Impessoal,
quando precisavamos de posição;
onde seria útil a personalidade;
onde tínhamos a necessidade;
quando nos faltava a emoção.
Impessoal...
Apenas animal.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Violência em tudo que vejo
Ligo a televisão e tudo que vejo é sangue.
É desgraça em tudo que vejo,
e a mídia adora, explora, lucra,
manipula e aí vem o despejo,
passa o tempo, a notícia evapora.
Mas de quem é a culpa dessa violência?
Dizem que ela se gera sozinha;
acontece massacre na favela
nas estradas, semáforos e casas,
depois ninguém lembra dela.
Fico preocupado com o que vou deixar,
pois vale mais uma arma na mão
e um par de tênis Nike no pé
do que um pingo de educação,
não importe onde estiver.
Vamos nivelando por baixo do tapete,
escondendo a sujeira do dia-a-dia,
fazendo de conta que não existe,
mas o jeitinho é a velha mania
e nosso problema persiste.
Que será da próxima geração brasileira?
Será honra tomar o que é dos outros,
como se rouba uma fruta na feira?
Será que esforço é coisa para poucos,
e o resto ficará apenas na espreita?
É desgraça em tudo que vejo,
e a mídia adora, explora, lucra,
manipula e aí vem o despejo,
passa o tempo, a notícia evapora.
Mas de quem é a culpa dessa violência?
Dizem que ela se gera sozinha;
acontece massacre na favela
nas estradas, semáforos e casas,
depois ninguém lembra dela.
Fico preocupado com o que vou deixar,
pois vale mais uma arma na mão
e um par de tênis Nike no pé
do que um pingo de educação,
não importe onde estiver.
Vamos nivelando por baixo do tapete,
escondendo a sujeira do dia-a-dia,
fazendo de conta que não existe,
mas o jeitinho é a velha mania
e nosso problema persiste.
Que será da próxima geração brasileira?
Será honra tomar o que é dos outros,
como se rouba uma fruta na feira?
Será que esforço é coisa para poucos,
e o resto ficará apenas na espreita?
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
20%
20% de humidade no ar e a vontade de anunciar
o Apocalipse, fim dos dias. Mas não será assim,
nem mesmo queria esperar por horrível fim,
Ainda estamos em peixes, e solares feixes.
20% de nada para mim e para você, para todos.
80% desse vazio escuro que não se ilumina,
nem para mostrar a irrelevância de nossos votos
para com essa nossa Terra, pobre menina.
Coitado desse planeta raro que vive discutido
entre meios de idiotas parasitas inúteis
que não tem solução e vivem comedidos.
Essa metazoa vai chegar a falência múltipla
por meio de nossas personalidades fúteis,
sem observar qual gota será a última.
--
Na boa, não era para sair algo assim. Da próxima vez tento algo mais leve. Espero que chova logo.
o Apocalipse, fim dos dias. Mas não será assim,
nem mesmo queria esperar por horrível fim,
Ainda estamos em peixes, e solares feixes.
20% de nada para mim e para você, para todos.
80% desse vazio escuro que não se ilumina,
nem para mostrar a irrelevância de nossos votos
para com essa nossa Terra, pobre menina.
Coitado desse planeta raro que vive discutido
entre meios de idiotas parasitas inúteis
que não tem solução e vivem comedidos.
Essa metazoa vai chegar a falência múltipla
por meio de nossas personalidades fúteis,
sem observar qual gota será a última.
--
Na boa, não era para sair algo assim. Da próxima vez tento algo mais leve. Espero que chova logo.
domingo, 22 de agosto de 2010
Depois de algumas doses...
Me senti um tanto cosmopolita
e um tanto inspirado como Vinicius;
aproveitando cada detalhe da vista
e bebendo, o que não é um sacrifício.
Mas ao invés de passar a tarde em Itapuã,
estou comendo em Rosslyn, perto da capela;
até abri o guia, não sei onde vou amanhã,
mas será "por aí", na companhia dela.
Volto à Edimburgo meio embriagado
pensando já em clãs e seus tartans...
como me aconselhou, tenho aproveitado.
Sem ser em Itapuã acho novas tardes
e como outros lugares, guardo memórias
quando eu voltar à terra das felicidades.
e um tanto inspirado como Vinicius;
aproveitando cada detalhe da vista
e bebendo, o que não é um sacrifício.
Mas ao invés de passar a tarde em Itapuã,
estou comendo em Rosslyn, perto da capela;
até abri o guia, não sei onde vou amanhã,
mas será "por aí", na companhia dela.
Volto à Edimburgo meio embriagado
pensando já em clãs e seus tartans...
como me aconselhou, tenho aproveitado.
Sem ser em Itapuã acho novas tardes
e como outros lugares, guardo memórias
quando eu voltar à terra das felicidades.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Vital
Animal fatal,
tal qual
metal;
punhal letal.
Mal abismal,
brutal.
Viral!
Desleal.
Infernal banal, cal.
Sinal primordial;
sal umbral.
Fetal...
...rural, virginal.
Celestial fenomenal
diferencial;
local memorial.
Leal, divinal.
Imortal!
tal qual
metal;
punhal letal.
Mal abismal,
brutal.
Viral!
Desleal.
Infernal banal, cal.
Sinal primordial;
sal umbral.
Fetal...
...rural, virginal.
Celestial fenomenal
diferencial;
local memorial.
Leal, divinal.
Imortal!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
No more self-harm
While drinking, you speak to me
of failed relationships
and how brave you stand.
And while getting boozed, I see
that you need some sleep;
I try not to offend.
But you say about self-harm,
making cuts in your arm,
nailing yourself to feel
pain and smell the dew
I really don't support it;
maybe you should quit,
after all your altruism
you just wanna feel a spasm
Boy, I won't judge you,
but that's the easy way out;
maybe you'll regret it,
'Cause life has it's own curfew
and you can spend it without
this pain. Just forget it.
You waste now some precious time
and then tomorrow you're gone...
and of all things, what have you done
besides some bruises and mistime?
What about starting to care
more on what you can do apart?
To hurt your flesh isn't fair
with the effort of your art.
You've told me that depression
inspires you to paint
and gives you a true feeling.
But I disagree, without misconception,
happiness in life can't
be silliness, is too inspiring.
So please, give yourself a try;
you're even allowed to cry.
As a human being, you have emotions,
don't control them, just your motions.
As a son of something bigger,
you can be a lot better.
Have some peace in your heart,
make someone happy with your art.
of failed relationships
and how brave you stand.
And while getting boozed, I see
that you need some sleep;
I try not to offend.
But you say about self-harm,
making cuts in your arm,
nailing yourself to feel
pain and smell the dew
I really don't support it;
maybe you should quit,
after all your altruism
you just wanna feel a spasm
Boy, I won't judge you,
but that's the easy way out;
maybe you'll regret it,
'Cause life has it's own curfew
and you can spend it without
this pain. Just forget it.
You waste now some precious time
and then tomorrow you're gone...
and of all things, what have you done
besides some bruises and mistime?
What about starting to care
more on what you can do apart?
To hurt your flesh isn't fair
with the effort of your art.
You've told me that depression
inspires you to paint
and gives you a true feeling.
But I disagree, without misconception,
happiness in life can't
be silliness, is too inspiring.
So please, give yourself a try;
you're even allowed to cry.
As a human being, you have emotions,
don't control them, just your motions.
As a son of something bigger,
you can be a lot better.
Have some peace in your heart,
make someone happy with your art.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Frio
Hoje não quero trabalhar
Não quero fazer nada
estou assim já fazem 4 dias
e ontem só piorei
desanimado
que é uma porcaria
nem me mexi e já cansei
não agüento nem olhar
para aonde vou hoje
só quero ser um nada
para que não me falem hoje
machucado
por quem me usou
e por ser sincero
acabei por magoar
alguém que gosto
e agora, tonto, espero
tentar consertar
esse coração que quebrou
com o meu não me importo
e ainda faltam
horas para sair daqui
para ser livre
para ficar sozinho
nessa cidade de muitos
e poucos conhecidos
onde vislumbre
um lugar longe daqui
onde não me faltam
motivos e caminhos
que não são poucos
mas sim muitos
e talvez me levem
aonde devo ir
para desculpas pedir
aos seus pés
ao invés
de amargar aqui
nesses minutos
muitos
nessa cadeira
sentado a espreita
de inimigos dentro
desse local maldito
a longa espera da hora
de dizer tchau
de ir embora
esse tempo finito
com força enfrento
e com cara de pau
eu agüento
não quero trabalhar hoje
nem amanhã
só quero te ver
e me arrepender
mas a distância
me impede
e o cotidiano
me torna mais um mediano
trazendo
o que meu coração pede
não posso atender
nem de pronto
não sigo mais sonhos
nem adultos
nem de infância
estou me remoendo
por não poder
agora estar aí
deitado
ao seu lado
então lembro de nós,
os dois risonhos
caminhando na praia
ainda adultos
mas adolescentes
eu tirando sua roupa
nossas carícias indecentes
no corredor do hotel
o eco sensual da sua voz
os beijos que te dei
até na sua tatuagem
cheia de simbolismo
melhor que qualquer misticismo
esbanjando inteligência
não consigo pensar em outra
só você, com veemência
e o que sinto
é muito grande para
escrever nesse papel
cobre o céu
e agora não minto
assim como não menti
consenti
te falei sempre verdades
e também falei sacanagem
me sinto um lixo
e ainda falta tempo
não consigo trabalhar
não consigo parar
de pensar
e ainda falta tempo
até eu viajar
para te ver
e assim me espicho
suspiro e esse aperto
não some
nem o gosto doce
do seus beijos
tenho fome
desejo
sou imperfeito
mas não quero,
nunca vou te esquecer
e minha idade
corre avante
me deixa com saudade
é bastante
demorei tanto para sentir
aperto tão bom assim
e fui logo te ferir
sem início, meio e fim
tardei em ser romântico
nessa vida
perdi a prática do cântico
e esse dia não acaba
a hora não passa
eu trabalho para a vida
minha vida é trabalhar
e escrever
não fiz por merecer
ficou em segundo lugar
assim como no seu coração
nem ao menos devo estar.
Vontade de fazer nada.
Absolutamente, nada.
--
Já faz um tempo que escrevi este, dei uma olhada ontem e lá estava perdido, resolvi soltar antes que eu altere alguma coisa; é melhor assim.
Não quero fazer nada
estou assim já fazem 4 dias
e ontem só piorei
desanimado
que é uma porcaria
nem me mexi e já cansei
não agüento nem olhar
para aonde vou hoje
só quero ser um nada
para que não me falem hoje
machucado
por quem me usou
e por ser sincero
acabei por magoar
alguém que gosto
e agora, tonto, espero
tentar consertar
esse coração que quebrou
com o meu não me importo
e ainda faltam
horas para sair daqui
para ser livre
para ficar sozinho
nessa cidade de muitos
e poucos conhecidos
onde vislumbre
um lugar longe daqui
onde não me faltam
motivos e caminhos
que não são poucos
mas sim muitos
e talvez me levem
aonde devo ir
para desculpas pedir
aos seus pés
ao invés
de amargar aqui
nesses minutos
muitos
nessa cadeira
sentado a espreita
de inimigos dentro
desse local maldito
a longa espera da hora
de dizer tchau
de ir embora
esse tempo finito
com força enfrento
e com cara de pau
eu agüento
não quero trabalhar hoje
nem amanhã
só quero te ver
e me arrepender
mas a distância
me impede
e o cotidiano
me torna mais um mediano
trazendo
o que meu coração pede
não posso atender
nem de pronto
não sigo mais sonhos
nem adultos
nem de infância
estou me remoendo
por não poder
agora estar aí
deitado
ao seu lado
então lembro de nós,
os dois risonhos
caminhando na praia
ainda adultos
mas adolescentes
eu tirando sua roupa
nossas carícias indecentes
no corredor do hotel
o eco sensual da sua voz
os beijos que te dei
até na sua tatuagem
cheia de simbolismo
melhor que qualquer misticismo
esbanjando inteligência
não consigo pensar em outra
só você, com veemência
e o que sinto
é muito grande para
escrever nesse papel
cobre o céu
e agora não minto
assim como não menti
consenti
te falei sempre verdades
e também falei sacanagem
me sinto um lixo
e ainda falta tempo
não consigo trabalhar
não consigo parar
de pensar
e ainda falta tempo
até eu viajar
para te ver
e assim me espicho
suspiro e esse aperto
não some
nem o gosto doce
do seus beijos
tenho fome
desejo
sou imperfeito
mas não quero,
nunca vou te esquecer
e minha idade
corre avante
me deixa com saudade
é bastante
demorei tanto para sentir
aperto tão bom assim
e fui logo te ferir
sem início, meio e fim
tardei em ser romântico
nessa vida
perdi a prática do cântico
e esse dia não acaba
a hora não passa
eu trabalho para a vida
minha vida é trabalhar
e escrever
não fiz por merecer
ficou em segundo lugar
assim como no seu coração
nem ao menos devo estar.
Vontade de fazer nada.
Absolutamente, nada.
--
Já faz um tempo que escrevi este, dei uma olhada ontem e lá estava perdido, resolvi soltar antes que eu altere alguma coisa; é melhor assim.
domingo, 18 de julho de 2010
Moelleux
Esse Moelleux...
Rouge e doce.
Dionísio não me acompanha
nem no Tennessee,
muito menos na polonesa;
prefere um fermentado
sem trigo, sem cevada.
Esse Moelleux...
Doce e rouge.
Não amarrou com o morango;
no balanço até combinou
mas não como em I Modi;
no que me sinto Baco,
me falta minha Ariadne.
Com esse Moelleux...
Sinto falta de Chianti.
Anno 2006, me embriaga,
mas muito mais me agrada;
o connoiseur torce o nariz,
mas ninguém se importa;
no fim, é sempre festivo.
Como persiste
esse Moelleux...
Mas é fraco como Dionísio
cuspindo a bile de seu fígado.
Eterna criança risonha,
cheia de malícia e álcool.
Penso: nunca aprenderá...
--
Chega beber vinho por hoje, vou tomar um JD para balancear.
Rouge e doce.
Dionísio não me acompanha
nem no Tennessee,
muito menos na polonesa;
prefere um fermentado
sem trigo, sem cevada.
Esse Moelleux...
Doce e rouge.
Não amarrou com o morango;
no balanço até combinou
mas não como em I Modi;
no que me sinto Baco,
me falta minha Ariadne.
Com esse Moelleux...
Sinto falta de Chianti.
Anno 2006, me embriaga,
mas muito mais me agrada;
o connoiseur torce o nariz,
mas ninguém se importa;
no fim, é sempre festivo.
Como persiste
esse Moelleux...
Mas é fraco como Dionísio
cuspindo a bile de seu fígado.
Eterna criança risonha,
cheia de malícia e álcool.
Penso: nunca aprenderá...
--
Chega beber vinho por hoje, vou tomar um JD para balancear.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Insônia em Copa
Perdido nesse quarto de hotel
vendo a noite calma passar
tirei o relógio e até o anel
debruço na janela para olhar
Copacabana maravilhosa
e sua maré alta toda teimosa
eu ouço as ondas e nada mais
faz a mente voar lá para trás
Eu me deito sentindo a brisa
me sinto só na cama de casal
sua lembrança me aterroriza
nem essa solidão me faz tão mal
na televisão passa filme ruim
nem andar na areia põe um fim
no devaneio dessa insônia
lábio escarlate de begônia.
--
Tentando métricas diferentes, os resultados tem sido interessantes.
vendo a noite calma passar
tirei o relógio e até o anel
debruço na janela para olhar
Copacabana maravilhosa
e sua maré alta toda teimosa
eu ouço as ondas e nada mais
faz a mente voar lá para trás
Eu me deito sentindo a brisa
me sinto só na cama de casal
sua lembrança me aterroriza
nem essa solidão me faz tão mal
na televisão passa filme ruim
nem andar na areia põe um fim
no devaneio dessa insônia
lábio escarlate de begônia.
--
Tentando métricas diferentes, os resultados tem sido interessantes.
terça-feira, 6 de julho de 2010
"Aborrescente"
Adolescente adora fazer caso...
Prazo e uma boba paixonite,
soma-se as doenças e rinite.
Ah... o descaso efervescente.
Para que sofrer sem necessidade
nessa idade tão nova?
Ainda nem levou uma sova...
tem muito para se viver.
Não adianta sequer explicar,
teimoso não quer ouvir,
e ninguém pode decidir.
Até para reclamar ele canta.
Essa faixa etária enlouquece
pais, adultos e professores,
faltam-lhe paz e sabores.
E não esquece a pituitária!
Até tem estresse hormonal!
Vontade de esmurrar.
Necessidade de rebelar
contra o mal que lhe aquece.
Educadores colocam limites.
Pretende uma revolução,
ganhar uma nova emoção,
até que cogite novos amores.
A vida é um negócio chato,
todos querem lhe mandar,
é pior se não quiser acatar,
então, como "adulto", ele lida.
Não demora muito para passar.
Logo terá carro e independência.
Ninguém lhe tirará a paciência,
"É bom sonhar", então comemora.
--
Vida difícil, hein? hehehehehe
Prazo e uma boba paixonite,
soma-se as doenças e rinite.
Ah... o descaso efervescente.
Para que sofrer sem necessidade
nessa idade tão nova?
Ainda nem levou uma sova...
tem muito para se viver.
Não adianta sequer explicar,
teimoso não quer ouvir,
e ninguém pode decidir.
Até para reclamar ele canta.
Essa faixa etária enlouquece
pais, adultos e professores,
faltam-lhe paz e sabores.
E não esquece a pituitária!
Até tem estresse hormonal!
Vontade de esmurrar.
Necessidade de rebelar
contra o mal que lhe aquece.
Educadores colocam limites.
Pretende uma revolução,
ganhar uma nova emoção,
até que cogite novos amores.
A vida é um negócio chato,
todos querem lhe mandar,
é pior se não quiser acatar,
então, como "adulto", ele lida.
Não demora muito para passar.
Logo terá carro e independência.
Ninguém lhe tirará a paciência,
"É bom sonhar", então comemora.
--
Vida difícil, hein? hehehehehe
sábado, 3 de julho de 2010
Briga e carmesim
Tudo começa assim,
aos gritos,
aos berros,
xingando,
quebrando copos,
jogando pratos.
Essa não terá fim,
não será bom,
as malas,
abertas,
as roupas,
amassadas.
Pensamento ruim,
e segue fora
de hora e tom,
o tapa,
a marca,
a súplica.
Vira aquele motim,
sem perdão,
não merecia,
pensa
em execução,
pega a arma.
Aponta para ele enfim,
apavora,
grita e berra,
aperta,
esgana,
dá o clique.
Bala de festim!?
Revolta,
ele bate,
ela revida,
uma coronhada,
um beijo.
Escorre o carmesim,
roupas rasgadas,
amor quente,
na mesa,
no chão,
só paixão.
--
Casal estranho, não?
aos gritos,
aos berros,
xingando,
quebrando copos,
jogando pratos.
Essa não terá fim,
não será bom,
as malas,
abertas,
as roupas,
amassadas.
Pensamento ruim,
e segue fora
de hora e tom,
o tapa,
a marca,
a súplica.
Vira aquele motim,
sem perdão,
não merecia,
pensa
em execução,
pega a arma.
Aponta para ele enfim,
apavora,
grita e berra,
aperta,
esgana,
dá o clique.
Bala de festim!?
Revolta,
ele bate,
ela revida,
uma coronhada,
um beijo.
Escorre o carmesim,
roupas rasgadas,
amor quente,
na mesa,
no chão,
só paixão.
--
Casal estranho, não?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
2010...
É... repetéco de 2006...
Agora só me resta torcer para o Timão no brasileirão.
Essa vida de sofredor tá foda.
Agora só me resta torcer para o Timão no brasileirão.
Essa vida de sofredor tá foda.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ele sobreviveu
Gregório está na cama do hospital, nem parece que já se passaram três dias, ou seriam quatro? Ele já não tem certeza, nem de quanto tempo passou, nem de quanto tempo ficará ainda, mas o pior já passou. Na fila do transplante por mais de três anos, de repente esses três, ou quatro dias, deixam de parecer uma eternidade, comparados aos anos de espera, mas mesmo com livros, televisão, comida, pessoas cuidando de sua saúde, esses poucos dias ainda incomodam, parecem um longo tempo. Talvez o tempo não seja comparável, não seja realmente contabilizado da maneira correta, tão estranho, ele pensa. Sessenta e dois anos... meia-dúzia e depois o dois, que diabos! Passou tão rápido, era tão fácil quarenta anos atrás...
Na verdade ele sente melancolia, pois lembra do irmão. Sente saudades dos tempos áureos, como diria o Ricardo, “tempos malucos, Gório, maluquices sem fim...”
Nunca mais viu Ricardo, ele virou a cara para todos nós, pensou. Passou a mão pela cabeça, ainda sentia aquela tontura, talvez o sangue não estivesse irrigando a cabeça direito, talvez seja efeito dessa alimentação controlada, essas horas uma cervejinha iria bem, só para dar uma inebriada no sentimento, na verdade queria mesmo era uma garrafa de whiskey, serve até cachaça! NÃO! Está sóbrio já faz dez anos, e se não fosse por isso, estaria enterrado ao lado de Daniel. Quando tudo isso começou? Mal se lembra, realmente foram tempos muito loucos, ainda mais quando conheceu Geraldo, Felipe e o resto dos Mortos, nós da Ampulheta ainda éramos novos no meio e nem tínhamos idéia do que existia de doideira nesse mundo. Foi um pouco antes disso, foi quando Daniel me presenteou com aquele órgão... Hammond-B3... paixão de infância, eu ficava tentando tocar num desses que tinha no bar perto de casa. Uma lembrança muito engraçada surge desse dia, ele chegando na casa que Daniel dividia com Ricardo e o resto da trupe, Cláudio, Jaime e Bruno. Violão nas costas e uma pequena mala na mão.
“Gório! Você veio mesmo! Pessoal era justamente dele que eu estava falando ontem. Meu irmão, Gregório. Ele vai canta.” Daniel realmente botava fé, acreditava em mim, Jaime e Bruno olharam com aquela cara de que tudo estava bem, e lógico estavam sedentos para fazer um som. Apenas Cláudio e Ricardo questionaram “Ele sabe cantar mesmo?”, Daniel já foi mandando, “Gório, canta aquele blues do Son House aê, Grinnin’ In Your Face! Mostra pra eles o fazíamos lá na nossa cidade!”
Eu soltei a garganta, era o que eu sabia fazer de verdade, o violão só me ajudava a compor e fazer um andamento, quem tinha a prática era o Daniel, ele era o apaixonado pelas cordas, e eu pelas teclas. Abriu um sorriso para esta lembrança. Sentia-se feliz, e afortunado por ter participado de algo tão grande. Lembra daquele dia, com gosto, ainda mais pelo presente, Daniel o chamou para a sala de ensaio e falou “Para você entrar na banda, só tem uma condição a cumprir agora, aprende a tocar aquela porra ali!”, Daniel ria, quase ao ponto de se mijar, teve que ir ao banheiro, Gregório lembra da risada do irmão, em tom de desafio, mas ele estava rindo demais por ver o irmão mais novo chorando de alegria, parecia criança quando ganhava uma bicicleta, levando em conta que na década de 60, uma bicicleta era para poucos, assim como um Hammond-B3 de madeira, aliás, é para poucos até hoje. Daniel voltava do banheiro, Jaime e Bruno entraram na sala riram junto, e o último estendeu a mão “Júnior, levanta aê! O lance é o seguinte, pega esse livro aqui, e destrincha, você tem dois dias para aprender alguma coisa, esse fim de semana não terá ensaio, precisamos trabalhar, ok?”, Jaime batia nas costas do novo membro, gargalhando, e dizia que “Tudo vai ficar bem, você vai dar conta. Daniel disse que você tem umas composições, por que não passa para a tecladeira?”, “Vou tentar, dois dias né?”. Ricardo entra na sala, “Dois dias, e dois baseados, presentinho para você, seja bem vindo de volta ao sul! Mas estude antes hein!”, todos riam, até o Cláudio encostado na porta.
“Foi assim que começamos, foi assim que comecei.”
A doença veio a ele devido aos anos desregrados, mas ele não se arrepende disso, pode se arrepender de outras coisas, mas não dos momentos divertidos, do começo de tudo.
“Gório! Como está meu querido? Esse repouso está um saco né?”
A voz de Felipe, Deus, quanto tempo não o via, já fazia mais de um ano! Felipe é companheiro de longa data, daqueles tempos loucos de verdade. Oito anos mais velho, e passou pela mesma operação doze anos atrás, transplante de fígado, Hepatite C. Hoje ele faz campanha sobre doação de órgãos, doze anos após o transplante, está inteiro. “E aí, está pronto para tomar umas geladas? Trouxe umas latas aqui para você e...”, Gório arregalou os olhos “...calma é brincadeira!”, levanta uma garrafa térmica. “O médico disse que chá era permitido, garanto que este aqui vai te fazer viajar longe! BRINCADEIRINHA!!!”, sempre o piadista, as drogas ficaram para trás já há muito tempo, ambos são sobreviventes da época do Amor Livre, Natureza, Paz, Música e Revolução. “É erva mate, meu amigo.”
Coçando a barba, balbucia umas palavras “Pô Felipe...”
“O que foi meu?”, olha para Gório, enquanto serve chá na caneca.
“Você é foda hein! Cada brincadeira! Não posso ficar dando muita risada, porque eu sinto puxar esses pontos de merda!”, Gório ri leve, para descarregar a tensão, “Dê-me esse chá, por favor.”
“Ahhhh... o sulista aprendeu a ser educado com o tempo hein! Está até falando “por favor”! Tudo bem, entendo a situação.”, Felipe lembra de todos ao seu lado, tanto no transplante, quanto no câncer de próstata, oito anos depois, azar, MUITO AZAR, pensa, mas a sorte bateu de novo na porta e lhe concedeu mais um tempo, e ele está aproveitando bem, não aparenta setenta anos. “Lembro de vocês todos me visitando, até os moleques, como estão?”
“Estão bem, vieram me visitar já. Aparecem todos os dias.”, pensa como é bom conversar com um amigo vivo daquela época. “E a família como vai? E a OUTRA família?”
“Estamos todos bens, ainda bem, mandaram desejos de melhores e virão te visitar depois. A OUTRA família está bem, o Roberto e o William me disseram que já passaram aqui, e o Michel vai dar um pulo aqui amanhã. Vamos nos juntar para uma temporada, sabe como é, né?”, Felipe faz uma cara feliz, mas triste ao mesmo tempo.
“O Geraldo faz falta na banda né? É como o Daniel, os dois eram meio que guias espirituais... o que será que acontece com esses guitarristas?”, ri leve, pois lembra das duas bandas tocando juntas perdidas em qualquer canto do país.
“Ele faz falta sim, o Ronaldo também, cara acho que todos que já se foram fazem falta... o Bruno era um que vocês adoravam e se foi um ano depois do Daniel, e quase no mesmo lugar... eles eram família.”
“Pois é... mas o Geraldo e o Daniel realmente sabiam como mover, nos levar para a frente. Se não fosse pelo Ricardo, eu teria parado lá mesmo, teria feito o mesmo que vocês, terminado a banda e faria algo sozinho...”, mas foi melhor assim, pensou.
Felipe ria, “Desculpe-me, mas você lembra daquela noite que o Geraldo ficou alucinado e não parou de solar e de repente o Daniel se juntou e os dois ficaram numa conversa muito doida? Aquilo foi mágico, e era engraçado pois eles pareciam crianças...”
Realmente tinha sido uma noite mágica, praticamente três bandas no mesmo palco dando o melhor de si num bis de quase uma hora. “Rapaz, éramos para esquecer aquela noite, depois de tanta porcaria no camarim! Mas não dá, foi mágico! A banda do Pedro subia junto, quando vimos tinha cerca de dezesseis ou dezessete pessoas mandando um improviso!”, nunca mais se repetiu... “Nunca mais aconteceu... o Pedro enlouqueceu logo depois disso né... mas que momento! Guardemos as coisas boas, de ruim que fique só as saudades!”, Gregório não escondia o sorriso, contente por ter participado daquela noite, contente por tudo que teve.
Felipe concordou e acrescentou “Vamos, beba esse chá, branquelo! Daqui a pouco chegam as suas bolachas de papagaio.”
O tempo passou, e memórias encheram aquele quarto de hospital, coloridas, alucinógenas, piadas, coisas boas da vida, ambos sabem o quanto foram bem afortunados, o quanto se passou até estarem onde estão. Ainda não é hora de acabar.
“Está no fim do horário de visita, tenho que ir”, fechava a garrafa, “mas volto amanhã, trago algum livro para você?”
Gório pensou, não sabia o que ler, ficou na indecisão, e por fim decidiu “Me traga uma escaleta, um caderno e uma caneta, ainda posso assoprar. E me faz mais um favor, me traga a nova edição do Batman, quero ler qualquer coisa, com figuras, livros eu posso ler em casa, lá as paredes não são brancas.”, Felipe riu junto.
“Tudo bem, amanhã eu trago! Durma bem. E para você tem uma surpresa aí na gaveta do criado mudo. Tchau!” saiu rápido como se tivesse algum compromisso.
“Surpresa!?” Abriu a gaveta e viu, não poderia ser, maconha? Ele bolou um baseado? O filho da mãe trouxe maconha para o hospital? Só pode estar de brincadeira! Cheirou o cigarro, mas não tinha cheiro de maconha, pelo contrário, ele sempre falou que a comida de hospital era ruim e sem graça, ainda mais bolachas água-e-sal... é um cigarro de chocolate. Gregório ri, sente dor, mas ri mesmo assim... “sempre o brincalhão... esse não tem jeito...”. Mastiga o chocolate, e se acalma do riso. Amanhã é outro dia, mais um dia, ainda bem.
--
Gregg Allman, um dos músicos que mais admiro, passou por um transplante de fígado recentemente. Decidi fazer esse pequeno conto/crônica, sobre ele como paciente em recuperação, conversando com Phil Lesh(outro ótimo músico, que passou também por transplante de fígado) sobre os bons tempos, onde a Allman Brothers Band se juntava com o Grateful Dead e até o Fleetwood Mac no mesmo palco, mandando jams em shows de mais de três horas de duração. E lógico, uma pequena piada com os famosos "cigarros de chocolate", que eu comprava quando criança.
Aqui está o link com a notícia: http://kissfm.com.br/noticias/gregg-allman-passa-por-transplante-de-figado/
Que músicos como ele e seus amigos vivam por muito mais tempo.
Na verdade ele sente melancolia, pois lembra do irmão. Sente saudades dos tempos áureos, como diria o Ricardo, “tempos malucos, Gório, maluquices sem fim...”
Nunca mais viu Ricardo, ele virou a cara para todos nós, pensou. Passou a mão pela cabeça, ainda sentia aquela tontura, talvez o sangue não estivesse irrigando a cabeça direito, talvez seja efeito dessa alimentação controlada, essas horas uma cervejinha iria bem, só para dar uma inebriada no sentimento, na verdade queria mesmo era uma garrafa de whiskey, serve até cachaça! NÃO! Está sóbrio já faz dez anos, e se não fosse por isso, estaria enterrado ao lado de Daniel. Quando tudo isso começou? Mal se lembra, realmente foram tempos muito loucos, ainda mais quando conheceu Geraldo, Felipe e o resto dos Mortos, nós da Ampulheta ainda éramos novos no meio e nem tínhamos idéia do que existia de doideira nesse mundo. Foi um pouco antes disso, foi quando Daniel me presenteou com aquele órgão... Hammond-B3... paixão de infância, eu ficava tentando tocar num desses que tinha no bar perto de casa. Uma lembrança muito engraçada surge desse dia, ele chegando na casa que Daniel dividia com Ricardo e o resto da trupe, Cláudio, Jaime e Bruno. Violão nas costas e uma pequena mala na mão.
“Gório! Você veio mesmo! Pessoal era justamente dele que eu estava falando ontem. Meu irmão, Gregório. Ele vai canta.” Daniel realmente botava fé, acreditava em mim, Jaime e Bruno olharam com aquela cara de que tudo estava bem, e lógico estavam sedentos para fazer um som. Apenas Cláudio e Ricardo questionaram “Ele sabe cantar mesmo?”, Daniel já foi mandando, “Gório, canta aquele blues do Son House aê, Grinnin’ In Your Face! Mostra pra eles o fazíamos lá na nossa cidade!”
Eu soltei a garganta, era o que eu sabia fazer de verdade, o violão só me ajudava a compor e fazer um andamento, quem tinha a prática era o Daniel, ele era o apaixonado pelas cordas, e eu pelas teclas. Abriu um sorriso para esta lembrança. Sentia-se feliz, e afortunado por ter participado de algo tão grande. Lembra daquele dia, com gosto, ainda mais pelo presente, Daniel o chamou para a sala de ensaio e falou “Para você entrar na banda, só tem uma condição a cumprir agora, aprende a tocar aquela porra ali!”, Daniel ria, quase ao ponto de se mijar, teve que ir ao banheiro, Gregório lembra da risada do irmão, em tom de desafio, mas ele estava rindo demais por ver o irmão mais novo chorando de alegria, parecia criança quando ganhava uma bicicleta, levando em conta que na década de 60, uma bicicleta era para poucos, assim como um Hammond-B3 de madeira, aliás, é para poucos até hoje. Daniel voltava do banheiro, Jaime e Bruno entraram na sala riram junto, e o último estendeu a mão “Júnior, levanta aê! O lance é o seguinte, pega esse livro aqui, e destrincha, você tem dois dias para aprender alguma coisa, esse fim de semana não terá ensaio, precisamos trabalhar, ok?”, Jaime batia nas costas do novo membro, gargalhando, e dizia que “Tudo vai ficar bem, você vai dar conta. Daniel disse que você tem umas composições, por que não passa para a tecladeira?”, “Vou tentar, dois dias né?”. Ricardo entra na sala, “Dois dias, e dois baseados, presentinho para você, seja bem vindo de volta ao sul! Mas estude antes hein!”, todos riam, até o Cláudio encostado na porta.
“Foi assim que começamos, foi assim que comecei.”
A doença veio a ele devido aos anos desregrados, mas ele não se arrepende disso, pode se arrepender de outras coisas, mas não dos momentos divertidos, do começo de tudo.
“Gório! Como está meu querido? Esse repouso está um saco né?”
A voz de Felipe, Deus, quanto tempo não o via, já fazia mais de um ano! Felipe é companheiro de longa data, daqueles tempos loucos de verdade. Oito anos mais velho, e passou pela mesma operação doze anos atrás, transplante de fígado, Hepatite C. Hoje ele faz campanha sobre doação de órgãos, doze anos após o transplante, está inteiro. “E aí, está pronto para tomar umas geladas? Trouxe umas latas aqui para você e...”, Gório arregalou os olhos “...calma é brincadeira!”, levanta uma garrafa térmica. “O médico disse que chá era permitido, garanto que este aqui vai te fazer viajar longe! BRINCADEIRINHA!!!”, sempre o piadista, as drogas ficaram para trás já há muito tempo, ambos são sobreviventes da época do Amor Livre, Natureza, Paz, Música e Revolução. “É erva mate, meu amigo.”
Coçando a barba, balbucia umas palavras “Pô Felipe...”
“O que foi meu?”, olha para Gório, enquanto serve chá na caneca.
“Você é foda hein! Cada brincadeira! Não posso ficar dando muita risada, porque eu sinto puxar esses pontos de merda!”, Gório ri leve, para descarregar a tensão, “Dê-me esse chá, por favor.”
“Ahhhh... o sulista aprendeu a ser educado com o tempo hein! Está até falando “por favor”! Tudo bem, entendo a situação.”, Felipe lembra de todos ao seu lado, tanto no transplante, quanto no câncer de próstata, oito anos depois, azar, MUITO AZAR, pensa, mas a sorte bateu de novo na porta e lhe concedeu mais um tempo, e ele está aproveitando bem, não aparenta setenta anos. “Lembro de vocês todos me visitando, até os moleques, como estão?”
“Estão bem, vieram me visitar já. Aparecem todos os dias.”, pensa como é bom conversar com um amigo vivo daquela época. “E a família como vai? E a OUTRA família?”
“Estamos todos bens, ainda bem, mandaram desejos de melhores e virão te visitar depois. A OUTRA família está bem, o Roberto e o William me disseram que já passaram aqui, e o Michel vai dar um pulo aqui amanhã. Vamos nos juntar para uma temporada, sabe como é, né?”, Felipe faz uma cara feliz, mas triste ao mesmo tempo.
“O Geraldo faz falta na banda né? É como o Daniel, os dois eram meio que guias espirituais... o que será que acontece com esses guitarristas?”, ri leve, pois lembra das duas bandas tocando juntas perdidas em qualquer canto do país.
“Ele faz falta sim, o Ronaldo também, cara acho que todos que já se foram fazem falta... o Bruno era um que vocês adoravam e se foi um ano depois do Daniel, e quase no mesmo lugar... eles eram família.”
“Pois é... mas o Geraldo e o Daniel realmente sabiam como mover, nos levar para a frente. Se não fosse pelo Ricardo, eu teria parado lá mesmo, teria feito o mesmo que vocês, terminado a banda e faria algo sozinho...”, mas foi melhor assim, pensou.
Felipe ria, “Desculpe-me, mas você lembra daquela noite que o Geraldo ficou alucinado e não parou de solar e de repente o Daniel se juntou e os dois ficaram numa conversa muito doida? Aquilo foi mágico, e era engraçado pois eles pareciam crianças...”
Realmente tinha sido uma noite mágica, praticamente três bandas no mesmo palco dando o melhor de si num bis de quase uma hora. “Rapaz, éramos para esquecer aquela noite, depois de tanta porcaria no camarim! Mas não dá, foi mágico! A banda do Pedro subia junto, quando vimos tinha cerca de dezesseis ou dezessete pessoas mandando um improviso!”, nunca mais se repetiu... “Nunca mais aconteceu... o Pedro enlouqueceu logo depois disso né... mas que momento! Guardemos as coisas boas, de ruim que fique só as saudades!”, Gregório não escondia o sorriso, contente por ter participado daquela noite, contente por tudo que teve.
Felipe concordou e acrescentou “Vamos, beba esse chá, branquelo! Daqui a pouco chegam as suas bolachas de papagaio.”
O tempo passou, e memórias encheram aquele quarto de hospital, coloridas, alucinógenas, piadas, coisas boas da vida, ambos sabem o quanto foram bem afortunados, o quanto se passou até estarem onde estão. Ainda não é hora de acabar.
“Está no fim do horário de visita, tenho que ir”, fechava a garrafa, “mas volto amanhã, trago algum livro para você?”
Gório pensou, não sabia o que ler, ficou na indecisão, e por fim decidiu “Me traga uma escaleta, um caderno e uma caneta, ainda posso assoprar. E me faz mais um favor, me traga a nova edição do Batman, quero ler qualquer coisa, com figuras, livros eu posso ler em casa, lá as paredes não são brancas.”, Felipe riu junto.
“Tudo bem, amanhã eu trago! Durma bem. E para você tem uma surpresa aí na gaveta do criado mudo. Tchau!” saiu rápido como se tivesse algum compromisso.
“Surpresa!?” Abriu a gaveta e viu, não poderia ser, maconha? Ele bolou um baseado? O filho da mãe trouxe maconha para o hospital? Só pode estar de brincadeira! Cheirou o cigarro, mas não tinha cheiro de maconha, pelo contrário, ele sempre falou que a comida de hospital era ruim e sem graça, ainda mais bolachas água-e-sal... é um cigarro de chocolate. Gregório ri, sente dor, mas ri mesmo assim... “sempre o brincalhão... esse não tem jeito...”. Mastiga o chocolate, e se acalma do riso. Amanhã é outro dia, mais um dia, ainda bem.
--
Gregg Allman, um dos músicos que mais admiro, passou por um transplante de fígado recentemente. Decidi fazer esse pequeno conto/crônica, sobre ele como paciente em recuperação, conversando com Phil Lesh(outro ótimo músico, que passou também por transplante de fígado) sobre os bons tempos, onde a Allman Brothers Band se juntava com o Grateful Dead e até o Fleetwood Mac no mesmo palco, mandando jams em shows de mais de três horas de duração. E lógico, uma pequena piada com os famosos "cigarros de chocolate", que eu comprava quando criança.
Aqui está o link com a notícia: http://kissfm.com.br/noticias/gregg-allman-passa-por-transplante-de-figado/
Que músicos como ele e seus amigos vivam por muito mais tempo.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
De repente
Papel, caneta e violão.
Canção escrita agora,
fora com essa careta,
não é cordel do sertão,
um pouco mais demora.
Dedilha aquele acorde
ouvindo o doce som.
Até chama uma matilha
que ladra mas não morde,
vindo só cão do bom.
Logo a tinta foi vazar...
Um borrão no esboço,
é osso, duro de roer!
Essa carne de pescoço
que não posso marcar.
Era para começar em Dó.
Tentei, mas não deu pé.
A harmonia ainda é pó,
cantei a nova melodia.
Mudei, vai ficar em Ré.
No bater da minha bota
sigo um novo compasso.
Late um cão ao meu lado
que desata o meu cadarço,
enquanto canto outra nota.
Canção escrita agora,
fora com essa careta,
não é cordel do sertão,
um pouco mais demora.
Dedilha aquele acorde
ouvindo o doce som.
Até chama uma matilha
que ladra mas não morde,
vindo só cão do bom.
Logo a tinta foi vazar...
Um borrão no esboço,
é osso, duro de roer!
Essa carne de pescoço
que não posso marcar.
Era para começar em Dó.
Tentei, mas não deu pé.
A harmonia ainda é pó,
cantei a nova melodia.
Mudei, vai ficar em Ré.
No bater da minha bota
sigo um novo compasso.
Late um cão ao meu lado
que desata o meu cadarço,
enquanto canto outra nota.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Cuidado com a foto
Vá lá comprar
aquele elástico,
porque vai precisar
prender esse plástico.
Uma, duas voltas,
a terceira não dá,
o maldito estoura.
Então pegue um
daqueles barbantes.
Dê voltas e faça
um nó num
breve instante.
Que fique apertado
e nunca desatado.
Agora esse canudo
está preso direito?
Não causará efeito
aquela foto em desnudo.
Mas e se a verem?
Trate de ficar mudo,
ela não pode saber.
E todos que a viram
ficaram fascinados.
Quando ela passear,
ficará ressabiado.
E outros assobiam...
Quem mandou errar?
Então tome cuidado.
aquele elástico,
porque vai precisar
prender esse plástico.
Uma, duas voltas,
a terceira não dá,
o maldito estoura.
Então pegue um
daqueles barbantes.
Dê voltas e faça
um nó num
breve instante.
Que fique apertado
e nunca desatado.
Agora esse canudo
está preso direito?
Não causará efeito
aquela foto em desnudo.
Mas e se a verem?
Trate de ficar mudo,
ela não pode saber.
E todos que a viram
ficaram fascinados.
Quando ela passear,
ficará ressabiado.
E outros assobiam...
Quem mandou errar?
Então tome cuidado.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ao Sr. José
Meus heróis estão morrendo
um por vez
caindo
cedendo
desistindo
nessa insensatez
E lá se vai o grande humanista
sempre cético
comunista
escriba ibérico
dos ateus
sempre sem deus
E isso nunca importou
apenas para a igreja
irrelevante
só almejou
mas adiante
nunca festeja
E mesmo sem fé divina
ele acreditou
em liberdades
e relatou
na mais fina
de todas as verdades
Ele fará parte da lista
dos heróis
literários
sempre feroz
cronista
humanitário
Sempre terá respeito
da memória
nada apago
nada desfeito
na história
do gênio Saramago.
um por vez
caindo
cedendo
desistindo
nessa insensatez
E lá se vai o grande humanista
sempre cético
comunista
escriba ibérico
dos ateus
sempre sem deus
E isso nunca importou
apenas para a igreja
irrelevante
só almejou
mas adiante
nunca festeja
E mesmo sem fé divina
ele acreditou
em liberdades
e relatou
na mais fina
de todas as verdades
Ele fará parte da lista
dos heróis
literários
sempre feroz
cronista
humanitário
Sempre terá respeito
da memória
nada apago
nada desfeito
na história
do gênio Saramago.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Faltam-me dedos!
Ser bom só me trouxe problemas; resolvi, depois de alguns anos sendo o filho da puta, insensível e cafajeste da turma(palavras de meus amigos, não minhas, pois eu me considerava uma pessoa livre, apenas), me tornar uma pessoa decente, parar com as loucuras e exageros, ficar mais em casa com a família, ser mais responsável, trabalhar melhor, etc... mas a vida ficou um saco. E decepções atrás de decepções só pude concluir que o bonzinho é quem sempre se fode, acaba ficando para trás e, no fim, assim como eu, acaba amargo, possesso, e puto com tudo nessa vida.
Não me leve a mal, mas ser o cara bom só me trouxe decepções, e por mais que não queira, ainda sou bonzinho as vezes, e continuo me arrependendo disso, e o pior é que comecei a contar com os dedos das mãos, dos pés... faltam-me dedos! Bom, quase, ainda me sobra o dedo-médio, aquele que vou levantar com o punho em riste, voltado à face de quem merece, para dizer com todas as letras, sílabas e fonemas: "VÁ TOMAR NO MEIO DO SEU CU!"
Aí posso ficar sossegado, porque todo mundo tem que ser sincero, e estarei sendo, com qualquer um.
Depois de duas semanas completamente cheias de coisas que não gostaria que tivessem acontecido, resolvi parar de discutir, de ajudar, de me importar. Lembrei o que é viver para mim.
E te digo, meu caro, é muito bom estar de volta!
Não me leve a mal, mas ser o cara bom só me trouxe decepções, e por mais que não queira, ainda sou bonzinho as vezes, e continuo me arrependendo disso, e o pior é que comecei a contar com os dedos das mãos, dos pés... faltam-me dedos! Bom, quase, ainda me sobra o dedo-médio, aquele que vou levantar com o punho em riste, voltado à face de quem merece, para dizer com todas as letras, sílabas e fonemas: "VÁ TOMAR NO MEIO DO SEU CU!"
Aí posso ficar sossegado, porque todo mundo tem que ser sincero, e estarei sendo, com qualquer um.
Depois de duas semanas completamente cheias de coisas que não gostaria que tivessem acontecido, resolvi parar de discutir, de ajudar, de me importar. Lembrei o que é viver para mim.
E te digo, meu caro, é muito bom estar de volta!
Solidão finita
Demorou, cerca de dois, ou três anos para dar chance ao coração, não sabia como, nem por onde começar, não sabia. Uma coisa sabia, sem falta, sem erro, sem desculpas, deveria haver sinceridade de sua parte, como sempre houve, nos casos e descasos que houveram, "não quero compromisso", deixava explícito logo no começo, evitava se apegar a motivos distantes, ainda mais quando distância era um motivo grande e longo (era por este e outros, que o último relacionamento acabara) e maldito. Antes havia decidido se deixar levar, não se prender, e de súbito em um mês, após tanto tempo de loucura, bebedeira, amizades, sexo por sexo, amor sem amor, embriaguez mental e emocional, a realidade lhe bateu na face, como um tapa, daqueles que deixam as marcas dos dedos nas bochechas, e era dolorosa, uma verdade doída lhe atingia colérica em seu peito: estava só.
Para desvencilhar deste sentimento, resolveu sair, passear ao pouco de luz do Sol que lhe é permitido num dia de inverno. Frio inverno. Talvez seja pior que o inferno, mais danoso e mais sofrível que qualquer um dos nove círculos que Dante percorreu, muito dantes de hoje percorrer pelas ruas qualquer reles mortal colocando em prática cada pecado. E assim é este inverno infernal por onde tenta passear e pensar algo fora da esfera da solidão. Mas há o bombardeio, figuras e imagens de casais felizes, chocolates, roupas, jóias e diversos presentes para namorado e namorada, casados inclusos, pois nunca deixaram de namorar, apenas os infelizes e os conformados. E isso lhe atormenta, traz lembrança de quem amou, de quem se foi, e a data de Doze de Junho está próxima, para lhe atormentar mais significativamente. O amor virou consumismo, virou babaquice e banalidade, aquela idiotice que todos pensam que vai salvar a vida do universo, evitar desastres e guerras, e trará paz, no entanto traz ciúme, traz saudade e traz até solidão. O amor é uma faca de dois gumes, pronta para cortar qualquer sentimento bom e qualquer sentimento ruim. Será que vale a pena todo esse sofrer?
Decide voltar para casa, e voltar para o que não pode trair, e assim volta. De mente refeita de que essa solidão vai passar, com companhia ou não, passará.
Para desvencilhar deste sentimento, resolveu sair, passear ao pouco de luz do Sol que lhe é permitido num dia de inverno. Frio inverno. Talvez seja pior que o inferno, mais danoso e mais sofrível que qualquer um dos nove círculos que Dante percorreu, muito dantes de hoje percorrer pelas ruas qualquer reles mortal colocando em prática cada pecado. E assim é este inverno infernal por onde tenta passear e pensar algo fora da esfera da solidão. Mas há o bombardeio, figuras e imagens de casais felizes, chocolates, roupas, jóias e diversos presentes para namorado e namorada, casados inclusos, pois nunca deixaram de namorar, apenas os infelizes e os conformados. E isso lhe atormenta, traz lembrança de quem amou, de quem se foi, e a data de Doze de Junho está próxima, para lhe atormentar mais significativamente. O amor virou consumismo, virou babaquice e banalidade, aquela idiotice que todos pensam que vai salvar a vida do universo, evitar desastres e guerras, e trará paz, no entanto traz ciúme, traz saudade e traz até solidão. O amor é uma faca de dois gumes, pronta para cortar qualquer sentimento bom e qualquer sentimento ruim. Será que vale a pena todo esse sofrer?
Decide voltar para casa, e voltar para o que não pode trair, e assim volta. De mente refeita de que essa solidão vai passar, com companhia ou não, passará.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Deslizes
Duas vezes eu tive como
E nas duas eu escorreguei
Poderia dizer mil desculpas
Mas ainda morreria de culpa
Vejo dois patinhos na lagoa
e me odeio, não é a toa
Ódio a quem outros magoa
Matei os dois em um tiro
E daqui, idiota eu retomo
desse ponto cego onde errei
lembro dessa maldita distância
e de uma louca discrepância
Mas são elementos semelhantes
com seus movimentos vacilantes
e seus traços fortes e importantes
Distante de vocês me retiro.
E nas duas eu escorreguei
Poderia dizer mil desculpas
Mas ainda morreria de culpa
Vejo dois patinhos na lagoa
e me odeio, não é a toa
Ódio a quem outros magoa
Matei os dois em um tiro
E daqui, idiota eu retomo
desse ponto cego onde errei
lembro dessa maldita distância
e de uma louca discrepância
Mas são elementos semelhantes
com seus movimentos vacilantes
e seus traços fortes e importantes
Distante de vocês me retiro.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Painting you
I - Remembrance
I have a portrait
in my living room.
I held it with faith,
and now flowers bloom.
So soon came the spring.
I wished it was a kind
of a Dorian Gray,
but it always comes in mind,
your face didn't fade away
since the time I saw you sing.
I have been told
to sell this painting,
but it never gets old.
Stills fresh and saying
words that make us cling.
Sitting beside the pond
to feed the birds,
my mind flies beyond,
while I throw pieces of bread
out of this bag I bring.
II - Heathen
In ancient times
of darkened skyes,
I've written rhymes
without lies,
about fortune
and about bad luck.
Singing a tune
while feeding a duck.
One of those
was about your hair,
Red as fire
which consumes the air,
while your attire
was left on the floor
and you posed
for me, naked at the door.
I had to paint
you in a canvas blank,
lifeless and pure.
Beauty that still allure,
far from a saint,
say words, likes to prank.
I've lost my mind,
left all the colors behind.
The only one left
between our bodies is red.
Your braids in pair,
just turned in fiery waves.
You moved oh so deft.
Loose, your phoenix feathered
hair lashed me fair.
For my flesh a nail craves.
I kissed your scarlet
lips like an apple forbidden.
Felt your theet on my shoulder.
My body you claim, be holder.
By me your deep feelings
are strongly ridden.
And of all my paintings
you're my magnum opus yet.
And you walked around
showing you pretty thighs,
making me cross any bound.
You loved to hear our sighs
when you gave us your back.
It was easy to follow your track
and hard to know when you'd talk.
For no one you'd stop your walk.
Your figure on nude
would inspire every suicidal
to stay alive on your breast,
lay on your womb on the last breath,
say words of savage love and death,
And into peace die at last.
I rather live for your memorial,
as everyone should.
III - Rest
Now I wait for my hour
patiently, to see you again.
And the wine now taste sour.
Maybe it will all end in pain.
I have hallucinations,
feel your hot breath in my nape.
Of all the expectations,
I see your hands, I see grapes.
Death touched you by request,
in your fatal mix.
Now I feel the cold in my chest
and I count to six,
Couldn't make to ten.
I see you calling me, pulling my arm.
Suddenly appears a new place, a farm.
And finally I drop my pen.
--
Tentando algo diferente.
Por favor, me avise se você algum erro, ok?
Obrigado! :)
-
Trying something different.
Please tell me if you find any mistake, ok?
Thanks! :)
I have a portrait
in my living room.
I held it with faith,
and now flowers bloom.
So soon came the spring.
I wished it was a kind
of a Dorian Gray,
but it always comes in mind,
your face didn't fade away
since the time I saw you sing.
I have been told
to sell this painting,
but it never gets old.
Stills fresh and saying
words that make us cling.
Sitting beside the pond
to feed the birds,
my mind flies beyond,
while I throw pieces of bread
out of this bag I bring.
II - Heathen
In ancient times
of darkened skyes,
I've written rhymes
without lies,
about fortune
and about bad luck.
Singing a tune
while feeding a duck.
One of those
was about your hair,
Red as fire
which consumes the air,
while your attire
was left on the floor
and you posed
for me, naked at the door.
I had to paint
you in a canvas blank,
lifeless and pure.
Beauty that still allure,
far from a saint,
say words, likes to prank.
I've lost my mind,
left all the colors behind.
The only one left
between our bodies is red.
Your braids in pair,
just turned in fiery waves.
You moved oh so deft.
Loose, your phoenix feathered
hair lashed me fair.
For my flesh a nail craves.
I kissed your scarlet
lips like an apple forbidden.
Felt your theet on my shoulder.
My body you claim, be holder.
By me your deep feelings
are strongly ridden.
And of all my paintings
you're my magnum opus yet.
And you walked around
showing you pretty thighs,
making me cross any bound.
You loved to hear our sighs
when you gave us your back.
It was easy to follow your track
and hard to know when you'd talk.
For no one you'd stop your walk.
Your figure on nude
would inspire every suicidal
to stay alive on your breast,
lay on your womb on the last breath,
say words of savage love and death,
And into peace die at last.
I rather live for your memorial,
as everyone should.
III - Rest
Now I wait for my hour
patiently, to see you again.
And the wine now taste sour.
Maybe it will all end in pain.
I have hallucinations,
feel your hot breath in my nape.
Of all the expectations,
I see your hands, I see grapes.
Death touched you by request,
in your fatal mix.
Now I feel the cold in my chest
and I count to six,
Couldn't make to ten.
I see you calling me, pulling my arm.
Suddenly appears a new place, a farm.
And finally I drop my pen.
--
Tentando algo diferente.
Por favor, me avise se você algum erro, ok?
Obrigado! :)
-
Trying something different.
Please tell me if you find any mistake, ok?
Thanks! :)
sábado, 22 de maio de 2010
Oi
Garota morena
de blusa xadrez,
Linda e serena.
Chegou a minha vez.
Lhe escrevo
esse poema
enquanto te vejo.
Tenho esse problema
minha mão
se remexe
se move
a visão
me fere
me comove
Mesmo que sua visão
me transforme
me torno
escravo da paixão
onde sentimento chove,
me reformo
largo meus vícios
para sinceramente
lhe falar
meus suplícios
e calmamente
te chamar
para sair
quero seu telefone
para curtir
me fale seu nome
de blusa xadrez,
Linda e serena.
Chegou a minha vez.
Lhe escrevo
esse poema
enquanto te vejo.
Tenho esse problema
minha mão
se remexe
se move
a visão
me fere
me comove
Mesmo que sua visão
me transforme
me torno
escravo da paixão
onde sentimento chove,
me reformo
largo meus vícios
para sinceramente
lhe falar
meus suplícios
e calmamente
te chamar
para sair
quero seu telefone
para curtir
me fale seu nome
terça-feira, 18 de maio de 2010
Música metamorfose
Essa canção eu canto
para ninguém no entanto
pois também estou só,
embora não sinta dor,
a solidão não tem dó,
no coração sobra torpor.
Ainda tem calor no outono
e o amor está com sono.
Essa canção era um blues,
mas com ira se torna rock,
rebelde e forte
e até incita morte.
Solitário é este solo
que com mil notas extrapolo,
de percussão descompassada,
coração em contraponto,
essa base arritmada
vem de "bate e pronto".
A calmaria tem um riso
leve, suave improviso.
Agora o que era jazz
se renova em bossa,
com alegria de samba,
não tem choro nem fossa.
De loucura e megalomania
surge a longa sinfonia,
onde a fúria é maligna
e o ciúme é ferido,
amor sempre perdido
e a amada é divina.
Épico platônico eufórico.
Opera exalta o ato heróico.
A sabedoria está na erudita,
com notas belas e malditas.
Clássica e visceral.
Eterna e infinita.
Seja qual for o gênero,
música é algo efêmero,
confusa no bebop,
fugaz e fútil pop.
Mas é pura composição,
que traz dor e solidão.
Pura alegria e celebração,
e nunca carece de inspiração.
para ninguém no entanto
pois também estou só,
embora não sinta dor,
a solidão não tem dó,
no coração sobra torpor.
Ainda tem calor no outono
e o amor está com sono.
Essa canção era um blues,
mas com ira se torna rock,
rebelde e forte
e até incita morte.
Solitário é este solo
que com mil notas extrapolo,
de percussão descompassada,
coração em contraponto,
essa base arritmada
vem de "bate e pronto".
A calmaria tem um riso
leve, suave improviso.
Agora o que era jazz
se renova em bossa,
com alegria de samba,
não tem choro nem fossa.
De loucura e megalomania
surge a longa sinfonia,
onde a fúria é maligna
e o ciúme é ferido,
amor sempre perdido
e a amada é divina.
Épico platônico eufórico.
Opera exalta o ato heróico.
A sabedoria está na erudita,
com notas belas e malditas.
Clássica e visceral.
Eterna e infinita.
Seja qual for o gênero,
música é algo efêmero,
confusa no bebop,
fugaz e fútil pop.
Mas é pura composição,
que traz dor e solidão.
Pura alegria e celebração,
e nunca carece de inspiração.
domingo, 9 de maio de 2010
Um caso anual
Já é Segunda-feira, Domingo explodiu em milhares de pedaços e foi devorado pela areia temporal que insiste em cair afunilada. Sim, alguém virou aquele artefato rústico, antigo e que teve muita utilidade nos tempos antigos, antes de vovô e vovó nascerem, bem antes. Aquela ampulheta perdida em algum canto foi tocada, manipulada e há cinco minutos recomeçou a sua contagem, ao deslizar de grãos pelo seu interior, passando pela sua cintura fina e chegando ao seu fundo, se amontoando. Se possui sentimentos, imagino que seja de náusea, pois os grãos formam uma montanha que deve irritar qualquer estômago, mas como é um objeto, não deve ser lá muito emotiva.
Mas é culpa dela?
Será que conspirou contra o Domingo?
Assassinou mais um dia?
Não! Assim como uma arma, esta ampulheta é apenas uma ferramenta. Ela tem que ser manipulada por alguém. Alguém consciente do que faz. Alguém com um crime premeditado. Este alguém é frio e calculista, mas não se revela, nunca. Apenas temos dúvidas e nada de respostas sobre sua identidade... e talvez estejamos errados, pois podem ser mais de um elemento.
Mas o que teria Domingo feito para merecer tal castigo? A vítima era responsável por alguma atrocidade? Convenhamos, dia nove de Maio de dois mil e dez, dia das mães. Um paradoxo se segue e todo ano acontece este assassinato. Seja por uma criança atrevida que não respeita aquela que a gerou, seja por um adolescente revoltado e querendo chamar atenção, seja por um adulto que larga a mãe sem cuidados, mesmo quando viúva.
Domingo, seria sua culpa ser o "dia das mães"? Seus colegas no calendário não tomam partido algum em homenagearem estas que trazem vida ao mundo, e não tem culpa pelo término de sua existência. Portanto tu és o único com coragem de se entregar de peito aberto.
O teu assassino deve ser o mesmo que nos tira a vida, e se for, um dia terá que se explicar com todos. Cada um de nós tem uma ampulheta, e a minha talvez esteja longe de ser virada, mas quando virarem, estarei questionando, mesmo conformado com a única certeza, nada será em vão, nem a sua morte.
Obrigado por ser o mártir deste ano, tens o meu respeito.
Minha mãe sempre terá meu amor.
:)
Mas é culpa dela?
Será que conspirou contra o Domingo?
Assassinou mais um dia?
Não! Assim como uma arma, esta ampulheta é apenas uma ferramenta. Ela tem que ser manipulada por alguém. Alguém consciente do que faz. Alguém com um crime premeditado. Este alguém é frio e calculista, mas não se revela, nunca. Apenas temos dúvidas e nada de respostas sobre sua identidade... e talvez estejamos errados, pois podem ser mais de um elemento.
Mas o que teria Domingo feito para merecer tal castigo? A vítima era responsável por alguma atrocidade? Convenhamos, dia nove de Maio de dois mil e dez, dia das mães. Um paradoxo se segue e todo ano acontece este assassinato. Seja por uma criança atrevida que não respeita aquela que a gerou, seja por um adolescente revoltado e querendo chamar atenção, seja por um adulto que larga a mãe sem cuidados, mesmo quando viúva.
Domingo, seria sua culpa ser o "dia das mães"? Seus colegas no calendário não tomam partido algum em homenagearem estas que trazem vida ao mundo, e não tem culpa pelo término de sua existência. Portanto tu és o único com coragem de se entregar de peito aberto.
O teu assassino deve ser o mesmo que nos tira a vida, e se for, um dia terá que se explicar com todos. Cada um de nós tem uma ampulheta, e a minha talvez esteja longe de ser virada, mas quando virarem, estarei questionando, mesmo conformado com a única certeza, nada será em vão, nem a sua morte.
Obrigado por ser o mártir deste ano, tens o meu respeito.
Minha mãe sempre terá meu amor.
:)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Futebol, música, livro, filme e ciclos...
Esse dia fatídico, 5 de Maio de 2010, dia em que eu acordei para terminar algumas atividades. Dia em que o Timão acordou do sonho de, no seu centenário, ganhar a taça Libertadores.
Eu não costumo ser supersticioso, mas fico pensando no que me ocorreu durante o dia, e tudo de alguma forma tem algo relacionado com fim de uma fase, e começo de outra, transições... Acordei em jejum, pois tinha que fazer uma coleta de sangue, coisa trivial, mas é a ÚLTIMA de uma série de coletas de sangue. Após isto, ACABEI com o meu jejum, ou melhor dizendo comecei um desjejum, foi uma transição. E mais tarde fui no ortopedista, para começar uma série de consultas. Contando tudo isso, parece até que sou uma pessoa muito doente e hipocondríaca, mas longe disso, são só exames de praxe, e quanto a consulta ortopédica, bem, é fruto de uma partida de futebol com os amigos no último sábado. O meu único mal, realmente, neste momento, é ser o que escolhi desde pequeno, ser Corinthiano, ser sofredor, ser "LÔCO", e nunca abandonar, nunca deixar de torcer.
Sei que muitos nem ligam tanto para futebol assim, muito menos para superstições, mas será que fiz certo em finalizar algumas coisas logo hoje? Por exemplo, terminei de ler "Laranja Mecânica", livro do Anthony Burgess, mas será que deveria ter esperar até amanhã para terminar a leitura? O fim do livro, é uma transição(olha ela aí de novo) da 'jizna' 'nadsat' de Alex, cheia de 'ultraviolência', 'veshkas voni graznis', 'molokos' entupidos de drogas, Nonas de Ludwig van, 'druguis' traiçoeiros e diversões, para a vida adulta, responsável e familiar. Este último capítulo foi excluído das cópias americanas, de onde foi tirado o roteiro do filme de Stanley Kubrick, então é algo novo, e vou parar por aqui, pois não quero estragar a leitura de ninguém. Posso relacionar ao ciclo que o Timão encerrou(Copa Libertadores 2010), como Alex, e irá iniciar, no Campeonato Brasileiro deste ano, e amanhã eu começo um novo livro, "Clarissa", de Erico Veríssimo, pois preciso ler algo mais humano e menos caótico.
Está acompanhando a superstição toda?
Então tem mais uma, cheguei em casa e assisti "The Last Waltz"(juro, não sei como essa mídia ainda não derreteu de tanto que já assisti o dvd!), o último concerto da The Band em sua formação completa e original, e para mim, o melhor show de rock já gravado em vídeo com diversos convidados de alto calibre(Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison, Eric Clapton, Muddy Waters, Ron Wood, Ringo Starr, Joni Mitchell, Emmylou Harris, e mais alguns...), a direção impecável de Martin Scorsese uma celebração completa, e mesmo que bonita, triste em sua essência. Robbie Robertson(guitarra e vocais) não agüentava mais sair em turnês(hoje em dia ele compõe e produz trilhas sonoras para filmes, sendo requisitado pelo já mencionado Scorsese) e queria sossegar em casa; Richard Manuel(piano e vocais) não agüentou muito, foi o primeiro a sucumbir e se despedir do mundo, vítima de uma vida desregrada de bebedeira, resolveu se suicidar, se entupindo de cocaína, tomando uma garrafa de Grand Marnier, e se enforcando logo após; outros já estavam começando a vislumbrar carreiras solo, Rick Danko(baixo e vocais) foi o primeiro a seguir em frente, lançou um disco solo e nunca mais parou, continuou fazendo turnês até falecer em 1999, devido a problemas no coração; Garth Hudson(teclados e metais), o mais introspectivo, também seguiu solo, mas de um jeito mais intimista, e se tornou um músico de estúdio bem requisitado, até hoje é o mesmo barbudão, mago nos teclados; e para finalizar, Levon Helm(bateria e vocais), assim como Danko, nunca parou, e ainda não dá sinais de desgaste, e hoje em dia já conta com um estúdio onde bandas disputam a agenda para fazerem shows especiais(tem espaço para audiências de até 200 pessoas) e gravarem discos, e já até atuou em filmes e não para de lançar discos e fazer turnês. Enfim, a The Band começou como banda de apoio de Ronnie Hawkins e foi ao sucesso quando virou banda de apoio de Bob Dylan, que estava procurando uma banda para sua primeira turnê "elétrica"(olha só a transição de novo!) , e seguiu lançando com eles o famoso disco "The Basement Tapes"(OUÇA! É OBRIGATÓRIO!), e a banda acabou por ficar grande por si própria e seguiu separada de Dylan, até o seu término na sua última valsa. E assim finaliza mais um ciclo.
E aí, temos os cem anos do Coringão. Um ciclo se encerra, um século se conclui, e uma transição se passa neste momento, não tão alegre como eu desejava, mas faz parte. Essas coisas que só acontecem no futebol, afinal tudo é resolvido em detalhes entre quatro linhas. Nem adianta ficar discutindo o que deu errado, já passou. Mas gostei do jogo que vi, da força de vontade, da garra e da entrega, para jogar no Corinthians, ao meu ver, o jogador tem que mostrar 'raça', força de vontade, e paixão pela camisa(o que é raro hoje em dia), e eu vi tudo isso(pela TV, infelizmente) e mais, vi uma torcida, mesmo chateada com a desclassificação, cantar e exaltar o desempenho do time em campo, e fico feliz, pois em meio a tanta violência(o Alex 'nadsat' iria adorar morar num Brasil cheio de 'ultraviolência' entre torcidas, trocando 'toltchoks' e vendo 'krovi' escorrer...) que temos hoje no futebol, é raro ver uma torcida comportada e mesmo na derrota, ter orgulho da camisa que veste.
Será que a minha superstição tem fundamento? Talvez não, não saberia explicar, nem um milhão de anos como eu posso relacionar tudo isso com a desclassificação do Timão na Libertadores, apenas foi um pensamento que passou pela minha cabeça, aquele velho e bom "e se..." que sempre volta a atormentar.
Não adianta, a única explicação decente é a velha máxima: Futebol é uma caixinha de surpresas.
Hoje começa um novo ciclo, e lá vou eu seguir em frente com algo novo, mas para sempre corinthiano, torcedor, sofredor, "LÔCO" e que nunca vai abandonar a camisa.
VAI CORINTHIANS!
Eu não costumo ser supersticioso, mas fico pensando no que me ocorreu durante o dia, e tudo de alguma forma tem algo relacionado com fim de uma fase, e começo de outra, transições... Acordei em jejum, pois tinha que fazer uma coleta de sangue, coisa trivial, mas é a ÚLTIMA de uma série de coletas de sangue. Após isto, ACABEI com o meu jejum, ou melhor dizendo comecei um desjejum, foi uma transição. E mais tarde fui no ortopedista, para começar uma série de consultas. Contando tudo isso, parece até que sou uma pessoa muito doente e hipocondríaca, mas longe disso, são só exames de praxe, e quanto a consulta ortopédica, bem, é fruto de uma partida de futebol com os amigos no último sábado. O meu único mal, realmente, neste momento, é ser o que escolhi desde pequeno, ser Corinthiano, ser sofredor, ser "LÔCO", e nunca abandonar, nunca deixar de torcer.
Sei que muitos nem ligam tanto para futebol assim, muito menos para superstições, mas será que fiz certo em finalizar algumas coisas logo hoje? Por exemplo, terminei de ler "Laranja Mecânica", livro do Anthony Burgess, mas será que deveria ter esperar até amanhã para terminar a leitura? O fim do livro, é uma transição(olha ela aí de novo) da 'jizna' 'nadsat' de Alex, cheia de 'ultraviolência', 'veshkas voni graznis', 'molokos' entupidos de drogas, Nonas de Ludwig van, 'druguis' traiçoeiros e diversões, para a vida adulta, responsável e familiar. Este último capítulo foi excluído das cópias americanas, de onde foi tirado o roteiro do filme de Stanley Kubrick, então é algo novo, e vou parar por aqui, pois não quero estragar a leitura de ninguém. Posso relacionar ao ciclo que o Timão encerrou(Copa Libertadores 2010), como Alex, e irá iniciar, no Campeonato Brasileiro deste ano, e amanhã eu começo um novo livro, "Clarissa", de Erico Veríssimo, pois preciso ler algo mais humano e menos caótico.
Está acompanhando a superstição toda?
Então tem mais uma, cheguei em casa e assisti "The Last Waltz"(juro, não sei como essa mídia ainda não derreteu de tanto que já assisti o dvd!), o último concerto da The Band em sua formação completa e original, e para mim, o melhor show de rock já gravado em vídeo com diversos convidados de alto calibre(Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison, Eric Clapton, Muddy Waters, Ron Wood, Ringo Starr, Joni Mitchell, Emmylou Harris, e mais alguns...), a direção impecável de Martin Scorsese uma celebração completa, e mesmo que bonita, triste em sua essência. Robbie Robertson(guitarra e vocais) não agüentava mais sair em turnês(hoje em dia ele compõe e produz trilhas sonoras para filmes, sendo requisitado pelo já mencionado Scorsese) e queria sossegar em casa; Richard Manuel(piano e vocais) não agüentou muito, foi o primeiro a sucumbir e se despedir do mundo, vítima de uma vida desregrada de bebedeira, resolveu se suicidar, se entupindo de cocaína, tomando uma garrafa de Grand Marnier, e se enforcando logo após; outros já estavam começando a vislumbrar carreiras solo, Rick Danko(baixo e vocais) foi o primeiro a seguir em frente, lançou um disco solo e nunca mais parou, continuou fazendo turnês até falecer em 1999, devido a problemas no coração; Garth Hudson(teclados e metais), o mais introspectivo, também seguiu solo, mas de um jeito mais intimista, e se tornou um músico de estúdio bem requisitado, até hoje é o mesmo barbudão, mago nos teclados; e para finalizar, Levon Helm(bateria e vocais), assim como Danko, nunca parou, e ainda não dá sinais de desgaste, e hoje em dia já conta com um estúdio onde bandas disputam a agenda para fazerem shows especiais(tem espaço para audiências de até 200 pessoas) e gravarem discos, e já até atuou em filmes e não para de lançar discos e fazer turnês. Enfim, a The Band começou como banda de apoio de Ronnie Hawkins e foi ao sucesso quando virou banda de apoio de Bob Dylan, que estava procurando uma banda para sua primeira turnê "elétrica"(olha só a transição de novo!) , e seguiu lançando com eles o famoso disco "The Basement Tapes"(OUÇA! É OBRIGATÓRIO!), e a banda acabou por ficar grande por si própria e seguiu separada de Dylan, até o seu término na sua última valsa. E assim finaliza mais um ciclo.
E aí, temos os cem anos do Coringão. Um ciclo se encerra, um século se conclui, e uma transição se passa neste momento, não tão alegre como eu desejava, mas faz parte. Essas coisas que só acontecem no futebol, afinal tudo é resolvido em detalhes entre quatro linhas. Nem adianta ficar discutindo o que deu errado, já passou. Mas gostei do jogo que vi, da força de vontade, da garra e da entrega, para jogar no Corinthians, ao meu ver, o jogador tem que mostrar 'raça', força de vontade, e paixão pela camisa(o que é raro hoje em dia), e eu vi tudo isso(pela TV, infelizmente) e mais, vi uma torcida, mesmo chateada com a desclassificação, cantar e exaltar o desempenho do time em campo, e fico feliz, pois em meio a tanta violência(o Alex 'nadsat' iria adorar morar num Brasil cheio de 'ultraviolência' entre torcidas, trocando 'toltchoks' e vendo 'krovi' escorrer...) que temos hoje no futebol, é raro ver uma torcida comportada e mesmo na derrota, ter orgulho da camisa que veste.
Será que a minha superstição tem fundamento? Talvez não, não saberia explicar, nem um milhão de anos como eu posso relacionar tudo isso com a desclassificação do Timão na Libertadores, apenas foi um pensamento que passou pela minha cabeça, aquele velho e bom "e se..." que sempre volta a atormentar.
Não adianta, a única explicação decente é a velha máxima: Futebol é uma caixinha de surpresas.
Hoje começa um novo ciclo, e lá vou eu seguir em frente com algo novo, mas para sempre corinthiano, torcedor, sofredor, "LÔCO" e que nunca vai abandonar a camisa.
VAI CORINTHIANS!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A sailor and a waitress
It's about a feeling between two persons:
A boy, stranded and haunted by vultures;
A girl, full of joy, giving bread to pigeons.
The distance between them is a matter of cultures.
Different and significant both are,
from each other they still live so far.
Like a nymph, she would enchant you around her,
perhaps more a mermaid who sings hypnotizing you.
He always dreamed about her being together
with him, who felt that dreams can come true
to anyone, it's only a matter of efforts and wanting,
but it leaves him waiting and longing.
She maybe doesn't care so much, or at all
about this foolish sailor, he's leaving land.
Her feelings can't grow to someone without home,
it must have, at least, some time to spend
in her company. And in love he must fall
for her only and nobody else in the future to come.
One day prior to his departure, he decides to write,
while sitting in the harbour, a letter to his parents
about this two year sailing trip on this merchant boat.
He says he'll be alright, they don't have to worry, he'll survive
the trip. Sudden the girl notice he's freezing while writing sentences,
He went outside the pub where she works and forgot his coat.
She came to him, suddenly their eyes meet,
but it's late, they can hear the whistle blow
Things have been said, now it's time to go.
Every night she prays, standing on her bare feet.
He promised her, in two years he'll return.
One year has passed and his candle still burns.
--
Demorei alguns meses(escrevi em Outubro de 2009) para rever este poema, estava guardado numa gaveta e fiquei surpreso, pensei que tivesse parado no lixo.
Não tinha essa última estrofe, escrevi agora, acho que não tenho melhor maneira de concluir, senão eu acabaria deixando muito longo, este final está apropriado.
Agora vou começar a escrever mais em inglês, é interessante trabalhar rimas com outra língua. E se achar algum erro, por favor me corrija.
:)
A boy, stranded and haunted by vultures;
A girl, full of joy, giving bread to pigeons.
The distance between them is a matter of cultures.
Different and significant both are,
from each other they still live so far.
Like a nymph, she would enchant you around her,
perhaps more a mermaid who sings hypnotizing you.
He always dreamed about her being together
with him, who felt that dreams can come true
to anyone, it's only a matter of efforts and wanting,
but it leaves him waiting and longing.
She maybe doesn't care so much, or at all
about this foolish sailor, he's leaving land.
Her feelings can't grow to someone without home,
it must have, at least, some time to spend
in her company. And in love he must fall
for her only and nobody else in the future to come.
One day prior to his departure, he decides to write,
while sitting in the harbour, a letter to his parents
about this two year sailing trip on this merchant boat.
He says he'll be alright, they don't have to worry, he'll survive
the trip. Sudden the girl notice he's freezing while writing sentences,
He went outside the pub where she works and forgot his coat.
She came to him, suddenly their eyes meet,
but it's late, they can hear the whistle blow
Things have been said, now it's time to go.
Every night she prays, standing on her bare feet.
He promised her, in two years he'll return.
One year has passed and his candle still burns.
--
Demorei alguns meses(escrevi em Outubro de 2009) para rever este poema, estava guardado numa gaveta e fiquei surpreso, pensei que tivesse parado no lixo.
Não tinha essa última estrofe, escrevi agora, acho que não tenho melhor maneira de concluir, senão eu acabaria deixando muito longo, este final está apropriado.
Agora vou começar a escrever mais em inglês, é interessante trabalhar rimas com outra língua. E se achar algum erro, por favor me corrija.
:)
Assinar:
Postagens (Atom)