domingo, 9 de maio de 2010
Um caso anual
Mas é culpa dela?
Será que conspirou contra o Domingo?
Assassinou mais um dia?
Não! Assim como uma arma, esta ampulheta é apenas uma ferramenta. Ela tem que ser manipulada por alguém. Alguém consciente do que faz. Alguém com um crime premeditado. Este alguém é frio e calculista, mas não se revela, nunca. Apenas temos dúvidas e nada de respostas sobre sua identidade... e talvez estejamos errados, pois podem ser mais de um elemento.
Mas o que teria Domingo feito para merecer tal castigo? A vítima era responsável por alguma atrocidade? Convenhamos, dia nove de Maio de dois mil e dez, dia das mães. Um paradoxo se segue e todo ano acontece este assassinato. Seja por uma criança atrevida que não respeita aquela que a gerou, seja por um adolescente revoltado e querendo chamar atenção, seja por um adulto que larga a mãe sem cuidados, mesmo quando viúva.
Domingo, seria sua culpa ser o "dia das mães"? Seus colegas no calendário não tomam partido algum em homenagearem estas que trazem vida ao mundo, e não tem culpa pelo término de sua existência. Portanto tu és o único com coragem de se entregar de peito aberto.
O teu assassino deve ser o mesmo que nos tira a vida, e se for, um dia terá que se explicar com todos. Cada um de nós tem uma ampulheta, e a minha talvez esteja longe de ser virada, mas quando virarem, estarei questionando, mesmo conformado com a única certeza, nada será em vão, nem a sua morte.
Obrigado por ser o mártir deste ano, tens o meu respeito.
Minha mãe sempre terá meu amor.
:)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Futebol, música, livro, filme e ciclos...
Eu não costumo ser supersticioso, mas fico pensando no que me ocorreu durante o dia, e tudo de alguma forma tem algo relacionado com fim de uma fase, e começo de outra, transições... Acordei em jejum, pois tinha que fazer uma coleta de sangue, coisa trivial, mas é a ÚLTIMA de uma série de coletas de sangue. Após isto, ACABEI com o meu jejum, ou melhor dizendo comecei um desjejum, foi uma transição. E mais tarde fui no ortopedista, para começar uma série de consultas. Contando tudo isso, parece até que sou uma pessoa muito doente e hipocondríaca, mas longe disso, são só exames de praxe, e quanto a consulta ortopédica, bem, é fruto de uma partida de futebol com os amigos no último sábado. O meu único mal, realmente, neste momento, é ser o que escolhi desde pequeno, ser Corinthiano, ser sofredor, ser "LÔCO", e nunca abandonar, nunca deixar de torcer.
Sei que muitos nem ligam tanto para futebol assim, muito menos para superstições, mas será que fiz certo em finalizar algumas coisas logo hoje? Por exemplo, terminei de ler "Laranja Mecânica", livro do Anthony Burgess, mas será que deveria ter esperar até amanhã para terminar a leitura? O fim do livro, é uma transição(olha ela aí de novo) da 'jizna' 'nadsat' de Alex, cheia de 'ultraviolência', 'veshkas voni graznis', 'molokos' entupidos de drogas, Nonas de Ludwig van, 'druguis' traiçoeiros e diversões, para a vida adulta, responsável e familiar. Este último capítulo foi excluído das cópias americanas, de onde foi tirado o roteiro do filme de Stanley Kubrick, então é algo novo, e vou parar por aqui, pois não quero estragar a leitura de ninguém. Posso relacionar ao ciclo que o Timão encerrou(Copa Libertadores 2010), como Alex, e irá iniciar, no Campeonato Brasileiro deste ano, e amanhã eu começo um novo livro, "Clarissa", de Erico Veríssimo, pois preciso ler algo mais humano e menos caótico.
Está acompanhando a superstição toda?
Então tem mais uma, cheguei em casa e assisti "The Last Waltz"(juro, não sei como essa mídia ainda não derreteu de tanto que já assisti o dvd!), o último concerto da The Band em sua formação completa e original, e para mim, o melhor show de rock já gravado em vídeo com diversos convidados de alto calibre(Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison, Eric Clapton, Muddy Waters, Ron Wood, Ringo Starr, Joni Mitchell, Emmylou Harris, e mais alguns...), a direção impecável de Martin Scorsese uma celebração completa, e mesmo que bonita, triste em sua essência. Robbie Robertson(guitarra e vocais) não agüentava mais sair em turnês(hoje em dia ele compõe e produz trilhas sonoras para filmes, sendo requisitado pelo já mencionado Scorsese) e queria sossegar em casa; Richard Manuel(piano e vocais) não agüentou muito, foi o primeiro a sucumbir e se despedir do mundo, vítima de uma vida desregrada de bebedeira, resolveu se suicidar, se entupindo de cocaína, tomando uma garrafa de Grand Marnier, e se enforcando logo após; outros já estavam começando a vislumbrar carreiras solo, Rick Danko(baixo e vocais) foi o primeiro a seguir em frente, lançou um disco solo e nunca mais parou, continuou fazendo turnês até falecer em 1999, devido a problemas no coração; Garth Hudson(teclados e metais), o mais introspectivo, também seguiu solo, mas de um jeito mais intimista, e se tornou um músico de estúdio bem requisitado, até hoje é o mesmo barbudão, mago nos teclados; e para finalizar, Levon Helm(bateria e vocais), assim como Danko, nunca parou, e ainda não dá sinais de desgaste, e hoje em dia já conta com um estúdio onde bandas disputam a agenda para fazerem shows especiais(tem espaço para audiências de até 200 pessoas) e gravarem discos, e já até atuou em filmes e não para de lançar discos e fazer turnês. Enfim, a The Band começou como banda de apoio de Ronnie Hawkins e foi ao sucesso quando virou banda de apoio de Bob Dylan, que estava procurando uma banda para sua primeira turnê "elétrica"(olha só a transição de novo!) , e seguiu lançando com eles o famoso disco "The Basement Tapes"(OUÇA! É OBRIGATÓRIO!), e a banda acabou por ficar grande por si própria e seguiu separada de Dylan, até o seu término na sua última valsa. E assim finaliza mais um ciclo.
E aí, temos os cem anos do Coringão. Um ciclo se encerra, um século se conclui, e uma transição se passa neste momento, não tão alegre como eu desejava, mas faz parte. Essas coisas que só acontecem no futebol, afinal tudo é resolvido em detalhes entre quatro linhas. Nem adianta ficar discutindo o que deu errado, já passou. Mas gostei do jogo que vi, da força de vontade, da garra e da entrega, para jogar no Corinthians, ao meu ver, o jogador tem que mostrar 'raça', força de vontade, e paixão pela camisa(o que é raro hoje em dia), e eu vi tudo isso(pela TV, infelizmente) e mais, vi uma torcida, mesmo chateada com a desclassificação, cantar e exaltar o desempenho do time em campo, e fico feliz, pois em meio a tanta violência(o Alex 'nadsat' iria adorar morar num Brasil cheio de 'ultraviolência' entre torcidas, trocando 'toltchoks' e vendo 'krovi' escorrer...) que temos hoje no futebol, é raro ver uma torcida comportada e mesmo na derrota, ter orgulho da camisa que veste.
Será que a minha superstição tem fundamento? Talvez não, não saberia explicar, nem um milhão de anos como eu posso relacionar tudo isso com a desclassificação do Timão na Libertadores, apenas foi um pensamento que passou pela minha cabeça, aquele velho e bom "e se..." que sempre volta a atormentar.
Não adianta, a única explicação decente é a velha máxima: Futebol é uma caixinha de surpresas.
Hoje começa um novo ciclo, e lá vou eu seguir em frente com algo novo, mas para sempre corinthiano, torcedor, sofredor, "LÔCO" e que nunca vai abandonar a camisa.
VAI CORINTHIANS!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A sailor and a waitress
A boy, stranded and haunted by vultures;
A girl, full of joy, giving bread to pigeons.
The distance between them is a matter of cultures.
Different and significant both are,
from each other they still live so far.
Like a nymph, she would enchant you around her,
perhaps more a mermaid who sings hypnotizing you.
He always dreamed about her being together
with him, who felt that dreams can come true
to anyone, it's only a matter of efforts and wanting,
but it leaves him waiting and longing.
She maybe doesn't care so much, or at all
about this foolish sailor, he's leaving land.
Her feelings can't grow to someone without home,
it must have, at least, some time to spend
in her company. And in love he must fall
for her only and nobody else in the future to come.
One day prior to his departure, he decides to write,
while sitting in the harbour, a letter to his parents
about this two year sailing trip on this merchant boat.
He says he'll be alright, they don't have to worry, he'll survive
the trip. Sudden the girl notice he's freezing while writing sentences,
He went outside the pub where she works and forgot his coat.
She came to him, suddenly their eyes meet,
but it's late, they can hear the whistle blow
Things have been said, now it's time to go.
Every night she prays, standing on her bare feet.
He promised her, in two years he'll return.
One year has passed and his candle still burns.
--
Demorei alguns meses(escrevi em Outubro de 2009) para rever este poema, estava guardado numa gaveta e fiquei surpreso, pensei que tivesse parado no lixo.
Não tinha essa última estrofe, escrevi agora, acho que não tenho melhor maneira de concluir, senão eu acabaria deixando muito longo, este final está apropriado.
Agora vou começar a escrever mais em inglês, é interessante trabalhar rimas com outra língua. E se achar algum erro, por favor me corrija.
:)
quinta-feira, 29 de abril de 2010
DIRPF
De um lado a pilha do convênio médico, próximo, os montes de recibos de dentista, de psicólogo(ei, no meio dessa loucura que vivemos, alguém pode ajudar a organizar a cabeça), de previdência privada, de consórcio, contas em geral e afins... tive que colocar uma grade na porta da cozinha para o cachorro fazer companhia para minha esposa enquanto ela faz o jantar(adivinhe só, ela já fez a declaração do imposto de renda dela... NO MÊS PASSADO!!!), aquele cheiro... só pode ser macarrão... FOCO! Voltando a declaração! Enquanto rola um álbum do Wilco(A Ghost Is Born, mais precisamente, minha esposa diz que é um porre... eu gosto) no som, tento me organizar e calcular tudo, e toma anotação daqui e anotação de lá, como dinheiro tomou conta das nossas vidas? É só trabalho e dinheiro, trabalho e dinheiro... olho a conta do psicólogo(de novo ele!), R$200,00 ao mês, para me ajudar numa loucura que me aflige, num medo maluco de fazer as coisas, e eu nem sei o que é isso, mas estou melhorando. Dentista, R$75,00 ao mês... Água, luz, telefone, TV por assinatura e internet... a conta mensal da casa já passou dos R$1500,00, contando com combustível do carro, previdência privada, cursos disso, passeios daquilo, e eu nem contabilizei ainda o gasto com o cartão de crédito, compras de supermercado, empregada(ambos trabalhamos, não posso deixar na mão dela, esposa, a faxina toda), penso que essa declaração vem uma vez ao ano para, além de tirar mais dinheiro do contribuinte, lembrar o quanto a nossa vida chega a ser miserável, corrida, e o prazer de viver fica em segundo plano. Quando foi a última vez que viajamos? Quando foram as últimas férias que tiramos juntos? Não. Não posso me permitir levantar questionamentos agora, ainda dá para terminar essa declaração antes do jantar.
Ouço ela falar da cozinha:
- Amor! Você quer molho bolonhesa?
- Hã!?
- Você quer molho bolonhesa?
- Ah... sim, claro!
- Vai demorar muito para acabar a declaração?
- Só mais alguns minutos...
- Devia ter feito como eu, no mês passado, com calma...
- EU SEI! Não precisa ficar esfregando na minha cara!
- Nossa, mas você não precisa ser grosso assim.
- Me desculpe, estou calculando e me afogando no meio deste monte de papel, e está uma loucura, mas acabei de pensar em algo, - sucumbi à distração, não havia como não - podíamos marcar de tirar férias juntos daqui uns três meses, que tal? Apesar que você vive ocupada no escritório, você acha que consegue reservar umas duas semanas?
- Querido, posso ver na agenda, e você consegue duas semanas? E pelo amor de Deus, dá para trocar esse disco?
- Respondendo as duas perguntas: Sim... e NÃO! É o único momento no dia que posso ouvir alguma coisa sossegado e você vem pegar no meu pé!? Faça-me o favor!
- Olha aqui, eu não pegaria no seu pé se fosse algo legal, mas é um saco ouvir isso.
E o diálogo segue nessa linha, estranha, rude e ao mesmo tempo amável, uma discussão estranha no meio de uma conversa sobre planos. Acho que casamentos tendem a chegar nessa estranha situação como o meu chegou, onde cinqüenta por cento do que é falado é implicância e discussão, e os outros cinqüenta por cento é amor. Mas quando chega o silêncio, simplesmente não há necessidade de palavras, só a necessidade do próprio silêncio, do olhar, do toque, da paixão... Cansei, os valores estão anotados, não demoro muito para colocar no sistema, farei isso quando ela estiver dormindo. Atropelo a papelada, já desorganizada, abro o portãozinho e coloco o cachorro para fora da cozinha, fecho a porta, e a vejo colocando o macarrão para esquentar, a abraço por trás e beijo seu pescoço.
- Agora não... isso faz cócegas! - ela ri como uma adolescente e pergunta - E a declaração?
- Resolvi dar umas férias para ela. A única declaração que tenho que fazer agora é: eu te amo.
Como pode imaginar, o jantar atrasou um pouco, bagunçamos um pouco a cozinha... ela vestiu a minha camisa e se levantou, se alongou, bocejou e sorriu como se tudo estivesse melhor naquele dia. Teve que refazer o molho, mas nem se importou, até que tentei ajudar, mas não tenho talento para a cozinha, se fosse para lavar o carro... enfim troquei o disco, coloquei o do Chico Buarque que ela tanto gosta, e pude ouvi-la cantar enquanto arrumava a mesa. Jantamos e conversamos sobre os planos de nossas férias. O cachorro já está dormindo na casinha.
Agora termino essa declaração de imposto de renda, sem problema algum, enquanto ela cantarola "A Noiva da Cidade" e lava a louça.
- Amor, vamos para a cama? - me pergunta se recostando no batente da porta, com o sono estampado na cara.
Clico no botão 'Transmitir', e deixo o computador ligado.
- Vamos linda.
--
Eu estava fazendo a DIRPF de 2010, o famoso Leão, e me veio essa cena na cabeça. E talvez eu continue a escrever sobre este casal.
Lembrando algo que um amigo meu dizia: "DINHEIRO É PAPEL!"
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Atitude
para uma desconhecida.
Me pego aqui bebendo
mais uma garrafa vencida.
O vinho se tornou vinagre.
A taça do que era tinto,
agora o aroma finto,
pois cheira azedo bagre.
Minha demora é banal,
ridícula e trivial,
mas estranhos se conhecem
e mágicas assim acontecem.
Provoco olhares raivosos,
todos me estranham.
Quase que me apanham,
os deixo nervosos.
Que vão aos diabos!
Não tenho o que temer.
Doa a quem doer,
sentem-se em quiabos!
Pergunto qual é o seu nome,
ainda não quero seu telefone.
Quer saber meu pronome,
é "Senhor", de renome.
Não é egocentrismo,
é apenas a verdade,
pois como tal Veríssimo,
preza por realidade.
E mesmo que não te leve,
pelo menos lhe disse.
Aqui não tem nada de neve,
mas fiz com que me visse.
E talvez um dia lembre
ou talvez esqueça,
mas pouco importa sempre
que a atitude prevaleça.
--
Poema escrito numa mesa de bar, assim como tantos outros, meus e de outros tantos. Talvez os garçons achem que sou maluco, sempre pedindo caneta emprestada para escrever em guardanapos, folhas de comanda, nota-fiscal, etc, mas nunca pedi para entenderem, então não faz diferença, é apenas um detalhe divertido.
O verso que eu citei "Veríssimo" é uma brincadeira com o significado da palavra, o sobrenome do Sr. Érico, fica melhor explicado no verso seguinte, onde fica clara a referência, mesmo este sendo membro do Modernismo(pelo que me lembro...), ainda acho que sua escrita é tem muita influência do Realismo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Vire o disco!
"Você usa ainda o mesmo telefone,
já fazem seis anos esse celular!"
Não tenho motivo algum para mudar,
ainda funciona para conversar,
seja com você ou outra pessoa
então você está reclamando à toa.
"Mas você é sempre avesso a mudanças!"
Não é verdade, é simplesmente questão
de prioridade, nada comigo é em vão.
Você não está feliz com suas compras?
Estou contente com minhas experiências.
Deixa eu colocar uma bolacha no som,
você pode apreciar melhor as cadências,
progressões, força nas notas das trompas.
"Volume alto assim sem distorção?
Como é possível? Eu sempre preferi
coisas modernas e práticas, na mão."
De que adianta? Celular é para telefonar,
não para ouvir música. Hora de virar
o disco.
--
Sábado(17 de Abril) foi o dia das lojas de discos e amanhã(20 de Abril - aniversário da morte de Ataulfo Alves, sambista, compositor, que para suas músicas, teve interpretes do calibre de Clara Nunes, MPB-4 e Quarteto Em Cy) é o dia do disco, eu como sou apaixonado pelo som das bolachas, resolvi escrever algo para estes dois dias, comparando o sonzinho de música armazenada em celular, na maioria das vezes em MP3, de baixa qualidade, sendo reproduzidas em fones de ouvido com o volume nas alturas. Acho que cada um curte música da maneira que quiser, mas prefiro qualidade. A praticidade fica de lado nesse caso, não suporto o som que rola no meu celular, mesmo com os fones de ouvido, acho uma porcaria, e já ouvi de modelos mais avançados e não adianta, acho que isso não é para mim.
Mas voltando as comemorações, bem comemore do seu jeito, com seus amigos, sem eles, eu vou sentar e colocar um disco para rodar no prato e contaminar a agulha com aquele ruído único que me hipnotiza desde criança, e vou aproveitar que dia 21 de Abril é feriado(aniversário da morte do Mártir da Inconfidência Mineira, Sr. Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido por Tiradentes) e comemorar com amigos amantes desta arte, que torna a vida algo correto. Até mesmo o niilista supremo, Nietzsche, disse uma frase que no fundo tem algo de feliz: "Sem música, a vida seria um erro."
É, talvez ele estivesse certo.
Então, aproveite amanhã, você tem uma desculpa para incomodar o seu vizinho! :)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
União
Posso dizer que a loucura nos cega.
Esquecemos que somos semelhantes,
Diferenciados por meros detalhes.
Herdamos de nossos pais e avós
Traços e detalhes, não se renega.
Por mais que mude, é constante.
Não há o que a pulsação atrapalhe.
Porém a mente é sua apenas, mas influenciável,
Acredite no que quiser, mas sabe de onde veio.
No fim da vida você é tão morto quanto eu.
E a sua fé separatista, mesmo que inabalável,
Não terá serventia para a natureza e seu meio.
Só te separava do que nos uniu quando pereceu.
--
Um soneto sobre como não importa em que acreditamos, estaremos mortos um dia, dando vida, de alguma maneira. Um adorável e macabro paradoxo.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Contas
As sementes furadas,
parecem de madeira,
estão atravessadas
todas pelo barbante.
Está rodando no meu pulso
por mais de meses
e não esfacela nem desgasta,
mesmo nas violentas vezes
que se arrasta.
Duradouras, dizem que são.
Poderia plantar algo
Cultivar um sentimento
mas na forma atual
é um lembrete de tal
pessoa e evento.
Poderia colorir e secá-las,
mas não seriam mais puras,
e sim moldadas.
Deixa de ser natural
e se torna banal.
Prefiro a forma bruta,
apertando a minha veia,
fazendo o sangue pulsar
com força e avermelha
meus dedos ao inebriar.
O sangue corre lento,
o coração desacelera,
dedos calejados contam
esfera por esfera,
não são nem um cento.
Só cortando eu consigo,
o barbante me solta,
as contas caem
e o meu sangue volta,
e me livro de você.
--
Algumas pessoas são materialistas pelo fato de gostaram de acumular "coisas", outras apenas tem apego por algo que é de uma significância incompreensível aos outros, mas para ambos, quando algo perde o sentido, fere demais e não os alegra, percebem que o objeto não é mais de serventia alguma, então ou entregam na mão de outra pessoa, ou jogam no lixo ou destroem para acabar com a frustração de alguma maneira, nem que seja momentânea.
Não é uma regra, não existem regras para sentimentos. É uma situação corriqueira entre os humanos.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Adeus ao cartunista
O país perde um grande cartunista, alguém cuja importância para o movimento foi imensurável, pois ao invés de fazer duras críticas ao militarismo, ele simplesmente usava do humor, e influenciou muitos outros artistas, com seu traço rápido e textos simples e irreverentes. E mais triste ainda, seu filho foi junto.
Cada um tem coisas que são importantes na sua vida, e a trinca Angeli, Glauco e Laerte foi de certa forma importante na minha. Eu comecei a ler e escrever com cinco anos de idade, porque eu apenas queria entender o que estava escrito naquele luminoso da padaria perto de casa, então meus pais começaram a me ensinar o básico, e foi muito bom, pois entendia o que estava escrito nas revistas da Turma da Mônica, e conseguia ler os encartes dos discos do Chico Buarque e Vinícius de Moraes(em parte culpo eles pelo meu interesse em poesia) que minha mãe até hoje guarda(meu pai me deixou o prazer de ser mais um admirador de Pink Floyd), lógico, sempre pedindo explicação sobre uma coisa ou outra.
Mas nunca vou esquecer, numa viagem, voltando de Curitiba, meus pais resolveram comprar umas revistas e tomar um café. Eu e meu irmão fomos escolhendo e sem querer pegamos um pacote com Los 3 Amigos(Angel Villa, Glauquito e Laertón) e uma edição perdida do Geraldão(eu com 7 e meu irmão com 6 anos de idade), e ali estava a trinca numa revista grande, cheia de piadas que eu iria entender somente anos mais tarde e na outra, páginas de desenhos e personagens do Sr. Glauco. E para entender todo aquele humor subversivo? Com 7 anos de idade, em 1991(acho, não lembro com exatidão), uma criança não tinha muita idéia do que eram drogas, Apocalipse, neuras de casal, boneca inflável, sexo, política e coisas que só um adulto poderia explicar, e aí que está a parte engraçada da coisa, tinham dois adultos(meus pais) no carro que ficaram perplexos com perguntas do tipo "Pai, o que é bronha?" e "Mãe, o que é cocaína?", e claro, a hora que perceberam o que tinham comprado para os filhos(eles gostavam das revistas Chiclete Com Banana, então eles não jogaram fora as revistas, pelo contrário, liam e davam risada), foi aquele forrobodó, "Você não viu que revista que eles estavam passando no caixa?", "Achei que era alguma coisa da Disney, oras!". Com a merda já feita, espalhada em quatro paredes pelo ventilador, como resolver o enbrólio todo? Explicar assuntos adultos para duas crianças que mais se importavam em jogar futebol no quintal e andar de bicicleta? Bem, nem preciso dizer que eu e meu irmão ficamos boiando, mas enfim, tudo se aprende com o tempo, e no caso as explicações dos meus pais vieram nos anos seguintes.
Enfim, nunca deixei de ler nada desses desenhistas. E agora um deles se foi, ou melhor dizendo tiraram dele o direito máximo de qualquer ser humano, o direito de viver, e fizeram o mesmo com seu filho, que tinha apenas 25 anos. Sem julgamento, sem motivo, apenas porque era mais fácil matar do que se tornar uma pessoa honesta e trabalhadora como as vítimas eram.
Meus pêsames aos entes e amigos de Glauco e Raoni.
Meus pêsames ao humor e à cultura de nosso país, estamos ficando escassos de gente boa e inteligente.
Estou triste pois lá se vai um dos três caras que continuou a me incentivar à leitura, e que me apresentou(cedo) ao mundo das HQs adultas e irreverentes.
Paz.
--
Sem poemas por hoje.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Porque acabaram como amantes
Desenrola daqui mas enrola acolá.
Então o mundo pára estático,
Era fácil e agora é prático.
Passa manhã, almoço e já é tarde,
Acaba o expediente e dali parte
Para vê-la, sente saudades.
Na pressa, atravessa cidades.
O que quer é no caso impensável,
Talvez seja considerado reprovável,
Mas ele nunca tentou enganar.
Foi sincero, não quer namorar.
Já tem uma a quem atender em casa,
Não precisa de outra, isso atrasa.
Mas gosta dos momentos juntos,
Embora esconda isso nos fundos.
Ela chega do trabalho e toma banho,
Logo ele chega, não é um estranho.
Perfumada, passa creme na pele,
Puxa um vestido que desafivele.
Enquanto ele sobe, escolhe o batom,
Dos vermelhos, escarlate é seu tom.
Adora complicá-lo e dar emoção,
Na gola da camisa, um borrão.
Porta entre-aberta, ela quer jantar.
Gosta de se divertir e saem em par.
Sexta-feira é dia de dança,
Na madrugada é hora da transa.
Disse que voltava domingo de noite,
Ele não quer agüentar nenhum açoite.
Ela já teve as suas desiluões,
Agora quer viver seus tesões.
Naquela tarde, conversas apaixonantes,
Seguiram assim, acabaram como amantes.
Do resto não querem nem saber,
Estão vivendo assim por prazer.
--
Eu estava ouvindo o Jeff Beck tocando "Cause We've Ended As Lovers"(S. Wonder) e me passou essa idéia na cabeça, tive que escrever de primeira.
Pouco a ver com a letra do Stevie Wonder, talvez só um pouquinho por causa do tema, a dele é mais triste, enquanto tentei escrever algo mais feliz.
Não vou mudar nada e vai ficar do jeito que está. Acho que ficou bom.
sábado, 6 de março de 2010
Mistura errada
Um punhado plantado nesse vaso,
Sentindo esse tal descaso
Que as vezes até me espanta.
Pois isso me deixa preocupado,
Como posso chegar nesse estado,
Onde toda beleza me encanta?
Estupefato por ver este cenário
De pura paz e também indiferença,
Que após vida é a minha sentença
Ouço um canto, parece de canário,
Nesse plano onde reina o inefável
Onde se presencia o inimaginável
Voando alto através desse átrio.
Quando vejo o portal aberto,
Com brilho perolado ofuscando
Tudo em sua volta, convidando,
Até o incauto examina de perto.
Me libero dessas minhas raízes,
Quero atravessar e ver matizes.
Vou esperar o momento certo.
Está decidido, vou passar agora!
Então sou barrado por um senhor
E aquela voz rasga trazendo dor.
"Aonde vai? Ainda não é sua hora!
Sempre apressado, deve se acalmar,
Vá viver e não queira esperar.
Acorde, seu lugar ainda é lá fora!"
"Mas por que não me deixa passar?
Eu não quero ficar com a agonia!
Gostaria só um pouco de harmonia.
Estou cansado de correr e lutar,
Tudo sem devido reconhecimento,
Me sobra sempre o esquecimento.
Agora diz que tenho que esperar?"
"Pare de reclamar e vá, acorde!
Você tem muito mais para viver!"
Como pode me deixar para sofrer?
Acordado vejo a janela, é sorte?
Perdido de volta ao meu quarto,
A caixa de comprimidos no criado
E copo com gin, acho que é sorte.
--
Sonhei com isso, não foi legal, mas faz parte.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Karma ruim
Depois de dez anos voltamos a nos falar, mas por pouco tempo, depois sumiu, desapareceu para muitos, e eu continuei sem te entender, sem te conhecer direito.
Agora está ocupada com seu novo amor, o que é bom, mas porque diabos invade meus sonhos e me fala coisas que me remetem dez anos atrás, coisas que só estão na minha mente, coisas que são tão suas que eu não conseguiria sequer pensar, me critica, me cobra sem saber de certos fatos e mesmo assim ainda tem aquele olhar que me hipnotiza desde que a conheci. São só sonhos e eu não devia dar a mínima importância, mas a freqüência me perturba.
Acho que errei lá atrás quando tive a chance de ser uma pessoa melhor, e larguei isso para me tornar essa peça quebrada. E agora esse karma me persegue. Está na hora de resolver esse problema, seja na dor ou na alegria, preciso te falar algumas palavras.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Enquanto ainda escrevo
Cada toque da sua mão no meu rosto,
Seu lábio entra-aberto e seu gosto,
Nossa respiração, seu olhar benfazejo.
Cada letra minha escrita na suas costas.
Cada caminho rodado e abraço dado.
Na estrada as suas curvas ao lado,
O seu par de pernas e coxas sobrepostas.
As voltas feitas a caneta e seus cabelos
Castanhos suspensos, perdidos em meios
Se molham ao suor quente de seus seios,
Revelam cada palavra dos nossos desejos.
O seu corpo contra o meu, o nosso trevo.
Mais noites de amor, da cama ao chão,
Dos pés à cabeça, às costas, minha mão.
No seu pescoço deixo marcas e ainda escrevo.
--
Escrevi fazem uns meses, mudei umas palavras para não ficar agressivo.
Lhe pergunto
Inércia?
Emoções?
Realidade?
Intervenções?
Malícia?
Mutações?
Garota, o que ama?
Homens?
Família?
Namorado?
Animais?
Marido?
Trabalho?
Triste, por que chora?
Separação?
Morte?
Solidão?
Falta de sorte?
Paixão?
Corte?
Faço tantas perguntas,
Mas é só para disfarçar.
Pegue todas elas juntas,
É melhor descartar.
Me sinto envergonhado,
Mas agora palavras faltam.
Então sobre só a verdade,
Com você fico à vontade.
Vamos passear?
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Cold Apple Red
I want to bite you
And savor your very flesh.
Spill seeds through
Every night and day
And make you feel astray.
Your juicy body tastes
Sweet and bitter,
Your royal red skin sweats
Sugar running river.
Peel smooth and body firm,
Perfect to grab and turn.
Once bitten you shake
A mix of pleasure and pain
Runs deep in your veins,
Before the day breaks
And make us feel good,
As it always should.
Too bad that you grow so far
And mature away.
When the sun shines it's first rays,
An apple sparks like a star,
Only in the north to be bound,
Rare in the south around.
I'll never forget your flavor
Because there's nothing alike.
I dream, in everyday of labour,
About finding you on my next hike.
I wish I could be your root tree,
Even though you're born to be free.
This fruit always had it's choice.
So with my old raspy voice
I'll sing this poem out loud
To everyone in the crowd,
And say, maybe out of tune,
That I still miss your perfume.
--
Em inglês desta vez, talvez tenha erros de concordância(correções?), ou não.
É a terceira versão desse poema, agora acho que ficou bom, espero que goste. :)
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Na Cantina
Quer uma chance de se destacar
Conversa com ele constantemente
Esperança é o máximo que pode dar
Ele não vê o que eu vejo,
A chance de noites brancas
Só percebe o que percebo,
Que é mais uma entre tantas
É um almoço talvez frutífero,
Mas ainda não é uma porta aberta
Ele soa como um sonífero,
Você como de todas a mais bela
Talvez você não me entenda
Como um tolo permaneço na mesa
Com lápis, tenho certa destreza
Esboço para você nessa vivenda
Encantado por cada gesto
Enfeitiçado por cada palavra
Nunca mais verei seu rosto,
Mesmo assim a memória desbrava
Coragem me falta tal qual autor
E me mato, enlouqueço e escrevo
Não cogito, melhor o desprezo
Deixo o local, sem sentir dor.
--
Saiu de primeira, não é nada demais, escrevi rápido, depois faço algo mais elaborado.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Melhorando devagar e sempre
Esses últimos meses foram completamente estranhos, aliás, esse ano inteiro está sendo estranho para mim. Problemas de saúde, fim de relacionamento, indecisão, bloqueio mental, situações desregradas, acidentes de carro, brigas, uma maravilha de ano, e olha que ainda falta pouco mais de três meses para terminar.
Com tantos problemas, resolvi realmente a me apegar a certas situações, a deixar alguma coisa me influenciar, voltei a falar com pessoas que pensei que nunca mais veria na vida(foi muito bom, estava com saudades de muita gente), conheci novas pessoas(algumas legais, outras nem tanto, acho que pensam o mesmo de mim), comecei a me importar pouco com o que os outros pensam e resolvi tomar mais ações. Estou contente com esta evolução pessoal, e agora voltei a ler e escrever, isto é realmente um alívio! Ainda tenho uma chama de criatividade(que não nada à lá Shakespeare, Camões e Chico Buarque, mas dá para o gasto...) que me impulsiona, consegui ontem pegar algo que ocorreu no sábado e transformar em tercetos rimados, poesia pobre, eu sei, ainda não peguei o jeito da poesia rica, mas o que importa é que saiu algo, e de bom gosto, pelo menos para mim.
Tenho que agradecer muitas pessoas pelo estado em que me encontro agora, agradecer principalmente uma pessoa que me trouxe apenas bondade e alegria, só desejo coisas boas para você, onde você estiver.
--
Paz!
Limite do acaso
Brincou com um idiota pela noite
No banco traseiro, me olhando
Tentei falar, mas fechou a janela
Suas amigas ficaram te escondendo
Pensei: "Agora vou falar com ela!"
Sinal verde, tomei uma atitude
O que te fez continuar sorrindo?
Quase atropelado, fiz o que pude
Era algo que tinha que descobrir
Corri até as pernas cansarem
O táxi acelerou e a vi partir
Revendo tudo, não me arrependo
Ainda me lembro do seu aceno,
Do beijo lançado noite adentro.
--
Faz um tempo que não escrevo por aqui.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Alguns erros
Todos cometemos erros
Não há espanto
Apenas o desespero
Seja num copo cheio
Ou numa brasa
Talvez um grito
E a água vaza
Perde a noção
Se deixa embriagar
Prazer de hora
Não pensa ao falar
Traz arrependimento
Não tinha controle
Sem viagem no tempo
Se afoga em culpa
Talvez não tenha perdão
Não suporta tanta dor
Quer falar ao seu irmão
Que é dele o seu amor.
--
Paz.
Um caminho
um canal despido
Desprovido de proteção,
apenas educação
Não desagua em mar algum,
talvez canto nenhum
Percorre saindo da sombra,
ainda não tromba
Chega à quente claridade,
esquenta a cidade
Esse caminho sempre a fluir,
guia à quem partir.
--
Inspirado em uma foto que tirei em Curitiba.

Paz!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
GO!
It's wonderful to feel like this
Remember times of no gain
Now it burned down, no more bliss
Have another ride around
Wait and it will be found
It's the way I see
Enjoy every minute.
--
A little peace & love for us!
terça-feira, 28 de abril de 2009
Para João e Luciana
Quando aconteceu, não esperavam
Crianças não são, adultos estão
E muitos anos já se passaram
Trajetória cheia de batalhas
Cotidiano de luta e conquista
Cheios de força, nada atrapalha
Futuro próspero sempre em vista
Não há metáfora ideal para usar
Juntos, vocês são perfeitos
Desnecessário tentar explicar
Inspiradores são seus feitos
O amor de vocês é fantástico
Quebra muros e barreiras
Deixa o incrédulo estático
Atravessa todas as fronteiras
Me sinto honrado pelo convite
Casal lindo, dois seres completos
Prova concreta de que existe
Paixão que torna corações repletos
Meus amigos, Luciana e João,
Por vocês tenho muita admiração
Continuem fazendo dessa vida
Juntos, uma grande celebração.
--
Para os primeiros casados da turma!!! =D
Tenho profunda admiração por vocês!
Deixo esse poema como homenagem. =D
Não é nada demais, mas é de coração. Felicidades plenas!
Paz!
Ernesto.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Sonho de ócio de feriado
Toma um banho, faz a barba, até tira parte das costeletas que insistiram em ficar no seu rosto por mais de dois anos, e lógico que no processo houve um corte, mas uma pomada resolve tudo. Fez a rotina de sempre, só que nesse domingo decidiu até ouvir o segundo tempo do clássico enquanto dirigia, para poder aproveitar melhor, assistir os primeiros quarenta e cinco minutos foi meio que obrigatório, se tem uma coisa que aprendeu ao longo dos anos é conciliar as suas paixões. Intervalo e zero para os dois no placar, "hora de sair". Entrou no carro, e durante o intervalo ouviu umas músicas para desestressar, fora abastecer o carro. Sai do posto e começa o segundo tempo, quando está no meio do caminho sai o primeiro gol, que alívio! Não dá nem tempo de comemorar direito, o semáforo ainda não abriu e sai o segundo gol! Explosão de alegria! Abre os vidros, desliga o rádio, "que dia perfeito", mesmo sendo outono. Não ouve o resto do jogo, nem se preocupa.
Chega na cafeteria. Mas o que era uma conversa tranqüila entre dois adultos que já passaram da idade das intrigas e indecisões amorosas de adolescentes, acaba em discussão e percebe-se que até os adultos mais sensatos conseguem ser infantis. Ele não consegue encarar o fato de ser rejeitado depois de tantos motivos, beijos perdidos, noites mal dormidas e declarações ternas, e ela não quer arriscar algo que tem mesmo amando este que está sentado a sua frente muito mais do que aquele que volta só depois do feriado(desconfiança).
- Eu sei que você tem namorado, pode não dar certo isso, mas eu tenho que tentar.
- Coragem nunca te faltou né? Você sempre foi impulsivo...
- Já me faltou sim, para muitas coisas, mas não para te dizer certas coisas.
- Me desculpe, mas eu estou bem com ele...
- Se estivesse bem, você não estaria me olhando com essa cara, e não estaria sozinha de novo.
- Você sabe... eu não posso, mesmo que goste de você.
- Essa não cola, me desculpa, mas eu não vou ficar aqui plantado conversando com você. Tô indo.
- Espera! Mas eu... você sabe como é, você namorou também.
- Mas eu não te conhecia, só era apaixonado pela minha ex.
- Me desculpa, eu gosto mesmo de você... mas o meu namorado é bom comigo.
- E você continua enganando uma pessoa, e magoando outra, e pior ainda enganando a si mesma. Eu não suporto ver e me sentir mal com isso. Vou indo. Outro dia conversamos.
Foi se despedir com um beijo no rosto, mas ela o puxa pela mão e o beija nos lábios. O que era para ser breve demora um pouco mais, ela pede para ele se sentar, e como de costume, para ela, ele cede até a própria razão. Pedem mais um café e um chocolate, deixam de discutir. Se abraçam e conversam sobre como vão aproveitar o feriado, e os planos para o futuro, individuais, sem compromisso um com o outro, mas talvez saibam que possam ficar juntos, então deixam as arestas abertas. Ele desfaz o sonho de morar no sul, longe de tudo e todos, e comenta que pretende ficar na região, apenas uns quarteirões de diferença, e as vezes quarteirões fazem toda a diferença num destino. Ela compreende, e também diz que gostaria de se mudar para perto do trabalho ou perto de uma estação do metrô, para ter mais comodidade. Ambos odeiam o trânsito, embora tenham prazer em dirigir, principalmente em dias que essa cidade absurdamente grande se revela maior ainda, nos feriados onde a maioria viaja. Parece que eles tem um mundo inteiro só para os dois.
O namorado dela só volta na quarta-feira. Até lá eles não precisam dessa discussão novamente.
Acordou sem muita preguiça, 12:30, domingo. A manhã passou, só que ela está deitada, descansando a cabeça no seu ombro. A convidada não pode começar o dia dela sem o café da manhã, mesmo fora do horário. Afasta o cabelo, castanho, e dá-lhe um beijo na testa, levanta sem acordá-la(dorme como pedra) e vai preparar o café da manhã para levar na cama. Não demora muito ela acorda. "Onde está o ombro dele? Tenho só um travesseiro...", levanta, veste a camisola de cetim e vai na ponta dos pés até a cozinha, ela sabe que ele deve estar fazendo algo, provavelmente, pega uma uva Itália do cacho em cima da mesa e coloca na boca. Vê a tábua cheia de frutas, pão, leite, suco, geléia de morango. Apenas um detalhe "Onde ele está?", ouve a porta da sala bater, então corre de volta para a cama, só para fazer charme.
-
É só um trecho de um dos meus esboços. Ainda não sei como vou concluir. Descubro depois.
Paz!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Chase Faster
Numa conversa com ele, falei que iria criar fazer coletânea de Stoner Rock, e ele gostou da idéia! Mas como sou relapso, e não paro quieto numa idéia fixa, acabei deixando de lado, mas retomei, e está quase pronta a bagaça. Enfim, propus de ajudar ele neste blog, assim ele não ficaria dependendo do meu tempo(já viu um relógio com 100 ponteiros? Esse é o que marca o meu tempo... é uma confusão só!), e hoje ele me convidou e já colocou minha lista de músicas da Last.FM por lá!
Espero que gostem dos meus posts por lá, mas o Chase já tá colocando vários sons legais por lá,(faz uma cara...) recomendo que visitem!
Farei minha estréia antes de dormir, espero que gostem de sons estranhos, pois essa é minha especialidade! :D
http://chasefaster.blogspot.com/
Enfim, obrigado Chase!
Peace bro!
Peace y'all!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Coisa de trouxa
Bateu a porta, nela bati
Madeira, sorte, azar demais
Chega gritando, é discussão
Guardei, a raiva entendi
Sei que pode, levanta a mão
Esse motivo, ficou na mente
Cansei, está fora de si
Prometeu, nunca é diferente
Por outras, ainda mais essa
Abandonei, assim, eu saí
Ficam soltas gotas na testa
Num terceto, tenho resposta
Nervos, mas lembra de ti
Que panaca, sim ainda gosta
Telefona e come alface roxa
Salada emocional vezes pi
Sei, amor é coisa de trouxa.
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Uma brincadeira em tercetos.
A conclusão é algo que falo brincando para todos.
Paz!