação doze anos atrás, transplante de fígado, Hepatite C. Hoje ele faz campanha sobre doação de órgãos, doze anos após o transplante, está inteiro. “E aí, está pronto para tomar umas geladas? Trouxe umas latas aqui para você e...”, Gório arregalou os olhos “...calma é brincadeira!”, levanta uma garrafa térmica. “O médico disse que chá era permitido, garanto que este aqui vai te fazer viajar longe! BRINCADEIRINHA!!!”, sempre o piadista, as drogas ficaram para trás já há muito tempo, ambos são sobreviventes da época do Amor Livre, Natureza, Paz, Música e Revolução. “É erva mate, meu amigo.”
Coçando a barba, balbucia umas palavras “Pô Felipe...”
“O que foi meu?”, olha para Gório, enquanto serve chá na caneca.
“Você é foda hein! Cada brincadeira! Não posso ficar dando muita risada, porque eu sinto puxar esses pontos de merda!”, Gório ri leve, para descarregar a tensão, “Dê-me esse chá, por favor.”
“Ahhhh... o sulista aprendeu a ser educado com o tempo hein! Está até falando “por favor”! Tudo bem, entendo a situação.”, Felipe lembra de todos ao seu lado, tanto no transplante, quanto no câncer de próstata, oito anos depois, azar, MUITO AZAR, pensa, mas a sorte bateu de novo na porta e lhe concedeu mais um tempo, e ele está aproveitando bem, não aparenta setenta anos. “Lembro de vocês todos me visitando, até os moleques, como estão?”
“Estão bem, vieram me visitar já. Aparecem todos os dias.”, pensa como é bom conversar com um amigo vivo daquela época. “E a família como vai? E a OUTRA família?”
“Estamos todos bens, ainda bem, mandaram desejos de melhores e virão te visitar depois. A OUTRA família está bem, o Roberto e o William me disseram que já passaram aqui, e o Michel vai dar um pulo aqui amanhã. Vamos nos juntar para uma temporada, sabe como é, né?”, Felipe faz uma cara feliz, mas triste ao mesmo tempo.
“O Geraldo faz falta na banda né? É como o Daniel, os dois eram meio que guias espirituais... o que será que acontece com esses guitarristas?”, ri leve, pois lembra das duas bandas tocando juntas perdidas em qualquer canto do país.
“Ele faz falta sim, o Ronaldo também, cara acho que todos que já se foram fazem falta... o Bruno era um que vocês adoravam e se foi um ano depois do Daniel, e quase no mesmo lugar... eles eram família.”
“Pois é... mas o Geraldo e o Daniel realmente sabiam como mover, nos levar para a frente. Se não fosse pelo Ricardo, eu teria parado lá mesmo, teria feito o mesmo que vocês, terminado a banda e faria algo sozinho...”, mas foi melhor assim, pensou.
Felipe ria, “Desculpe-me, mas você lembra daquela noite que o Geraldo ficou alucinado e não parou de solar e de repente o Daniel se juntou e os dois ficaram numa conversa muito doida? Aquilo foi mágico, e era engraçado pois eles pareciam crianças...”
Realmente tinha sido uma noite mágica, praticamente três bandas no mesmo palco dando o melhor de si num bis de quase uma hora. “Rapaz, éramos para esquecer aquela noite, depois de tanta porcaria no camarim! Mas não dá, foi mágico! A banda do Pedro subia junto, quando vimos tinha cerca de dezesseis ou dezessete pessoas mandando um improviso!”, nunca mais se repetiu... “Nunca mais aconteceu... o Pedro enlouqueceu logo depois disso né... mas que momento! Guardemos as coisas boas, de ruim que fique só as saudades!”, Gregório não escondia o sorriso, contente por ter participado daquela noite, contente por tudo que teve.
Felipe concordou e acrescentou “Vamos, beba esse chá, branquelo! Daqui a pouco chegam as suas bolachas de papagaio.”
O tempo passou, e memórias encheram aquele quarto de hospital, coloridas, alucinógenas, piadas, coisas boas da vida, ambos sabem o quanto foram bem afortunados, o quanto se passou até estarem onde estão. Ainda não é hora de acabar.
“Está no fim do horário de visita, tenho que ir”, fechava a garrafa, “mas volto amanhã, trago algum livro para você?”
Gório pensou, não sabia o que ler, ficou na indecisão, e por fim decidiu “Me traga uma escaleta, um caderno e uma caneta, ainda posso assoprar. E me faz mais um favor, me traga a nova edição do Batman, quero ler qualquer coisa, com figuras, livros eu posso ler em casa, lá as paredes não são brancas.”, Felipe riu junto.
“Tudo bem, amanhã eu trago! Durma bem. E para você tem uma surpresa aí na gaveta do criado mudo. Tchau!” saiu rápido como se tivesse algum compromisso.
“Surpresa!?” Abriu a gaveta e viu, não poderia ser, maconha? Ele bolou um baseado? O filho da mãe trouxe maconha para o hospital? Só pode estar de brincadeira! Cheirou o cigarro, mas não tinha cheiro de maconha, pelo contrário, ele sempre falou que a comida de hospital era ruim e sem graça, ainda mais bolachas água-e-sal... é um cigarro de chocolate. Gregório ri, sente dor, mas ri mesmo assim... “sempre o brincalhão... esse não tem jeito...”. Mastiga o chocolate, e se acalma do riso. Amanhã é outro dia, mais um dia, ainda bem.
--
Gregg Allman, um dos músicos que mais admiro, passou por um transplante de fígado recentemente. Decidi fazer esse pequeno conto/crônica, sobre ele como paciente em recuperação, conversando com Phil Lesh(outro ótimo músico, que passou também por transplante de fígado) sobre os bons tempos, onde a Allman Brothers Band se juntava com o Grateful Dead e até o Fleetwood Mac no mesmo palco, mandando jams em shows de mais de três horas de duração. E lógico, uma pequena piada com os famosos "cigarros de chocolate", que eu comprava quando criança.
Aqui está o link com a notícia: http://kissfm.com.br/noticias/gregg-allman-passa-por-transplante-de-figado/
Que músicos como ele e seus amigos vivam por muito mais tempo.
Na verdade ele sente melancolia, pois lembra do irmão. Sente saudades dos tempos áureos, como diria o Ricardo, “tempos malucos, Gório, maluquices sem fim...”
Nunca mais viu Ricardo, ele virou a cara para todos nós, pensou. Passou a mão pela cabeça, ainda sentia aquela tontura, talvez o sangue não estivesse irrigando a cabeça direito, talvez seja efeito dessa alimentação controlada, essas horas uma cervejinha iria bem, só para dar uma inebriada no sentimento, na verdade queria mesmo era uma garrafa de whiskey, serve até cachaça! NÃO! Está sóbrio já faz dez anos, e se não fosse por isso, estaria enterrado ao lado de Daniel. Quando tudo isso começou? Mal se lembra, realmente foram tempos muito loucos, ainda mais quando conheceu Geraldo, Felipe e o resto dos Mortos, nós da Ampulheta ainda éramos novos no meio e nem tínhamos idéia do que existia de doideira nesse mundo. Foi um pouco antes disso, foi quando Daniel me presenteou com aquele órgão... Hammond-B3... paixão de infância, eu ficava tentando tocar num desses que tinha no bar perto de casa. Uma lembrança muito engraçada surge desse dia, ele chegando na casa que Daniel dividia com Ricardo e o resto da trupe, Cláudio, Jaime e Bruno. Violão nas costas e uma pequena mala na mão.
“Gório! Você veio mesmo! Pessoal era justamente dele que eu estava falando ontem. Meu irmão, Gregório. Ele vai canta.” Daniel realmente botava fé, acreditava em mim, Jaime e Bruno olharam com aquela cara de que tudo estava bem, e lógico estavam sedentos para fazer um som. Apenas Cláudio e Ricardo questionaram “Ele sabe cantar mesmo?”, Daniel já foi mandando, “Gório, canta aquele blues do Son House aê, Grinnin’ In Your Face! Mostra pra eles o fazíamos lá na nossa cidade!”
Eu soltei a garganta, era o que eu sabia fazer de verdade, o violão só me ajudava a compor e fazer um andamento, quem tinha a prática era o Daniel, ele era o apaixonado pelas cordas, e eu pelas teclas. Abriu um sorriso para esta lembrança. Sentia-se feliz, e afortunado por ter participado de algo tão grande. Lembra daquele dia, com gosto, ainda mais pelo presente, Daniel o chamou para a sala de ensaio e falou “Para você entrar na banda, só tem uma condição a cumprir agora, aprende a tocar aquela porra ali!”, Daniel ria, quase ao ponto de se mijar, teve que ir ao banheiro, Gregório lembra da risada do irmão, em tom de desafio, mas ele estava rindo demais por ver o irmão mais novo chorando de alegria, parecia criança quando ganhava uma bicicleta, levando em conta que na década de 60, uma bicicleta era para poucos, assim como um Hammond-B3 de madeira, aliás, é para poucos até hoje. Daniel voltava do banheiro, Jaime e Bruno entraram na sala riram junto, e o último estendeu a mão “Júnior, levanta aê! O lance é o seguinte, pega esse livro aqui, e destrincha, você tem dois dias para aprender alguma coisa, esse fim de semana não terá ensaio, precisamos trabalhar, ok?”, Jaime batia nas costas do novo membro, gargalhando, e dizia que “Tudo vai ficar bem, você vai dar conta. Daniel disse que você tem umas composições, por que não passa para a tecladeira?”, “Vou tentar, dois dias né?”. Ricardo entra na sala, “Dois dias, e dois baseados, presentinho para você, seja bem vindo de volta ao sul! Mas estude antes hein!”, todos riam, até o Cláudio encostado na porta.
“Foi assim que começamos, foi assim que comecei.”
A doença veio a ele devido aos anos desregrados, mas ele não se arrepende disso, pode se arrepender de outras coisas, mas não dos momentos divertidos, do começo de tudo.
“Gório! Como está meu querido? Esse repouso está um saco né?”
A voz de Felipe, Deus, quanto tempo não o via, já fazia mais de um ano! Felipe é companheiro de longa data, daqueles tempos loucos de verdade. Oito anos mais velho, e passou pela mesma operação doze anos atrás, transplante de fígado, Hepatite C. Hoje ele faz campanha sobre doação de órgãos, doze anos após o transplante, está inteiro. “E aí, está pronto para tomar umas geladas? Trouxe umas latas aqui para você e...”, Gório arregalou os olhos “...calma é brincadeira!”, levanta uma garrafa térmica. “O médico disse que chá era permitido, garanto que este aqui vai te fazer viajar longe! BRINCADEIRINHA!!!”, sempre o piadista, as drogas ficaram para trás já há muito tempo, ambos são sobreviventes da época do Amor Livre, Natureza, Paz, Música e Revolução. “É erva mate, meu amigo.”
Coçando a barba, balbucia umas palavras “Pô Felipe...”
“O que foi meu?”, olha para Gório, enquanto serve chá na caneca.
“Você é foda hein! Cada brincadeira! Não posso ficar dando muita risada, porque eu sinto puxar esses pontos de merda!”, Gório ri leve, para descarregar a tensão, “Dê-me esse chá, por favor.”
“Ahhhh... o sulista aprendeu a ser educado com o tempo hein! Está até falando “por favor”! Tudo bem, entendo a situação.”, Felipe lembra de todos ao seu lado, tanto no transplante, quanto no câncer de próstata, oito anos depois, azar, MUITO AZAR, pensa, mas a sorte bateu de novo na porta e lhe concedeu mais um tempo, e ele está aproveitando bem, não aparenta setenta anos. “Lembro de vocês todos me visitando, até os moleques, como estão?”
“Estão bem, vieram me visitar já. Aparecem todos os dias.”, pensa como é bom conversar com um amigo vivo daquela época. “E a família como vai? E a OUTRA família?”
“Estamos todos bens, ainda bem, mandaram desejos de melhores e virão te visitar depois. A OUTRA família está bem, o Roberto e o William me disseram que já passaram aqui, e o Michel vai dar um pulo aqui amanhã. Vamos nos juntar para uma temporada, sabe como é, né?”, Felipe faz uma cara feliz, mas triste ao mesmo tempo.
“O Geraldo faz falta na banda né? É como o Daniel, os dois eram meio que guias espirituais... o que será que acontece com esses guitarristas?”, ri leve, pois lembra das duas bandas tocando juntas perdidas em qualquer canto do país.
“Ele faz falta sim, o Ronaldo também, cara acho que todos que já se foram fazem falta... o Bruno era um que vocês adoravam e se foi um ano depois do Daniel, e quase no mesmo lugar... eles eram família.”
“Pois é... mas o Geraldo e o Daniel realmente sabiam como mover, nos levar para a frente. Se não fosse pelo Ricardo, eu teria parado lá mesmo, teria feito o mesmo que vocês, terminado a banda e faria algo sozinho...”, mas foi melhor assim, pensou.
Felipe ria, “Desculpe-me, mas você lembra daquela noite que o Geraldo ficou alucinado e não parou de solar e de repente o Daniel se juntou e os dois ficaram numa conversa muito doida? Aquilo foi mágico, e era engraçado pois eles pareciam crianças...”
Realmente tinha sido uma noite mágica, praticamente três bandas no mesmo palco dando o melhor de si num bis de quase uma hora. “Rapaz, éramos para esquecer aquela noite, depois de tanta porcaria no camarim! Mas não dá, foi mágico! A banda do Pedro subia junto, quando vimos tinha cerca de dezesseis ou dezessete pessoas mandando um improviso!”, nunca mais se repetiu... “Nunca mais aconteceu... o Pedro enlouqueceu logo depois disso né... mas que momento! Guardemos as coisas boas, de ruim que fique só as saudades!”, Gregório não escondia o sorriso, contente por ter participado daquela noite, contente por tudo que teve.
Felipe concordou e acrescentou “Vamos, beba esse chá, branquelo! Daqui a pouco chegam as suas bolachas de papagaio.”
O tempo passou, e memórias encheram aquele quarto de hospital, coloridas, alucinógenas, piadas, coisas boas da vida, ambos sabem o quanto foram bem afortunados, o quanto se passou até estarem onde estão. Ainda não é hora de acabar.
“Está no fim do horário de visita, tenho que ir”, fechava a garrafa, “mas volto amanhã, trago algum livro para você?”
Gório pensou, não sabia o que ler, ficou na indecisão, e por fim decidiu “Me traga uma escaleta, um caderno e uma caneta, ainda posso assoprar. E me faz mais um favor, me traga a nova edição do Batman, quero ler qualquer coisa, com figuras, livros eu posso ler em casa, lá as paredes não são brancas.”, Felipe riu junto.
“Tudo bem, amanhã eu trago! Durma bem. E para você tem uma surpresa aí na gaveta do criado mudo. Tchau!” saiu rápido como se tivesse algum compromisso.
“Surpresa!?” Abriu a gaveta e viu, não poderia ser, maconha? Ele bolou um baseado? O filho da mãe trouxe maconha para o hospital? Só pode estar de brincadeira! Cheirou o cigarro, mas não tinha cheiro de maconha, pelo contrário, ele sempre falou que a comida de hospital era ruim e sem graça, ainda mais bolachas água-e-sal... é um cigarro de chocolate. Gregório ri, sente dor, mas ri mesmo assim... “sempre o brincalhão... esse não tem jeito...”. Mastiga o chocolate, e se acalma do riso. Amanhã é outro dia, mais um dia, ainda bem.
--
Gregg Allman, um dos músicos que mais admiro, passou por um transplante de fígado recentemente. Decidi fazer esse pequeno conto/crônica, sobre ele como paciente em recuperação, conversando com Phil Lesh(outro ótimo músico, que passou também por transplante de fígado) sobre os bons tempos, onde a Allman Brothers Band se juntava com o Grateful Dead e até o Fleetwood Mac no mesmo palco, mandando jams em shows de mais de três horas de duração. E lógico, uma pequena piada com os famosos "cigarros de chocolate", que eu comprava quando criança.
Aqui está o link com a notícia: http://kissfm.com.br/noticias/gregg-allman-passa-por-transplante-de-figado/
Que músicos como ele e seus amigos vivam por muito mais tempo.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
De repente
Papel, caneta e violão.
Canção escrita agora,
fora com essa careta,
não é cordel do sertão,
um pouco mais demora.
Dedilha aquele acorde
ouvindo o doce som.
Até chama uma matilha
que ladra mas não morde,
vindo só cão do bom.
Logo a tinta foi vazar...
Um borrão no esboço,
é osso, duro de roer!
Essa carne de pescoço
que não posso marcar.
Era para começar em Dó.
Tentei, mas não deu pé.
A harmonia ainda é pó,
cantei a nova melodia.
Mudei, vai ficar em Ré.
No bater da minha bota
sigo um novo compasso.
Late um cão ao meu lado
que desata o meu cadarço,
enquanto canto outra nota.
Canção escrita agora,
fora com essa careta,
não é cordel do sertão,
um pouco mais demora.
Dedilha aquele acorde
ouvindo o doce som.
Até chama uma matilha
que ladra mas não morde,
vindo só cão do bom.
Logo a tinta foi vazar...
Um borrão no esboço,
é osso, duro de roer!
Essa carne de pescoço
que não posso marcar.
Era para começar em Dó.
Tentei, mas não deu pé.
A harmonia ainda é pó,
cantei a nova melodia.
Mudei, vai ficar em Ré.
No bater da minha bota
sigo um novo compasso.
Late um cão ao meu lado
que desata o meu cadarço,
enquanto canto outra nota.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Cuidado com a foto
Vá lá comprar
aquele elástico,
porque vai precisar
prender esse plástico.
Uma, duas voltas,
a terceira não dá,
o maldito estoura.
Então pegue um
daqueles barbantes.
Dê voltas e faça
um nó num
breve instante.
Que fique apertado
e nunca desatado.
Agora esse canudo
está preso direito?
Não causará efeito
aquela foto em desnudo.
Mas e se a verem?
Trate de ficar mudo,
ela não pode saber.
E todos que a viram
ficaram fascinados.
Quando ela passear,
ficará ressabiado.
E outros assobiam...
Quem mandou errar?
Então tome cuidado.
aquele elástico,
porque vai precisar
prender esse plástico.
Uma, duas voltas,
a terceira não dá,
o maldito estoura.
Então pegue um
daqueles barbantes.
Dê voltas e faça
um nó num
breve instante.
Que fique apertado
e nunca desatado.
Agora esse canudo
está preso direito?
Não causará efeito
aquela foto em desnudo.
Mas e se a verem?
Trate de ficar mudo,
ela não pode saber.
E todos que a viram
ficaram fascinados.
Quando ela passear,
ficará ressabiado.
E outros assobiam...
Quem mandou errar?
Então tome cuidado.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ao Sr. José
Meus heróis estão morrendo
um por vez
caindo
cedendo
desistindo
nessa insensatez
E lá se vai o grande humanista
sempre cético
comunista
escriba ibérico
dos ateus
sempre sem deus
E isso nunca importou
apenas para a igreja
irrelevante
só almejou
mas adiante
nunca festeja
E mesmo sem fé divina
ele acreditou
em liberdades
e relatou
na mais fina
de todas as verdades
Ele fará parte da lista
dos heróis
literários
sempre feroz
cronista
humanitário
Sempre terá respeito
da memória
nada apago
nada desfeito
na história
do gênio Saramago.
um por vez
caindo
cedendo
desistindo
nessa insensatez
E lá se vai o grande humanista
sempre cético
comunista
escriba ibérico
dos ateus
sempre sem deus
E isso nunca importou
apenas para a igreja
irrelevante
só almejou
mas adiante
nunca festeja
E mesmo sem fé divina
ele acreditou
em liberdades
e relatou
na mais fina
de todas as verdades
Ele fará parte da lista
dos heróis
literários
sempre feroz
cronista
humanitário
Sempre terá respeito
da memória
nada apago
nada desfeito
na história
do gênio Saramago.
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