segunda-feira, 21 de março de 2011

Seja Livre

Seja livre.
Seja livre no pensamento;
seja livre na sua vontade;
seja livre no firmamento;
seja livre na verdade.

Se alguém tentar lhe podar,
mostre-se livre de limite,
mesmo assim, alguém insiste;
jogue fora a maldade.

Ninguém pode te controlar,
nem lhe dizer o que fazer,
muito menos qualquer dever;
fique com a bondade.

Seja livre antes que seja tarde.
Seja livre de verdade.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sláinte!

E sobe ladeira
e desce ladeira
e sobe ladeira
e desce ladeira,
não que eu queira
fazer isso
nessa quinta-feira,
mas é necessário
no tal dia
de São Patrício,
e sigo na via
para encontrar,
sentados nas cadeiras,
todas de madeira,
meus amigos,
me chamando para brindar,
unidos
nessa festa cervejeira.

Nenhum barulho foi maior
que o nosso,
então posso
dizer que não conheço
quem teve festa melhor;
já era sexta-feira
quando resolvi voltar,
subindo ladeira,
descendo ladeira,
até minha casa,
depois da bebedeira.

Aos meus amigos,
irmãos perdidos,
bêbados unidos,
doidos varridos:
SAÚDE!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dilêma em solo de improviso

Metade direita sabe
que certa parte me cabe
tal capítulo da vida,
onde rasga-se, ferida.

Metade esquerda sente
asco de tal babaquice,
que indefinidamente
sem um sentido, agisse.

Excessos malditos assim
corrompem qualquer pobre ser
que não sabe qual é seu fim.

Reconheci meu controle
nas minhas mãos; no meu poder,
asseguro que se sole.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ego cego

Lembro que ele me dizia
que tinha razão
sobre todas coisas
e sobre o que é em vão.

Era conhecedor da maioria
e com propriedade
falava sobre outras
coisas, com integridade.

Mas como pode ser íntegro
se está corrompido?
Não pensa livremente
e está um tanto perdido.

De que adianta este logro
no ego por tal razão?
É pífio e decadente,
limitado em sua questão.

De tão inflado, esse ego,
nunca se dava por errado.
Assim sempre achava
que "falou e está falado".

Punha na madeira o prego
para fixar o que dizia.
No fundo, ele inventava,
pois, no fundo, nada sabia.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um tema e um trem

I:

Estive andando nas ruas e não ouvi,
também olhei para os lados e não vi,
e agora chego e nada tem.
Fico então preocupado e procurando,
sem saber o quê, onde e quando.

Não sei nem quando isso começou,
só que agora faz parte do que sou.
Não escolheu lugar, foi de repente
e de todos os vazios, é diferente,
pois preenche sem dizer o que é.

Então fica palpável que seja algo
fora da realidade. Me sentindo alto,
percebo que é mais uma ilusão
e que as vezes ando na contra-mão.


II:

Quando dou por mim e me desperto,
me encontro sentado nesse banco,
numa estação conhecida, esperando.
Talvez passe um trem, estou incerto.

Chega o trem sem fazer sua fumaça,
sem queimar diesel no trilho fino.
Para onde vai, diz ser sem destino,
sem parar pelas estações que passa.

O trem segue viagem para algum lugar
e eu fico sentado, pensando...
Esperando...
Onde isso vai parar?
Em algum lugar, não sei onde e quando.
Não sei nem mais, nem menos o porquê.


III:

O que não ouvi e o que não vi
são chamados que não entendi
e nem vou procurar entender.

Pois esse trem é minha vida
e ele passa por tantas vidas
que não ouvi e nem vou ver.

Segue rápido por noite e dia
e eu devo sentir a alegria
de poder seguir e viver
sem me preocupar porquê.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um pote

Pois é, assim mesmo digo que acabou,
no pote não tem nada,
sequer um resquício sobrou.
Está vazio, a borda quebrada
e a tampa sumiu.

Como pode dizer algo se nem entende
que o que tinha no pote
acabou e não volta?
Consumiu o que via enfrente
e agora tem revolta?

Por isso que não me apego ao fugaz,
é fútil e quando acaba,
nada de bom nos traz
além do que é momentâneo,
e depois deixa-nos o nada.

Tudo acaba, como acabou o que tinha
nesse pote que você aninha
em seus braços, enquanto
assiste ao meu desapego
por ti, que já é um bom tanto.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valentina's Day

Hoje é dia dos namorados (Valentine's day) lá na gringa.

E por que não no mundo?

Em teoria, um cupido sai atirando flechas por aí, mas sempre acerta alguém.

No meu caso sou vítima da admiração pela Valentina, e entendo o que Guido estava dizendo ao mostrá-la, entendo o que poucos levam a importância, a metalinguagem de sua criação, onde até o criador foi dominado por sua Srta. Rosselli. Ah, pobre Crepax. Dominado, ele fez escola; tanto ele como Serpieri se tornam instrumentos de divulgação de suas crias e elas não os deixam nunca mais, se tornando maiores que seus deuses. São retratos de mulheres e suas conquistas da idade contemporânea e suas revoluções. E quem não gosta de uma mulher inteligente, dona de si, que sabe o que quer? Não estou falando de mulheres cujo comportamento são como de um homem, e faz de tudo para ser a parte masculina da relação, enquanto o homem se submete a esse perfil patético de inversão de papéis, ninguém é dono de ninguém, simples assim. Qual é o lance de Crepax e Serpieri, e não esquecendo, Manara? Eles abusam até da perversão, mas é aí que a coisa toda se encaixa, para mostrar a liberdade, usa-se o choque. Chocar o leitor era a maneira destes destacarem a admiração que eles tem por mulheres, no caso de Crepax, no fetiche sado-masoquista, no caso de Serpieri, com criaturas de outro planeta, robôs, etc. Manara, simplesmente abusa da história e até de costumes tão infestados de pudor pela sociedade, e em todas as figuras se mostra uma coisa, a mulher e seu prazer em participar de tudo isto. Nesse ponto uns podem pensar que é doentio, mas não entendem o choque cultural, eles representam que as mulheres tem sua própria sexualidade, as vezes em excesso, ou mesmo que pouca, e não tão pornográficas, hetero ou homossexuais, não importa, a mulher retratada por eles é alguém livre de amarras e com vontade própria, seja do lado mais casto ao mais vulgar. São as mulheres de fumetti, são as bem decididas, que simplesmente apertam a tecla "FODA-SE" para as pessoas que tentam lhe dizer o que devem fazer ou não, o que é melhor ou não, que simplesmente mandam à merda situações com um cara de quem não estão afim, mandam à merda os amigos que querem desencalhar uns perdidos com elas, pagam a conta quando querem, e te fazem pagar quando bem entenderem (mas sempre tenha o primeiro movimento, senão a fila anda...) e procuram se desenvolver, viver a vida da maneira que bem entenderem, se relacionar com quem gostam, são inteligentes e ótima companhia. Mexem com o imaginário masculino.

Quem disse que história em quadrinhos é coisa de criança?


Portanto nesse Valentine's Day, eu fico pensando na Valentina, não a de Crepax, mas na minha, melhor dizendo, na que me acompanha, pois não sou dono dela, nem ela dona de mim, mas por todos os outros sentidos, parafraseando um ditado "é minha dama de dia, e minha louca de noite". Minha amada Valentina.

Castelo

Dizem que ele está lá no alto,
protegido de tudo,
mas você vê apenas uma casa
no nível do asfalto
e não sabe mais
se está vivendo a realidade.

Não adianta consultar oráculo,
não vai te explicar
seria isso a nossa cova rasa
vista por binóculo,
ou nos deixamos
dominar pelos controladores?

Ele não consegue te entender
pois escreveu antes
o que pode ser real agora.
Talvez sem perceber
vivemos o que eles
querem sem sequer questionar.

Alienação superior e poderosa
ou apenas paranóia?
Essa resposta está perdida
na massa nebulosa
da mente inquieta
que agora quer atormentar.

Não vai ter nenhuma sabedoria
que vai esconder
o fato, agora que procuram
a resposta todo dia.
Chegou a nossa hora
de acabar com a distopia.

--

Valeu PKD!

Epicondilite

Ter epicondilite deve ser uma merda,
ainda bem que nunca passei por isso,
por mais que a articulação estale,
mas conheço quem tem, na certa,
não fala por vergonha e deixa omisso
e acha ruim que alguém lhe fale.

Até existe tratamento específico
mas tem medo de qualquer tipo de médico
insiste em ficar com esse problema,
mas de que adianta, não é o meu físico,
já dei a dica, e olha que sou cético,
mas essa pessoa gosta de fazer cena...

Penso como é bom, dos males, não tê-lo,
nessa vida já se tem muita desavença
e tenho sorte de ser um tanto saudável.
Então fique aí com sua dor de cotovelo,
já que não resolve cuidar de sua doença,
pelo menos torne sua vida passável.

E não venha me falar de seus problemas
pois já tenho os meus para me preocupar.
Não elabore cenas de filmes de cinema,
não sou ator e de graça nem vou tentar.
Vá ao médico fazer uma consulta, entenda,
ele é bem mais indicado para te ajudar.

--

Se você tem problema consigo mesmo, saiba lidar com ele sozinho.
Capisce?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Uma só

Cedem os fios
que conectam, finos,
a existência lúdica
solta em essência,
única revolta
dessa escuridão.
Como fibras podem
comandar, o ânimo
participa e convém,
uma depressão;
uma preocupação
e o fim da paciência.
Como uma emoção
tão fria e vulnerável
contagia?
Ah, saúde deplorável...
O fim da vida é sua
decadência.
A vida sempre acaba nua.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Minha Flora

A minha alegria está em ver as árvores,
seja na chuva ou no sol; eu as vejo balançar
nas terras esquecidas onde não interferem
ao balanço natural da luz, sombra e flores.

A minha vontade é de poder lhe contar
coisas que só minha mente pode sonhar
e que só você possa, com atenção, ouvir
as palavras que eu venha a proferir.

Você, minha raiz de realidade que nem plantei,
me dá o melhor dos dois mundos de graça;
eu toco a sua folhagem e respiro seu ar,
então eu cuido para que fique como sonhei.

Mas seria esse sonho de cuidar de você
uma realidade do meu dia à dia ao seu lado
ou seria um sonho de um fato não consumado,
fico na dúvida se é real ou algo sonhado.

Minha floresta de sombra, vento e luz clara,
quando chove fica fresca, no sol quente e rara;
nas terras onde você balança sua folhagem
falo com as plantas e cuido dessa nossa alegria.

Seja qual for a estação, sinto sua magia,
Se misturando na luz da lua ou no calor do dia.

--

Não preciso explicar, seu nome está lá.

Sina Insana

Encarava como uma sina
essa situação um tanto insana
porque virou a década
já faz tempo que o milênio
começou a rodar no calendário
e muitos são seguidores do fluxo
e não pensam, deixam isso para um gênio
outros ficam de fora
seguem com sua vida cada
tentando ser diferentes
e se comportam da mesma maneira
e o ser humano continua um babaca
se não está feliz
está triste
se não se contradiz
diz o que outro disse
não tem personalidade
tão pouco verdadeira individualidade
e aquilo que julga necessário
dá moral para mais um falsário
e até quando ficará assim?
É uma sina insana.

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011

Atrasado, eu sei, mas não venho para fazer retrospectiva, isso a rede Globo já faz, eficientemente. Não venho falar nada do que aconteceu comigo, esse blog não tem função de ser um diário, é no máximo um veículo para minhas loucuras e causos que gosto de escrever de vez em nunca.

Venho apenas desejar um ano cheio de felicidade, saúde, amor, sucesso e paz para todos.
E para a mulher que me acompanha (que acompanho também, oras!) para lá e para cá, todo o meu amor, como te dou desde o primeiro dia juntos. ;*

Obrigado e tenham um ótimo 2011!
Tudo de bom! :D

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Penso em você quando chove

São 14:30... faltam duas horas. 14:30 e o céu está escuro, nessa cidade com incidência de raios ímpar, uma das maiores no estado, Sanca City, Sanca, São Caetano, São Caetano do Sul. Já estou vendo todo o filme, ele repassa na minha mente como já passou tantas outras vezes na vida real. O brilho fora da janela, e alguns minutos depois, o bairro inteiro sem luz, e o trabalho acaba por ser interrompido. Esqueci em casa o livro que estou lendo, e quando a luz acabar, tudo cessará. E quando as luzes acabarem, o que será de mim? O que será de você? O que será de nós? Eu sei as respostas. Sei porque é você quem apaga as luzes quando está à minha direita, sou eu quem apaga quando trocamos de lado. E sei o que será, pois onde você estiver, onde eu sentir sua pele, sentir seu toque, quando eu ouvir sua voz, ou apenas sentir a sua presença, será meu lugar nesse mundo, meu canto, onde ninguém além de você pode invadir. Os raios vão apagar a cidade, a chuva inundará onde for possível e vai lavar a alma, mas nunca vai levar sua presença na correnteza dos rios que deixam essa pequena São Caetano do Sul ilhada do resto do mundo. Essa minha ilha, ilha da minha vida só é meu lar porque moro aqui, mas junto de você qualquer lugar é uma ilha, nossa ilha, numa gostosa chuva de verão.
Já vi que os raios estão ficando mais fortes, e logo mais estarei na escuridão de Sanca City, e enquanto chover, ficarei aqui, pensando em você.

;)

O tempo passa

Deixa o tempo passar
os segundos marcados
por sessenta intervalos
num compasso,
o minuto.

O ponteiro,
certeiro, que passa em sessenta vezes
criando um minuto de passado;
de minutos cria-se horas
passadas, de horas cria-se
dias passados e segue
por semanas,
meses, anos, eras.

O tempo ensina passando
e a evolução,
queira ou não,
está sempre nos mudando.

Fica apenas o zeitgeist,
esse perdura enquanto
houver lembrança e nela
houver um certo encanto.

O tempo passa,
o zeitgeist é passado,
o passado é memória
que é besta ou notória
em formar uma história
que pode ou não
ter marcado
o tempo passado.

Deixa o tempo passar...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coven

O congresso de bruxas cresceu
e seus fanáticos se dividiram,
às treze vagas se excederam
e o grupo em parte dissolveu,
perdeu as carnes de sacrifício
pois foram embora sem os mantos,
não deixaram sequer resquício
e absorveram todos os encantos.

A dissidência que renunciou
agora é caçada pelas malditas
purulentas, vadias e fedidas,
pois do pacto do mal se livrou
trazendo grande falta no altar
onde os rituais de ódio geram
mortes e do sangue se embebedam;
poucos conseguem se salvar.

As transformações são decrépitas,
da juventude ao corpo da cripta,
verrugas e uma precoce velhice,
das bocas saem diversas sandices,
mas quando desejam algo no mal,
elaboram mais um sangrento ritual,
percorrem florestas e cidades,
as vítimas correm mas já é tarde.

Sejam lá o que forem, velhas pagãs,
ou mulheres amantes de Satan.
Não se mede esforço para eliminar
o que acha que está a atrapalhar.
Os objetivos desse grupo vil
ao planejar adotiva Saturnália,
como fachada para abrir seu covil,
é absorver os bons em represália.

O bode de Mendes assiste à procissão
feita em homenagem à sua presença,
mas será isso uma certa desavença?
Pois sobre Baphomet não há revelação,
ninguém sabe ao certo o que ele é
nem qual o seu propósito místico,
só se sabe que é um ser metafísico,
nem se sabe se responde à uma fé.

Seres pútridos de pura maldade
transtornados e cheios de falsidade
um dia terão a sua vez.
Será fatal.
O juízo final?
Talvez...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Infante

Trabalha como um condenado
pegando pesado,
ou simplesmente
é colocado na linha de frente.
Só sabe que é um peão,
um soldado
nessa brincadeira de criança
sem comandante.

Brincadeira ou realidade,
mata a vontade;
o tempo passa
e logo não é mais criança,
mas sim adulto; num instante
o tempo voa, mas segue adiante,
seu coração ainda é infante.

Conhece a menina que te encanta,
tanto que até espanta,
e mesmo não sendo filho de rei
destinado ao reinado,
é infante num coração apaixonado,
criança num mundo sem lei
para o amor destinado.

Peão trabalhador ou não,
soldado de papel
ou herdeiro de nada,
descarte a senil razão.
Se permita saborear um mel
junto de sua amada
nessa infantil paixão.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fina linha

Sugerem algo que talvez cure
e as mazelas lhe abandonam
por aversão ao remédio,
mas certas seqüelas, deixam
no corpo, como um tédio.

Espera que a notícia fure;
as doenças foram, mas a dor,
essa ficou, para lembrar
de um doentio amargor
que vem para assolar.

Mas não tem problema insolúvel
as vezes é melhor largar
o que não faz bem;
deixar esse nó se desatar
e cicatrizar, além

do que já foi, e não é impossível,
agora que as facetas são
jogadas ao vento,
pois são, e aqui e ali estão
ao ar livre, de um contento.

Todos querem, assim, deliberar,
nem ao menos levando
em conta que a fina linha
no horizonte pode ter acima o ar
e abaixo a água ondulando,
afogando qualquer criancinha
que não sabe onde "dá pé".
É tão simples; é o que é.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Aquele beijo eu tive que roubar...

Aquele beijo eu tive que roubar,
não pude mais esperar,
nem tive como me segurar.

O perigo estava há meses iminente.
Era sim muito urgente,
pois só assim obtive vida novamente.

Eu não podia viver sem meu coração,
há anos agarrou-o com sua mão,
então de seu beijo fui ladrão.
Nem sequer pedi sua permissão,
pois você roubou do meu peito sem perdão.

Continuo te roubando a qualquer momento,
pois você é minha ladra ao seu contento,
então por mais de mil poemas eu invento
situações para beijar sua boca, eu tento.

Finders, Keepers

Seemed to be left by no-one
and somehow by everyone.
Us two there, left alone,
the others, by now, were gone...
I'm fed up with this. I'm done.

I need to ask:
What to do when you find
it there simply unowned?
Will you choose to be blind
and keep feeling abandoned?

This is not a task,
this is all we wanted to have,
we yearned for it for a long time...

We can sing the old rhyme
"Finders, keepers;
Losers, weepers!"
Since we've found love,
they say that "Love is a crime".
Disagreeing, I say "that's not true".

We both stole each other's hearts
and for this are guilty as charged?
Let's make haste before a trial starts,
let's run away from the stupid judge,
repeating:
"Finders, keepers;
Losers, weepers!"
Singing,
gladly not to the tune of "Jeepers Creepers".

--

Agradeço à Kate McGeachie pela revisão.
Thank you! :)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Seu comichão

É, de repente, um comichão
que lhe invade,
como se precisasse
satisfazer essa coceira,
esse desejo por um beliscão
de uma realidade,
que é como se sonhasse
com algo que nunca vivera,
mas nunca passara disso...
Seria então um déjà-vu?
Essa imagem tão real
seria só um pormenor
que lhe afetou omisso?
Insight que guardou para si,
despertou como um animal
cravando as garras com ardor
vermelho que te arrebata
com tamanha força e paixão,
te confundindo os sentidos
e espremendo o mais vital
dos órgãos, que te mata
a cada aperto, um coração
de sentimentos vívidos
querendo esse amor fatal.
Um comichão de morte
te pedindo uma cura,
alguém que possa coçar
e lhe faça só o bem,
tirando fora num corte
essa coceira que dura,
assim podendo te aliviar
e te dar tudo o que tem.
Às vezes o sonho é real
e a realidade um devaneio,
ambos despertos juntos
nesse confuso comichão,
mas o amor acalma o animal,
e a coceira que lhe veio
já virou defunto;
resta à vida uma paixão.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O dia está chato?

Eu sinto tédio.
É um tédio que assola o dia,
cansando o Sol que se põe
porque cansou de iluminar
essa parte em que estou
e foi dar luz a outro lugar.

Não tem remédio
para saber se tudo isso valia
ou não a pena, ele depõe
por estar cansado disso
tudo e ver tanto descaso
desse povo submisso.

Andando no prédio,
ela percebe que talvez faria
sentido o que ele propõe;
seria uma vida sossegada,
poder sair da cidade grande
e viverem juntos em Pasárgada.

Seria rotina um mal?
Eu não vejo mal na rotina,
vejo mal no que não gosto.

Essa monotonia sem sal?
Não, a rotina que me engana
e na cadeira me recosto.

Por mais que faça algo novo,
o novo vira velho e rotineiro,
e a vida é assim, um vespeiro
velho que eu por fim renovo.

Seria a vida feita de novas
emoções velhas
e as emoções velhas
de vidas renovadas?
Tédio e rotina, que besteira.

sábado, 13 de novembro de 2010

24/7 (Esperar parte 2)

Te esperar foi inconsciente,
pois não me permitia.
Você não estava livre assim,
tinha alguém na minha frente
e era um problema para mim.
Fingia que te esquecia.

Neguei para todos em volta,
dizia que isso "passou",
o que acontecia não tinha mal,
pois escondi no meio da revolta
do vazio da vida superficial
a ausência do que levou.

Não te esqueci completamente,
tentei, mas desisti.
De alguma forma me enfeitiçou,
tomou minha alma, corpo e mente.
Do meu ser, você se apossou,
e eu não resisti.

Na sua presença a escuridão
sempre se faz clara.
Na sua ausência eu perguntava
por ti, não importava a ocasião,
pois alguma coisa faltava...
era sua beleza rara.

Pensando bem, não foi tão fácil
e inconsciente como disse.
Eu fazia questão de estar perto
e quando te encontrava era notável
que eu deixava meu peito aberto
para que você visse.

Vivia afundado nesse turbilhão.
Ver você me feria,
pois sempre estava acompanhada
e eu queria lhe segurar pela mão,
para te tornar a minha amada,
talvez um dia.

Todos me viam como um torto,
era meu jeito de fugir.
Preferia ser lúcido e decente
mas me acelerava à ser morto,
me comportava como demente
e acabava por me ferir.

Não tem como eu te explicar,
deixo que interprete.
Apenas escrevo aqui esperando
esse longo tempo todo passar,
enquanto fico te desejando
vinte e quatro por sete.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A diferença das frutas

Essa grande maçã que muitos querem
me parece fútil, me serve de nada
não é pelo fato de que todos a querem
que não me serve, apenas não espero
algo dela, é azeda e suja, mal lavada.
Apenas não me agrada, apenas não a quero.

Quero de volta uma fruta que tem aqui,
gosto mais da produção nossa, tropical.
Tem muito mais sabor, com suco delicioso
que me refresca no verão; até como caqui,
e se for algo não doce, não preciso de sal.
Talvez alguns me acusem de ser teimoso,

mas quando me pego comendo maçã, insisto
em criticar, perto de outras, não é nada,
e sim uma fruta meio sem graça e sabor,
nada como estar com a minha mão lambusada
de manga suculenta de fiapos, não resisto,
é doce na medida, e como seja lá onde for.

Mas por favor, não me dê essa grande maçã
novamente, quero ficar um bom tempo longe
dessa fruta insossa que acho bem sem graça.
Não adianta, é fruta tropical que como onde
for, sejá lá na minha casa ou em um praça,
e lhe dou um pedaço na boca, toda manhã.